quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Caixa diz que refará propaganda para corrigir “Machado de Assis branco”

A Caixa Econômica Federal informou nesta quarta-feira (28) que fará nova versão da peça publicitária sobre os 150 anos da instituição para corrigir a representação de Machado de Assis, que no vídeo foi interpretado por um ator branco. O escritor era mulato.
A campanha, cuja veiculação na TV foi suspensa após ser alvo de críticas e reclamações, pode ser vista no You Tube, clique aqui.
A peça mostra ainda Machado de Assis depositando dinheiro em uma caderneta de poupança e informa que ele fez seu testamento pela Caixa.
Nesta quarta-feira (28), a Caixa informou ao G1 que a produção da nova peça já foi encomendada e que ainda não está definido como será o roteiro desse novo vídeo.
‘Providências para retificar o erro’
De acordo com comunicado divulgado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir-PR), a Caixa comunicou a decisão de refazer a peça em ofício enviado à Seppir na segunda-feira (26).
No documento da Caixa, de acordo com a Seppir-PR, além do “pedido de desculpas pela caracterização inadequada do escritor” na peça publicitária, a presidência do banco informa as providências adotadas para retificar o erro, afirmando que “em nenhum momento, houve premeditação ou intenção de alterar a sua origem racial”.
No ofício, segundo informações da secretaria, a Caixa também informa que notificou as emissoras de TV, pedindo a suspensão da veiculação do filme, e que excluiu a exibição da peça do seu sítio eletrônico.
O documento reafirma ainda que “as providências vão ao encontro do esperado e consolidam o acordo de cooperação que está sendo firmado com a Seppir”, órgão com o qual o banco reforça o “interesse em agregar esforços às ações em prol das causas raciais e sociais”.
Reclamações e pedido de desculpas
Na semana passada, a propaganda foi alvo de reclamações na internet e de uma queixa formal divulgada na segunda-feira (19) pela Seppir-PR.
Na nota, a entidade dizia que “Caixa deve corrigir a produção deste vídeo, reconhecendo o equívoco e considerando o diálogo que vem mantendo com a sociedade ao longo da sua trajetória institucional”.
Na quarta-feira (21) , a Caixa anunciou a decisão de suspender a veiculação da campanha publicitária na TV. O próprio presidente do banco, Jorge Hereda, pediu em comunicado desculpas à população e aos movimentos ligados às causas raciais.
“O banco pede desculpas a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial”, disse o presidente da Caixa, Jorge Hereda, em nota divulgada pelo banco.
Fonte: G1, ator no papel de Machado de Assis em comercial de 150 anos exibido pela CEF. (Foto: Reprodução)

Governo pede suspensão de comercial de lingerie com Gisele Bündchen

A Secretaria de Políticas para Mulheres do governo federal pediu ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) a suspensão do campanha publicitária “Hope ensina”, que traz a modelo Gisele Bündchen mostrando a “melhor maneira” de contar más notícias ao marido.
Primeiro, Gisele aparece usando roupas normais para falar, por exemplo, que bateu o carro. A estratégia é classificada como “errada” e em seguida a forma “correta” é mostrada: a modelo repete a notícia, usando apenas lingerie. “Você é brasileira, use seu charme”, conclui a peça publicitária, que está no ar desde o último dia 20.
A secretaria afirmou que recebeu, por meio da ouvidoria, diversas manifestações de indignação contra a peça. Foram enviados dois ofícios –um ao Conar, pedindo a suspensão da propaganda, e outro ao diretor da Hope Lingerie, Sylvio Korytowski, manifestando repúdio à campanha.
Para a secretaria, “a propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grande avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas”.
A Secretaria de Políticas para Mulheres também diz acreditar que o comercial reforça a discriminação contra a mulher, o que infringe a Constituição Federal.
OUTRO LADO
Em resposta encaminhada à secretaria, a Hope informa que o objetivo da campanha é “mostrar, de forma bem-humorada, que a sensualidade natural da mulher brasileira, reconhecida mundialmente, pode ser uma arma eficaz no momento de dar uma má notícia”.
A empresa nega que tenha tido intenção de parecer “sexista”. “Bater o carro, extrapolar nas compras ou ter que receber uma nova pessoa em sua casa por tempo indeterminado são fatos desagradáveis que podem acontecer na vida de qualquer casal, seja o agente da ação homem ou mulher.”
A nota da empresa diz ainda que a escolha de Gisele, brasileira bem sucedida internacionalmente, foi “exatamente para evitar que fôssemos analisados sob o viés da subserviência ou dependência financeira da mulher”.
A assessoria da empresa diz que a campanha será mantida no ar e que a Hope está em contato com o governo para esclarecer as polêmicas levantadas.

terça-feira, 27 de setembro de 2011


Uma norte-americana de Los Angeles, na Califórnia, teve os seus seios grudados durante uma cirurgia plástica e agora se engaja em uma campanha de alerta contra os perigos de se recorrer aos serviços de um cirurgião plástico não credenciado.

Dinora Rodriguez, 40, conta que queria recolocar os implantes nos seios, mas o médico acabou unindo os dois –para ver a imagem. Além de comprometê-la visualmente, a americana sente dores no corpo desde que se submeteu à operação. Ela também teve os nervos e os músculos da região danificados.
O médico também mexeu nas pálpebras da americana sem autorização, e ela não consegue fechá-las mais. Segundo outros cirurgiões consultados, ela terá que se medicar para manter os olhos lubrificados.
“Não sabia que tinha de checar as qualificações do médico, e me arrependo disso”, comentou. A campanha da americana é apoiada pela Câmara Americana de Cirurgia Plástica.

http://www.hnews.com.br/2011/09/americana-sai-da-sala-de-cirurgia-plastica-com-seios-unidos/

O procedimento deveria ser simples - trocar um par de vazamento implantes mamários para um conjunto novo. Mas para Dinorá Rodriguez, de 40 anos de idade dona-de-casa de Los Angeles, este simples "consertar" cosméticos foi o início de um pesadelo cirurgia plástica
"Meus peitos pareciam muito ruim", diz ela. "Parecia que eu tinha um peito grande, em vez de dois. E a dor era terrível."
Segundo o Dr. Anthony Youn, um cirurgião plástico placa-certificado em Troy, Michigan, e um contribuinte msnbc.com, cirurgião Rodriguez deixou com um caso de má symmastia.
É um uniboob", diz ele. "É onde os bolsos implante está conectado no meio - e eles definitivamente não deveria ser."
Normalmente, os implantes mamários são colocados sob a mama ou sob o músculo atrás do de mama, cada um situado em um "bolso" diferentes, criados pelo cirurgião plástico. Se o bolso é errando muito perto do meio do peito, porém, o implante pode trabalhar seu caminho através da pequena abertura, migrando para seu irmão gêmeo até que ambos os implantes são "um beijo".
Rodriguez diz que seu cirurgião também operado em uma cicatriz perto seus olhos sem a permissão dela, dando-lhe uma plástica de rosto indesejados que a deixou completamente incapaz de fechar os olhos.
Infelizmente, o caso de Rodriguez é apenas um exemplo das muitas operações botched cirurgiões plásticos como Youn estamos vendo nestes dias. É por isso que o caso chocante está sendo destaque em uma campanha de segurança lançada esta semana pela Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos.


disponivel em: http://today.msnbc.msn.com/id/44677628/ns/health-skin_and_beauty/: acesso em 27 de setembro http://today.msnbc.msn.com/id/44677628/ns/health-skin_and_beauty/

domingo, 25 de setembro de 2011

Magreza e beleza: uma clássica combinação

Por Emanuelle Romano



manuromanogl@gmail.com

Corte de cabelo, modelo de calça jeans, comprimento da saia. A cada estação, novas tendências desfilam pelas passarelas, tomam as vitrines das lojas, as ruas, os guarda-roupas. A moda, assim, vai marcando diferentes épocas e grupos, lançando novidades ou resgatando o que já foi usado no passado. Após tantos invernos e verões, entretanto, um certo padrão se mantém na crista da onda: ser magra continua em alta, estabelecendo-se, cada vez mais, como objetivo principal de quem quer ser considerada bela. Esse culto à magreza é compartilhado pela mídia e atinge principalmente as mulheres. Sofremos mais a exigência de nos enquadrarmos nos padrões de beleza presentes nas revistas, na publicidade, na TV, entre outros meios. Na sociedade moderna, o corpo magro parece ter se tornado uma chave para a felicidade e para a conquista amorosa. Mas será que sempre foi assim? Será que a beleza feminina sempre foi pintada dessa forma?
No livro “A Terceira Mulher – Permanência e Revolução do Feminino”, o filósofo francês Gilles Lipovetsky afirma que a definição de beleza sofreu profundas modificações ao longo da História, ganhando o significado atual no século XX, com o desenvolvimento das mídias. Nunca o corpo havia sido tão exposto. O cinema, as fotografias, a indústria da cultura e da moda, além de espaços de lazer como a praia contribuíram para a afirmação do padrão de beleza atual, aumentando a preocupação das mulheres com a aparência. As transformações sociais ocorridas, principalmente a partir da década de 60, como as conquistas feministas, que resultaram em uma maior participação da mulher no espaço público e no mercado de trabalho, também foram fatores importantes para essa mudança. As formas femininas opulentas, associadas à imagem da mulher-mãe, fértil, passaram a dar espaço a uma mulher mais ativa, mais inserida e destacada na vida social, até então dominada pelos homens. O próprio sistema capitalista passou a reforçar esse padrão, a fim de estimular o consumo cada vez maior de produtos e serviços de beleza.
Ao longo da chamada "ditadura da magreza", muitos ícones surgiram. Modelos esquálidas, atrizes magérrimas ou magras mais curvilíneas. Na década de 80, com a propagação da ginástica, as mulheres começaram a encher as academias em busca do corpo perfeito. A atriz americana Jane Fonda, com inesquecíveis collants, polainas e faixas de cabelo, tornou-se a guru da aeróbica através de um célebre vídeo, no qual ensinava as mulheres exercícios capazes de mandar qualquer sinal de imperfeição para o espaço. Aqui no Brasil, as academias começaram a se multiplicar nos anos 90. Desde então, popularizou-se a utilização de aparelhos de ginástica, como esteiras e bicicletas ergométricas, levadas também para dentro de casa. Surgiu, também, a figura do personal trainer e intensificaram-se os tratamentos estéticos e a disponibilidade de uma grande variedade de produtos light no mercado. Estar em forma, com tudo em cima, tornou-se palavra de ordem. Mas, por trás dessa busca pelo corpo ideal, esconde-se o risco do excesso e os problemas acarretados por ele.

