quarta-feira, 19 de julho de 2017

ONG explica campanha feminista com Cruzeiro, que vira destaque internacional

Ação é tida como a primeira de uma sequência de etapas de conscientização

 postado em 08/03/2017 15:22 / atualizado em 08/03/2017 17:18
Divulgação/Cruzeiro
Cruzeiro virou destaque internacional nesta quarta-feira, 8 de março. Contra o Murici-AL, o clube utilizará camisas com menção a números que expõem a desigualdade e destacam a violência constante sofrida por mulheres. A campanha de marketing ganhou espaço no inglês The Guardian, um dos principais veículos jornalísticos do mundo, e gerou repercussão nas redes sociais.

A diretora institucional da ONG AzMina, que participou ativamente da ação, explicou ao Superesportes como surgiu a ideia e quais são as finalidades da campanha.


“No fim de 2016, procuraram a gente com um esboço da ideia. Refinamos o trabalho e fomos atrás de um time. O Cruzeiro recebeu de braços abertos, se apaixonaram, porque já estavam procurando alguma ação para o 8 de março”, diz Letícia Bahia, em referência ao Dia Internacional da Mulher.

O futebol foi escolhido por conta da popularidade e devido ao ambiente machista que envolve o esporte.

“Temos uma revista, que é o principal conteúdo da ONG. Fazemos um esforço para não ‘pregar só para convertido’. Levar os dados ao futebol é muito importante. É muito legal levar o conteúdo para pessoas que, por vezes, acham que 8 de março é dar flores e bombons. Defendemos que esta é uma data para protestar”, explica Letícia.

Destaque internacional

Reprodução

A campanha do Cruzeiro em parceria com a Umbro, a ONG Azmina e a Agência New360 ganhou notoriedade também fora do Brasil. O principal destaque foi dado pelo The Guardian.

A matéria cita a declaração do presidente celeste Gilvan de Pinho Tavares sobre a campanha: “Em pleno século XXI, não é tolerável ver as mulheres sofrerem atos de violência e discriminação”.

No fim do texto, o jornal inglês destaca que o Cruzeiro é “um dos clubes brasileiros mais bem sucedidos, tendo exportado inúmeros jogadores, incluindo Ronaldo”, além de citar que o atual treinador do clube é o ex-comandante da Seleção Brasileira, Mano Menezes.

Outras ações

Reprodução

Além de estampar a luta feminista na camisa de jogo, o Cruzeiro reservou espaço de destaque ao 8 de março no site oficial. Uma série de matérias homenageia as funcionárias mulheres do clube e critica mensagens “tradicionais”, que não problematizam a desigualdade existente.

Na prática, porém, o Cruzeiro em pouco se difere do ambiente predominantemente masculino dos clubes de futebol. Dos 20 membros da diretoria celeste, apenas uma é mulher: Deis Chaves, responsável pelos "projetos incentivados". O clube também não conta com um time de futebol feminino - cenário que deve mudar em breve, devido a uma determinação da Conmebol.

A intenção da ONG AzMina é continuar com a discussão. “Depois do jogo, vai ter um vídeo para as redes sociais nossas e as do Cruzeiro para aprofundar a discussão. O Cruzeiro fará um ‘abre’, e nós aprofundaremos o tema com o conteúdo jornalístico”, diz Letícia Bahia.

“Como estamos falando com um público que muitas vezes tem preconceito, escolhemos não abordar tudo o que gostaríamos. Temas como aborto, por exemplo, serão aprofundados na sequência”, explica.

A primeira homenagem será nesta quarta-feira, a partir das 21h45. O Cruzeiro visita o Murici-AL pela partida de ida da terceira fase da Copa do Brasil.
Divulgação/Cruzeiro
















Campanha do Cruzeiro no Dia Internacional da Mulher é finalista em premiação na França

A campanha #VamosMudarOsNúmeros, promovida pelo Cruzeiro em parceria com a ONG AzMina no Dia Internacional da Mulher, foi finalista em duas categorias do Cannes Lions 2017, o Festival Internacional de Criatividade, na França.

Divulgação
Ação teve repercussão internacional ao usar os números das camisas dos jogadores do Cruzeiro para apresentar estatísticas que ilustram o difícil cotidiano das mulheres no Brasil

A ação, realizada na partida contra o Murici-AL, em Alagoas, no último dia 8 de março, teve repercussão internacional ao usar os números das camisas dos jogadores do Cruzeiro para apresentar estatísticas que ilustram o difícil cotidiano das mulheres no Brasil. 

