segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A história das mulheres no Brasil


sexta-feira, 17 de agosto de 2012A  - Mary Del Priore (Org.), 1997.


Li esse livro como bibliografia básica do meu TCC (inacabado, e sem previsão). Um compêndio de excelente qualidade, composto de artigos de vários profissionais da área. Se propõe a contar as diversas histórias da mulher no Brasil. O livro começa a viagem desde os tempos colonias, através de análises interessantíssimas dos relatos dos primeiros viajantes, assim como das ilustrações dessas obras que transmitiam as primeiras impressões sobre o povo nativo das terras brasileiras. Sempre com foco no elemento feminino.

Passa pelos reflexos culturais ainda fortemente ligados à mentalidade medieval, seguindo de forma muito fluída até a contemporaneidade.





O livro é um verdadeiro calhamaço, me assustou logo de cara. Tanto que já tinha decidido de antemão ler apenas os capítulos do período que dissesse respeito ao meu trabalho. Por acaso comecei a ler o primeiro artigo, e daí foi só amor. Realmente muito gostoso de ler. Seu formato, dividido em artigos, de diferentes autores, com linguagem super acessível, torna a leitura um verdadeiro prazer. Também acaba sendo muito interessante e diferente, por trazer uma abordagem mais cultural da história da mulher, apresentando fontes históricas alternativas, como, por exemplo, a história oral, a cultura popular, etc.



Seguem alguns trechos:

A história das mulheres não é só delas, é também aquela da família, da criança, do trabalho, da mídia, da literatura. É a história do seu corpo, da sua sexualidade, da violência que sofreram e que praticaram, da sua loucura, dos seus amores e dos seus sentimentos. p. 7 (Mary Del Priore)





Além de estudar o cotidiano das mulheres, e as práticas femininas nele envolvidas, os documentos nos permitem aceder às representações que se fizeram, noutros tempos, sobre as mulheres. Quais seriam aquelas a inspirar ideais e sonhos? As castas, as fiéis, as obedientes, as boas esposas e mães. Mas quem foram aquelas odiadas e perseguidas? As feiticeiras, as lésbicas, as rebeldes, as anarquistas, as prostitutas, as loucas. p. 8 (Mary Del Priore)





As histórias aqui contadas refletem as mais variadas realidades: o campo e a cidade, o norte, o sudeste e o sul. Os mais diferentes espaços: a casa e a rua, a fábrica e o sindicato, o campo e a escola, a literatura e as páginas de revista. E, finalmente, os múltiplos extratos sociais: escravas, operárias, sinhazinhas, burguesas, heroínas românticas, donas de casa, professoras, bóias-frias. p. 8 (Mary Del Priore)





Teria então chegado o tempo de falarmos, sem preconceitos, sobre as mulheres? Teria chegado o tempo de lermos, sobre elas, sem tantos a priori ? Muito se escreveu sobre a dificuldade de se construir a história das mulheres, mascaradas que eram pela fala dos homens e ausentes que estavam do cenário histórico. Esta discussão está superada. As páginas a seguir oferecem o frescor de uma estrutura na qual se desvenda o cruzamento das trajetórias femininas nas representações, no sonho, na história política e na vida social. p. 8-9 (Mary Del Priore)





Não nos interessa, aqui, fazer uma história que apenas conte a saga de heroínas ou de mártires: isto seria de um terrível anacronismo. Trata-se, sim, de enfocar as mulheres através das tensões e das contradições que se estabeleceram em diferentes épocas, entre elas e seu tempo, entre elas e as sociedades nas quais estavam inseridas. Trata-se de desvendar as intricadas relações entre a mulher, o grupo e o fato, mostrando como o ser social, que ela é, articula-se com o fato social que ela também fabrica e do qual faz parte integrante. As transformações da cultura e as mudanças de idéias nascem das dificuldades que são simultaneamente aquelas de uma época e as de cada indivíduo histórico, homem ou mulher. p. 9 (Mary Del Priore)









Colônia:





Das leis do Estado e da Igreja, com freqüência bastante duras, à vigilância inquieta de pais, irmãos, tios, tutores, e à coerção informal, mas forte, de velhos costumes misóginos, tudo confluía para o mesmo objetivo: abafar a sexualidade feminina que, ao rebentar as amarras, ameaçava o equilíbrio doméstico, a segurança do grupo social e a própria ordem das instituições eclesiásticas. (Emanuel Araújo, p. 45)





Nunca se perdia a oportunidade de lembrar às mulheres o terrível mito do Éden, reafirmado e sempre presente na história humana. Não era de admirar, por exemplo, que o primeiro contato de Eva com as forças do mal, personificadas na serpente, inoculasse na própria natureza do feminino algo como um estigma atávico que predispunha fatalmente à transgressão, e esta, em sua medida extrema, revelava-se na prática das feiticeiras, detentoras de saberes e poderes ensinados e conferidos por Satanás. (Emanuel Araújo, p. 46)