O culto à magreza e suas consequências

É difícil encontrar uma mulher que se sinta completamente satisfeita com seu corpo. Estamos sempre buscando no espelho sinais de “imperfeição”: uma barriguinha saliente, culotes, flacidez... Mesmo quando para os outros tudo em nós está no lugar, continuamos buscando algum defeito. Precisamos começar uma dieta, perder “um ou dois quilinhos”, fazer uma lipo, acabar com aquela terrível celulite... Cortamos o refrigerante da nossa vida, substituímos o que podemos por alimentos menos calóricos, passamos a rejeitar os salgadinhos e o bolo de aniversário...É válido querer se sentir mais bonita, estar com tudo em cima. O que não podemos é exagerar.
Uma busca sem limites pelo corpo ideal leva muitas mulheres a dietas malucas que provocam danos à saúde. Além disso, muitas passam a desenvolver a bulimia e a anorexia nervosa, distúrbios alimentares que, entre outros graves problemas, podem levar à morte. É comum vermos na TV e nas revistas casos de mulheres que sofrem com esses transtornos. Na internet, jovens criam páginas nas quais discutem meios de emagrecer, enquanto exibem seus corpos cada vez mais magros. Vale destacar que a bulimia e a anorexia nervosa são consideradas doenças femininas, tendo em vista que a mulher sofre mais com a imposição da magreza e está mais sujeita, portanto, a práticas não recomendadas de consumo alimentar.
Cientes da influência que a moda exerce sobre muitas jovens, atualmente surgem campanhas contra grifes que utilizam em seus desfiles e editoriais modelos com perfis anoréxicos. Crescem, também, campanhas de valorização da beleza considerada “fora dos padrões”. Exemplo disso são as modelos plus size.
Sabemos que o culto à magreza e sua associação à beleza é uma influência da qual dificilmente conseguimos escapar, mas precisamos nos conscientizar de que não vale tudo para ter o corpo dos sonhos. Devemos respeitar nossos limites e ter como prioridades nossa saúde e bem-estar.

Emanuelle Romano é jornalista e amante das palavras. Segue o lema do “vivendo e aprendendo” com um pequeno ajuste: acredita que, entre os verbos, o ´se informando´ é indispensável.

http://www.oestadorj.com.br/index.php?pg=noticia&id=7382&editoria=Fitness&tipoEditoria= acesso em 25 de setmebro

Cirurgias plásticas: profissionais não qualificados põem pacientes em risco

Um levantamento realizado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo deve ser lido com atenção por quem estiver planejando fazer algum tipo de cirurgia plástica nos próximos dias.

Segundo o estudo, que abrange o período de 2001 a 2008, cerca de 97% dos médicos que respondiam a processos ético-profissionais relacionados a cirurgias plásticas e procedimentos estéticos não possuíam título de especialista na área.

Muitos são ligados à chamada medicina estética - área ainda não reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina - mas também haviam médicos de outras especialidades que, aproveitando o ato cirúrgico, realizavam lipoaspirações pontuais, muitas vezes a pedido do paciente.

A lipoaspiração e os implantes de silicone são, segundo o levantamento, os procedimentos mais frequentes nos processos que envolvem médicos não-especialistas.
Em virtude deste cenário, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), presidida pelo cirurgião Sebastião Nelson Edy Guerra, iniciou a campanha “Cirurgia plástica é com o cirurgião plástico”.

"A iniciativa visa alertar os profissionais e pacientes sobre os riscos de intervenções cirúrgicas plásticas nas mãos de profissionais sem formação específica", reforçou Guerra. Questionado sobre como fugir destes profissionais não qualificados, Sebastião Guerra citou um serviço de consulta disponível no portal da entidade na internet (www. cirurgiaplastica.org.br) que lista os cirurgiões plásticos de todo o País titulados pela entidade. Outras dicas são pedir a opinião de pessoas que já realizaram o procedimento, consultar outros profissionais, checar a necessidade de UTI, o anestesista etc.

Segundo o cirurgião plástico alagoano Luiz Alberto Lopes Ferreira, Alagoas possui apenas 30 cirurgiões plásticos, sendo apenas sete membros titulares, 12 especialistas e 11 membros associados.

Para tornar-se um especialista reconhecido pela SBCP o médico leva de cinco e seis anos e precisa estudar muito para ser aprovado na série de provas realizadas pela entidade. "Por isso, esses profissionais estão qualificados para realizar tais procedimentos", disse Luiz Alberto, que atua na Santa Casa de Maceió.

Conforme Luiz Alberto, o Brasil registrou em 2010 cerca de 700 mil cirurgias plásticas, das quais 130 mil lipoaspirações. O número se justifica porque em muitos procedimentos a lipoaspiração é um complemento ao ato cirúrgico principal. "Nestes casos, os cirurgiões devem atuar em conjunto, cada um na sua área. O problema é que nem sempre isso ocorre, porque apesar da lipoaspiração ser uma técnica aparentemente simples, existem cuidados que nem sempre são seguidos e que põem o paciente em risco", finalizou Alberto.

Disponível: http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=111730 > acesso em 25 de setembro
OS CUIDADOS CORPORAIS DEIXAM DE LADO OS SABERES DA SAÚDE

Presidenta Dilma faz história e se torna primeira mulher a abrir debate da ONU

A presidenta Dilma Rousseff se tornou nesta quarta-feira (21) a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Por tradição, desde a primeira sessão, em 1947, o Brasil inicia os debates da ONU, antes do discurso do presidente anfitrião da cerimônia, que neste caso foi Barack Obama.




No evento, realizado em Nova York, nos EUA, a presidenta ressaltou o orgulho que estava sentindo em viver esse momento histórico e afirmou ser este o século das mulheres. “Pela primeira vez uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo”, disse.



Durante um dos momentos mais emocionantes de sua fala, a presidenta disse: “Sinto-me, aqui, representando todas as mulheres do mundo. As mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer aos seus filhos. Aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar. Aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar. Aquelas cujo trabalho no lar cria as gerações futuras. Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje. Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade. ".




disponivel em: http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/inacreditavel/2011/09/21/284735-presidenta-dilma-faz-historia-e-se-torna-primeira-mulher-a-abrir-debate-da-onu acesso em 25 de setembro
SOMOS TÃO FLEXÍVEIS QUE NEM PERCEBEMOS ESTE FATO

sábado, 24 de setembro de 2011

Anahi revive o drama da anorexia em documentário


Atriz e cantora participa do primeiro episódio de série de TV que visa alertar e esclarecer sobre a doença Publicidade

Durante entrevista para uma série de televisão chamada Obsessões, corpos que gritam, Anahi voltou a falar sobre o inferno que viveu por cinco anos, quando sofria com anorexia.
"Eu via isso como normal, porque tinha que esta sempre bem para ir na televisão", declarou a ex-RBD no primeiro capítulo do programa, que será lançado no Brasil em 22 de setembro.
A atriz e cantora relembrou que chegou a pesar 35 Kg, e chegou a viver momentos dramáticos:
"Me acostumei com a doença a ponto de estar feliz com a minha magreza. Eu não percebia que meu corpo estava gritando por socorro. Com o tempo, meu corpo já não aceitava alimentos até que o meu coração parou por oito segundos." ."Quando acordei, vi meus pais sofrendo... Eu queria lutar para sobreviver e me tornei uma guerreira”, relembrou.
Sempre refém das cobranças feitas pelo mercado, Anahí chegou a adotar dietas absurdas e ficou sem comer durante 11 dias. Aos 13 anos ela começou a viver o drama da anorexia. O caminho para a cura veio quando, assustada com sua própria imagem, ela reconheceu que estava doente e procurou ajuda.
"Hoje eu entendo que a coisa mais importante da vida não é física, mas sim o que temos por dentro", concluiu.
"Obsession: corpos que gritam" é uma produção original da National Geographic, gravada na América Latina.


O lançamento no Brasil foi quarta-feira (21), através do canal pago NatGeo.
VEJA O DEPOIMENTO DA ATRIZ.


http://www.youtube.com/watch?v=ZzHfJldZKn8

disponivel http://ofuxico.terra.com.br/noticias-sobre-famosos/anahi-revive-o-drama-da-anorexia-em-documentario/2011/09/19-118351.html acesso em 24 de setembro

para refletirmos sobre o assunto

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

As mulheres e a cidade

Se as mulheres da elite, no Brasil, viviam recolhidas, a grande reviravolta aconteceu quando elas começaram a dar as caras. Primeiro, aparecendo diante das visitas, em sua própria casa. Segundo, passando a frequentar lugares públicos, como teatros. Terceiro, saindo às ruas. Mas tudo foi muito lento. A mudança se inicia no reinado de dom Pedro II, nas últimas décadas do século XIX. E no contexto da elevação do grau de urbanização do país e da modernização de nossas principais cidades. O Rio se expande, São Paulo dá um salto, as mulheres começam a se soltar.




Um sinal claro dessa transformação é visível na supremacia que o médico passa a ter sobre o confessor (o sacerdote foi, por cerca de três séculos, confidente e guru das fêmeas senhoriais; agora, a palavra do médico, com sua leitura objetiva do corpo feminino, valia mais: o corpo se tornava uma entidade mais real, mais tangível, o que significou uma alteração relevante na visão da mulher). Outro sinal está na intensidade assumida pela vida mundana, "em sociedade", com recepções, saraus, concertos, etc. Era, para lembrar o título do livro de Wanderley Pinho, a voga dos salões e damas do segundo reinado.



