domingo, 20 de janeiro de 2013

ANA DIAS; DE COLECIONADORA A FOTOGRAFA DA PLAYBOY


 
 
André Brito
Ana Dias

Ana Dias: de coleccionadora a fotógrafa da PlayboY. É fotógrafa auto-didacta e há cinco anos pouco sabia do assunto. Vai assinar a terceira capa consecutiva da edição portuguesa da "Playboy" e é a responsável pelo calendário de 2013

Texto de Mariana Correia Pinto • 07/01/2013 - 10:34

A sessão "Big Girls Don't Cry" tirou Ana Dias do anonimato Ana Dias

Raquel Henriques
Raquel Henriques foi a primeira famosa a ser fotografada por Ana Dias para a Playboy Ana Dias

Raquel Jacob foi a modelo da segunda capa da fotógrafa de 28 anos na edição portuguesa da Playboy Ana Dias
 
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Quando a "Playboy" portuguesa de Fevereiro sair, Ana Dias completa a terceira edição consecutiva como fotógrafa responsável pela capa. Um percurso feito em “fast-forward” por uma fotógrafa de 28 anos, auto-didacta, formada em Artes Plásticas.

Em 2007, quando terminou a licenciatura na Escola Superior Artística do Porto, a fotografia tinha feito apenas uma breve aparição na vida de Ana Dias, num trabalho universitário (“fotografei paredes, 'stencil', 'street art', não tinha nada a ver com o que faço agora”, recorda).

Foi ainda do outro lado da lente, como modelo fotográfica para os colegas de curso, que descobriu que a fotografia a apaixonava. “Adorava aquilo. Olhava e pensava o que faria diferente, via as falhas de luz ou composição. Comecei a ter vontade de passar para o outro lado.”

A aposta “mais a sério” na área surgiu com a sessão “Big Girls Don’t Cry”, fotografias que a tiraram do anonimato e onde a jovem portuense começou a construir a sua equipa. Estávamos no Verão de 2010.

Nessa altura, já Ana Dias era há muito tempo uma assumida coleccionadora de revistas da "Playboy": os quiosques dos países que visita são uma espécie de ponto turístico de paragem obrigatória para aumentar a colecção.

Foi numa dessas paragens, na Polónia, que se cruzou com um anúncio de um concurso de fotografia erótica da revista sérvia, que acabaria por ser a primeira "Playboy" a publicar o trabalho da portuguesa – e que a premiou na Fotoerotika Konkurs 2012.

O sonho de publicar em Portugal coincidiu, no entanto, com o fecho da edição portuguesa da "Playboy", em Julho de 2010, depois de a revista ter estampado na capa Jesus Cristo ao lado de uma mulher nua, em alusão ao livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", de José Saramago.

Ana Dias não desistiu. Foi aumentando o portefólio sempre com a "Playboy" na cabeça – “Queria ter o máximo de trabalho na área e comecei por uma interpretação das fotografias da Marilyn Monroe na primeira Playboy americana”.

Um dia, o telefone tocou e o convite surgiu: a "Playboy" portuguesa, entretanto reaberta, queria publicar o trabalho dela. “Fiquei super feliz.”

Trabalhar numa revista como a "Playboy" num país como Portugal não é fácil. Ainda há vergonha na hora de entrar num local para comprar a revista, “ainda é difícil encontrar mulheres que se dispam sem problema.”

Talvez por isso, Ana Dias sente (com alguma tristeza) que o reconhecimento pelo seu trabalho surge sempre do exterior em primeiro lugar. “Tenho muitos convites de revistas estrangeiras.” Há dias surgiu outra confirmação disso mesmo: o CreativeBloQ! elegeu-a como uma das 20 fotógrafas mais inspiradoras para seguir no Behance.

A "busca da perfeição"
A inspiração de Ana Dias vem sobretudo da beleza feminina - “o corpo, a atitude subtil, o sorriso, a postura delicada e sensual” – e as ilustrações de "pin-up" do pós-guerra, sobretudo as de Gil Elvgren, são uma imagem sempre presente.

O objectivo de cada sessão é a “busca da perfeição” e aí tudo conta: desde a escolha da modelo ao tratamento posterior da imagem em "Photoshop". “O que mais gosto é que a mulher se veja e goste dela, não pode parecer outra pessoa, tem de ser ela, mas perfeita.”

Para isso, muito conta a pré-produção. Aliás, boa parte do trabalho é feito antes de pegar na câmara: “Começo por fazer uma pesquisa do tema, desenho cenários, as posses das modelos, às vezes as roupas”, explica a jovem, que tem nos fotógrafos Ellen Von Unwerth e Eugénio Recuenco as suas grandes referências.

Depois de publicar nas edições portuguesa e sérvia e de ter sido a fotógrafa responsável pelo calendário de 2013 da Playboy, com publicação este mês, Ana Dias sonha com as edições do Brasil e dos Estados Unidos. E trabalhar para a "Pirelli" e sair num livro "Taschen" também estão na lista de objectivos: “Sonho sempre muito alto, depois logo se vê.”
FONTE: http://p3.publico.pt/actualidade/media/6068/de-coleccionadora-fotografa-da-playboy

 

O CORPO FEMININO É
UMA ETERNA INSPIRAÇÃO

Homens do Distrito Federal são os que mais fazem cirurgias plásticas estéticas no Brasil

O professor de musculação Nilton Júnior fez um procedimento de autoplastia para deixar "normal" as orelhas que antes eram abertas demais
O professor de musculação Nilton Júnior fez um procedimento de otoplastia para corrigir as orelhas que antes eram abertas demais



 
Entre os homens, os brasilienses são os que mais fazem cirurgias plásticas estéticas em todo o Brasil. A maioria deles opta por fazer lipoaspiração, implante de silicone no peitoral e tratamentos cirúrgicos para reduzir a calvície. As estatísticas são da SBCP-DF (Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas do Distrito Federal).
De acordo com Katia Tôrres Batista, presidente da SBCP-DF, há pouco tempo era raro ver um homem preocupado com a estética a ponto de buscar alternativas, incluindo as cirúrgicas, para melhorar a aparência. No entanto, nos últimos anos essa situação tornou-se comum nas clínicas credenciadas da capital federal.
Para ela, os homens sempre tiveram essa preocupação, mas até então preferiam esconder que tinham se submetido a algum tratamento estético. Agora, o número de homens que assumem que fizeram tratamentos cresceu expressivamente, em Brasília e em todo o Brasil.
— O número tem crescido consideravelmente. Eles fazem lipoaspiração, tratamentos para calvície, se submetem a cirurgias no abdômen e até colocam silicone no peitoral para dar uma aparência de mais forte.
Leia mais notícias no R7 DF
No entanto, Katia lembra as mulheres ainda dominam o mercado de estética da capital federal porque são "naturalmente bem mais vaidosas". Ela explicou que apesar de perder estatiscamente para as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o Distrito Federal não fica tão atrás porque tem uma procura do público feminino muito grande.
— Podemos dizer que para cada duas mulheres um homem do DF faz o procedimento, número superior em relação aos demais Estados brasileiros. Então a relação [entre mulheres e homens que fazem cirurgia] é praticamente o dobro ainda, mas a tendência é que isso fique equiparado daqui a algumas décadas. Antes eles nem faziam, agora é uma cena quase que rotineira. Na questão do público feminino, a gente perde para outros estados porque eles são bem maiores, mas em números reais estamos bem próximos.
O corpo é o principal cartão de visita
A psicanalista e especialista em comportamento humano Carla Manzi Muniz de Souza explica que essa preocupação pode refletir positivamente em todas as áreas da vida de um homem, desde que aconteça de forma natural e sem excessos. Ela tem um consultório na Asa Sul, área central de Brasília, e atua há quase 15 anos com o público masculino, que normalmente a procura por conta de medos ou dúvidas sobre a estética. Por conta disso, ela faz um alerta.
— O corpo é a melhor ferramenta de trabalho que existe e é o principal cartão de visita da pessoa. Se a aparência é boa, certamente o homem terá mais chances de conquistar um bom emprego e até mesmo um bom relacionamento. Mas é preciso cuidado, porque o excesso de cirurgias pode deixar a aparência feia, ao invés de bonita, e também pode causar danos irreversíveis ao corpo. O vício em cirurgias ou mania de perfeição também pode representar algum distúrbio que deve ser tratado.
O professor de musculação Nilton Junior, de 25 anos, optou por uma cirurgia estética, mas sem excessos. Ele trabalha como instrutor em uma academia do Sudoeste, região administrativa do DF, há quatro anos, e fez o procedimento de otoplastia, que corrige orelhas de abano, porque se incomodava com a aparência física no ambiente de trabalho.
Motivo de piada durante anos enquanto jovem, ele foi incentivado pelos seus superiores no começo do ano passado a fazer a operação. O objetivo de Nilton era melhorar a aparência diante dos alunos e de outros possíveis contatos profissionais. A cirurgia foi realizada há mais ou menos quatro meses e ele afirma que além de sentir muita melhora também percebeu bons resultados profissionais depois do procedimento.
— A aparência é tudo. É uma questão de valorizar o corpo e o usar como cartão de visita, uma referência. A primeira impressão é a que fica e isso pode abrir ou fechar portas. Minhas orelhas eram muito abertas e agora ficaram com uma aparência normal. Realmente mudou muito o meu rosto e o meu corpo. Ficou bem melhor do que era.

