quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Violência contra a mulher pode se disfarçar de proteção

proteção
Getty Images
Uma em cada três mulheres no mundo sofre violência em algum momento da vida imagem: Getty Images
Do UOL, em São Paulo
Segundo fala da subsecretária geral das Nações Unidas, Phumzile Mlambo-Ngcuka, em evento em São Paulo, em maio, uma em cada três mulheres no mundo sofre violência em algum momento da vida. Ao ler esse dado, pensa-se imediatamente em agressão física, mas há comportamentos violentos disfarçados de proteção, chamados pelos especialistas de “violência benévola”.

O que você, mulher, pensa quando o par, em uma discussão, pergunta se você está de TPM?

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“Ela se apresenta na forma de atitudes invasivas ou controladoras, que tolhem a liberdade da mulher”, afirma a psicóloga Jane Felipe de Souza, professora da Faculdade de Educação da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e pesquisadora do GEERGE (Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero).
Assim como a violência física, a benévola, muitas vezes, é praticada pelo próprio companheiro da mulher. A seguir, três frases exemplificam bem a situação.

1 - “Para que você quer trabalhar? O que eu ganho dá para nós dois”

A dona de casa Helena, 22, casada com José, 52 (os nomes foram trocados para proteger a identidade dos entrevistados), moradora da cidade de Tubarão (SC), era  auxiliar de escritório, mas, desde que casou, há três anos, deixou o emprego.
Hoje, ela cuida da casa e de dois filhos: uma menina de dois anos e dois meses e um menino com pouco mais de um ano. Assim que o bebê completou um ano, ela disse ao marido que queria voltar a trabalhar, mas ele não aprovou.
“Ele falou bem assim: ‘você não precisa, a gente já tem conforto com o que eu ganho. Daí, nem falei mais nada”, diz.

2 - “Ela não é boa companhia para você”

Outra situação bastante comum é o controle sobre comportamento, hábitos e vida social. O companheiro pode “sugerir” à mulher que não use uma roupa mais atraente ou não saia com as amigas à noite para “protegê-la”. “A violência benévola pode ser interpretada como prova de cuidado e amor”, fala a psicóloga Jane.
Comportamentos invasivos também costumam ser interpretados dessa maneira. É o caso do namorado que liga várias vezes ao dia ou aparece de surpresa.
“Ele me ama”, pensará a namorada, achando a atitude muito romântica. “Mas ele pode estar, na verdade, exercendo controle sobre os passos da mulher”, diz Jane.
É o que identificou a advogada Tatiana Coutinho Pitta, professora da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), na pesquisa que resultou no livro “Protagonismo Feminino: A Necessária Atuação Estatal na Proteção da Mulher Vítima de Violência” (Editora Boreal).
“Costumo dizer que o homem agressor cria uma teia de aranha. Ele envolve a mulher e a afasta de parentes e amigos, que possam alertá-la para essa condição de submissão”, afirma Tatiana.

3 - “Você está surtando! Está de TPM?”

Em uma discussão com o parceiro, é comum que a mulher ouça frases como: “você está vendo coisas que não existem ”, “você é exagerada, parece louca”, “você está naqueles dias?”. Essa é uma forma de violência emocional que tem até um nome específico: “gaslighting”.
O termo vem do título de um filme de 1944, no qual um homem tenta convencer a mulher, interpretada pela atriz Ingrid Bergman, de que ela ficou louca.
“Esse tipo de violência se apresenta quando as mulheres são tratadas como irracionais, excessivamente sensíveis, dramáticas, desequilibradas ou sem senso de humor (em situações em que são ridicularizadas ou humilhadas). Elas vão sendo tão sistematicamente agredidas que passam a ter dúvidas sobre o que falam e sentem”, declara a psicóloga Madge Porto, mestre em saúde coletiva e professora da Universidade Federal do Acre.