"No século XIX, a vida da mulher da camada senhorial sofria algumas modificações, à proporção que se intensificava o processo de urbanização. Embora nenhuma alteração profunda se tivesse produzido em sua posição social, já não vivia reclusa na casa-grande. O ambiente da cidade propiciava mais contatos sociais nas festas, nas igrejas, nos teatros. A família patriarcal perdia sua dimensão rígida, permitindo à mulher desenvolver certo desembaraço de atitudes", observa Heleieth Saffioti, em A Mulher na Sociedade de Classes: Mito e Realidade.



Mas só no século seguinte as mulheres das classes médias e altas irão desfilar, de fato, no espaço público das cidades, entre ruas, escritórios e lojas. Lembre-se, a propósito, do reacionário Menotti del Picchia protestando, em 1920, na Revista Feminina, contra as moças que "serelepeavam nos asfaltos, irrequietas e sirigaitas" e "se desarticulavam nos regamboleios do tango e do maxixe". Além disso, as mulheres começavam a trabalhar, com mais frequência, fora de casa. E veio a onda da educação física e das práticas esportivas, com as mulheres exibindo seus corpos em movimento - corpos percebidos, a essa altura, em termos bem físicos.



Nas primeiras décadas do século XX, com o avanço do processo urbano-industrial, "a vida feminina ganha novas dimensões não porque a mulher tivesse passado a desempenhar funções econômicas, mas em virtude de se terem alterado profundamente os seus papéis no mundo econômico. O trabalho nas fábricas, nas lojas, nos escritórios rompeu o isolamento em que vivia grande parte das mulheres, alterando, pois, sua postura diante do mundo exterior" (H. Saffioti). O crescimento das cidades passou a fazer solicitações inéditas e trouxe novas formas de sociabilidade e lazer. Expostas abertamente aos olhares da população masculina, as mulheres das classes mais altas tiveram de se submeter a um novo aprendizado gestual. Tiveram de aprender a se movimentar - a andar e a se apresentar - no espaço público.



Veja-se o caso paulistano, examinado por Mônica Raisa Schpun, em Beleza em Jogo: Cultura Física e Comportamento em São Paulo nos Anos 20. Aquela foi uma década de forte crescimento da cidade. Os grandes proprietários rurais tinham trocado o campo pela vida citadina. A imigração, iniciada no final do século XIX, inundara a cidade com levas e mais levas de estrangeiros. O êxodo rural também despejara gente ali. A cidade, ela mesma, se modernizou. E é nessa paisagem urbana em plena transformação que vão circular as mulheres da elite - e devemos lembrar, aliás, que a própria autonomia (relativa) da mulher era tomada, então, como índice de modernidade.



"Mantendo a distância física (bairros residenciais e pontos de encontro reservados) e simbólica em relação às outras camadas sociais, o grupo a elite do café exibe a todo instante uma identidade social solidamente construída, insistindo nas fronteiras bem espessas que o separam do resto da população", comenta Mônica Schpun. É uma elite que se deixa caracterizar por uma disposição bifronte diante do mundo. Cultiva a tradição, práticas ancestrais, a fantasia do quatrocentão descendente de bandeirantes. Mas quer ser moderna e cosmopolita. Nessa pauta, "os papéis das mulheres e dos homens na sociedade e na família estão sujeitos, ao mesmo tempo, ao respeito das tradições, para garantir as prerrogativas de classe, e às novas exigências de uma sociedade moderna, com mulheres emancipadas, presentes nas ruas, participando das formas de sociabilidade".



Ainda Mônica Schpun: "A instalação da oligarquia rural na cidade gera conseqüências especificamente ligadas à ocupação do espaço urbano. Entram em ação códigos de diferenciação ligados à apresentação física, que preparam os cidadãos para repartir esse espaço de forma anônima, mas sem deixar de exibir, pelo modo de aparição pública, suas identidades sociais". No caso das mulheres da elite, a nova didática do desempenho público nasce de um discurso normativo de gênero (o que define a mulher é a graça; ela deve ser espontânea, nada vulgar, ter sutileza na sedução) e implica determinadas práticas corporais (dança, natação, equitação, tênis etc), com a finalidade de assegurar o controle gestual e a juventude do corpo.



Vale dizer, uma certa ideologia do feminino conduz a uma certa "cultura da beleza", com vistas a qualificar, em sentido classista, a presença da mulher no espaço público. Mônica: "A beleza espiritual e moral, defendida pelas vozes católicas, cede irremediavelmente seu lugar à percepção exclusivamente física da beleza feminina. O medo da feiura, que deve ser eliminada a qualquer preço, acompanha uma aprendizagem da apresentação física, com discursos sobre as diferentes partes do rosto e do corpo. Estes constituem um verdadeiro carnê de tarefas para a nova cidadania urbana, da qual os corpos participam cada vez mais. Pois a urbanização, e a intensificação da vida urbana que daí decorre, é responsável pela significativa presença e frequência das mulheres no espaço da cidade. Essa ocupação da rua, dos locais de lazer e de comércio - e, especificamente em relação às mulheres burguesas, dos espaços dedicados à vida mundana -, exige preparação, trabalho prévio a ser realizado sobre o rosto e sobre o corpo".



Tudo para tentar alcançar o que Fernando de Azevedo, na época, batizou nos termos de uma "poesia da locomoção". Para Azevedo, a educação física deveria produzir, no corpo das mulheres, efeitos de ordem estética. Para Mônica Schpun, é sintomático que Azevedo insista na "graça da 'locomoção' feminina, elemento que deve ser desenvolvido pela educação física: num momento em que o corpo das mulheres desfila mais... diante do olhar dos homens, nas ruas, lojas e espaços de lazer, é necessário que elas invistam no seu andar, alvo de novas atenções e, portanto, de novas vigilâncias". Bem, o discurso normativo para as mulheres era, certamente, alienado e repressivo. Mas o que realmente importa sublinhar é que, no século XX, pela primeira vez em nossa história, mulheres de todas as classes sociais frequentavam os espaços públicos das principais cidades do país. Ao mesmo tempo, Mônica Schpun relativiza a mudança em curso, sem reduzir sua relevância:



"Os anos vintes são o palco de importantes transformações no que se refere ao aparecimento das mulheres na cena pública. Entretanto, é preciso matizar. Assiste-se com certeza, no período, à crescente exposição dos corpos femininos na cidade: todos os tipos de discursos exprimem a admiração que envolve essa presença, ainda muito recente, das mulheres nas ruas, nas lojas, nos eixos de sociabilidade, enfim, fora de casa, em espaços até aqui reservados à convivência masculina. Mas essa ocupação da praça pública... está longe de corresponder à experiência masculina. Um certo embaraço continua existindo na relação entre as mulheres e o espaço da rua; várias formas de resistência ao fenômeno procuram marcar maior intimidade dos homens com a cidade e lembram incessantemente que as mulheres pertencem antes de mais nada ao espaço privado. Nas situações de consagração coletiva, sua presença é ainda minoritária, tanto nos eventos esportivos quanto nas comemorações cívicas. As massas urbanas são mais masculinas que mistas. Apesar disso, mesmo que a divisão dos espaços públicos ainda seja muito desigual, em detrimento das mulheres, se pensarmos no tradicional confinamento destas, torna-se evidente que a realidade se transforma rapidamente. Elas saem mais, tendo cada vez mais álibis para estar na rua, mesmo que os álibis ainda sejam necessários e mesmo que tais saídas devam ser feitas preferivelmente em grupo. E essas transformações também envolvem as mulheres burguesas, mais vigiadas e confinadas ao espaço privado que as outras. O desenvolvimento do comércio, dos lazeres, do conjunto dos equipamentos urbanos as chama cada vez mais a transpor a soleira da porta".



Discursos diversos sobre a mulher entravam também em cena. Acontecera já a aparição de Nísia Floresta, figura quase lendária do positivismo no Brasil. Mas poderíamos falar também da mineira Francisca Senhorinha, jornalista que editou o semanário O Sexo Feminino, defendendo igualdade de direitos para as mulheres - inclusive, o do voto -, em 1890, muito antes que o movimento sufragista aflorasse. Mas é nas primeiras décadas do século XX que a onda ganha corpo. Com os anarquistas pregando igualdade e mesmo o "amor livre". Com a poesia erótica de Gilka Machado ("sinto pelos no vento"), uma das fundadoras do Partido Republicano Feminino, em 1910. Com a sergipana Ítala Silva de Oliveira e a bióloga paulista Bertha Lutz. Com Ercilia Nogueira Cobra: "...os homens no afã de conseguirem um meio prático de dominar as mulheres, colocaram-lhe a honra entre as pernas, perto do ânus, num lugar que, bem lavado, não digo que não seja limpo e até delicioso para certos misteres, mas que nunca jamais poderá ser sede de uma consciência... A mulher não pensa com a vagina, nem com o útero".



Na década seguinte, teremos o brilho intenso de Pagu. Depois dos disparos inovadores e reluzentes do movimento da antropofagia, ela e Oswald de Andrade editam o pasquim O Homem do Povo. Um jornal agressivo, esquerdista, de caráter panfletário e humorístico, primando pela invectiva polêmica, que acabaria empastelado pelos estudantes de direito do Largo de São Francisco, sempre conservadores. Nele, além de fazer cartuns, Pagu assina uma coluna chamada "A Mulher do Povo", onde critica hábitos e valores das mulheres paulistanas e, de uma perspectiva marxista, ataca o feminismo "pequeno-burguês" então em voga, com seus discursos emancipacionistas. Mais ou menos por essa época, as mulheres participaram também da conquista de um espaço público precioso. Do processo da reinvenção da praia no Brasil.