Riscos da cirurgia plástica
A presidente da SBCP-DF esclarece que a cirurgia plástica com objetivos estéticos envolve todos os riscos de qualquer outra intervenção cirúrgica e pode causar reações adversas à anestesia ou aos medicamentos. O paciente também deve estar ciente de que podem acontecer resultados insatisfatórios e é preciso se certificar se o médico tem experiência comprovada e registro na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para evitar erros e imperícias durante a operação.
— O cirurgião plástico deve ter, obrigatoriamente, pelo menos dois anos de formação em cirurgia geral e um ano em cirurgia plástica. É preciso verificar se ele tem registro e procurar referências confiáveis para evitar problemas futuros.
O MPU (Ministério Público da União) informou que recebe, em média, 500 denúncias de erro médico por ano, muitas relacionadas a cirurgias plásticas. O ministério também esclarece que esses procedimentos não são pagos pelos convênios e a rede pública não fornece esse tipo de serviço, o que coloca a responsabilidade totalmente na pessoa interessada, que deve ir atrás, pesquisar e procurar saber sobre a capacidade técnica dos médicos.

Ansiedade para ter corpo magro no verão gera transtornos alimentares

 




O padrão de beleza baseado na magreza tem levado cada vez mais pessoas a lutar por esse padrão, a qualquer custo, até mesmo com danos à saúde. O uso de medicamentos para inibir o apetite ou a autoimposição de regimes de fome são comportamentos que podem evidenciar um problema mundial, que atinge 1% da população feminina entre 18 e 40 anos e pode levar à morte. Os transtornos alimentares se tornaram verdadeira “epidemia”, prejudicando especialmente adolescentes e adultos jovens. Entre os transtornos mais conhecidos e mais graves estão a anorexia e a bulimia.
A enfermeira Maria Cleonice de Souza explica que bulimia e anorexia são alterações comportamentais causadas por transtornos alimentares. “Até que agora nem tanto, mas há alguns anos era muito divulgado na mídia o culto ao corpo magro como sinônimo de valores, beleza e autoestima. Aquilo era a perfeição, mas as adolescentes que mais acompanham a evolução dos padrões de beleza acabaram entendendo da forma errada, porque a magreza tem um limite. Então, esses transtornos podem acabar produzindo problemas irreversíveis, que levam à morte”, alerta.
A bulimia, por exemplo, é o transtorno que leva o portador a desenvolver uma relação doentia com a comida. A pessoa se empanturra com até 15 mil calorias em uma única refeição para depois colocar tudo para fora de maneira forçada. “Como se fossem movimentos compensatórios. A pessoa come em quantidade excessiva, sente culpa e aí devolve. Configura bulimia quando a pessoa provoca o vômito cerca de três a 14 vezes por semana. Voltam a comer, espera o período para sentir saciar a fome, só que antes que o organismo possa absorver níveis de gorduras e que aumentem a massa corpórea, fazem estímulos para o vômito”, explica a enfermeira.
Cleonice de Souza esclarece que a anorexia também é um transtorno alimentar ligado a diversos fatores, mas especialmente os psicológicos. “É quando a pessoa não come porque tem distorção da imagem. Mesmo estando magra, a pessoa se vê gorda e qualquer nível de gordura é avançado para o olhar dela. Então, produz métodos de pesar a comida, observando níveis de gordura que podem aumentar a massa corpórea. Só que isso acontece de forma obsessiva e progressiva. A pessoa inicia regimes pequenos e vai aumentando, com dietas mais agressivas. Isso provoca ausência da menstruação, anemia, fraqueza intensa e emagrecimento, atingindo toda a função metabólica, gastrointestinal, imunológica e psicológica”, afirma a especialista
 
 
 

Procedimento só pode ser feito por cirurgião plástico

por Mariana Bueno
Lipoaspiração reduz gorduras localizadas, mas pode trazer sérios riscos title=
Na eterna busca pelo corpo perfeito, as mulheres estão cada vez mais recorrendo à lipoaspiração, que elimina as gordurinhas localizadas. O procedimento parece simples, mas, se não for feito da forma correta e por um profissional capacitado, pode trazer consequências sérias. Existem até mesmo casos em que complicações na cirurgia levaram mulheres à morte. Por isso, antes de se decidir por uma lipo, é importante estar atento a alguns detalhes. O primeiro deles é se certificar de que o profissional está cadastrado no site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Outro ponto é avaliar as condições do local onde a cirurgia será realizada. “O paciente deve pedir para ver a licença sanitária do local. E escolher sempre um médico capacitado. Existe gente que coloca que é membro da Sociedade de Cirurgia Estética, mas isso não existe, colocam para enganar”, alerta o cirurgião plástico Alderson Luiz Pacheco.
 
Ele explica que existem alguns riscos que são inerentes à cirurgia, como perfuração gastrointestinal e trombose, que pode ocorrer por causa da redução do fluxo sanguíneo. Os principais fatores de risco são: uso de anticoncepcional, tabagismo, varizes e idade acima de 50 anos. Para evitar qualquer problema, a recomendação é que sempre sejam feitas as consultas e exames pré-operatórios. “Esses fatores não impedem que a cirurgia seja realizada, mas alteram a conduta para que tudo corra bem. Quando identificados, passam antes por uma avaliação específica”, esclarece.
Não existe uma idade mínima para quem quer fazer uma lipo, que tem sido cada vez mais procurada por pessoas mais novas. Mas os médicos exigem que os pais autorizem. A indicação da lipo é para quem tem gordura localizada, como culote e barriga. A cirurgia só consegue tirar a gordura superficial, e o que se perde fica entre 5% e 7% do peso. Mais do que isso, é um risco.
“Quando alguma pessoa procura a cirurgia, sempre recomendamos antes um nutricionista, uma atividade física ou até mesmo um psicólogo. Muita gente procura porque está em crise no relacionamento, por exemplo, achando que, se melhorar o corpo, a situação vai mudar. Nesses casos é até perigoso fazer a cirurgia, porque sabemos que não vai resolver o problema da pessoa. Então encaminhamos ao psicólogo”, explica o médico.
Ele relata que há pessoas que nem tentam emagrecer e vão direto para a lipo. Há também quem repita sempre o procedimento, pois volta ao corpo de antes, e depois recorre à lipo de novo. “Muitas pessoas estão acima do peso e buscam a lipo. São pessoas que já tentaram emagrecer e não conseguiram, mas com a melhora no corpo, se sentem estimuladas a buscar o emagrecimento, atividades físicas, e acabam conseguindo”.
Para que o resultado seja satisfatório, é preciso ter todos os cuidados no período pós-operatório: repouso de uma semana em casa, podendo então retornar ao trabalho; um mês para voltar à academia e demais atividades; uso de modeladores nesse mesmo período; e drenagem. “É uma cirurgia que dói muito, é uma das mais doloridas, mais até que cirurgias abdominais ou de mama. Mas, em compensação, a recuperação é mais rápida”, finaliza
 
LEIA ANTES DE PENSAR EM FAZER UMA CIRURGIA.
 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Mulheres podem tirar véu em 'oásis' no centro de capital saudita


Atualizado em 29 de maio, 2012 - 09:33 (Brasília) 12:33 GMT
     
Parque em Riad | Foto: Matthew Teller
Durante muitos anos, o fértil vale Wadi Hanifah, situado na capital da Arábia Saudita, Riad, foi um lixão que trazia riscos à saúde pública.
Transformado em um parque com lagos, onde sopra uma agradável brisa fresca, Wadi Hanifah é hoje um oásis imenso e difícil de policiar - o que faz dele um lugar onde cidadãos sauditas podem relaxar de verdade.
Em uma das sociedades islâmicas mais fechadas e rígidas do mundo, o termo "relaxar" ganha sentidos inesperados: para uma mulher, ele pode significar, por exemplo, a possibilidade de que ela tire seu véu em um local público.