A campanha #VamosMudarOsNumeros teve o apoio da Umbro e da Agência New360.
Divulgação

FONTE: http://www.mg.superesportes.com.br/app/noticias/futebol/cruzeiro/2017/06/21/noticia_cruzeiro,410047/campanha-do-cruzeiro-no-dia-internacional-da-mulher-e-finalista-em-pre.shtml

Estudo da Viacom desnuda a 'Geração X'

31 de Maio de 2017 17h - Atualizado às 17:41
Por Redação Adnews
geracaox
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A Viacom International Media Networks divulgou o seu mais novo estudo global: ‘GEN X TODAY’. Nele, os pesquisadores entrevistaram 12 mil adultos em 21 países por meio de um questionário online. Aproximadamente nove mil tinham entre 30 e 49 anos, com uma amostra de 18 a 29 como comparação. Os países incluídos na pesquisa, além do Brasil, foram: Austrália, Bélgica, Colômbia, República Tcheca, Alemanha, Hungria, Indonésia, Itália, Malásia, México, Holanda, Filipinas, Polônia, Romênia, Singapura, África do Sul, Suécia, Tailândia, Reino Unido, Estados Unidos. Além disso, a Viacom capturou mil imagens via álbuns de fotos e conduziu 36 entrevistas pessoais em profundidade em oito países: México, Colômbia, Brasil, Reino Unido, Alemanha, Hungria, África do Sul e Tailândia.

A pesquisa fornece um novo olhar sobre a chamada Geração X – que atualmente representa quase dois bilhões de pessoas em todo o mundo e uma média de mais de 180 milhões de espectadores das marcas Viacom – para entender o que aconteceu quando a geração de jovens cínicos, rebeldes e "vagabundos" dos anos 80 e 90 cresceu, entrou no mercado de trabalho e constituiu novas famílias.

O estudo revela que enquanto o mundo estava focado nos Millennials e nos Boomers, a Geração X reinventou o que significa ser adulto. À medida que envelhece, essa geração continua a fazer as coisas à sua maneira, seja no trabalho, no lazer ou na vida em geral.

“Com tanto foco nos Millennials, Pós-Millennials e até mesmo nos Boomers, a Geração X foi deixada de lado quando o assunto é pesquisa e hoje só é compreendida por uma visão antiquada da vida adulta e devido à reputação ‘preguiçosa’ de sua juventude”, avalia Christian Kurz, Vice Presidente Sênior de Global Consumer Insights da Viacom. “Com ‘Gen X Today’, pudemos ver o verdadeiro impacto da Geração X no mundo, desde o impulso global para a inovação e a quebra dos papéis tradicionais de gênero até a redefinição do que significa ser um ‘adulto’ hoje em dia”.

Confira abaixo as principais conclusões do estudo:



She-conomy: a Geração X está liderando o caminho no que diz respeito a mulheres, trabalho e dinheiro. Atualmente 55% das mulheres ganham mais ou igual do que seus parceiros no lar.

Assuntos de Família: assim como as mulheres da Geração X estão assumindo um papel maior no ambiente de trabalho, o mesmo acontece com os homens no ambiente familiar. Mais de 80% dos entrevistados concorda que um homem pode criar uma criança tão bem quanto uma mulher. A Geração X tem prioridades quando o assunto é relacionamentos e no topo da lista está o sexo (57%), que vem antes de amizade (49%). Esse é um grande contraste com os Millennials, que valorizam em primeiro lugar a amizade.

The Brat Pack: a Geração X prefere menos amigos, porém mais próximos, do que os enormes grupos dos Millenials – os entrevistados da Geração X têm em média 53 amigos, 15 a menos do que seus equivalentes Millennials.



São 3h da manhã, Mas Eles Não Estão Solitários: a Geração X tem 13% menos propensão a se sentir solitário, em comparação com os Millennials.

Procurando Conforto em Si Mesmo: a rebeldia da juventude se transformou em uma independência confiante quando os adolescentes da Geração X abraçaram – e reinventaram – a vida adulta. Tanto é que 90% consideram-se felizes com suas vidas como elas são hoje e 96% consideram-se confiantes.

Encontrando o Equilíbrio: a grande maioria (84%) dos entrevistados da Geração X prefere o equilíbrio trabalho/vida ao sucesso somente no trabalho.