O ideal do adestramento completo, definitivo, perfeito, jamais foi alcançado por inteiro. A Igreja bem que tentava domar os pensamentos e os sentimentos, muitas vezes até com algum, sucesso, mas nem todo mundo aceitava passivamente tamanha interferência quando o fogo do desejo ardia pelo corpo ou quando as proibições passavam dos limites aceitáveis em determinadas circunstâncias. Contudo, parece que o normal era a introjeção, por parte das próprias mulheres, dos valores misóginos predominantes no meio social; introjeção imposta não só pela Igreja e pelo ambiente doméstico, mas também por diversos mecanismos informais de coerção, a exemplo da tagarelice de vizinhos, da aceitação em certos círculos, da imagem a ser mantida neste ou naquele ambiente etc. Os desvios da norma, porém, não eram tão incomuns numa sociedade colonial que se formava e muitas vezes improvisava seus próprios caminhos muito longe do rei. (Emanuel Araújo, p. 53)





Na época colonial a mulher arriscava-se muito ao cometer adultério. Arriscava, aliás, a vida, porque a própria lei permitia que “achando o homem casado sua mulher em adultério, licitamente poderá matar assim a ela como o adúltero.” (Emanuel Araújo, p. 59)





Num cenário em que doença e culpa se misturavam, mostra como o corpo feminino era visto, tanto por pregadores da Igreja Católica quanto por médicos: um palco nebuloso e obscuro no qual Deus e o Diabo se digladiavam. Qualquer doença, qualquer mazela que atacasse uma mulher, era interpretada como um indício da ira celestial contra pecados cometidos, ou então era diagnosticada como sinal demoníaco ou feitiço diabólico. Esse imaginário, que tornava o corpo um extrato do céu ou do inferno, constituía um saber que orientava a medicina e supria provisoriamente as lacunas de seus conhecimentos. p. 78 (Mary del Priore)





Para a maior parte dos médicos, a mulher não se diferenciava do homem apenas pelo conjunto de órgãos específicos, mas também por sua natureza e por suas características morais. p. 79 (Mary del Priore)





É importante lembrar que, à época, a ciência médica começava a adquirir a imagem de um saber devotado e infalível, que impunha progressivamente as normas da vida saudável, assumindo, por fim, uma função de vigilância social e moral. Contra esse pano de fundo, uma espécie de ternura patética tomou conta da pluma dos médicos, que procuraram descrever a mulher como um ser frágil, carente de vontade, amolengada por suas qualidades naturais que seriam a fraqueza, a minoridade intelectual, a falta de musculatura, a presença da menstruação. Melhor submeter-se docilmente à servidão que a natureza impunha ao gênero feminino. p. 105 (Mary del Priore)

fonte: br/2012/08/a-historia-das-mulheres-no-brasil-mary.html acesso 20 de agosto







Século XIX:









Mulher e família burguesa. Maria Ângela D’Incao.





Durante o século XIX, a sociedade brasileira sofreu uma série de transformações: a consolidação do capitalismo; o incremento de uma vida urbana que oferecia novas alternativas de convivência social; a ascensão da burguesia e o surgimento de uma nova mentalidade - burguesa - reorganizadora das vivências familiares e domésticas, do tempo e das atividades femininas; e, por que não, a sensibilidade e a forma de pensar o amor. p. 223





Presenciamos ainda nesse período o nascimento de uma nova mulher nas relações da chamada família burguesa, agora marcada pela valorização da intimidade e da maternidade. Um sólido ambiente familiar, o lar acolhedor, filhos educados e esposa dedicada ao marido, às crianças e desobrigada de qualquer trabalho produtivo representavam o ideal de retidão e probidade, um tesouro social imprescindível. Verdadeiros emblemas desse mundo relativamente fechado, a boa reputação financeira e a articulação com a parentela como forma de proteção ao mundo externo também marcaram o processo de urbanização do país. p. 223





Nas casas, domínios privados e públicos estavam presentes. Nos públicos, como as salas de jantar e os salões, lugar de máscaras sociais, impunham-se regras para bem-receber e bem-representar diante das visitas. As salas abriam-se freqüentemente para reuniões mais fechadas ou saraus, em que se liam trechos de poesias e romances em voz alta, ou uma voz acompanhava os sons do piano ou harpa.