Zona Industrial

De camiseta branca e óculos escuros, Hussein al-Doseri sorri e abre os braços, mostrando a paisagem com árvores e água fresca situada em um subúrbio industirlal no sul da capital saudita.
"Antes, não havia serviços aqui, nem trilhas ou caminhos", ele diz.
Usado como lixão e esgoto aberto durante anos, o vale foi alvo de um projeto de regeneração que já dura uma década.
"Agora, estou aqui o tempo todo. Esse lugar é o oposto de Riad".
Começando nas regiões altas da Arábia central, Wadi Hanifah se estende na direção sudeste por 120 km, terminando no deserto conhecido como Rub' al-Khali, ou "lugar vazio".
O vale é seco durante a maior parte do ano, mas permanece fértil devido à presença de aquíferos abaixo da superfície (formações geológicas que podem armazenar água subterrânea).

Desequilíbrio

Durante milênios, muitos povos vêm cultivando a terra e fazendo comércio ao longo do vale.
O vilarejo de Riad cresceu aos poucos, de maneira sustentável, nas proximidades do vale. Mas a partir da década de 1970, o ritmo acelerado do crescimento da cidade desequilibrou o delicado ecossistema local.
Mineradoras passaram a extrair minério de Wadi Hanifah. O vale foi bloqueado por fazendas. Inundações sazonais passaram a carregar lixo a bairros residencias e, ao receder, deixavam água estagnada, trazendo riscos à população.
Hoje, quase não há sinais de poluição no vale.
Parque em Riad | Foto: Matthew Teller
Crianças e adultos passaram a usar espaço público que antes era lixão
Em Al-Elb, ao norte de Riad, palmeiras fazem sombras sobre áreas para picnics.
Utilizando pedras e vegetação, os paisagistas criaram espaços que oferecem privacidade aos frequentadores. Enquanto seus pais descansam sob as acácias, crianças brincam em degraus de pedra que as levam em direção ao fundo do vele, ou exploram trilhas naturais.
"Não há espaços abertos em Riad", disse o engenheiro Saud Al-Ajmi. "Wadi Hanifah tornou-se um lugar para respirar".

Biorremediação

Desde 2001, a autoridade de desenvolvimento de Riad vem restaurando e regenerando o vale, retirando o lixo e replantando a flora nativa.
Geralmente, em cidades grandes, quem quer ar fresco procura as regiões mais altas. Em Riad, você desce.
O vale Wadi Hanifah funciona como um túnel de ventilação, levando a brisa fresca para a cidade para dispersar a nuvem de poluição e amenizar o calor.
É como um oásis muito longo e estreito.
No coração do projeto está uma usina de processamento que transforma água de esgoto em água limpa o suficiente para ser usada em irrigação e pesca.
Com base em uma técnica conhecida como biorremediação, ou biotecnologia, a usina corrige danos causados ao meio ambiente por meio de processos naturais de biodegradação.
Paisagistas canadenses, trabalhando com engenheiros britânicos, criaram uma série de pântanos intercomunicáveis - três lagos grandes onde crescem algas. Essas algas formam a base de uma cadeia alimentar que inclui peixes, insetos e moluscos.
À medida que a água flui por esses habitats pantanosos, processos naturais de oxigenação eliminam dela bactérias nocivas e poluentes.
A biorremediação nunca havia sido aplicada em um projeto dessa magnitude.
Animados com os bons resultados, cientistas estão estudando formas de aplicar a tecnologia em outras cidades.

Orgulho e Identidade

O projeto em Wadi Hanifah beneficiou o ambiente e a economia, além de valorizar áreas que antes eram consideradas pouco desejáveis - as áreas em torno do vale.
A iniciativa também teve um efeito moral, reconectando a capital saudita com um aspecto importante de sua identidade. Wadi Hanifah, lugar onde Riad nasceu, foi, durante anos, motivo de vergonha para seus cidadãos. A limpeza restaurou o orgulho dos moradores.
O plano também desperta críticas. Custou quase US$ 1,5 bilhão e foi feito sem qualquer participação do público. Além disso, sua relevância é questionada em uma cidade onde, segundo relatos, um terço das moradias não tem esgoto.
Parque em Riad | Foto: Matthew Teller
Sauditas estão usando espaço de parque na capital, Riad, para recreação
Por outro lado, a criação de um corredor verde de parques e lagos passando pelo meio da capital saudita está tendo consequências sociais inesperadas.
As autoridades estão percebendo que simplesmente não podem policiar uma área tão grande.
Tradicionalmente, Riad não tem entretenimento público - não há cinemas, teatros ou espaços para música na cidade. Portanto, os únicos espaços de lazer são shopping centers e parques.
Pique-niques são um programa popular entre os sauditas. E no fundo do refrescante vale Hanifah, em meio às sombras convidativas e o murmúrio de água fresca corrente, cenas incomuns começam a acontecer.
Sauditas e estrangeiros começam a se misturar, de uma forma que seria impensável no passado. E mulheres estão até tirando seus véus - impunes.
FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/05/120528_arabia_saudita_oasis_mv.shtml


 

Arábia Saudita pode ter polícia religiosa feminina

Atualizado em 18 de outubro, 2012 - 14:12 (Brasília) 17:12 GMT
 

Mulheres sauditas (Foto Reuters)
Mulheres sauditas: submetidas a rígidas regras de conduta e vestimentas
O chefe da polícia religiosa da Arábia Saudita, Abdul Latif Abdul Aziz al-Sheikh, defendeu a contratação de mais mulheres para os quadros da instituição e disse esperar que uma campanha de recrutamento seja realizada em breve.
As declarações foram publicadas pelo jornal oficial saudita Saudi Gazette.
 
A polícia religiosa é responsável por garantir o respeito às leis islâmicas, incluindo códigos de vestimenta e horários de oração.
É ela quem impede as mulheres de dirigir, supervisiona o veto a certas formas de entretenimento público e garante que todas as empresas e pequenos comércios fechem suas portas cinco vezes ao dia para as orações.
Para analistas, a introdução das mulheres em seus quadros pode ser um sinal de que o rei saudita, Abdallah, está avançando - ainda que de modo lento e cauteloso - em uma agenda reformista.

Práticas excessivas

No início deste mês, al-Sheikh anunciou que os poderes da polícia religiosa - conhecida como Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, ou simplesmente "mutawa" - seriam reduzidos.
O próprio al-Sheikh foi nomeado em janeiro deste ano para lidar com a crescente indignação pública sobre práticas dos policiais que integram essa força, vistas como excessivas e inapropriadas.
Recentemente, um vídeo que mostra um policial obrigando uma jovem a sair de um shopping por causa de sua maquiagem tornou-se viral na internet.
Para analistas, a introdução de mulheres na polícia religiosa saudita não necessariamente tornará a aplicação das regras menos rigorosa. Mas pelo menos, acreditam eles, a medida ajudará a ampliar o papel da mulher na vida pública do país.
Apesar de a Arábia Saudita continuar a ser um país profundamente conservador, o rei Abdallah introduziu recentemente algumas reformas políticas e sociais limitadas.
Em setembro de 2011, por exemplo, as mulheres finalmente ganharam o direito de votar e se candidatar às eleições municipais.
FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/10/121018_policia_arabia_saudita_ru.shtml

SERÁ QUE MELHOROU ALGO EM 2013??????