Sem Crise da Meia-Idade: eles podem ter envelhecido, mas a Geração X não ficou necessariamente mais “madura”. Eles continuam jovens de espírito, com hobbies e outros interesses não relacionados ao trabalho e, por isso, estão pulando a crise da meia-idade. De fato, o estudo não mostrou nenhuma “crise” significativa para essa geração como um todo.
FONTE: http://adnews.com.br/negocios/estudo-da-viacom-desnuda-geracao-x.html

Grupo Abril revela que Geração X é a que mais consome

22 de Junho de 2017 11h - Atualizado às 11:22
Por Redação Adnews

Geração x
Qualquer empresa deseja se comunicar diretamente com seu consumidor e, na era digital, o conceito de público alvo é cada vez mais complexo. Nesse momento, muito se fala na geração dos millennials, mas, de acordo com a pesquisa “O X da Questão”, realizada pelo Grupo Abril, a Geração X ainda é aquela que mais consome.

A pesquisa, apresentada hoje, em São Paulo, traz um olhar inédito sobre a Geração X, que representa as pessoas que têm idade aproximadamente entre 35 e 54 anos. O conteúdo foi construído a partir de um levantamento que contou com duas mil respostas, um estudo neurocientífico, além de uma compilação de informações de mercado sobre essa geração que é a que paga a conta na atualidade.

A Geração X representa hoje ¼ da população e é responsável por mais da metade da renda gerada no país. Comparada aos millennials, cuja faixa etária vai de 20 a 34 anos, a renda da Geração X é 56% superior, de acordo com as informações do Dynamic Big Data (fruto da parceria entre Abril e Neoway), que possui informações de renda estimada de mais de 48 milhões de brasileiros com vínculo empregatício.



O potencial da Geração X vai além da renda. A pesquisa traz também informações sobre consumo, influência, empreendedorismo e, inclusive, presença digital.  Por exemplo, a idade média dos compradores de e-commerce é de 43 anos, e sete em cada dez compras são realizadas por pessoas acima dos 35 (de acordo com relatório eBit Webshoppers). A Geração X também é a que mais consome uma série de conteúdos online, como os sites de notícias, finanças e automotivos, segundo dados da comScore.



Walter Longo, presidente do grupo Abril, fez a primeira palestra do evento falando do conceito da pesquisa. “A Geração X é a que mais consome e tem mais propensão a se fidelizar a marcas e produtos. Apesar disso, há uma verdadeira obsessão de muitas empresas em focar sua comunicação exclusivamente nos millennials”. Ele completou sua fala citando a importância do estudo realizado pela editora. “A Abril sempre trouxe para o mercado informações relevantes para aumentar sua eficiência. Sempre trabalhamos com targets pré-definidos e por isso temos públicos muito diversos. Temos, por exemplo, adolescentes que acessam o site da Capricho (maior site teen do mundo) e pessoas que leem SAÚDE para se informar sobre um determinado tema. Esse profundo conhecimento do público continua guiando nosso negócio e estamos dividindo isso com o mercado através dessas pesquisas e estudos proprietários”, finalizou.

Em sua fala, Mauricio Panfilo, head de pesquisa e inteligência de mercado da Abril, mostrou 10 formas de atingir corretamente o público da Geração X. “De fato existe um gap da comunicação do mercado que fala de uma forma mais direta com os millennials e deixa de lado um público que consume mais, que tem maior renda e acaba influenciando mais o consumo. Exploramos questões de representatividade, importância de trabalhar mais os conceitos dos produtos. Nossa ideia é trazer essa discussão para o mercado com dados que comprovam que a Geração X precisa de mais foco”, disse Mauricio.
FONTE:http://adnews.com.br/tecnologia/grupo-abril-revela-que-geracao-x-ainda-e-que-mais-consome.html

Como Cannes estereotipou a mulher nos últimos 10 anos

Na média, personagens femininas dos comerciais inscritos no Festival não trabalham, aparecem na cozinha, não são engraçadas e exibem roupas sensuais

  

Bárbara Sacchitiello
22 de junho de 2017 - 9h38


Campanha “Women Not Objects”, lançada no ano passado, alertava para a objetificação feminina, que foi detectada nos filmes que concorreram em Cannes (Crédito: Reprodução)