Antonio Risério é poeta e antropólogo
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5357788-EI6608,00.html acesso em 23 de setembro

Cirurgias de redução do estômago aumentam 150% em 7 anos



Daniel Favero

As cirurgias bariátricas, popularmente conhecidas como de redução de estômago, realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentaram 150% em sete anos, segundo o Ministério da Saúde. Entre 2003 e 2010, os procedimentos passaram de 1.778 a 4.437 ao ano. Ainda segundo a pasta, o atendimento inclui exames preparatórios, e até mesmo cirurgia plástica (das quais não foram fornecidos números), além de orientação nutricional e psicológica.



Entretanto, para que a cirurgia seja recomendada, o paciente deve ter mais de 18 anos, além de passar por um tratamento de dois anos com avaliação de equipe multidisciplinar. Caso não haja sucesso na perda de peso, a cirurgia só indicada, mas apenas para pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 40 kg/m². O calculo é feito ao dividir o peso pela altura ao quadrado.



Segundo o Ministério da Saúde, também é recomendada a cirurgia em casos de diabetes, hipertensão arterial, apnéia do sono, hérnia de disco e outras doenças associadas. O procedimento também pode ser e indicado para aqueles que ganham peso há cinco anos, mesmo com tratamentos convencionais.



Para o presidente da Associação de Amparo ao Obeso da Bahia, Luiz Carvalho, os números e iniciativas apresentados pelo governo não representam a realidade e a fila de espera é de ao menos cinco anos. "Tenho observado na mídia o avanço divulgado pelo governo, mas não é isso que nós vemos na prática. Existem obesos que estão morrendo na fila da cirurgia. Aqui em Salvador só existe um hospital na rede pública que trata desse assunto", diz.



Ele diz que o atendimento é demorado, desrespeitoso e incompleto. "Você tem que acordar às 4h para conseguir um atendimento clínico, para depois ser encaminhado para um endocrinologista. Um médico dessa especialidade é a coisa mais difícil de se conseguir na rede pública para indicar uma dieta e fazer acompanhamento. Para cirurgia, ele (o médico) diz logo: 'olha, você vai ter que entrar na fila'".



Segundo Carvalho, na rede particular o atendimento é o ideal. "Você é atendido rapidamente, com dieta e redução de peso, mas para o obeso que depende do SUS não temos essa riqueza, não temos esse luxo. O médico vai dizer: 'rapaz, fecha a boca', e acabou. Não tem aquele acompanhamento. Um dia estava no hospital e o camarada me chamou de negão: 'Negão, você vai ter que fechar a boca'", reclama.



Ele defende o estudo de viabilidade para SPAs populares, campanhas de conscientização em postos de saúde, e levanta dúvidas sobre a eficácia da cirurgia - que considera agressiva ao corpo - a longo prazo. "Minha irmã fez a cirurgia bariátrica. Hoje ela está transformada, está magra, mas mesmo não sendo médico ou cientista, me pergunto até quando ela vai estar magra? O organismo, as células, as funções hormonais... por ser mulher, será que isso não vai permitir uma segunda fase de engordar?", indaga. Segundo ele, 25% das pessoas passam por depressão pós-cirurgia. "O estômago está reduzido, mas o cérebro ainda é de gordo".



Carvalho reclama ainda de preconceito da sociedade que culpa os obesos pela condição a qual estão submetidos. "As poltronas dos aviões estão cada vez menores", exemplifica. "A pessoa não pede para ser obesa, mas é taxada como comilona. É um distúrbio hormonal que faz com que a pessoa fique nessa condição, o corpo dela está despreparado, e ela é obrigada a passar por situações vexatórias", completa.



Números

Segundo o Ministério da Saúde, são consideradas obesas, as pessoas com IMC maior que 30 kg/m². Dados divulgados pelo IBGE em agosto de 2010, apontam que 12,5% dos homens e 16,9% das mulheres, com mais de 20 anos, são obesos. Os que estão acima do peso são 50,1%, entre os homens, e 48%, entre as mulheres.



Na década de 70, os que tinham sobrepeso eram 18,5% dos homens e 28,7% das mulheres. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, a obesidade é uma doença com várias causas, de caráter epidêmico, que atinge 300 milhões de pessoas em todo planeta.



Em 2009, o SUS gastou R$ 20 milhões com cirurgias bariátricas que, atualmente, pode ser realizada em 77 unidades de saúde. Em 2005, foram registradas 2.266 intervenções cirúrgicas que resultaram em 12 mortes. No ano seguinte, o número de cirurgias caiu para 2.023, mas as mortes subiram para 15.

Disponivel :
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5349173-EI306,00-Cirurgias+de+reducao+do+estomago+aumentam+em+anos.html acesso em 23 de setembro de 2011

PARA PENSAR NOS EXCESSOS

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Corpo e o Consumo na contemporaneidade



A experiência do corpo é sempre modificada

pela experiência da cultura.

Joana de Vilhena Novaes. 2006




Corpo objeto, corpo suporte, corpo sujeito, corpo cultura, corpo mídia. Tudo é corpo. O corpo está onipresente na mídia e podemos encontrá-lo de várias maneiras. O discurso dos meios de comunicação e das artes, em geral, gira em torno do corpo. A obsessão com o culto ao corpo,

a multiplicação de artigos sobre dietas, regimes e atividades que modelam o corpo, a disseminação das clínicas estéticas e de cirurgia plástica, de lipoaspiração, de implante de silicone nos seios, de botox para atenuar as marcas de expressão na face, levam ao excessivo consumo do corpo na mídia.

O corpo passou a ser um valor cultural que integra o indivíduo a um grupo, e ao mesmo tempo o destaca dos demais. Ter um corpo “perfeito”, “bem delineado”, “em boa forma” consagra o homem e representa a vitória sobre a natureza, o domínio além do seu corpo, o controle do seu próprio destino. A gordura, a flacidez, o sedentarismo simbolizam a indisciplina, o descaso. As pessoas são culpadas pelo “fracasso” do próprio corpo. Nesta cultura, que classifica as pessoas a partir da forma física, a gordura passa a ser considerada uma doença, pois é preciso construir um corpo firme, bem trabalhado, ultramedido. Privilegia-se a aparência como um fator fundamental para o reconhecimento social do indivíduo. Cada indivíduo é responsável por sua beleza e juventude. Com tantas obrigações e opções para o embelezamento do corpo hoje, só é feio, quem quer. Só envelhece quem não se cuida. Só é gordo quem é preguiçoso. “Não existem indivíduos gordos e feios, apenas indivíduos preguiçosos, poderia ser o slogan deste mercado do corpo” segundo a antropóloga Mirian Goldenberg, em seu livro O Nú e o Vestido, publicado em 2002.

O tema corpo na sociedade atual mistura-se ao universo do consumo e movimenta o mercado, propiciando a venda de inúmeros produtos. A espetacularização que constitui a mídia contemporânea elimina a distância entre o produto publicitário e o corpo como dispositivo/ suporte de mensagens.

O discurso publicitário, que antes formulava suas mensagens exaltando as qualidades do produto, passou a incentivar o consumo como estilo de vida, produzindo um indivíduo eternamente insatisfeito com suas conquistas. Os anúncios publicitários apresentam o discurso de “sucesso” das pessoas que mantêm o corpo belo e passam a fazer parte da memória afetiva do consumidor. Mais do que mensagens apelativas, carregadas de desejo, o corpo perfeito aparece como algo fundamental para uma nova vida, “leve”, “bem acabada” e “feliz”. São significados facilmente reconhecidos e marcantes que fazem parte do repertório coletivo. Afinal a mídia impressa, principalmente as revistas femininas e algumas de interesse geral e também a televisão, em novelas e em programas de entrevistas diários apresentam “celebridades”, com seus corpos deslumbrantes, realizadas, felizes, “bem sucedidas”.

A possibilidade de esculpir um corpo ideal, com a ajuda de técnicos e químicos do ramo, confunde-se com a construção de um destino, de um nome, de uma obra. Hoje as pessoas acham que podem traçar seu destino, como traçam seu corpo. Um corpo bonito é bem reconhecido pela sociedade do espetáculo. “O corpo deste fim de século é mais do que nunca representado como expressão perfeita da evolução: o corpo do homem é a própria imagem de sua cultura” (Remaury, 2000) Esse texto não se propõe a esgotar o assunto sobre o corpo, o consumo e acomunicação, pelo contrário, sua intenção é abrir caminhos para aprofundamento e novas abordagens sobre o tema.

domingo, 18 de setembro de 2011

Mulher morre após injetar gordura bovina no rosto


Uma mulher do Reino Unido, viciada em cirurgias plásticas, morreu aos 63 anos após injetar gordura de carne derretida em seu rosto. Ela já tinha feito o procedimento, além de inúmeros outros, diversas vezes, mas nesta ocasião sentiu a face queimando e decidiu ir ao hospital.




Lá chegado, os médicos descobriram que ela estava com uma infecção bacteriana nas paredes do cólon. Apesar das inúmeras tentativas dos médicos em salvar a maluca, ela não resistiu a infecção e morreu.

Segundo relatos, seu rosto era grotesco e ela tinha cicatrizes de injeções anteriores. Ela estava obcecada por auto-injeções e há algum tempo vinha fervendo carne bovina e extraindo a gordura derretida para injetar em volta da boca e queixo.




Ainda não se sabe se a infecção foi causada pelas maluquices que ela aprontava para tentar se manter jovem e bonita, mas especialistas alertam sobre os perigos de infecção por bactérias e o ferimento de nervos e vasos sanguíneos, além de diversas outras reações provocadas por “tratamentos estéticos” clandestinos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Espanha quer bloquear sites que promovam distúrbios alimentares



Depois de o Twitter recusar o bloqueio de mensagens que incentivam a anorexia e bulimia nervosas, o ministério da Saúde espanhol decide levar o caso à União Europeia.

Segundo o porta-voz do ministério da Saúde de Espanha, o governo pediu à rede social para que este tipo de mensagens fossem bloqueadas, mas como não obteve resposta positiva, decidiu levar o caso ao Conselho de Ministros da Saúde da União europeia.