Casamento de saudita de 90 anos com menina de 15 gera revolta no país

Atualizado em 7 de janeiro, 2013 - 19:03 (Brasília) 21:03 GMT

Mulheres sauditas
Milhares de meninas sauditas de menos de 14 anos são obrigadas a casar com homens mais velhos
O casamento de um saudita de mais de 90 anos com uma garota de 15 voltou a inflamar um debate sobre as chamadas "noivas meninas" no país.
Casos como esses são relativamente comuns no país. Mas desta vez muitos sauditas usaram as redes sociais para condenar o casamento, com questionamentos sobre se o caso pode ser considerado tráfico humano ou abuso infantil.
Segundo a imprensa local, o homem teria pago um dote de cerca de US$ 17 mil (o equivalente a R$ 34,5 mil) para poder casar com a menina.
A garota do caso em questão estava tão assustada na noite do casamento que trancou o marido para fora do quarto e fugiu, retornando para a casa dos pais.
O marido está considerando entrar com um processo para recuperar seu dinheiro ou a menina.
O caso reflete como as mídias sociais se tornaram um fórum vital para discussões em uma sociedade tradicionalmente apática e fechada. Os sauditas agora são os que mais abrem contas no Twitter em todo o mundo, de acordo com o analista de Oriente Médio da BBC Sebastian Usher.
Milhares de meninas sauditas de menos de 14 anos são obrigadas a casar com homens ricos e muito mais velhos, segundo Usher.
Mas há um movimento crescente no país para que seja estabelecida uma idade mínima para se casar, e o governo está trabalhando nisso.
No entanto, alguns dos líderes religiosos mais conservadores ainda resistem à ideia, defendendo apenas que as garotas atinjam a puberdade antes do casamento.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/01/130107_noiva_saudita_mdb.shtml

DA SERIE ABSURDOS DO SECULO XXI
E NÓS NÃO VAMOS FAZER NADA?????

 

Caso de estupro expõe drama de meninas sequestradas na Índia

 

9 de janeiro de 2013
andre mansur caso de estupro expoe drama de meninas sequestradas na india Caso de estupro expõe drama de meninas sequestradas na Índia

A comoção causada pela morte de uma estudante estuprada em um ônibus em Nova Déli está levando a Índia a fazer um exame de consciência sobre a forma como a mulher é tratada no país. E, nesse processo, um dos problemas mais chocantes a vir à tona diz respeito aos casos de sequestro, tráfico e escravidão de meninas no país.
Todos os anos, dezenas de milhares de meninas indianas desaparecem de suas casas.
Elas são sequestradas e vendidas para trabalhar como prostitutas, escravas domésticas e, cada vez mais, para se casar no Norte do país, onde a diferença entre a população masculina e feminina é grande em função de outro grave problema: o aborto de fetos do sexo feminino, que levou de 25 a 50 milhões de mulheres a “sumirem” das estatísticas demográficas indianas, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef.
Uma das vítimas desse crime, Rukhsana varria o chão quando a polícia chegou na casa em que vivia há cerca de um ano. “Quantos anos você tem? Como chegou aqui?”, perguntaram.
“Quatorze”, respondeu a menina, magra e de olhos arregalados. “Fui sequestrada”.
Uma mulher mais velha tentou convencer os policiais que Rukhsana mentia – e que teria 18 anos e estava na casa com o consentimento de seus pais. Mas, por fim, a menina foi levada de volta para casa, perto da fronteira da Índia com Bangladesh.
Rukhsana conta que foi sequestrada por três homens quando tinha 13 anos, no caminho de casa para a escola: “Eles me mostraram uma faca e disseram que me cortariam em pedaços se eu resistisse”.
Depois de uma viagem de três dias em carro, ônibus e trens, o grupo chegou a uma casa no norte do estado indiano de Haryana e Rukhsana foi vendida para uma família com três filhos homens.
Por um ano, a menina não foi autorizada a sair de casa. Ela conta que foi humilhada, espancada e estuprada frequentemente pelo mais velho dos três filhos, que dizia ser seu “marido”.
“Ele me dizia: ‘Eu te comprei, para que você faça o que eu digo’”, lembra Rukhsana. “Pensei que nunca veria minha família de novo. Chorava todos os dias”.

FALTA DE MULHERES

Apesar de não haver estatísticas oficiais sobre quantas meninas são vendidas para casamento na Índia, ativistas de defesa dos direitos humanos acreditam que o problema está crescendo, impulsionado pela procura de mulheres nos Estados ricos do norte e pela pobreza em outras partes da Índia.
“Nós não temos meninas suficientes aqui. E eu paguei um bom dinheiro por ela”, dizia a mulher que comprou Rukhsana, tentando convencer a polícia a não levá-la de volta para casa.
“No norte da Índia, homens jovens não estão conseguindo encontrar mulheres e estão frustrados”, afirma o ativista Rishi Kant, da organização Shakti Vahini, que colabora com a polícia para resgatar vítimas.
Em apenas um distrito no Estado de Bengali Ocidental, a reportagem visitou cinco aldeias e todas tinham crianças desaparecidas, a maioria delas do sexo feminino.
De acordo com as últimas estatísticas oficiais, 35 mil meninas desapareceram na Índia em 2011 – sendo mais de 11 mil de Bengali Ocidental. Além disso, a polícia estima que apenas 30% dos casos vieram a ser notificados.
O problema do tráfico escalou na região depois que um ciclone destruiu suas plantações de arroz, há cinco anos.
O agricultor Bimal Singh, por exemplo, foi um dos milhares de habitantes do Estado que ficaram sem renda, por isso ele achou que foi uma boa notícia quando um vizinho ofereceu à sua filha Bisanti, de 16 anos, um emprego em Nova Déli.
“Ela entrou no trem para partir e me disse: ‘Pai, não se preocupe comigo, eu vou voltar com dinheiro suficiente para que você possa me casar’”, conta Bimal. Mas o agricultor nunca mais ouviu falar da filha.
“A polícia não tem feito nada por nós. Uma vez eles bateram na porta do traficante, mas não o prenderam”, diz Singh.

TRAFICANTE

Em uma favela de Calcutá, um homem que vende meninas para viver fala sem remorsos sobre esse comércio, sob condição de anonimato.
“A demanda está aumentando, o que tem me permitido ganhar muito dinheiro. Já comprei três casas em Nova Déli”, diz.
“Tenho homens que trabalham para mim. Dizemos aos pais das meninas que vamos encontrar empregos para elas em Nova Déli, então a levamos para as agências. O que acontece depois disso não é da minha conta”.
O traficante conta que sequestra e vende de 150 a 200 meninas por ano, com idades entre 10 e 17 anos. Com a venda de cada menina, consegue cerca de 55 mil rúpias (R$ 2.049). O apoio de alguns políticos locais e da polícia, segundo ele, são cruciais para a continuidade do negócio.
“A polícia está bem consciente do que fazemos. Subornamos policiais em cada Estado – Calcutá, Nova Deli e Haryana”, afirma o traficante.
“Já tive problemas com as autoridades, mas não tenho medo – se for para a cadeia, tenho dinheiro para pagar suborno e garantir minha saída”.
O chefe da Unidade de Investigação Criminal encarregada das operações contra o tráfico humano em Bengali Ocidental, Shankar Chakraborty, reconhece o problema da corrupção policial, mas diz que ao menos sua unidade está totalmente empenhada em combater o sequestro de meninas na região.
“Estamos organizando campos de treinamento e campanhas de conscientização. Também recuperamos muitas meninas, de diferentes áreas do país”, diz.
Segundo Chakraborty, a própria existência de sua unidade mostra a crescente determinação do governo em atacar o problema. E ativistas confirmam que a polícia está mais consciente do problema.
Hoje, todas as delegacias de Bengali Ocidental têm uma autoridade antitráfico. Mas o número de casos é impressionante e os recursos para investigá-los, escassos.
“Não adianta fazer reformas só na polícia”, diz Rishi Kant. “Precisamos de mais políticas sociais e um sistema judiciário que funcione”.