A mulher que apareceu estrelando as campanhas publicitárias que concorreram no Festival de Cannes nos últimos 10 anos é sexy, fala pouco, não trabalha, fica quase sempre em casa (sobretudo na cozinha), não parece ser inteligente, não é divertida e usa roupas que revelam muitos detalhes do corpo.
Essa combinação de estereótipos foi extraída da conclusão de uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Geena Davis em parceria com a J. Walter Thompson, que contou também com o apoio de um software desenvolvido especialmente pela USC Viterbi School e com o Google, que fez uma varredura nas peças publicitárias que concorreram ao Festival de 2006 a 2016 nas categorias Film e Film Craft. Um recurso tecnológico identificava, em cada cena, quando cada gênero representava um comportamento estereotipado. Foram analisados mais de dois mil comerciais (todos criados por países de língua inglesa).
O resultado do estudo foi apresentado no painel “Skewing Females”, conduzido por Madeline DiNonno, CEO do Instituto Geena Devis e por Brent Choi, CCO da J. Walter Thompson de Nova York. “Se compararmos o Festival de Cannes deste ano com o de dez anos atrás, tudo é muito diferente. Antes, não falávamos em VR, em realidade aumentada, em uso de redes sociais nas campanhas. Então, como todas as tecnologias evoluíram, esperávamos ver os estereótipos de gênero também deixando de existir e evoluindo junto com a sociedade. Mas, no comparativo entre as representações masculinas e femininas nas campanhas de Cannes de 2006 e de 2016 a mudança é de 0%. Isso me deixou muito chocado”, declarou o CCO da J Walter Thompson.
Embora nesse período tenham surgido importantes trabalhos criativos que ressaltam a força feminina e a importância da equidade de gênero (como “Like a Girl” e “Retratos da Real Beleza”), na média, a reprodução dos rótulos e dos papéis atribuídos a homens e a mulheres na sociedade ainda persiste nas campanhas. “Nossa sociedade está mudando e, quando isso acontece, a publicidade muda também. É importante ver esses números para saber que as mulheres ainda são mostradas de maneira muito estereotipada. Nos comerciais, quase nunca aparecemos trabalhando ou andando na rua. Não somos engraçadas, não lideramos equipes e também não podemos envelhecer. E essa pesquisa foi feita apenas com filmes que concorreram a Cannes. Imaginem, então, como que ainda é a média da publicidade no mundo”, criticou Madeline.
Nesses comerciais inscritos em Cannes, os homens aparecem trabalhando em 75% das peças. No caso das mulheres, a representação do trabalho cai para 8%. Em vez de disso, as agências insistem em, ainda, manter as personagens femininas dentro do lar: em 48% das peças, elas aparecem na cozinha. Outros rótulos também foram encontrados nas personalidades retratadas na propaganda. Os homens dos comerciais são três vezes mais inteligentes e duas vezes mais engraçados do que as mulheres.
O preconceito em relação ao envelhecimento também foi detectado pela pesquisa – e, obviamente, atinge mais as mulheres. A média de idade das personagens femininas dos comerciais é 20 anos, enquanto dos homens é 30 anos. A objetificação também ficou evidente no estudo, que mostrou que as mulheres aparecem com roupas sensuais nos comerciais seis vezes mais do que os homens.
Os dados da pesquisa surpreenderam a plateia e os próprios palestrantes que conduziam o painel. Embora exista a ideia de que as mulheres costumam falar mais que os homens, em Cannes a presença do sexo feminino ainda é mais figurativa. Nos comerciais analisados, os personagens masculinos falam sete vezes mais do que as personagens femininas. Os homens também aparecem quatro vezes mais do que as mulheres, em média. De todos os filmes publicitários analisados, 25% mostram apenas personagens homens. Somente 5% apresentam apenas mulheres.
Para Madeline, reconhecer essas falhas é importante para que a publicidade possa rever seu papel e inspirar garotas a terem diferentes comportamentos. “Nos últimos anos, nos Estados Unidos, o interesse das meninas pela prática de arco e flecha aumentou consideravelmente. Isso aconteceu por causa dos filmes ‘Valente’ e ‘Jogos Vorazes’, que mostravam meninas usando o arco. As meninas precisam ver para, depois, tentarem ser aquilo. E a publicidade tem essa importância de mostrar as possibilidades”, frisou.
FONTE: http://cannes.meioemensagem.com.br/cobertura2017/2017/06/22/como-cannes-estereotipou-a-mulher-nos-ultimos-10-anos/utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_content=postlink&utm_campaign=meioemensagem-cannes19062017