“ O objectivo é conseguir uma petição para que o twitter e outras redes sociais sejam responsáveis e bloqueiem este tipo de mensagens no mural”, alerta o porta-voz.

Segundo a mesma fonte, “este problema não é apenas nosso, é muito mais amplo e pode prejudicar a saúde de muitos jovens”.

A decisão do Conselho de Ministros da Saúde da União Europeia, sobre esta matéria, será dada a conhecer no próximo mês.

Disponivel: http://www.ionline.pt/conteudo/148068-espanha-quer-bloquear-sites-que-promovam-disturbios-alimentares acesso em 16 de setembro


Feministas denunciam publicidade sexista em data comemorativa

Fonte: http://www.vermelho.org.br/se/noticia.php?id_secao=8&id_noticia=164158 acesso em 16 de maio

16 de Setembro de 2011 - 16h36
Do site Portal Vermelho









Exposição do corpo feminino de forma acentuada, mulheres mostradas apenas como frágeis, doces e românticas ou como simples objeto de desejo masculino. Esses são exemplos de situações sexistas observadas em alguns anúncios publicitários. O tema foi lembrado esta semana por organizações feministas por ocasião do Dia Internacional da Imagem da Mulher nos Meios de Comunicação – 14 de setembro.

As cervejarias são uma das mais denunciadas por publicidade sexista.



Em um documento publicado no sítio da Federação de Mulheres Progressistas, as feministas chamam a atenção para propagandas em que as mulheres aparecem como público exclusivo, mesmo que o produto seja para uso masculino e feminino. Outro caso de anúncio sexista é aquele em que a mulher é invisível, ou seja, a propaganda utiliza apenas o masculino para se referir aos dois gêneros.

Para elas, também são exemplos típicos de anúncios sexistas aqueles em que as mulheres são retratadas como dependentes e sustentadas por um homem; abordadas somente como mães, esposas e donas de casa; representadas como femininas, doces e carinhosas ou, no extremo oposto, como chatas, invejosas, mandonas e fofoqueiras, reforçando, dessa forma, estereótipos; valorizadas apenas pela beleza física; ou mostradas em profissões ou cargos inferiores aos dos homens.

Para evitar situações desse tipo, a Federação sugere que as agências de propaganda criem manuais de estilo com perspectiva de gênero e adote ações como não utilizar o masculino para englobar os dois gêneros, utilizar termos comuns para o masculino e o feminino, evitar a subordinação do gênero feminino e o uso exclusivo do masculino para se referir a determinados cargos, principalmente quando desempenhados por mulheres, e substituir a palavra escrita em um gênero pelo oposto para saber se a frase é ofensiva para algum dos dois.
O Dia Internacional da Imagem da Mulher nos Meios de Comunicação foi celebrado na quarta-feira (14) em várias partes do mundo. A data foi instituída durante do 5º Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em 1990, em San Bernardo, Argentina.
A escolha do dia foi para homenagear o programa Viva Maria, que entrou no ar pela Rádio Nacional de Brasília (Brasil) no dia 14 de setembro de 1981. Comandado pela radialista Mara Régia di Perna, o programa discutia questões feministas e abriu espaço para o movimento de mulheres.
Dentre as lutas feministas visibilizadas pelo programa estavam a criação da primeira delegacia de Atendimento da Mulher de Brasília e o incentivo à amamentação materna. Viva Maria permaneceu no ar até maio de 1990, quando a radialista Mara Régia foi demitida por Fernando Collor de Mello, então presidente do Brasil, que a considerava como uma "liderança negativa”.
Com informações da EBC







Os distúrbios de autoimagem e o consumo

Texto de Vinícius Jesus

3º Ano / AV6 Colégio Antares

O consumo pode ser realizado por causa de uma necessidade ou de um desejo. O objetivo da indústria estética, é transformar um desejo em uma necessidade, e isso é feito por meio dos padrões de beleza criados por essa indústria.

Os desfiles e a propagandas, por exemplo, realizadas pelas marcas de roupas e de cosméticos, são os responsáveis pela criação do padrão de corpo magro para as mulheres e de corpo definido para os homens.
O problema não é o desfile nem a propaganda, mas a insatisfação com a autoimagem das pessoas que não se enquadram no perfil ideal.
Pessoas que fazem o que for necessário para seguir as tendências da moda vestuária e física passam a utilizar recursos cirúrgicos, para alcançar o que se chama de ideal. O uso demasiado desse recurso, que deveria ser empregado para corrigir falhas biológicas, genéticas ou pós-cirúrgicas causa distorção física e facial, além disso o paciente já perdeu todo o senso de personalidade e expressão individual.

Um recurso viável a curto prazo é o atendimento feito por psicólogos na rede pública de saúde, pois distorção de autoimagem é um distúrbio psicológico. Mas, para que esse serviço tenha o efeito desejado, o governo deve utilizar as mídias para divulgar o quadro clinico de uma pessoa com esse distúrbio e o serviço disponível.
http://www.opovo.com.br/app/opovo/jornaldoleitor/2011/09/10/noticiajornaldoleitorjornal,2293979/os-disturbios-de-autoimagem-e-o-consumo.shtml
Belo texto Parabens





sábado, 10 de setembro de 2011





A Miss Universo 2010, Ximena Navarrete









Se você procurar no dicionário qual é o significado de beleza, vai encontrar: “harmonia de proporções, perfeição de formas”. Mas essa interpretação do belo é muito subjetiva. E fica ainda mais complicado chegar a uma definição quando se trata de concursos de beleza como o Miss Universo, que acontece em São Paulo na próxima segunda-feira (12). Afinal, como escolher a mulher mais bonita do mundo entre tantas mulheres lindas?



“Existe uma coisa chamada carisma, que nem todo mundo tem”, diz Boanerges Gaeta Júnior, diretor do Miss Brasil. Não adianta ser linda e ser “apagada” e “sem sal”. “Uma moça nem tão bonita, se tem atitude, luz, vida, aparece mais que as outras. O diferencial é esse”, diz Gaeta Jr. Para o diretor, para vencer um concurso como o Miss Universo uma mulher não pode ser gorda, mas também não pode ser esquálida, e tem que ter personalidade, presença.



Mas a beleza vai além das proporções e do ‘algo mais’. A antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mirian Goldenberg, aponta que a cultura influencia na concepção dos padrões de beleza.
“A cultura brasileira veste o corpo dos nativos de determinada maneira, valorizando a exposição deste corpo, que deve ser jovem, magro e trabalhado”, diz Mirian. A antropóloga criou o conceito de que, no Brasil, o corpo é um verdadeiro capital. “O corpo é uma riqueza no mercado de trabalho, no mercado de casamento e no mercado sexual. É um veículo de pertencimento e também de distinção, de inclusão e de exclusão social”, afirma.
Mirian destaca duas figuras que povoam o imaginário do brasileiro nessa questão: “Na minha pesquisa são apontados dois modelos de mulher bonita. Um mais miscigenado como Juliana Paes, e outro mais europeizado, como Gisele Bundchen”.







A modelo de apresentadora do canal Glitz, Barbara Thomaz, acredita que, no Brasil, os padrões de beleza são muito diversos: “Tem as gostosas, as saradas, as gordelícias, as magrelas, as bombadas. É o país da Gisele, mas também da Mulher Melancia!”, diz. “Se for para resumir, mulher bonita no brasil tem que ter bunda boa e cabelo bem longo. Simetria também cai bem”, afirma Barbara.

Foto: A Miss Brasil, Priscila Machado. (Divulgação)
Somando todos esses conceitos está a pesquisa "O que é beleza?" da consultoria especializada em mercado feminino Sophia Mind, que entrevistou mulheres de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Apesar de insatisfeitas com algumas características físicas (53% se acham acima do peso ideal e 29% gostariam de fazer algo diferente nos cabelos), 55% das entrevistadas acreditam que características pessoais são mais importantes que aparência e 87% delas se acham bonitas.
Além das influências culturais, cada beleza tem seu espaço no mercado de trabalho e na cabeça das pessoas. “Modelos podem ter uma cara exótica, nariz estranho, sarda, dente separado, orelha de abano, pode ser muda, estrábica... mas precisa ser magra de doer”, diz Barbara Thomaz. Já a miss é mais perfeitinha, “embora cheia de plástica”, afirma. “Modelo é a magrela esquisita, e a Miss é a princesinha simpática”, define.
Mas, apesar da diversidade de tipos de beleza encontrados no Brasil, para Mirian Goldenberg, os concursos padronizam as mulheres. Para ela, hoje não existe a valorização da mistura brasileira, do corpo miscigenado. O que determina o sucesso nesse tipo de competição é a magreza, a altura, a postura, os cabelos e o corpo dentro de um padrão mais ‘europeizado’. “Quase todas são muito parecidas”, afirma.

Muitas mulheres o acreditam que, na busca pela beleza perfeita, vale tudo, e apostam em cirurgias plásticas para alcançar esse objetivo. “A insatisfação com o corpo, com as imperfeições e o desejo de imitar quem tem sucesso faz com que a brasileira seja a segunda maior consumidora de cirurgia estética em todo mundo, logo atrás das norte-americanas”, diz Mirian.



Para Boanerges Gaeta Jr., diretor do Miss Brasil, a cirurgia plástica corrige, mas não transforma. “Ela ajuda quem tem condições de melhorar”, diz. Já Mirian Goldenberg sugere uma outra abordagem. “Aceitar as imperfeições é a chave para estar satisfeita com sua beleza”, afirma.



http://www.zwelangola.com/entretenimento/index-lr.php?id=6950 acesso em 9 de setembro
Parabens Miriam Goldenberg, sempre trazendo lucidez ao cenário feminino

terça-feira, 6 de setembro de 2011

CONCURSO DE MISS ITÁLIA 2011 BUSCARÁ SIMPLICIDADE



4/9/2011 18:45, Por Ansa

ROMA, 2 SET (ANSA) – A responsável pela realização do Miss Itália, Patrizia Mirigliani, afirmou hoje que no próximo concurso, que acontece nos dias 18 e 19 de setembro, o que será buscado é “simplicidade, equilíbrio, graça e elegância, tanto física como espiritualmente”.