JUSTIÇA E ATITUDES

Kant defende a criação de tribunais especiais que possam tomar decisões com rapidez para lidar com os casos de tráfico de meninas e novas regras para evitar que os acusados possam responder em liberdade por este crime após pagar uma fiança.
Ativistas como ele também ressaltam a urgência de uma mudança de atitude.
Duas semanas antes do estupro em Nova Déli, um grupo de influentes anciãos da aldeia Haryana se reuniram para discutir temas como estupros, abortos ilegais e leis de casamento.
Ao falar sobre o aumento “alarmante” nos casos de abusos sexuais na região, um orador disse: “Você já viu como as meninas andam de scooter de forma sugestiva? Não há mais decência na forma como as mulheres se vestem ou agem hoje em dia”.
O discurso de outro homem sobre as causas do grande número de abortos de fetos do sexo feminino também mostra a necessidade de uma mudança de atitude.
“A sociedade está cada vez mais educada e nossas meninas agora estão escapando [do domínio dos pais]. Elas trazem vergonha para seus próprios pais – então quem vai querer ter uma menina?”, perguntou.
Na mesma região em que o encontro de anciãos ocorreu vive Rupa, uma mulher de 25 anos que foi traficada de Bihar para Haryana para se casar com um homem local.
A família de seu marido a forçou a ter dois abortos até que ela finalmente ficou grávida de um menino.
A violência que sofreu nos últimos anos é apenas um entre milhares de casos que mostram que na Índia o ciclo de abusos continua.
fonte: http://andremansur.com/blog/caso-de-estupro-expoe-drama-de-meninas-sequestradas-na-india/

NÃO É POSSIVEL O MUNDO ACEITAR PACIFICAMENTE UMA SITUAÇÃO DESSAS. PRECISAMOS NOS MEXER E DIVULGAR MUITO ESSAS NOTICIAS!!!!!


lusconi diz ser perseguido por juízas 'feministas'

ROMA - O ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, atacou o judiciário italiano nesta quarta-feira, 9, ao dizer que é perseguido por um grupo de magistradas "feministas e comunistas" porque foi obrigado a pagar uma pensão diária de 200 mil euros (US$ 260 mil) à sua segunda ex-esposa, a atriz Veronica Lario.



Berlusconi diz ser perseguido por juízas 'feministas' - Remo Casilli /Reuters
Remo Casilli /Reuters
Berlusconi diz ser perseguido por juízas 'feministas'

Os comentários de Berlusconi, de 76 anos, atraíram novamente as atenções para o magnata em um período de disputa eleitoral na Itália - que terá eleições gerais em 24 e 25 de fevereiro. Berlusconi assinou um documento prometendo aos seus aliados do partido Liga do Norte, da extrema direita, não disputar o cargo de premiê se sua coalizão de centro-direita vencer as eleições - ele deverá ser eleito, contudo, deputado.

A mídia italiana informou no ano passado que o divórcio de Berlusconi e Veronica Lario custou ao magnata 36 milhões por ano. Isso significaria 3 milhões de euros por mês e cerca de 100 mil euros diários.

"Essas três juízas são feministas e comunistas, certo?" disse Berlusconi aos jornalistas. "Essas são juízas milanesas que me perseguem desde 1994!" gritou o magnata.

O presidente da Associação Nacional de Magistrados da Itália, Rodolfo Sabellio, disse que as acusações de Berlusconi são "inaceitáveis" e afirmou que é um direito do magnata apelar da sentença judicial, se achar que é seu direito. Berlusconi disse que a sentença é "injusta" e apelará nos tribunais.

Berlusconi, um magnata da mídia italiana, tem uma fortuna e um patrimônio estimados em 5,9 bilhões de euros - o suficiente para figurar em 169º lugar na lista de bilionários da revista Forbes.

Berlusconi e Veronica Lario se casaram em 1990 e têm dois filhos e uma filha já adultos. O magnata tem outro filho e outra filha do seu primeiro casamento com Carla Dall´Oglio, da qual se divorciou em 1985. Em outubro do ano passado, o ex-premiê foi condenado por evasão fiscal, mas recorreu da sentença e por isso aguarda em liberdade.

As informações são da AP
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,berlusconi-acusa-monti-de-conspirar-com-centro-esquerda-da-italia,978773,0.htm
Coitadinho, taão indefeso......

 

Cerveja promove melhora na saúde feminina

Etsudo afirma que a bebida sem álcool beneficia a saúde da gestante
Publicado em 9/1/2013 às 10h03: atualizado em: 9/1/2013 às 10h45
Agência Estado

Mulheres apreciadoras de uma cervejinha pode consumir a bebida sem culpa. Ingerida moderadamente (dois copos por dia), a bebida pode vir a beneficiar a saúde de mulheres que passam pelo período da menopausa.
Isso porque gera ações antioxidantes, anti-inflamatórias, redução de estrogênio na menopausa e de riscos de hipertensão na terceira idade, segundo estudo realizado no Hospital Puerta de Hierro, em Madri, Espanha.
A pesquisa também demonstrou que cerveja sem álcool, por conter ácido fólico, que evita a má formação do tubo neural do embrião, beneficia a saúde da gestante.
Outro estudo, desta vez realizado pela Universidade Autônoma de Barcelona, provou que o consumo moderado de cerveja reduz a cicatriz no coração provocada por infarto agudo do miocárdio em homens e mulheres, além de melhorar o funcionamento do órgão após o infarto.
Para a pesquisa, os cientistas submeteram durante 21 dias quatro grupos de suínos a uma dieta hipercalórica e em seguida, induziram os animais ao infarto. Doses de cerveja foram oferecidas dois grupos de animais participantes por 31 dias consecutivos. Os corações destas cobaias apresentaram uma melhora significativa em comparação aos dos outros grupos
http://noticias.r7.com/saude/cerveja-promove-melhora-na-saude-feminina-09012013



 

domingo, 6 de janeiro de 2013

CORPO FEMININO: CONSTRUÇÃO NA MIDIA ?

TEXTO DE AUTORIA:
Denise Castilhos de Araujo


(Brasil)
Doutora em Comunicação Social
Grupo de Estudos Comunicação e Cultura
Instituto de Ciências Sociais Aplicadas
Centro Universitário Feevale
Corpo feminino: construção da mídia?
 
Introdução

Este texto apresenta alguns resultados do projeto de pesquisa intitulado “Processos Midiáticos: Gênero e Cultura”. A pesquisa se constituiu de três etapas, o levantamento do referencial teórico, a coleta e análise de anúncios publicitários de calçados femininos; a organização de grupos focais com mulheres a fim de identificar suas opiniões a respeito dos textos selecionados. De posse desses resultados, pôde-se identificar a imagem feminina que as campanhas publicitárias veiculam, bem como verificar as opiniões das mulheres entrevistadas. Discutindo, assim, o uso de anúncios publicitários como manuais estéticos contemporâneos.

Corpo feminino


O corpo feminino tem sido um dos produtos mais oferecidos pela publicidade, e com grande sucesso. E esse corpo vem recoberto de uma série de exigências que perpassam pela estética e pela moda, aproximando-se daquilo que é considerado o ideal do grupo, inclusive expondo modificações culturais das sociedades.

Percebe-se que o corpo feminino, muito mais que o masculino, tem evidenciado as evoluções pelas quais as sociedades têm passado, pois é nele que se percebe, com clareza, através de sua leitura, tais modificações.