domingo, 9 de julho de 2017

Objetificação Masculina NÃO é a Mesma Coisa que Objetificação Feminina. Entenda

Não procede usar a objetificação masculina para desqualificar a luta contra a objetificação feminina. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. 
objetificação
Ontem eu li uma notícia deveras interessante. Dizia ela que as marcas de cerveja querem se distanciar da objetificação feminina em suas propagandas, enfatizando que a gigante Ambev se tornou signatária dos Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU neste ano.
Muito que bem! Taí uma notícia que me deixou muito feliz e que vai fazer com que eu preste atenção extra nas propagandas das marcas daqui em diante pra ver se não é só o discurso que está bonito. Afinal, comerciais de cerveja objetificam mulheres há décadas, não só nos ignorando como consumidoras, como promovendo a nossa desumanização.
Infelizmente, não sei o que me deu quando vi essa notícia que resolvi cometer o erro amador de ler os comentários. E sem falta, lá estava a clássica galerinha do discurso “mas homens também são objetificados! Aí vocês gostam, né? HIPÓCRITAS!” – discurso este turbinado pelo advento recente do “hipster da federal”, cujo coque (inicialmente) causou furor entre as internautas.
Gifs de Magic Mike e propagandas da Calvin Klein também costumam surgir nesse tipo de discussão.

Agora, esse tipo de comentário é inevitável e deprimente em partes iguais, porque ele está apenas parcialmente correto. Homens também são objetificados? Hum, sim. Objetificação sexual masculina é a mesma coisa que objetificação sexual feminina? Claro que não, mil vezes não, não chega nem perto, nem aqui nem na China.
Não, sério, não.

Mas comassim?!, você pergunta.
Bem, antes de qualquer coisa, há de se reconhecer que existe uma diferença gritante entre o volume de imagens objetificadoras de homens e de mulheres. De acordo com Caroline Heldman, doutora em Ciências Políticas e uma das maiores vozes contra a objetificação feminina na mídia nos EUA, 96% das imagens que trazem objetificação sexual são de mulheres.
Além disso, mulheres figuram em todas as variedades de objetificação sexual na mídia diariamente, enquanto o mesmo não acontece com homens. Que variedades são essas? Bem, Heldman desenvolveu um teste com sete perguntas para determinar se uma imagem traz uma pessoa objetificada ou não. São elas:
  1. A imagem mostra apenas partes sexualizadas do corpo de alguém?
  2. A imagem apresenta uma pessoa sexualizada como um objeto inanimado?
  3. A imagem mostra pessoas sexualizadas como intercambiáveis? Ou seja, como um item que se pode trocar por outro.
  4. A imagem afirma a ideia de violação da integridade corporal de uma pessoa sexualizada, sem que a pessoa possa consentir?
  5. A imagem sugere que a disponibilidade sexual dessa pessoa é a principal característica que a define?
  6. A imagem mostra uma pessoa sexualizada como algo que pode ser comprado e vendido?
  7. A imagem trata o corpo sexualizado de alguém como uma tela?
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(OBS: não confundir objetificação sexual com hiper-masculinização, que apresenta homens musculosos (super-heróis e heróis de ação vêm à mente) como um ideal de masculinidade que empodera os homens, ao invés de diminuí-los.)
Essas variações na forma de retratar as mulheres na mídia é o que eu estou chamando de “variedades de objetificação” – isto é, formas diferentes de fazer passar a mensagem de que aquela pessoa é menos do que uma pessoa. Para todas elas é muito fácil encontrar exemplos com mulheres. O mesmo não acontece com homens.

 Ok, então concordamos que mulheres são muito mais objetificadas, e de formas muito mais variadas e degradantes do que homens. Mas mesmo assim, isso não significa que tudo bem objetificar homens. Afinal, os efeitos nefastos causados por essas imagens são os mesmos, certo?
Pois é, aí que está o cerne da questão. Não, não são os mesmos. E não são por causa de uma coisa muito simples: contexto.
objetificação