Violência moral é tão prejudicial quanto a física

Segundo a advogada Tatiana Coutinho Pitta, a violência psicológica repetida regularmente leva à destruição da autodeterminação e da autoimagem da mulher e se configura como assédio ou violência moral. E essa, muitas vezes, abre o caminho para a violência física.
Foi nesse tênue limite entre a agressão moral e a física que a maranhense Ana, 40, viveu os cinco anos de seu casamento. Ana é advogada, bem como o ex-marido, mas o conhecimento da lei não foi o suficiente para evitar a situação de violência.
“Sofri ameaças de morte e episódios de tensão extrema”, afirma ela. “Sempre procurei conversar, demonstrava que me sentia sufocada e controlada. Daí vinham pedidos de desculpas, presentes e promessas de mudança. Por fim, dei de presente para ele uma imersão de quatro dias de psicoterapia e iniciamos uma terapia familiar: eu, ele e as crianças.”
A terapia não funcionou e Ana acabou recorrendo à Justiça. Contudo, mesmo após seis anos de separação, ela ainda sofre os efeitos da violência doméstica. “O rendimento do meu trabalho foi afetado e não tenho motivação para a vida social. Sofro com dores de cabeça, alteração de pressão arterial, sono e apetite”, diz.

Lei Maria da Penha

A Lei 11.340/06, também conhecida como Lei Maria da Penha, reconhece a existência da violência psicológica e moral dentre as formas de violência cometidas contra a mulher. “Mas a possibilidade de punição por algum dano comprovado à integridade psicológica da mulher é muito rara de se efetivar na prática, porque a real expectativa é pela comprovação de um dano físico”, declara a advogada Isadora Vier Machado, professora adjunta de direito penal na UEM (Universidade Estadual de Maringá), que pesquisou o assunto para a realização de sua tese de doutorado pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em 2013.

“O importante é que, com a responsabilização criminal, seja implementada também a proposta da Lei Maria da Penha de que os homens passem por programas de discussão, reflexão e reeducação, a fim de instituir novos parâmetros relacionais, pautados pela igualdade de gênero”, fala a advogada.


fonte:http://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2015/09/11/violencia-contra-a-mulher-pode-se-disfarcar-de-protecao.htm
 

Apoiada por Paolla Oliveira, lutadora vai ensinar defesa pessoal a mulheres

Adriana Nogueira
Do UOL

Paolla Oliveira será a madrinha da campanha “Eu Sei me Defender”, criada pela lutadora de MMA e faixa preta em jiu-jítsu Érica Paes. A ação consiste em ensinar gratuitamente técnicas de defesa pessoal para mulheres. No Rio de Janeiro, a iniciativa começará em fevereiro, em parceria com a Polícia Civil. A atleta –que desde 2016 tem trabalho semelhante em Belém do Pará, seu Estado natal— negocia para estender a ideia para as cidades de São Paulo e Manaus.

Érica ganhou o apoio de Paolla ao começar a treiná-la para o papel de Jeiza, a policial que sonha em ser lutadora de MMA da novela “A Força do Querer” (Globo), prevista para estrear em abril.

“Era um sonho antigo meu”, fala Érica, que começou no jiu-jítsu aos 12 anos para se defender do irmão mais velho, que já fazia artes marciais e “praticava” os golpes nela. “Meu pai era machista. Achava que as filhas tinham de fazer balé, mas eu fui lutar.”
Arquivo Pessoal
imagem: Arquivo Pessoal


A atleta conta que ter sofrido duas tentativas de estupro e uma de agressão pelo ex-marido a fizeram ter a certeza de que era importante difundir o que aprendeu lutando.

“A primeira tentativa de estupro foi aos 15 anos, projetei o corpo do cara para a frente, fraturei o braço dele e apliquei um mata-leão, fazendo com que ele desmaiasse. A segunda foi há uns três anos, às 11h, saindo da escola do meu filho [Renzo Paes, ator e lutador], na Barra da Tijuca [Rio de Janeiro]. Joguei o sujeito de cabeça no asfalto. Com o meu ex-marido, que também lutava, o que era para ser uma agressão covarde, virou uma briga grande, por conta do meu conhecimento.”
Arquivo Pessoal
Érica com a prima, a atriz Dira Paes imagem: Arquivo Pessoal
Érica explica que o treinamento que dá gratuitamente consiste em ensinar poucas técnicas de defesa pessoal com muitas repetições. “Assim fica automático para a mulher quando ela se vê em uma situação de agressão. E qualquer mulher é capaz de usá-las, não importa o tamanho do agressor. Tenho uma aluna de 59 anos que, depois de 40 anos sendo agredida pelo ex-marido, conseguiu, enfim, se defender dele.”