De acordo com Peruzzolo (1998):

Quando o indivíduo olha um corpo através dos sistemas de circulação dos sentidos no grupo cultural, ele vai interpretar esse objeto ou evento como um “corpo” (humano) e não com um amontoado de linhas, formas, pedaços, cores, cheiros, etc, como se não fosse um caos de informações. Um “corpo” é uma construção social e cultural, cuja representação circula no grupo, investida duma multiplicidade de sentidos. Esses sentidos por vezes reafirmam, por outras se ampliam ou remodelam e por, outras ainda, enxugam ou, mesmo, desaparecem. Mas de qualquer forma, as representações se formam de acordo com o desenvolvimento humano num dado contexto sócio- histórico.(Peruzzolo, 1998: 86)

A percepção da existência do corpo da mulher ocorreu quando ela saiu da obscuridade para o visível, criando uma série de fatos que até então não haviam acontecido, pois as mulheres detinham-se ao espaço de suas casas, ao privado. E, com essa saída de casa, viu-se algo de interessante, o corpo feminino foi desvelado, desejado e, muitas vezes, utilizado como objeto nos veículos de comunicação, para vender quaisquer produtos, apontando, necessariamente, para um padrão estético o qual é recomendável que seja seguido pelos indivíduos.

É importante mencionar que, nesse processo, os indivíduos, e, principalmente a mulher, desejam seguir os padrões estéticos ditados na sociedade, seguindo normas impostas, as quais nem sempre são fáceis de serem alcançadas, pois exigem imenso esforço por parte do indivíduo a fim de reproduzi-las.

Considerando-se a presença dessas orientações, ao longo das décadas, pode-se realizar uma breve retrospectiva histórica, considerando-se, por exemplo, a mulher da década de 30, a qual deveria ser magra, bronzeada e esportiva. O visual sofisticado de muitas atrizes foi imitado por outras mulheres, como o caso de Greta Garbo, a qual possuía sobrancelhas e pálpebras marcadas com lápis e pó facial bem claro. A cintura era bem marcada, e os sapatos deveriam ser de salto alto, outro acessório usado freqüentemente eram as luvas, as peles e muitas jóias.

Na década de 50, o sapato de salto-agulha foi muito utilizado pelas mulheres, além do salto-choque, encurvado para dentro, além do bico chato e quadrado, entre muitos outros. Com esses exemplos, vê-se que a mulher segue regras estéticas há muito tempo.

A partir da década de 60 as mulheres brigaram por maior independência na sociedade, no entanto, ao invés dela ver-se livre de regras sociais, e comportamentais, o que parece ter acontecido é, na verdade, outra forma de aprisionamento. Anteriormente, a maioria das mulheres deveriam prestar contas ao pai, e, após o casamento, ao marido, todavia, depois que seu corpo foi exposto, a cobrança passou a ser muito maior, porque ela deveria prestar contas, também, à sociedade, responsável pela elaboração/manutenção dessas orientações.

A excessiva preocupação com o corpo se intensificou, principalmente, a partir da década de 80. E a procura por um corpo perfeito iniciou-se com preocupação em manter rituais saudáveis como a boa alimentação, a prática de exercícios, uma vez que o corpo não mais foi visto, simplesmente, sob a perspectiva da Biologia, das Ciências Naturais, ou seja, um organismo que cumpre uma série de funções orgânicas. O surpreendente é que a atenção maior, muitas vezes, é dada à possibilidade do corpo servir como precioso veículo para a manifestação de uma série de preocupações e características e reflexos sociais das épocas.

E, hoje, ainda que se busque a aceitação das diferenças, conforme mencionado por Alves e Pitanguy (1991), o que se percebe é a reprodução de certos padrões que são sugeridos às mulheres. E esses padrões referem-se, principalmente, à maneira de se comportar, de se vestir, insinuando, inclusive, a forma que o corpo feminino deve ter. A propagação destes padrões desejados/sugeridos pelos grupos, atualmente, é realizado, muitas vezes, pela publicidade, que se coloca como um canal poderoso que chega aos grupos de maneira muito eficiente, gerando, algumas vezes, mudanças de comportamento.

Então:

É importante ter em mente que a figuração do corpo humano como dispositivo de produção de sentido, na mídia e fora dela, não é algo isolado nem no tempo nem no espaço e não está aí sequer por vontade expressa de ninguém nominável. Como produto cultural do tempo das mídias, o fenômeno está sujeito ao jogo das forças inonimáveis dos processos sócio-históricos que constroem a cultura e possibilitam a sua integração nela, fazendo a sua vivência.( Peruzzolo, 1998: 12)

E, segundo Del Priore (2000), a banalização da beleza fez com que a maioria da população feminina consumisse uma imagem que, para grande parte da população brasileira é um ideal difícil de ser alcançado. Uma vez que a publicidade, além de vender o produto, vende também, simbolicamente, valores e imagens que os receptores passam a desejar.

Conforme Kellner:

(...) indica que a propaganda está tão preocupada em vender estilos de vida e identidades socialmente desejáveis, associadas a seus produtos, quanto em vender o próprio produto – ou melhor, os publicitários utilizam constructos simbólicos com os quais o consumidor é convidado a identificar-se para tentar induzi-lo a usar o produto anunciado. (Kellner, 2001: 324)

E o uso, como sustentação, do corpo humano para venda de produtos/valores, sugere a utilização de certos bens de consumo, como maquiagem, roupas, cremes, alimentos, entre outros produtos. Entretanto há a intensa presença de anúncios publicitários que se valem da utilização de corpos simplesmente como alegoria para o produto vendido, não existindo nenhuma relação entre o objeto vendido e o corpo exibido.

O corpo, considerado como texto, apresenta uma série de significações, e pode representar a cultura dos grupos, reconhecida a partir das características desses corpos. E, a partir da alteração das relações sociais e culturais, os corpos também são alteradas, refletindo esses momentos, segundo Baitello Jr.

A publicidade


O reconhecimento da necessidade de propaganda surgiu partir da existência de uma população com recursos considerados acima do nível de subsistência, a qual poderia adquirir produtos considerados desnecessários. É somente no século XVIII que se consolida, na Grã-Bretanha, esta população.

Para Vestergaard/Schroder (2000), no século XIX, com o desenvolvimento da tecnologia e das técnicas de produção de massa, surgiu a superprodução de mercadorias, mas sua demanda ainda era pequena.

A expansão da publicidade deu-se no século XX, principalmente com o advento da televisão, o que possibilitou aos consumidores maior contato com os produtos oferecidos pelas empresas. Além disso, outro importante fator para o crescimento da publicidade na Europa dos anos 50 do século passado, foi o grande desenvolvimento econômico pós-guerra, gerando, assim, consumidores com potencial de compra.

Quando se discute a publicidade, algumas idéias logo surgem, e entre elas a de sedução, e a de manipulação, ou seja, a publicidade como um eficiente recurso para, após a identificação de prováveis necessidades, ou desejos dos indivíduos, servir como uma ferramenta para influenciar seus receptores a adquirirem produtos, necessitando ou não deles.

(...) a mensagem publicitária cria e exibe um mundo perfeito e ideal, verdadeira ilha da deusa Calipso, que acolheu Ulisses em sua Odisséia – sem guerras, fome, deterioração ou subdesenvolvimento. (Carvalho, 1996: 11).

O mundo sugerido pelos anúncios publicitários, normalmente, apresenta um lugar diferente da realidade vivenciada pelos receptores desses anúncios, pois que está presente na publicidade, o encanto, e, talvez, até mesmo um mundo de faz-de-conta, para o qual o receptor é convidado a participar, através da aceitação ou compra do produto.

Diante da perfeição desse mundo, é impossível que o indivíduo não sinta motivação ao consumo de produtos oferecidos nas propagandas, pois, com eles, será possível, também, adquirir certos bens simbólicos que estejam agregados àqueles bens. Assim sendo, a publicidade não quer vender somente a mercadoria, mas quer, também, comercializar conceitos de vida que serão adquiridos pelo comprador, a partir do momento em que ele se dispuser a gastar o valor necessário para adquirir o bem em questão.

Organizada de forma diferente das demais mensagens, a publicidade impõe, nas linhas e entrelinhas, valores, mitos, ideais e outras elaborações simbólicas, utilizando os recursos próprios da língua que lhe serve de veículo, sejam eles fonéticos, léxico-semânticos ou morfossintáticos (Carvalho, 1996: 13).