Sessenta candidatas participarão do concurso, que será dividido em dois dias e terá transmissão, ao vivo e em horário nobre, da emissora Rai1. A madrinha do evento será a ex-modelo e atriz espanhola Inés Sastre.

De acordo com Mirigliani, as candidatadas desse ano além de bem informadas são “independentes, estudadas, e cerca de 70% delas praticam esporte”.
O júri da 72ª edição do Miss Itália será composto por personalidades do mundo da moda e da beleza, da cultura, do esporte, do entretenimento e do jornalismo.
Para o concurso desse ano, a organização vetou as candidatas que fizeram cirurgias plásticas. As participantes também não podem usar apliques de cabelo e lente de contatos. Além disso, a recomendação é para que as mulheres usem manequim 38 e que leiam, pelo menos, três livros por ano e jornais todos os dias.
Mirigliani afirmou essa edição deve ser caracterizada pela “sobriedade”. “Gostaria que a Miss Itália tivesse um comportamento baseado na moderação”, acrescentou, completando que elas darão exemplo de “graça e pudor”.
O Miss Universo 2011 acontece no Brasil no dia 12 de setembro. A representante da Itália é Elisa Torrini, de 22 anos, nascida em Roma. (ANSA)
Disponivel:
http://correiodobrasil.com.br/concurso-de-miss-italia-2011-buscara-simplicidade/292547/ acesso em 6 de setembro

A obsessão das coreanas pela magreza

Home » Direto da Coreia Direto da Coreia
Françoise Terzian (fterzian@brasileconomico.com.br)

02/09/11 21:28



Para evitar qualquer raio de sol, um grande número de mulheres só caminha com camisetas de manga longa, luvas e até mesmo lenços tampando o rosto



Corpo magro não é suficiente. As coreanas também apreciam uma pele branca porcelanizada.



Com exceção dos lutadores de sumô, a imagem que a maioria dos ocidentais tem dos asiáticos é a de um povo naturalmente magro, saudável e acostumado a uma dieta rica em verduras, peixes e chás, com raros doces em sua culinária.

Quem desembarca na Coreia com essa mentalidade leva um susto ao descobrir que, por trás de cinturas finas e barrigas lisas, há um verdadeiro culto a dietas severas e várias caminhadas ao dia.

Um número grande de coreanas, principalmente as mais jovens, alimenta uma verdadeira obsessão por corpos extremamente magros, o que as leva a comer pouco e a evitar sorvete até mesmo em verões escaldantes.

Algumas chegam a se horrorizar ao ver uma estrangeira acima do peso pedindo uma casquinha e ainda chegam a questionar se ela tem mesmo certeza de que vai consumi-lo.

Isso explica a razão para os alimentos prontos, à venda em supermercados, lanchonetes e cafés, informarem, além da tabela nutricional no verso, o valor calórico de cada item logo na frente, em tamanho grande.

"Toda vez que vou tomar um sorvete de chocolate com baunilha eu reparo na caloria e decido trocar pela opção mais magra. Há anos que não experimento nada feito com chocolate", confidenciou uma estudante da Universidade Nacional de Seul que pesa 50 kgs.

Uma dona de casa tão magra quanto a estudante também se recusa a comer doces e conta que quando tem muita vontade de sorvete compra um iogurte. E ela não é a única. Em Jeju Island, ilha a uma hora de avião de Seul, uma guia turística explica que as refeições coreanas não costumam vir acompanhadas de sobremesa justamente para não engordar.
"Mas os turistas reclamam, sentem falta, então há muitos bufês que já oferecem. Mas sempre passo longe das sobremesas", contou.
Corpo magro não é suficiente. As coreanas também apreciam uma pele branca porcelanizada. Além do demorado ritual de cuidado com a pele do rosto, o que explica a quantidade de marcas de cosméticos à venda neste país, as coreanas são muito cautelosas quando saem à rua.
Para evitar qualquer raio de sol, um grande número de mulheres só caminha com camisetas de manga longa, luvas e até mesmo lenços tampando o rosto, além do boné. Além da proteção, há ainda quem procure os tratamentos de "branqueamento artificial", o que pode ser um risco dependendo do lugar escolhido. Há casos de mulheres com rosto deformado no país após se submeterem a esse tipo de tratamento.
As atividades físicas também são uma rotina a qualquer hora do dia ou da noite. Até mesmo às 23h os parques ficam cheios de mulheres caminhando ou correndo. Soube que muitas praticam exercícios no período matutino e também noturno.
Obviamente que as dietas severas não fazem parte da rotina de todas as coreanas. Há mulheres que entram despreocupadamente no Dunkin Donut´s e no KFC.
Contudo, elas não são a maioria. Basta visitar esses lugares algumas vezes para reparar que a maior incidência é de homens.
A  repórter do Brasil Econômico está em Seul, capital da Coreia do Sul, participando de um curso de três semanas em cultura coreana oferecido pela Universidade Nacional de Seul e da Fundação LG. Confira mais novidades na seção "Direto da Coreia"




Fonte: http://mobile.brasileconomico.com.br/noticias/a-obsessao-das-coreanas-pela-magreza_106504.html: disponivel em 6 de setembro


Propaganda de cerveja mira cada vez mais as mulheres




Campanhas de cervejarias substituem a figura da mulher-objeto por uma presença feminina mais atuante, que bebe com o parceiro

Carolina Guerra







Abordagem mais equilibrada da mulher nos comerciais de cerveja é tendência mundial (BananaStock RF/Getty Images)



Por vários anos, a combinação “cerveja gelada e mulher quase pelada” foi intensamente explorada por publicitários como uma espécie de fórmula mágica para vender a bebida. Essa predileção, no entanto, começa a fazer parte do passado. Finalmente, cervejarias e agências de propaganda parecem ter percebido o quanto as mulheres se incomodam em ser tratadas como objeto nos comerciais. Mais que isso, elas passaram a temer a reação destas consumidoras (confira a seleção de filmes). "Nas propagandas antigas, a mulher era retratada como um prêmio para o homem que escolhia determinada marca. Agora, perceberam que a fórmula está batida", afirma Selma Felerico, professora da Escola Superior de Propaganda e marketing (ESPM).



Quanta diferença!



Grande parte das empresas abandonou a estratégia de vender cerveja abusando de imagens de mulheres sensuais com pouco roupa. A nova leva de propagandas utiliza mais humor e delicadeza para passar suas mensagens. Elas surgem agora menos provocantes, retratando tão somente o que obviamente são: consumidoras.
 leiam a matéria completa no link http://veja.abril.com.br/noticia/economia/propaganda-de-cerveja-mira-cada-vez-mais-as-mulheres




sábado, 3 de setembro de 2011

Mary del Priore - Historiadora debate Barbie, aborto, erotismo e os mitos que a mulher leva para a cama


18.07.2011
Texto por Nina Lemos
Fotos Martin Ogolter


A historiadora Mary del Priore coloca a sexualidade brasileira no alto na lista dos livros mais vendidos, com seu Histórias Íntimas. Da Barbie ao aborto, do machismo ao erotismo, ela desmonta os mitos e as contradições que a mulher leva para a cama: “Fora de casa, as mulheres são independentes. Em casa, querem ser princesas. Um grande paradoxo”



A historiadora Mary Del Priore, 59 anos, odeia a boneca Barbie. Explica-se. Segundo ela, foi com a chegada da boneca da Mattel ao Brasil, nos anos 70, que a mulher brasileira começou a ficar obcecada em ser loira, magra, consumista. “A Barbie ensina as crianças a serem putas”, diz essa senhora distinta, autora de 29 livros, o mais recente deles, Histórias Íntimas, um panorama sobre o erotismo e a intimidade no Brasil.
Mary é uma especialista em história brasileira com todas as credenciais de intelectual de sucesso. Foi professora na USP e fez doutorado na França. Mas ela gosta mesmo é de contar histórias, seja em romances ou em livros como Corpo a Corpo com a Mulher ou História do Amor no Brasil, ambos com mais de 40 mil exemplares vendidos. Sim, Mary é uma escritora de best-seller (o seu mais recente livro ocupava até o fechamento da edição o primeiro lugar na lista dos mais vendidos de não ficção) que não se considera intelectual, “mas uma boa pesquisadora”.
Mãe de três filhos (Pedro, 36 anos, Paulo, 34 e Isabel, 31) ela pertence a uma geração que quebrou tabus, porém também não dramatiza suas experiências. Está no segundo casamento, não teve crise ao criar os filhos ao mesmo tempo em que se dedicava a uma carreira intelectual e envelhece com tranquilidade. Questiona a obsessão pelo corpo, mas se apresenta na entrevista maquiada e elegantemente vestida.

O que preocupa mesmo essa moça distinta são as mulheres da geração dos 20, 30 anos. “A geração dos meus filhos quer fazer tudo ao mesmo tempo, o que é uma situação dramática”, ela avisa. E também acha que, por mais que as mulheres sejam independentes, sofrem de uma submissão grave: se não a homem nenhum, ao espelho.

Mary com 11 anos
“Isso é reflexo de um narcisismo muito grave. Antes, queríamos mudar o mundo. Hoje, sentimos falta de um engajamento em causas sociais, dos outros”, diz. Não, não pense que ela está falando que se você reciclar o seu lixo vai ser mais feliz. “Hoje se pensa muito ‘se eu fizer a minha parte, já está bom’. É triste, pois a pessoa continua isolada, achando que não precisa trabalhar coletivamente”, afirma.
Funk e sex shop



As palavras polêmicas saem com serenidade da boca dessa filha da elite carioca (estudou no tradicional colégio Sion). Na entrevista a seguir, ela questiona o funk brasileiro: “Acho a Tati Quebra-Barraco uma machista”. E também a internet. “Tem coisas maravilhosas, mas exibe a sexualidade de forma mecânica e ginecológica.” E acha que as pessoas não fazem tanto sexo, apesar da moda das sex shops e do excesso de exposição de nossas intimidades. “Quem tem tempo para ter amante com o trânsito de São Paulo?”, brinca.