As leituras animadas pelos encontros sociais, ou feitas à sombra das árvores ou na mornidão das alcovas, geraram um público leitor eminentemente feminino. A possibilidade de ócio entre as mulheres de elite incentivou a absorção das novelas românticas e sentimentais consumidas entre um bordado e outro, receitas de doces e confidências entre amigas. As histórias de heroínas românticas, langorosas e sofredoras acabaram por incentivar a idealização das relações amorosas e das perspectivas de casamento. p. 228-9





As alcovas, espaço do segredo e da individualidade, forneciam toda a privacidade necessária para a explosão dos sentimentos: lágrimas de dor ou ciúmes, saudades, declarações amorosas, cartinhas afetuosas e leitura de romances pouco recomendáveis. “A máscara social será um índice das contradições profundas da sociedade burguesa e capitalista [...] em função da repressão dos sentimentos, o amor vai restringir-se à idealização da alma e à supressão do corpo”. p. 229





Num certo sentido os homens eram bastante dependentes da imagem que suas mulheres pudessem traduzir para o restante das pessoas de seu grupo de convívio. Em outras palavras significavam um capital simbólico importante, embora a autoridade familiar se mantivesse em mãos masculinas, do pai ou do marido. Esposas, tias, filhas, irmãs, sobrinhas (e serviçais) cuidavam da imagem do homem público; esse homem aparentemente autônomo, envolto em questões de política e economia, estava na verdade rodeado por um conjunto de mulheres das quais esperava que o ajudassem a manter sua posição social. p. 229-30





O que a literatura do período informa é que a mulher das classes baixas, ou sem tantos recursos, teve maiores possibilidades de poder amar pessoas de sua condição social, uma vez que o amor, ou expressão da sexualidade, caso levasse a uma união, não comprometeria as pressões de interesses políticos e econômicos. As mulheres de mais posses sofreram com a vigilância e passaram por constrangimentos em suas uniões, de forma autoritária ou adoçada, na sua vida pessoal. Para elas o amor talvez tenha sido um alimento do espírito e muito menos uma prática existencial. p. 234





É certo que os relatos dos cronistas, viajantes e historiadores do período nos exibem um quadro em que a menina ou a mulher candidata ao casamento é extremamente bem cuidada, é trancafiada nas casas etc. Não há como negar ou interpretar de outra maneira fatos tão conhecidos. Todavia, essa rigidez pode ser vista como único mecanismo existente de manutenção do sistema de casamento, que envolvia a um só tempo aliança política e econômica. Em outras palavras, nos casamentos das classes altas, a respeito dos quais temos documentos e informações, a virgindade feminina era um requisito fundamental. Independentemente de ter sido ou não praticada como um valor ético propriamente dito, a virgindade funcionava como um dispositivo para manter o status da noiva como objeto de valor econômico e político, sobre o qual se assentaria o sistema de herança de propriedade que garantia linhagem da parentela. p. 235











Mulheres no sul. Joana Maria Pedro.







O isolamento feminino nas atividades de esposa, mãe e dona de casa tornou-se forma de distinção para uma classe urbana abastada [...]. p. 285





A nova família “civilizada” que se pretendia compor deveria ser diferente daquela do restante da população: qualquer parente, além de pai-mãe-filhos, atrapalharia. Assim, a imagem da sogra passou a vir associada a características negativas na década de 80 do século XIX. p. 286





As mães, homenageadas como as responsáveis pela civilização, pelo heroísmo, pela piedade cristã dos homens, eram percebidas como estorvo ao se tornarem sogras. Além disso, não se tratava de qualquer sogra, mas a do homem, o mesmo que escrevia nos jornais. p. 287





A proclamação da República pode ser vista como o momento a partir do qual os novos modelos femininos passaram a ser mais reforçados. Esse período promoveu intensas transformações e remanejamentos nas elites que vinham se configurando no decorrer do século XIX. Muitas da imagens idealizadas das mulheres sofreram mudanças e intensificações por conta das transformações que se operaram com a Proclamação da República. p. 291





Na virada do século, as imagens das prostitutas tornaram-se as referências de como as mulheres não deveriam ser. Seus comportamentos, seu modo de falar, de vestir, de perfumar-se, eram aqueles que deveriam ser evitados pelas mulheres que quisessem ser consideradas distintas. p. 305









Psiquiatria e feminilidade. Magali Engel.





Uma das imagens mais fortemente apropriadas, redefinidas e disseminadas pelo século XIX ocidental é aquela que estabelece uma associação profundamente íntima entre a mulher e a natureza, opondo-a ao homem identificado à cultura. Retomada por um “velho discurso” que tentava justificar as teorias e práticas liberais - que, embora comprometidas com o princípio da igualdade, negavam às mulheres o acesso à cidadania, através da ênfase na diferença entre os sexos -, tal imagem seria revigorada a partir das “descobertas da medicina e da biologia, que ratificavam cientificamente a dicotomia: homens, cérebro, inteligência, razão lúcida, capacidade de decisão versus mulheres, coração, sensibilidade, sentimentos”. Essas considerações remetem a duas questões importantes.