Além de Paolla Oliveira, outras famosas também ajudarão a difundir a campanha, como a atriz Dira Paes –que é prima de Érica--, a cantora Fafá de Belém e a Miss Brasil Raíssa Santana.
Fora o trabalho de preparação com Paolla Oliveira para a novela “A Força do Querer”, Érica Paes também participará da trama. “Vou interpretar eu mesma e serei uma amiga da personagem da Paolla.”
fonte:http://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/01/25/apoiada-por-paolla-oliveira-lutadora-vai-ensinar-defesa-pessoal-a-mulheres.htm
 

Bailarina plus size de 15 anos dá lição de autoestima e superação

Do UOL

Não é só no mundo da moda que os padrões têm sido quebrados pelas plus size. Uma jovem de 15 anos mostra que o corpo esguio não é um pré-requisito para se tornar uma bailarina. A norte-americana Lizzy Howell conquistou a internet ao postar vídeos de dança e exibir o corpo distante das formas magérrimas comuns no balé profissional.
Hoje, com 37 mil seguidores no Instagram, a adolescente virou uma referência de autoestima e foi nomeada embaixadora da campanha Dancing For You, que incentiva a prática da dança para crianças com necessidades especiais.
Reprodução/Instagram
A bailarina plus size Lizzy Howell incentiva mais jovens a dançar imagem: Reprodução/Instagram

“Eu danço há dez anos e posso dizer que o mundo da dança é duro! Ser uma dançarina acima do peso exige muita luta. Vários professores já me falaram que eu não chegaria a lugar nenhum se não perdesse peso. Com o passar dos anos, eu aprendi a não ligar para o que os outros dizem. Se as pessoas querem te colocar para baixo, ignore-os e mostre o quanto você pode realizar”, disse Lizzy em um  post da campanha no Instagram.
Além do excesso de peso, a jovem sofre com hidrocefalia e relata que a dança também tem sido uma aliada contra a doença e a depressão causada por um quadro de ansiedade. “Já fiquei internada várias vezes e foi triste não poder dançar. Eu não desisti e vocês também não deveriam”, conclui
fonte: http://estilo.uol.com.br/beleza/noticias/redacao/2017/01/16/bailarina-plus-size-de-15-anos-da-licao-de-autoestima-e-superacao.htm 

Vai ter celulite, sim! Ícone plus size, top Ashley Graham mostra marcas

O que muitas mulheres lutam para evitar ou esconder, a top model plus size Ashley Graham fez questão de expor com destaque em sua rede social. Celulites e gordurinhas ganharam destaque em uma postagem da modelo na última quarta-feira (25).


Ashley, que é considerada a principal modelo plus size da atualidade, ganhou muitas mensagens de apoio de fãs ao redor do globo e muitos agradeceram a coragem de colocar as temidas marcas em exposição para todo mundo ver.
Ao lado da foto, a top declarou: " Eu malho. Eu faço o meu melhor para comer bem. Eu amo o corpo em que estou. E não tenho vergonha de alguns carocinhos, gordurinhas ou celulite, e você também não deveria ter".
fonte: http://estilo.uol.com.br/beleza/noticias/redacao/2017/01/26/vai-ter-celulite-sim-icone-plus-size-top-ashley-graham-mostra-marcas.htm
 