Enquanto serve café e bolo para a repórter na casa do século retrasado que escolheu para viver, em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, Mary, mulher sofisticada, fala da abertura dos primeiros bordéis no Brasil, de aborto, plástica, do papel do homem... A vontade é de não parar de conversar com essa contadora de histórias.
Tpm. Você é de uma geração que quebrou tabus, queimou sutiãs. Qual acha que é a diferença entre sua geração de mulheres e a das que têm 20, 30 anos hoje?
Mary Del Priore. Acho que vocês têm uma vida extremamente sacrificada. Sempre reparo nisso quando pego a ponte aérea. Vejo mulheres absolutamente estressadas, ao mesmo tempo ligando para saber dos filhos e tendo que dar conta de muita pressão no trabalho. Essa geração de mulheres está ocupando postos em todas as áreas. Houve um avanço enorme. Nós fizemos um esforço para que nossas filhas se educassem e isso deu certo. Mas agora vocês estão no topo, estão no limite. Ter que dar conta da vida profissional e da vida privada é dramático. O desafio que chegou no fim do século passado é este: como ser a melhor esposa, a melhor profissional, a mais bonita, a mais inteligente. Isso me preocupa muito. Não sei o que vocês vão priorizar, se os afetos vão ficar comprometidos, se a saúde vai ficar comprometida...
Você acha que para a sua geração essas escolhas eram mais fáceis?
Na minha geração era mais simples. A família vinha em primeiro lugar. Você casava, tinha filhos. Só fui ver que existia a solidão como opção criativa quando fui morar na França nos anos 80. Isso era uma escolha de muitas mulheres de lá. Você deixar de lado o marido, os filhos, para cumprir os compromissos profissionais e intelectuais era a agenda. Não sei se isso é uma coisa de países com mais educação, onde você pode escolher os seus afetos, não é obrigada a casar. Ninguém é obrigada a casar lá. Isso está chegando agora ao Brasil, mas às custas de muitos sacrifícios.

Você é mãe de três filhos, foi professora universitária e já lançou 29 livros. Teve que fazer muitos sacrifícios para dar conta de tudo?
Não tive que fazer muitos sacrifícios. Sou um exemplo à parte. Me casei cedo e tive três filhos. Mas só depois que eles estavam crescidos voltei a estudar. E sabia exatamente o que queria fazer na universidade: história. Fiz um concurso de pós-graduação na USP e passei em primeiro lugar. Tive muita sorte. Não fiquei patinando, pensando no que queria fazer. E voltei a estudar quando meus filhos também já estavam na escola. Então, não me sentia culpada como as mulheres de hoje se sentem. Antes de voltar a estudar, eu era casada com um homem que estava indo muito bem na carreira dele, era a housewife perfeita! Mas voltei a estudar por vontade e isso não foi uma crise para mim. E tinha ajuda com os meus filhos, deu para conjugar tudo sem culpa. Eles iam para a escola, eu para a universidade.
Com o marido, Charles Lisbona, em lançamento do livro História da Vida Privada no Brasil, em 1992

E seu marido, seus pais, a incentivaram ou acharam que você ia abandonar a família?

Sempre tive muito apoio dos meus dois maridos para estudar. E, quando os meus filhos foram para a universidade, pude me dedicar só ao trabalho. E fui criada em um ambiente intelectual. Meus pais gostavam de juntar gente em casa, de políticos, como Carlos Lacerda, a poetas, como Olegário Mariano. Eu e meu irmão ficávamos no meio disso tudo, convivendo com os adultos. E sempre fui estimulada a ler, o que foi fundamental quando decidi que ia viver de escrever livros.



E, quando você foi morar fora para estudar, não teve que abrir mão do contato com seus filhos?
Eu estava recém-casada com meu segundo marido e de novo tive sorte. Era professora da USP e ele tinha negócios fora. Meus filhos foram comigo e tiveram a chance de passar esse tempo fora, o que acho que deu a eles uma visão de mundo diferente. Acho que a viagem não é só trocar de espaço físico. Isso te ajuda a avaliar a sua condição de brasileiro. Passei cerca de cinco anos fora. O que foi bom para que todos nós avaliássemos o que queríamos fazer. Foi quando me dei conta de que havia espaço para escrever esses livros que escrevo hoje.

Hoje temos esse sucesso de livros históricos, como o 1808, de Laurentino Gomes. Por que você acha que estamos com esse interesse pela história?
Na Europa existe uma tradição de romances históricos desde o século 19. Aqui, tivemos uma população basicamente analfabeta até o século 19. E hoje, com esse mercado de leitores se ampliando, o interesse pela história aumentou. Acho que um dos motivos é que, nesse período de globalização, todo mundo quer saber de onde veio. Senão, fica todo mundo perdido.

Por que resolveu direcionar seu trabalho a questões femininas?
Meu trabalho não é só sobre mulheres. Acabei escrevendo muito sobre corpo, amor. Mas escrevi 29 livros. Tenho uma coluna no Estado de S. Paulo e sou dessa geração que promoveu mudanças, isso me deu esse radar. Mas tenho interesse em fazer história romanceada. Sobre grandes personagens, como a condessa de Barral, a amante de dom Pedro II. Agora, resolvi, em Histórias Íntimas, falar sobre os temas que estão na ordem do dia, como racismo, homofobia. São as coisas que estão aí. E sobre os mitos do erotismo brasileiro.“As mulheres brasileiras são extremamente machistas. São independentes, mas quando chegam em casa querem ser tratadas como princesas. Esse é um grande paradoxo”
Um desses mitos é que as mulheres brasileiras são “calientes”. Você concorda com isso?

Acho que o grande problema das mulheres brasileiras é que elas são extremamente machistas. Não deixam os filhos lavarem a louça e querem ser chamadas de docinho em casa. E se identificam com as mulheres frutas, comestíveis. Fora de casa, são independentes. Quando chegam em casa, querem ser tratadas como princesas. Esse é um grande paradoxo. Elas casam para entrar em um conto de fadas.

E o que os homens buscam no casamento?
Homens e mulheres têm aspirações diversas em relação ao casamento. As mulheres querem que o casamento seja tudo, que preencha todas as coisas. O homem, quando casa, quer uma família, filhos. Eles procuram coisas realmente diferentes. Então, fica difícil dar certo.
Hoje, muitas mulheres são executivas, políticas. Existe o mito de que entrando pesado no mercado de trabalho a mulher tende a se masculinizar e a imitar o homem. Você concorda com isso?

Não concordo. Acho que a mulher brasileira sempre vai usar da sedução, por isso não vai virar um homem de saias. Temos esse exemplo histórico. No Brasil, desde os tempos coloniais, as mulheres sempre usaram do seu poder de sedução para ter poder. Elas são muito femininas. E ainda existe muito no Brasil mulheres que ganham dinheiro com o corpo. Todas querem ser modelo. Isso é característica de um país que ainda é muito miserável. O sonho é ser BBB, depois posar para a Playboy, ou seja, enriquecer vendendo o corpo. Isso vai mudar quando o país tiver mais educação.

Outra coisa que acontece no Brasil é que a mulher, quando envelhece, é chamada de feia. Já o homem fica charmoso. Como você e as mulheres da sua geração estão lidando com o envelhecimento?

A minha geração está podendo lidar melhor com o envelhecimento. Sabemos que ir ao cirurgião plástico uma vez por mês não vai resolver o problema de ninguém. Envelhecer é uma coisa chata. Você tem perdas. Se você era uma fundista, vai ter problema de joelho. Não é agradável. Agora, vejo que as mulheres da minha idade que estudaram não saem correndo para o cirurgião plástico com a primeira ruga que aparece. O bom de envelhecer é colocar as coisas na balança, ver o que você ainda quer fazer. Se você tem satisfação com a sua família, com o seu trabalho, seus amigos, você vai encarar o envelhecimento com serenidade. Para mim, isso não é um bicho de sete cabeças.

A mulher está preocupada em emagrecer, ser gostosa e não pensa no coletivo. Isso precisa mudar até para que ela possa deixar de ser escrava do espelho”
Mas muitas mulheres enlouquecem com as perdas físicas, a perda da beleza.

No passado, a velhice era respeitada, era sinal de sabedoria. Mas o século 20 é o século do corpo. E o que você vê hoje no Brasil é que as mulheres são escravas do espelho. A brasileira ainda está muito preocupada com seu próprio umbigo. Ela está preocupada em emagrecer, ser gostosa e não pensa no coletivo. Isso precisa mudar até para que a mulher possa deixar de ser escrava do espelho. E isso você vai conseguir pensando na sua sociedade, se engajando em alguma causa coletiva. E o que acontece hoje é que muitos pensam: “Se eu fizer a minha parte, já está bom”. Você recicla o seu lixo e acha que já fez a sua parte. E continua isolada dos outros achando que não precisa trabalhar coletivamente. Tudo isso faz parte de pensar só em si mesma, não sair de si, ser muito narcisista.

O Brasil é o segundo país em cirurgias plásticas no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Ainda copiamos muito o modelo americano?
Começamos a copiar os Estados Unidos depois da Segunda Guerra. Antes era a Europa, só se falava francês nas escolas, esse era o modelo. A elite brasileira começou a ir para os Estados Unidos estudar nos anos 50. E, claro, temos a influência do cinema americano. A formação do macho brasileiro está muito ligada ao cinema americano. A importância do físico masculino vem dos filmes. Antes, os homens não tinham vaidade. A obsessão pela virilidade, essa coisa de colocar o pau na mesa, foi alimentada pelo filme americano, pelos faroestes.
A imagem da mulher também deve ter sido influenciada pelos filmes...