Explico.
Por causa do machismo e da misoginia, homens e mulheres habitam mundos bem diferentes. Desde crianças, mulheres são ensinadas (em casa e/ou fora dela, direta e/ou indiretamente) que não podem ser completas sozinhas, e que por isso seu maior objetivo deve ser se tornar desejável e agradável ao olhar masculino. Para isso, elas devem ser delicadas, cordatas, submissas, agradáveis e, principalmente, belas. Quanto mais passiva e decorativa a mulher, melhor.
Ou seja, aquelas mulheres objetificadas na mídia são um retrato exato do que a sociedade machista e misógina entende por mulher ideal. Tem um motivo, afinal, por que 96% das imagens sexualmente objetificadas são de mulheres. A objetificação feminina (e a consequente desumanização da mulher) faz parte do modus operandi da misoginia, e é em grande parte o que motiva as diversas violências que sofremos, desde assédio de rua, até estupro coletivo, violência obstétrica e feminicídio.
fonte: http://nodeoito.com/objetificacao-masculina/

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Modelos na SPFW contestam lei que proíbe magreza excessiva




PEDRO DINIZ
COLUNISTA DA FOLHA

20/04/2015  02h15
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Enquanto o Senado francês se prepara para votar nas próximas semanas duas emendas à Lei da Saúde Nacional que criminaliza a contratação de modelos excessivamente magras na França, como forma de combater a propagação da anorexia no país, as tops e os convidados que passaram pela 39ª edição da São Paulo Fashion Week contestam a viabilidade prática do projeto.

A Folha levou uma balança e pesou algumas modelos nos bastidores dos desfiles e constatou que, para o padrão exigido pela França, elas estão ou no limite ou abaixo do necessário.

O texto do deputado Olivier Véra foi aprovado na terça (14) pela Assembleia Nacional do país e agora segue para o Senado. Estipula pena de até seis meses de prisão ao contratante da modelo considerada anoréxica e multa de 75 mil euros (R$ 250 mil) à agência que contratar garotas com Índice de Massa Corporal (IMC) inferior a 18. O número é obtido pelo peso dividido pela altura ao quadrado.

Uma das apostas da grife de lingerie Victoria's Secret, Laís Ribeiro, 24, tem 1,80 m de altura. No teste da balança, pesou 61 kg. Passou raspando no limite do IMC, com 18,8. "Muitas meninas são magras naturalmente", diz ela.

Liliana Gomes, que representa a modelo, critica a lei: "Todo mundo sabe que músculo pesa tanto quanto gordura, por exemplo. O IMC não dá noção se a modelo é magra ou não. Isso não faz sentido. Na agência, não procuramos meninas pelo peso, mas pelo biotipo magro e pela altura".

Já Vivi Orth, 25, cravou um índice de 16,5, o que a eliminaria dos desfiles franceses. A Espanha, o Chile e Israel têm regulamentadas leis que definem um padrão de peso para contratação de modelos.

Mas Vivi diz que muitas meninas conseguem burlá-las. "Nos 'castings' [seleções], é comum a modelo colocar enchimento nas calças para ficar mais pesada. Com certeza, eu não me encaixaria nessa medida mínima", diz ela, que pesa 54 kh e mede 1,81 m.

O IMC de 18 é limítrofe para um corpo saudável, segundo a Organização Mundial da Saúde. Abaixo disso, a mulher é considerada desnutrida e, se constatadas alterações nas taxas hormonais, cabelos e unhas fracos e problemas em ingerir comida, ela é diagnosticada anoréxica.

As agências francesas temem uma invasão de esquálidas de outros países, que supririam a demanda do mercado de moda francês e acreditam ser impossível cravar, a partir de um IMC, se as modelos são saudáveis.

Segundo a nutricionista Viviane Scheifer, a lei francesa pode ser um grande passo para uma mudança global.

"As meninas recebem a mensagem de que ser muito magra é bonito e chegam a cometer loucuras. Já tive paciente que comia tijolo", conta.

Ela frisa, no entanto, que só é possível avaliar o estado de magreza com exames clínicos e que meninas novas com o biotipo magro costumam ter IMC abaixo do normal. "Avalio o lado psicológico da mulher para cravar um diagnóstico de anorexia", explica.

Não há nenhuma lei no Brasil que determine o mínimo necessário de IMC para uma modelo desfilar.

Colaboraram GIULIANA MESQUITA e ISADORA BRANT.
Modelos na SPFW contestam lei que proíbe magreza excessiva

ONG explica campanha feminista com Cruzeiro, que vira destaque internacional

Ação é tida como a primeira de uma sequência de etapas de conscientização   João Vítor Marques /Superesportes  ,  Tiago Mattar /Superes...