O país onde as mulheres podem tirar um dia de folga no período menstrual


Falar sobre menstruação ainda é um tabu na Zâmbia, na África Meridional. Mas o país começa a discutir abertamente a lei trabalhista que permite que todos os meses, durante o período menstrual, as mulheres tirem um dia de folga.
A lei foi batizada de Dia das Mães, embora se aplique a todas as trabalhadoras, com ou sem filhos.
As mulheres podem tirar o dia de folga quando quiserem e não precisam apresentar atestado médico, o que tem gerado críticas ao benefício.
"Acho que a lei é boa, porque as mulheres passam por muita coisa quando estão menstruadas", diz Ndekela Mazimba, que trabalha como relações públicas.
Ela não é casada nem tem filhos, mas tira o Dia das Mães todos os meses por causa de fortes cólicas.
"Acontece no primeiro dia da menstruação. Sinto cólicas muito fortes. Posso tomar analgésicos de todos os tipos, mas acabo ficando de cama o dia todo."
"Tem gente que fica mais irritada pouco antes do período menstrual, mas isso melhora com o passar dos dias. No meu caso, tiro a folga no primeiro dia, quando meus sintomas são muito fortes."

Sem aviso prévio

Na Zâmbia, as mulheres não precisam avisar com antecedência que não vão trabalhar: basta telefonar no mesmo dia e dizer que estão tirando o Dia das Mães.
O empregador que não respeitar este direito das trabalhadoras pode ser processado.
BBC

Justin Mukosa (esq.), chefe de Ndekela Mazimba, apoia a folga mensal, mas admite que há casos de mau uso da lei imagem: BBC

O chefe de Mazimba, Justin Mukosa, apoia a lei e diz que entende as pressões que as mulheres enfrentam para conciliar os compromissos da carreira e da família.
Mukosa é casado e acredita que a medida tem um impacto positivo sobre o trabalho das mulheres: "Produtividade não é apenas estar no escritório. Deve-se levar em conta tudo o que afeta o rendimento da pessoa."
Mas ele reconhece que há problemas com o atual sistema, como as faltas imprevistas e as pessoas que tentam tirar vantagem do esquema de folga.
"Por exemplo, pode ser que alguém tenha um compromisso pessoal e aproveite para tirar o Dia das Mães justamente naquela data", explica.

Críticos

Mas nem todo mundo apoia o Dia das Mães - e há muitas mulheres entre os críticos.
BBC
Mutinta Musokotwane-Chikopela tem três filhos, trabalha e nunca tira a folga; ela acha que já existem muitos feriados na Zâmbia imagem: BBC

Mutinta Musokotwane-Chikopela é casada e tem três filhos. Ela trabalha na área de marketing em horário integral e nunca tira o Dia das Mães porque acha que o benefício incentiva a indolência.
"Não acredito nisso e não tiro a folga. Menstruar é uma coisa normal do corpo da mulher, não é como a gravidez ou o parto", diz.
"Acho que as mulheres se aproveitam desta lei, principalmente porque não há como provar se você está ou não menstruada."
Chikopela acredita que o benefício deveria estar mais detalhado na lei.
"O problema na Zâmbia é que temos feriados demais - inclusive, um feriado nacional para orações, no dia 18 de outubro. Acho que o Dia das Mães deixa feliz quem gosta de feriados."
O Zambia Congress of Trade Unions (ZCTU), entidade que reúne os sindicatos dos diferentes setores do país, apoia a lei.
Mas o direito à folga "deve ser cassado" se uma mulher tirá-la num dia em que não esteja menstruada, afirma Catherine Chinunda, uma das dirigentes do ZCTU.
"Temos educado as mulheres sobre o Dia das Mães, dizendo que naquele dia elas devem descansar e não ir fazer compras nem outros trabalhos", diz.
A própria lei não estabelece o que é permitido ou não e, aparentemente, pouquíssimas empresas têm normas internas sobre o assunto.
Chinunda rejeita a ideia de que os homens também deveriam ter um dia de folga por mês, como sugerem alguns:
"Os homens saem às vezes para beber e faltam ao trabalho... Eles não sabem como é a sensação de estar menstruada."
Também há quem argumente que a medida cria uma situação ruim para os negócios.
"Seu chefe pode ter uma tarefa para lhe passar e, quando você falta subitamente, isso significa que o trabalho vai ser afetado", diz Harrington Chibanda, presidente da Federação de Empregados da Zâmbia.
"Imagine uma empresa que tenha um determinado número de empregados e que seis ou sete deles tirem o Dia das Mães na mesma data. O que vai acontecer com a produtividade?", pergunta Chibanda.