As primeiras loiras vieram do cinema americano. Para você ver, a moda da loira chegou ao Brasil no fim do século 19 com os bordéis, que são uma ideia importada da Europa. Cafetões começaram a trazer para o Brasil mulheres pobres que se diziam loiras. E é nessa mesma época que as bonecas francesas chegaram ao Brasil. Olha que loucura.
E hoje temos essa febre de loiras.
Isso começou nos anos 70, com a chegada da Barbie ao Brasil. É aí que começa o ideário do personal trainer, do fitness. E na mesma época começam as apresentadoras loiras na TV brasileira. Acho isso uma perversão! Em um país mestiço você brincar com boneca loira e ter como ídola uma apresentadora loira cria uma problema de autoestima muito sério nas crianças.
Você disse em um dos seus livros que isso tem a ver com a obsessão das brasileiras pelas cirurgias plásticas. No Brasil a cirurgia plástica é uma coisa complicada. A mulher toma como parâmetro a Barbie, sendo o país esse caldeirão mestiço de negro, branco, índio. Então, como a mulher vai conseguir ser a Barbie?
Não vai. Não é à toa que o Brasil é o segundo país em cirurgia plástica no mundo. A Barbie é uma boneca que ensina a menina a ser puta. E só isso. Ela só quer saber de roupa, nem liga para o Ken. Ela só ensina a consumir. As bonecas bebês, por exemplo, ensinavam a ser mãe. A Barbie ensina a consumir, e as garotas adoram. E não sei quando o reinado da Barbie vai acabar. Tinha jurado que jamais daria uma Barbie para minha neta. O que você acha que aconteceu? Já dei [risos].
Por que, afinal, você deu?

Porque não resisti. As meninas não resistem nem uma avó. Elas ficam loucas pela boneca. Não sei porque as meninas adoram aquela coisa toda rosa.
Além das cirurgias plásticas, hoje existe também a obsessão pela magreza.

Até os anos 80, para o homem, a mulher gostosa era aquela que enchia uma cama, a mulher com forma. Em um dos meus livros, entrevistei uma psicanalista que me disse que, quando as mulheres fazem plástica, isso não é para os homens, mas para elas. Dizem que a mulher sempre quer ser bonita para o homem. Mas acho que no fundo não é isso, é para ela mesma.


A plástica seria uma maneira de melhorar a autoestima?
Autoestima é uma palavra nova, ela deve estar no vocabulário há dez anos. As palavras vão acompanhando a história. Hoje, é importante a mulher ter autoestima, é uma coisa que ajuda a caminhar, mas não pode ser só isso. Ela também precisa interagir com os outros, participar da sociedade.

Você disse que as mulheres de 30, 40 anos estão sobrecarregadas porque têm que dar conta de muita coisa. Essa pressão atinge os homens também?
O patriarcado não atrapalha só as mulheres. E não vamos ficar com essa de que o homem é um vilão. Ele também está sendo cobrado demais. Além de trabalhar muito, tem a pressão de ser bom pai. E precisa fazer sucesso, senão ele é um “loser”.
E os homens não teriam também a pressão de ser cheios de aventuras sexuais, com amantes, por exemplo?
Acho que não, porque as pessoas não têm mais tempo. Nos anos 50, os homens tinham garçonnières, onde ficavam com suas amantes, que em geral eram pessoas do seu círculo de amizade. Isso é uma coisa engraçada da sociedade brasileira, as pessoas ficavam com amigas da família, parentes, para deixar tudo em casa. Isso não existe mais. Com o trânsito de São Paulo, quem vai conseguir ter uma garçonnière e a família? E uma coisa boa é que o divórcio, recentemente, foi legitimado, e as pessoas acabaram com uma ideia que existia na minha geração, de que o casamento tinha que ser uma fusão absoluta. Não, em um casamento você não vira um. Continuam sendo duas pessoas. E, se não der certo, você pode se divorciar. Isso é uma conquista recente. Quando era criança, no colégio Sion, se a pessoa era filha de pais separados, era expulsa. Hoje, as pessoas podem reconstruir seus laços. Ou até ficar sozinha.

Hoje, além de ter filhos e ser boa profissional, ainda temos que ser liberadas sexualmente. Você não acha que até isso pode ser uma pressão a mais?
Sim, com certeza. Você tem que ter feito de tudo, o que está bem fora da realidade. As pessoas nem têm tempo para ter essa vida sexual tão animada. Hoje tem, por exemplo, as sex shops, mas acho que isso serve mais para jornalistas fazerem matérias [risos]. Eu, sinceramente, não conheço mulheres que passem toda semana em uma sex shop para saber “o que chegou de novidade”. Acho que ninguém quer saber qual é o último berro em consolo [risos].

Por outro lado, antes não podíamos nem falar de sexo...
Sim, as coisas mudaram muito rápido e tivemos ganhos incríveis. Para você ter uma ideia, os primeiros manuais de educação sexual eram feitos para homens. E falavam mal do homossexualismo e da masturbação. Os primeiros dirigidos para as mulheres só tinham umas 15 páginas, em que, claro, explicavam que as mulheres precisavam se preparar para o rito eterno. E só eram indicados para mulheres com mais de 18 anos, que estivessem comprometidas. Isso foi na época da ditadura do Getúlio Vargas, nos anos 40. Então, não faz tanto tempo assim.


Hoje as mulheres podem, por exemplo, falar de sexo em músicas de funk. O que você acha desse funk com forte apelo sexual?

Acho que o funk produziu um machismo de saias. Quando a Tati Quebra- Barraco fala “eu te pago e te levo para o motel”, ela vira uma mulher com um rolo de macarrão na mão, machista, que manda nos homens. Sabe aquele homem que tem o dinheiro e por isso acha que pode mandar na mulher e fazer dela o que quiser? Essa é a imagem que o funk da Tati Quebra-Barraco passa para mim. Fora isso, acho que o funk tem um apelo sexual muito forte, que banaliza.

Como o aborto esteve presente no país historicamente? Você é a favor da legalização?

O aborto existe desde sempre no Brasil. Existiam chás entre os indígenas e também o infanticídio. Isso é um tema que as pessoas evitam falar. Mas sempre existiu uma falta de sensibilidade muito grande. Mães pobres sempre usaram o infanticídio e o aborto. E o que acontece? Quem aborta em geral é a mãe pobre, que está desesperada, que não pode criar mais um filho. De maneira que é preciso pensar em uma forma de legalizar o aborto no Brasil para que tantas mortes de adolescentes, por exemplo, parem de acontecer.
Existe o mito de que o Brasil é um país tolerante, onde as minorias se respeitam. Acredita nisso?
Racismo só “acabou” no Brasil quando houve uma lei. Precisou de uma lei para mudar. Isso não é coisa de um país tolerante! Temos a história da escravidão, que também tem muita coisa que os outros não sabem. Não eram só os brancos que eram escravocratas. Um escravo, quando ganhava algum dinheiro e conseguia comprar a sua alforria, a primeira coisa que fazia era ter seus escravos. O racismo não é só uma questão de pele. É uma coisa que está entranhada na história brasileira. É bom não perder de vista a tensão entre os grupos.
“As pessoas não têm tempo para uma vida sexual tão animada. Não conheço mulheres que passem toda semana na sex shop para saber qual é o último berro em consolo [risos]”

Você acha que a pressão para que as mulheres casem e tenham filhos para serem aceitas na sociedade diminuiu?
Acho que as pessoas estão começando a achar que a solidão não é uma maldição. O “ficou para titia” está começando a diminuir. Existem novos modelos familiares. Um deles é a família em que a mãe é separada do pai, a criança tem um padrasto, meios-irmãos etc. E outro, que começa a ser estudado pelos sociólogos, é de pessoas que não casam mesmo. Preferem escolher os seus afetos entre amigos e nas relações amorosas que têm ao longo da vida. E o mais interessante é que isso está ligado a uma escolha pela liberdade.

Como a internet influencia no erotismo hoje em dia?
Na internet é tudo muito ginecológico. No século 19, o erotismo era imaginar a nudez, as mulheres eram todas cobertas, então o bacana era isso. E não à toa o fetiche era com os pés, com as mãos, partes todas cobertas. O que vira o erotismo na época da internet? Sendo de uma forma tão ginecológica, não sei como as novas gerações vão trabalhar o erotismo. Não sei com o que os adolescentes sonham quando vão para a cama. O que sabemos por estudo é que a internet disponibiliza imagens em que o sexo é muito mecânico, uma coisa estilo academia de ginástica. E muitos jovens veem o sexo assim pela primeira vez e passam a achar que é tudo mecânico. No que isso vai dar, sinceramente, não sei. Não tenho 14, 15 anos para saber.

Você morou em São Paulo, em Paris, e agora mora no campo. Por que fez essa opção?
Meu marido viaja muito, ele tem escritório na Suíça. Morei na França, estudei em São Paulo, mas decidi que não queria ficar fora do Brasil, longe dos meus filhos e das minhas duas netinhas. Essa é uma casa de família. Na verdade, não é só uma casa, é um espaço de memória. Estou aqui há dez anos e não tenho saudades da cidade. Vou a São Paulo todos os meses visitar meus filhos, que estão todos muito bem encaminhados. Um tem uma agência de publicidade, outro está no mercado financeiro e minha filha é diretora de marketing de uma empresa. Acho que essa coisa de fugir da cidade é muito boa. Recomendo. Ainda mais com as redes sociais. Aqui tenho espaço para escrever, refletir, mas também não perco o que está acontecendo no mundo.
Então você não tem problemas com a solidão?
Adoro ficar sozinha. Tenho o meu jardim. Gosto dessa vida tranquila, de acordar com o galo cantando. E recebemos amigos no fim de semana, meus filhos vêm me visitar. E aqui a gente conhece todo mundo, é uma relação mais íntima com as pessoas. Sou uma grande entusiasta da cidade pequena. E acho que isso pode ser uma saída para a geração de vocês.

ONG explica campanha feminista com Cruzeiro, que vira destaque internacional

Ação é tida como a primeira de uma sequência de etapas de conscientização   João Vítor Marques /Superesportes  ,  Tiago Mattar /Superes...