A publicidade, então, trabalha com os sonhos, ela, apesar de se constituir a partir de uma realidade, um objeto ou de algo a ser vendido, segue para a esfera do desejo, do onírico, escapando dos limites da realidade e construindo um mundo próprio, mas que irá ao encontro dos desejos do receptor. Sugere, então, ao receptor, a possibilidade de satisfação dos desejos de sua vida diária. Acontece que essa fuga da realidade não possibilita ao receptor sua liberdade, pelo contrário, insinua o aprisionamento, pois é um recurso para o conformismo com a realidade (Severiano, 2001).

E, algumas vezes, o receptor tem a consciência da impossibilidade do alcance dessa ideal sonhado, mas acredita que num “futuro” poderá encontrar o que busca (Vestergaard/Schroder, 2000), e aí se estabelece uma procura constante, podendo, até mesmo, ser chamada de eterna, porque dificilmente alcançada.

Ao mesmo tempo em que a publicidade possibilita a construção de sonhos, de fantasias, ela tem como objetivo a venda de uma imagem, a qual virá concretizada através de um produto ou serviço. A busca por essa fantasia, por essa imagem de irrealidade, mas extremamente sedutora, é freqüente, fazendo com que o receptor esteja constantemente vinculado a essas propagandas, porque o ideal que ele almeja dificilmente será alcançado, em virtude dos truques utilizados em anúncios publicitários (photoshop, dublês, maquiagem...)

Esses aconselhamentos tornam-se algozes que exigem a assimilação de certas características, as quais tornar-se-ão o alicerce para a elaboração de identidades, que variarão de acordo com o grupo de indivíduos. Então, o indivíduo deixa de ser somente o seu grupo, mas passa a ser, também, os conselhos, dicas, definições e tudo o mais que a publicidade insinua. O grupo passa a assumir a identidade sugerida pelo anúncio, admitindo, algumas vezes, características, gostos, idéias que nem passavam por sua cabeça, mas que foram incutidos através da publicidade que o alcança.

O anúncio propõe, portanto, uma troca de identidades ao destinatário entre a sua identidade enquanto“ser no mundo” e a identidade projectada de um destinatário, “ser do discurso” Ao propor esta troca, o anúncio diz-nos quem somos e como somos, ou seja, fixa os contornos da nossa própria identidade(...). (Pinto, 1997: 31).

E, através dos textos e das imagens postas nas publicidades, somos levamos a agirmos, pensarmos e, até mesmo, sermos de uma certa maneira, de acordo com o que é sugerido na propaganda. Então, o que inocentemente nos parece uma possibilidade de escolha, de ação; na verdade é uma orientação ao modelo que deve ser seguido, ou às atitudes que devem ser tomadas em determinado momento. Pinto (1997) afirma que, muitas vezes, os produtos passam de criaturas para criadores; isso quer dizer que, na verdade, o produto é que criará em seu consumidor certas qualidades, ou melhor, o indivíduo é orientado pelos produtos, e não o contrário.

Pinto sugere, inclusive, que a publicidade poderia vender, também, as identidades dos indivíduos, pois, deve-se considerar a presença do espelhamento nas publicidades.

Todo esse movimento de aceitação dos ideais propostos pela publicidade, tem sido cada vez mais forte, e as pessoas, na maioria dos casos, não conseguem romper com essa estrutura, porque exigirá ir “contra a corrente”, ou seja, estar na marginalidade, no limite. Porque, apesar de trabalhar com a fantasia, o devaneio, o ideal que as pessoas almejam a publicidade consegue, também, refletir os conceitos que estão presentes e que pairam sobre as sociedades (Vestergaard/Schroder, 2000).

E é claro que a mulher somente conseguirá adquirir as características apresentadas nos textos publicitários, consumindo, não só os produtos, mas também, os aconselhamentos estéticos, morais, de moda, evidenciados nesses discursos.

As campanhas publicitárias selecionadas para servir como corpus desta pesquisa apontam para um “modelo” de corpo que deve ser esguio, saudável, livre de quaisquer tipos de males comuns às mulheres (celulite, gordura localizada, manchas na pele, etc.), além disso, ela deve, necessariamente, manter-se jovem e sedutora.

A intenção da formação dos grupos focais foi a verificação, por parte das mulheres entrevistas, da aceitação ou não dos padrões estéticos expostos nos anúncios recolhidos. Questionando-se, também, a resignificação dos aconselhamentos, por parte dos grupos femininos, em relação ao conteúdo apresentado pela publicidade.

A percepção feminina dos anúncios de sapatos


Observando as questões anteriores, bem como análises realizadas de algumas campanhas, optou-se pela busca da opinião da consumidora em relação ao papel feminino anunciado nas campanhas de calçado, bem como a visão particular da mulher na contemporaneidade.

A fim de estabelecer esta conexão entre análises teóricas e recepção dos anúncios, foram entrevistados três grupos de mulheres. Cada um dos grupos composto por mulheres da região do Vale do Sinos1, ou seja, pessoas que poderiam ser interpeladas pela mídia local, recebendo anúncios das empresas dessa região.

A opção por esta metodologia ocorreu porque os grupos de foco geram discussão, revelando tanto os significados presumidos pelas pessoas no tópico de discussão, como a maneira pela qual elas negociam esses significados. Os grupos de foco geram diversidade e diferença, dentro ou entre os grupos, e, por isso, revelam de maneira mais evidente as opiniões dos indivíduos pesquisados.

O universo que fez parte dos grupos focais, foi composto de mulheres na faixa etária dos 18 aos 50 anos, economicamente ativas, ou não. Nos anúncios selecionados para apresentar aos grupos focais, é possível verificar a idéia de aprisionamento, enunciada por Vestergaard/Schroder(2000), o qual utiliza a metáfora da “camisa-de-força da feminilidade”, para retratar a forte tendência que a maioria das mulheres seguem em relação aos padrões estéticos e comportamentais reiteradamente, apresentados pela mídia.

Os grupos entrevistados apontaram para a representação de uma mulher requintada nesses textos, requinte representado pelo figurino e pelo uso de muitas jóias. Outro aspecto percebido pelas entrevistadas foi um certo “ar de vulgaridade”, expresso em alguns desses anúncios, mencionando a distância existente entre a mulher anunciada nos textos publicitários e a mulher real. Além disso, as entrevistadas afirmaram que a imagem retratada na mídia não é a imagem que elas próprias têm de si, ou seja, fica aquém de suas expectativas, pois há a presença do estereótipo da mulher fatal, que por vezes pode ser sofisticada, outras vezes é apelativa, beirando o banal.

Outro aspecto interessante da publicidade e que foi discutido com o grupo focal é o padrão estético feminino atual. Como afirma Del Priore: “É o culto ao corpo na religião do indivíduo em que cada um é simultaneamente adorador e adorado.(...) Quem não o modela, está fora, é excluído” (2000, p. 92). Sabe-se que desde o início da Pós-Modernidade, o corpo assumiu um lugar de destaque, ou seja, deixou de ser simplesmente invólucro da alma, dos sentimentos. O corpo tornou-se um instrumento precioso para a auto-afirmação nos grupos sociais, podendo-se mencionar a existência de um imaginário sobre as formas que tais corpos devam assumir.

As mulheres entrevistadas percebem essa exigência e reagem a esse modelo, dizendo que o corpo esguio sugerido pela mídia está longe do corpo feminino brasileiro, assemelhando-se muito mais ao corpo da mulher européia. E, lembram, também, a exigência de um corpo perfeito, sem marcas, sem rugas, sem gorduras. Além disso, estas mulheres têm consciência da mestiçagem que deu origem ao corpo feminino brasileiro, bem como a ausência de sua representatividade nos anúncios publicitários.

Outro aspecto muito interessante é o fato de os modelos das campanhas lembrarem um determinado grupo social, a classe alta, sugerindo que os produtos são produzidos para mulheres de grande poder aquisitivo, quando, na verdade, sabe-se que tais produtos são vendidos em diferentes lojas, de diferentes padrões sociais.