Início informal

A ministra do Trabalho da Zâmbia, Joyce Nonde-Simukoko, ex-militante sindical, lembra que o Dia das Mães era adotado informalmente nos anos 1990 antes de ser transformado em lei.
Mas ela tem palavras duras para quem usa o benefício para matar o trabalho: "Se você falta e é encontrada dançando em uma casa noturna, essa ausência não pode ser considerada Dia das Mães", afirma.
"Você não pode sair da cidade, ser encontrada fazendo o cabelo ou compras. Você pode ser demitida. Por exemplo, uma mulher foi flagrada trabalhando numa plantação depois de tirar o Dia das Mães e foi mandada embora."
BBC
A advogada Linda Kasonde explica que a lei é uma forma de reconhecimento da importância das mulheres na sociedade do país imagem: BBC

Um dos problemas da lei é não deixar claras as eventuais punições, o que causa confusão entre patrões e empregados.
Talvez mais do que os benefícios práticos, o que a população da Zâmbia apoia é a intenção e o espírito da legislação.
Em muitas famílias é a avó ou a irmã mais velha (algumas vezes, com 12 ou 13 anos) que tomam conta dos mais novos.
Como diz a advogada Linda Kasonde: "O Dia das Mães é importante no contexto da Zâmbia, porque reconhece que as mulheres são as principais cuidadoras dos indivíduos na nossa sociedade - sejam casadas ou não."
 

fonte: http://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/bbc/2017/01/21/o-pais-onde-as-mulheres-podem-tirar-um-dia-de-folga-no-periodo-menstrual.htm?cmpid=fb-uolmul
 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Queimada viva por escolher com quem casar

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“Eu matei a minha filha porque ela desonrou a nossa família”. As palavras são da mãe de Zeenat, a rapariga de 17 anos assassinada Paquistão, por ter casado sem a autorização da família. A mãe lançou-lhe petróleo sobre o corpo ainda vivo e de seguida ateou-lhe fogo, depois de Zeenat morrer a mãe veio para a rua gritar várias vezes as razões do assassínio.

Este é já o terceiro crime para limpar a honra da família denunciado este ano no Paquistão. Mas as estimativas de 2015, uma vez que a maioria destes crimes não é registada pelas autoridades, chegam aos mil homicídios. As famílias de origem são as primeiras agressoras das mulheres que fogem para casar, têm experiências sexuais antes do casamento ou se recusam a casar com os pretendentes escolhidos pelas famílias.

Maria Sadaqat professora numa escola de Mureen, perto de Islamabad, a capital do país, foi morta no início de junho por se recusar a casar com o filho do reitor da escola onde dava aulas. O método foi o mesmo: foi torturada e queimada viva.



A violência contra as mulheres no Paquistão afeta a grande maioria da população feminina. O Estado do Punjab, uma região admnistrativa do país aprovou recentemente legislação sobre a proteção das mulheres. Mas um órgão consultivo e religioso daquela república laica já veio apresentar uma proposta de lei para permitir que os homens batam nas suas mulheres.
fonte: http://www.delas.pt/queimada-viva-por-escolher-com-quem-casar-paquistao/


Facebook salva mulheres em Portugal


Violência doméstica
Dez mulheres por mês. Esta é a média de salvamentos que a GNR conseguiu efetuar após denúncias de violência doméstica feitas na página de Facebook, noticia hoje o Diário de Notícias. O porta-voz do comando geral da Guarda, major Marco Cruz, refere o aumento da utilização da rede social para denunciar situações de risco para as mulheres:

“No final do ano chegou-se a uma média de 10 denúncias por mês deste crime no Facebook, quando no início desta iniciativa, em fevereiro, recebíamos apenas dois ou três alertas”.
O número total de queixas efetuadas é de 45 em 2015 e acredita-se que o número venha a crescer em 2016. Ao mesmo tempo que as delações aumentam, a rapidez da resposta há de determinar que menos mulheres sofram maus tratos ou acabem por morrer vítimas de agressão por parte do cônjuge.

O DN cita o major Marco Cruz que conta como “uma mulher residente em Leiria foi salva de um provável desfecho trágico porque ‘um amigo viu um post seu no Facebook e partilhou-o na página da GNR’. O alerta fez com que a Guarda fosse ao local averiguar o que se passava e constatar que era um caso de agressões reiteradas há algum tempo. “A vítima recebeu apoio e o agressor teve uma medida de afastamento. Foi uma intervenção a tempo, graças ao alerta no Facebook . Hoje, esta mulher podia não estar viva,” lê-se na notícia.

Em 2015, 29 mulheres perderam a vida em contexto de violência doméstica, e mais de 30 foram vítimas de tentativa de homicídio. Desde 2004, foram registadas 428 mortes de mulheres às mãos dos companheiros ou maridos e 497 tentativas de crime.
fonte: http://www.delas.pt/facebook-salva-mulheres-em-portugal/

22 mulheres mortas pelos maridos em Portugal só este ano


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vinte e duas mulheres mortas às mãos dos maridos ou ex-companheiros e 23 mulheres vítimas de tentativa de homicídio por parte de indivíduos com quem tinham tido uma relação de intimidade. Estes são os números apresentados esta tarde pela União de Mulheres Alternativa e Resposta – UMAR, dando continuidade ao trabalho que desenvolve no âmbito do Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA ).

De 1 de janeiro a 20 de novembro de 2016, o OMA contabilizou um total de 22 femicídios e mais 23 tentativas de assassinato de mulheres. O relatório refere ainda que se comparado com períodos homólogos anteriores (com exceção do ano de 2007, este com igual número de registos) o número de homicídios tentados e consumados baixou.

Dos 22 femicídios registados, verificou-se uma maior incidência nos escalões etários com mais de 65 anos, seguidos da faixa etária dos 51-64 anos. Quanto às idades dos homicidas seguem o mesmo padrão do das vítimas, destacando-se aqueles com idades superiores aos 50 anos (155 dos 452 homicidas). Confirma-se assim que a violência doméstica normalmente sofre de uma escalada ao longo do tempo, podendo prolongar-se por décadas até ao desfecho final e irreparável.

Aliás, lê-se no relatório: “Da análise dos dados recolhidos não podemos deixar de concluir que os contextos de vitimação prévios são identificados na maioria das situações, surgindo o femicídio enquadrado no contínuo da violência, logo como escalada da mesma”.

Lisboa, Porto e Coimbra foram os distritos com maior número de registos: Lisboa com quatro e os demais com três, cada. Com dois femicídios no seu currículo surgem ainda Braga, Santarém e a região autónoma da Madeira. Já Aveiro, Beja, Faro, Leiria, Setúbal e Vila Real apresentaram um crime em cada uma das cidades.

Os assassinatos ocorreram sobretudo num contexto de violência doméstica (41%), embora o facto de a mulher não aceitar a separação, os ciúmes e a tentativa de evitar que ela testemunhasse contra o homicida sejam motivações suspeitas de enviesar os cálculos.

De acordo com o relatório, não existem dúvidas de que em 2016, tal como em anos anteriores, continua a ser evidente que a maioria dos crimes ocorre em contextos de relações de intimidade abusivas incluindo situações como violência doméstica, ataques de ciúmes, a não-aceitação da separação ou mesmo o femicídio por compaixão.

Quanto ao meio empregue para a prática dos crimes, 32% resultaram do uso de arma de fogo. A arma branca foi utilizada para cometer 18% dos outros homicídios, sendo ainda de salientar que dez mulheres foram barbaramente assassinadas por espancamento, estrangulamento, agressão com outros objetos e violação a que correspondem, em conjunto, 25% do total das situações registadas.

O local preferido pelos agressores para cometerem o crime? Tal como o Observatório tem vindo a registar desde 2004, continua a ser a residência.

O relatório é claro: “Da informação recolhida nas notícias publicadas, foi possível identificar que em oito dos 22 femicídios consumados (42%), a medida de coação aplicada foi a de prisão preventiva”.