E esta percepção, relatada na fala anterior pode ser associada ao acesso ao poder simbólico, que têm aquelas pessoas que fazem parte de determinadas classes social, a dominante. Ou seja, a cultura dominante, através do poder simbólico, legitima as diferenças e as semelhanças (Bourdieu, 1998).

Então, o que muitas vezes parece ser um simples anúncio de calçados, é, também, um precioso instrumento para apontar, reforçar, instituir características físicas, sociais, de classe, de gênero, que são perceptíveis, sim, pelos públicos receptores. E, muitas vezes, reproduzidos por esse mesmo público, na tentativa de conectarem-se ao grupo desejado. Também são, na maioria das vezes, admitidos, pois a mídia impressa passa, nos dias de hoje, como já mencionado, a exercer a função de “manual de boas maneiras e mobilidade na sociedade”.

Percebe-se, então, que realmente há a instauração de padrões estéticos, comportamentais, considerando a aparência do indivíduo, mesmo que este tenha recursos financeiros, isto não é suficiente, ele realmente necessita mostrá-lo. É um jogo de aparências que vale muito mais que a realidade, o qual foi reconhecido e algumas vezes reproduzido pelas mulheres entrevistadas, de acordo com suas próprias palavras.

É surpreendente perceber que atualmente a publicidade, pelo menos para este grupo de mulheres, não está alcançando seu objetivo principal que é persuadir o indivíduo a comprar o produto. Ou seja, o que ocorre é um grande desencontro entre os produtos anunciados e os que realmente existem nas lojas, o que faz com que os consumidores desistam de considerar a publicidade como veículo confiável.

Segundo as entrevistadas, as campanhas publicitárias deveriam ser repensadas, pois é a mulher, na maior parte dos lares brasileiros, que realiza as compras, e não só isso, mas é a mulher que está tendo a tarefa de sustentar o lar, pois já muito grande o número de mulheres que recebem mais que seus companheiros. Além disso, o grupo de mulheres economicamente independentes, que espera uma publicidade que as veja como um grande público disposto a consumir, aumentou muito nos últimos anos.

Essas mulheres entrevistadas têm consciência de seu poder de compra, e estão esperando por campanhas publicitárias que as trate com respeito, que levem em consideração que são mulheres que estão comprando para a casa, mas para si também. As características femininas desejáveis e mencionadas pelas entrevistadas foram: independente, batalhadora, determinada, ou seja, a mulher tem consciência de como é, e gostaria de ver refletidas nas campanhas publicitárias tais características, despreocupando-se, então, tanto com os padrões físicos.

Considerações finais


Aparentemente, a publicidade ainda exerce forte influência sobre os públicos consumidores, entretanto o público entrevistado, as mulheres, têm o poder de compra, que passou da exclusividade das mãos masculinas para um grande número de mãos femininas. E, diante de tais mudanças, é necessário que as campanhas modifiquem-se, pois uma constante na fala das mulheres é que os anúncios parecem ser realizados especificamente para homens.

São anúncios de cremes com mulheres exacerbando sensualidade, seus corpos quase nus, e tais corpos apontam para mulheres fatais, que tem formas perfeitas, corpos construídos para a sedução, para a satisfação estética de que os vê. Um corpo que decididamente não retrata o corpo da mulher “comum”. Sabe-se, inclusive, do relato de fotógrafos sobre o uso de ferramentas como o “photoshop” para corrigir certas imperfeições dos corpos dos modelos. O que distancia cada vez mais as mulheres reais das mulheres presentes em anúncios publicitários.

E o produto que passou a ser mais consumido nas campanhas é o corpo feminino, situação discutida por Baudrillard (1970), o qual afirmava ser o corpo o mais belo objeto de consumo. Entretanto, é um consumo que está sendo questionado, considerando as respostas dadas à pesquisa. Ou seja, a mulher tem consciência de que o corpo está sendo “vendido”, e muitas delas mostraram que tal formato de publicidade já não funciona mais de maneira tão eficiente.

A exigência de uma mulher dentro do padrão estético atualmente veiculado pela mídia, é inaceitável, pois as mulheres brasileiras sofrem a influência de várias raças, constituindo-se em uma forte mestiçagem, o que construiu um corpo que de longe se aproxima dos padrões tão valorizados nas campanhas, que são mulheres altas, com pernas longas e esguias, extremamente magras, semelhantes a bonecas do tipo Barbie.

A maioria das peças utiliza estereótipos femininos, como o da mulher fatal, ou da dona-de-casa, os quais, pode-se perceber que deixa as mulheres pesquisadas insatisfeitas.

A mulher necessita, obrigatoriamente, ser bela, ser inteligente, ser bem sucedida profissionalmente e financeiramente, ou seja, aparentar a perfeição desta época, que é vista através dessas características. E, como conseguir tal feito? As campanhas publicitárias mostram para essas mulheres que isso é possível, através do uso de certas roupas, sapatos, produtos para embelezar o corpo, os cabelos, material para ginástica, enfim, todos os recursos necessários para que a mulher comum se transforme em “mulher maravilhosa”.

As campanhas de calçado, atualmente, têm apresentado em suas imagens muito mais os corpos dos modelos que os produtos a serem vendidos, os sapatos. Observou-se que, principalmente nas campanhas dos meses de verão, o corpo é o produto a ser vendido, e o sapato é um adereço para enfeitar o produto que realmente está à venda, a imagem da mulher atual.

Observou-se, também, que as campanhas de inverno trouxeram o mesmo elemento orientador das campanhas da outra estação, ou seja, o corpo feminino em evidência, vendido como produto. Além disso, certos conceitos também são apresentados como produtos a serem consumidos pelas compradoras da mercadoria ofertada, conceitos que também são avidamente consumidos e desejados (beleza, elegância, riqueza, sucesso...).

O corpo vendido sempre é um corpo que tangencia magreza e altura extremas, perfeição nas formas, na pele, enfim, um corpo que se tornou o sonho da maioria das mulheres, mas que, por outro lado, tornou-se, também, o algoz dessas mulheres, porque é praticamente inalcançável para grande parte da população feminina brasileira.

Nota




  1. Região compreendida entre a capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, e a Serra gaúcha, composta por 14 municípios.

Referências bibliográficas


  • BAITELLO JR, Norval. As imagens que nos devoram. Antropologia e Iconofagia. Capturado em www.cisc.org.br, acesso em 26 de agosto de 2005.
  • BAUDRILLARD, Jean. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1995.
  • BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 5. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
  • Carvalho, Nelly de. Publicidade: a linguagem da sedução. São Paulo: Ática, 1996.
  • Del Priore, Mary l. Corpo a corpo com a mulher: pequena história da transformação do corpo feminino no Brasil. São Paulo: Senac, 2000.
  • Durand, Gilbert. O imaginário – Ensaio acerca das ciências e da filosofia da imagem. Rio de Janeiro: Difel, 1999.
  • GHILARDI-LUCENA, Maria Inês. Representações do Feminino. Campinas/SP: Átomo, 2003.
  • JAMESON, Fredric. A cultura do dinheiro: Ensaios sobre a globalização. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
  • KELLNER, Douglas. A cultura da mídia. Bauru, SP: EDUSC, 2001.
  • MAFFESOLI, Michel. No fundo das aparências. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1999
  • PERROT, Michelle. As mulheres e as suas imagens: ou o olhar das mulheres. In:
  • Pinto, Alexandra Guedes. Publicidade: um discurso de sedução. Porto: Porto Editora, 1997.
  • Peruzzolo, Adair Caetano. A circulação do corpo na mídia. 1. ed. Santa Maria: UFSM, 1998.
  • Severiano, Maria de Fátima Vieira. Narcisismo e publicidade: uma análise dos ideais do consumo na contemporaneidade. São Paulo: Annablume, 2001
  • Vestergaard, Torben. Schroder, Kim. A linguagem da propaganda. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
  • OUTRA AUTORA QUE MERECE FAZER PARTE DESSE BLOG, EXCELENTE PESQUISADORA DENISE CASTILHO DE ARAUJO
  • SAUDADES DE SOSSOS ENCONTROS NA REDE ALCAR - HISTORIA DA MIDIA
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