“Aos 22 femicídios correspondem 19 autores do crime, uma vez que um dos homicidas assassinou duas mulheres e outro assassinou três”, segundo o OMA. Deste tipo de agressão resultam, como se observa, vítimas associadas por estarem próximas da mulher agredida ou a tentarem defender.

Sabendo que 27% dos crimes poderiam ser evitados, dado o conhecimento oficial da situação de violência doméstica, e se atendermos aos números da Associação de Apoio à vítima (APAV) relativamente a 2015, em que existem pouco mais de 300 vítimas masculinas de violência doméstica para 5.000 femininas, podemos a interrogar-nos sobre o que é que está a falhar na prevenção destes crimes.

Apesar da evolução da legislação que protege as vítimas de violência doméstica em Portugal, principalmente desde 1999, quando foram criadas leis que defendem efetivamente as mulheres, os números não mentem e confirmam que ainda vivemos numa sociedade em que os velhos modelos de género se impõem, “permitindo” aos homens maltratar as suas companheiras física ou psicologicamente.

SARA RAQUEL SILVA
MAIS NOTÍCIAS
fonte: http://www.delas.pt/femicidio-dados-que-nao-podemos-ignorar/

Feminicídio na Argentina é “vingança contra as mulheres que não se calam”

Protesto contra o feminicídio, em Buenos Aires, Novembro de 2015, REUTERS/Marcos Brindicci   - RTX1VV64

Protesto contra o feminicídio, em Buenos Aires, Novembro de 2015, REUTERS/Marcos Brindicci   - RTX1VV64

A 19 de outubro de 2016, as mulheres pararam a Argentina, com uma greve geral de uma hora e manifestações em várias cidades do país. O dia de protesto foi chamado de “Quarta-feira Negra” e foi uma reação à brutal violação e homicídio de Lucía Pérez, uma entre as mais de 200 mulheres que morreu entre janeiro e outubro do anos passado. Em 2015, as estatísticas oficiais falavam em 235 mulheres assassinadas. Os números do feminicídio e a brutalidade dos crimes na Argentina saltaram fronteiras e foram notícia um pouco por todo o globo. Mas 2016 não terminaria sem chocar aquele país, e o mundo, mais uma vez. Em dezembro, foi notícia a morte de Irma Ferreyra Da Rocha, de 47 anos. Violada e empalada morreu depois de agonizar três horas. Estes e outros casos são a prioridade da luta da plataforma Ni Una Menos, uma associação que luta contra os feminicídios e a desigualdade de género na Argentina. Foram as promotoras do protesto de outubro e prometem outras ações para o que chamam de violência machista, herdade de um sistema patriarcal. O Delas falou com María Florencia Alcaraz, membro da plataforma.

Os homicídios de duas mulheres argentinas – Irma Ferreyra Da Rocha e Lucía Pérez – chocaram o mundo pela sua crueldade, violência extrema e pela mutilação do corpo feminino. Porquê toda esta violência?
Nos casos recentes de mulheres assassinadas na Argentina, vemos, de facto, que há uma maior crueldade em relação ao seu corpo. Lamentavelmente, isso é uma reação ao empoderamento feminino, para qual não “basta” violar ou matar. Trata-se de subjugar os corpos. Os feminicidas não são doentes, nem animais, não são “monstros” ou “loucos”, como referem a imprensa, o direito e a medicina. Patologizar os feminicidas é esconder uma rede comum que une todos e cada um dos casos. Esses homens são filhos sãos de um sistema patriarcal que nos oprime diariamente, através de formas distintas de abuso.

A plataforma fala de uma vingança machista e de uma guerra contra as mulheres. Mas vingança e guerra com base em quê, exatamente?
É uma vingança contra as mulheres que não se calam. A violência machista sempre existiu, mas com as evoluções dos últimos anos, a linha da tolerância a essas violências baixou. Ao primeiro insulto, maus-tratos, violência psicológica, as mulheres denunciam. Antes toleravam mais a violência, agora não. Por isso, a crueldade é uma resposta a essas mulheres empoderadas.

Diz-se que morre uma mulher a cada 30 horas, na Argentina. Confirmam esses números?
Segundo a organização Casa de Encontro, entre janeiro e outubro de 2016, o número de feminicídios chegou aos 230: um a cada 30 horas. Não são números oficiais, são números que as organizações recolhem a partir da cobertura mediática. Nós, na plataforma, acreditamos que o número é mais elevado e o Estado tem de fazer um esforço para unificar as estatísticas oficiais e estas têm de refletir a dimensão real do problema.

Em Portugal, não há, no código penal, a distinção entre feminicídio e homicídio. O que é que define o feminicídio e por que é importante separá-lo do homicídio?
O feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo facto de ser mulher. Na Argentina, está tipificado no Código Penal, desde 2012.

A plataforma Ni Una Menos organizou em outubro de 2016 uma greve e uma manifestação contra a violência contra as mulheres, na sequência da violação e morte da jovem Lucía Pérez. Que importância teve essa ação para o ativismo feminino na Argentina?
A greve de mulheres permitiu-nos disputar uma certa hegemonia historicamente associada aos homens. Também permitiu aos sindicatos abordar internamente outros temas ligados à desigualdade que afeta as mulheres. Foi um salto qualitativo, falámos de feminicídios mas também falámos de desigualdade salarial, falta de representatividade na política e no mundo sindical.

Há violência machista, mas apesar de tudo há leis. Mesmo assim acusam o Estado de não estar à altura da crueldade dos feminicídios. O que é que falta fazer, na vossa opinião?
Falta um acordo para a problemática estrutural, um Conselho Nacional das Mulheres que trabalhe mais na prevenção, que apoie presencialmente as mulheres e não através de um call center. Exigimos também que se cumpra a Lei da Educação Sexual Integral: a prevenção e sensibilização são as chaves para combater o problema desde a infância e adolescência.

Nos últimos tempos, tem-se assistido, com as mudanças políticas em alguns países, a retrocessos nos direitos das mulheres, ou pelo menos no discurso que lhes é dirigido. Como é a situação na Argentina a esse nível?
Há um retrocesso total, que da parte do Estado se traduz em cortes nas políticas públicas para combater a violência machista. Conseguimos, com a plataforma, que fosse aprovada lei de apoio jurídico gratuito, mas mesmo assim o governo não pôs em ação. Também não aplicou, como política pública, a vigilância eletrónica dos agressores. E a Lei da Educação Sexual não só não se aplica integralmente em todas as zonas do país, como os técnicos de formação aos docentes, nessa área, foram dispensados pelo governo.

Comparam a crueldade com que Irma Ferreyra Da Rocha os métodos usados pela Inquisição, definindo-o como uma prática colonial. Mas esse não é um passado demasiado longínquo, quando não há muitos anos a Argentina vivia sob uma violenta ditadura?
A história por detrás destes crimes é o patriarcado que se mantém no tempo, se reproduz e reinventa

Como é que foi criada a Ni Una Menos?
A Ni Una Menos surge em março de 2015, durante uma iniciativa no parque da Biblioteca Nacional, em Buenos Aires, onde fizemos uma maratona de leitura contra os feminicídios. Depois aconteceu a marcha de 3 de julho, em que milhares saímos para as ruas e que se repetiu em 120 cidades. Depois, em 2016 assumimos o desígnio ‘Vivas nos queremos’ e realizámos a greve de mulheres.

Que ações preveem realizar nos próximos tempos?
No dia 8 de março [Dia Internacional da Mulher] vamos organizar um protesto internacional de mulheres. Neste momento, há 22 países a articular ações, no âmbito desse protesto: Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Coreia do Sul, Costa Rica, Equador, El Salvador, Escócia, Honduras, Irlanda do Norte, República da Irlanda, Israel, Itália, México, Nicarágua, Perú, Polónia, Rússia, Suécia, Turquia e Uruguai.

ANA TOMÁ
fonte: http://www.delas.pt/feminicidio-na-argentina-e-vinganca-contra-as-mulheres-que-nao-se-calam/


ONG explica campanha feminista com Cruzeiro, que vira destaque internacional

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