A construção da imagem feminina a partir da natureza e das suas leis implicaria em qualificar a mulher como naturalmente frágil, bonita, sedutora, submissa, doce etc. Aquelas que revelassem atributos opostos seriam consideradas seres antinaturais. Entretanto, muitas qualidades negativas - como a perfídia e a amoralidade - eram também entendidas como atributos naturais da mulher, o que conduzia a uma visão profundamente ambígua do ser feminino.

No século XIX ocidental, a velha crença de que a mulher era um ser ambíguo e contraditório, misterioso e imprevisível, sintetizando por natureza o bem e o mal, a virtude e a degradação, o princípio e o fim, ganharia uma nova dimensão, um sentido renovado e, portanto, específico. Amplamente disseminada, a imagem da mulher como ser naturalmente ambíguo adquiria, através dos pincéis manuseados por poetas, romancistas, médicos, higienistas, psiquiatras e, mais tarde, psicanalistas, os contornos de verdade cientificamente comprovada a partir dos avanços da medicina e dos saberes afins. p. 332





[...] a mulher transformava-se num ser moral e socialmente perigoso, devendo ser submetida a um conjunto de medidas normatizadoras extremamente rígidas que assegurassem o cumprimento do seu papel social de esposa e mãe; o que garantiria a vitória do bem sobre o mal, de Maria sobre Eva. Se a mulher estava naturalmente predestinada ao exercício desses papéis, a sua incapacidade e/ou recusa em cumpri-los eram vistas como resultantes da especificidade da sua natureza e, concomitantemente, qualificadas como antinaturais. Sob a égide das incoerências do instinto, os comportamentos femininos considerados desviantes - principalmente aqueles inscritos na esfera da sexualidade e da afetividade - eram vistos ao mesmo tempo e contraditoriamente como pertinentes e estranhos à sua própria natureza. Nesse sentido, a mulher era concebida como um ser cuja natureza específica avizinhava-se do antinatural. p. 332-3





Assim, no organismo da mulher, na sua fisiologia específica estariam inscritas as predisposições à doença mental. A menstruação, a gravidez e o parto seriam, portanto, os aspectos essencialmente priorizados na definição e no diagnóstico das moléstias mentais que afetavam mais freqüentemente ou de modo específico as mulheres. p. 333





Mas se queremos mesmo dar uma guinada na história das mulheres, deslocando-a para um campo bem mais fértil e instigante da história dos gêneros, é preciso que, entre outras coisas, abandonemos definitivamente essa obsessão em buscar comprovar que a mulher é mais discriminada, é mais explorada, é mais sofredora, é mais revoltada etc., etc. Nem mais, nem menos, mas sim diferentemente. Diferenças cujos significados não se esgotam nas distinções sexuais, devendo, portanto, ser buscados no emaranhado múltiplo, complexo, e muitas vezes, contraditório, das diversidades sociais, étnicas, religiosas, regionais, enfim, culturais. p. 334





Como estabelecer as fronteiras entre o normal e o patológico no mundo da sexualidade feminina que, definido nesses termos, revelava-se tão profundamente incerto? Os médicos do século XIX tomariam para si essa tarefa baseando-se em dois pressupostos: a normalidade ocuparia o espaço de uma pequena ilha cercada pela imensidão oceânica da doença; entre a água e a terra os limites seriam tão vagos e móveis quanto os definidos pelas próprias ondas. p. 340





Embora a idéia de que a mulher seria um ser assexuado ou frígido tenha sido bastante difundida entre os médicos brasileiros do século XIX, alguns deles reconheciam, explicitamente, a existência do desejo e do prazer sexual na mulher. Entre os muitos desdobramentos decorrentes da transformação do casamento em uma instituição higiênica, temos não apenas o reconhecimento, mas até mesmo o estímulo à sexualidade feminina. 33 para os médicos, a ausência ou a precariedade da vida sexual poderiam resultar em conseqüências funestas para as mulheres: como o hábito da masturbação - causador de esterilidade, aborto - ou o adultério. p. 342





Assim, a sexualidade só não ameaçaria a integridade física, mental e moral da mulher, caso se mantivesse aprisionada nos estreitos limites entre o excesso e a falta e circunscrita ao leito conjugal. Ademais, ao priorizarem o cumprimento dos deveres da maternidade (gestação. amamentação etc.) como característica indispensável da mulher saudável e incompatíveis com o pleno exercício da sexualidade, os médicos restringiriam a disponibilidade feminina para as práticas e prazeres sexuais, criando um impasse que acreditavam resolver afirmando a existência do gozo sexual através da amamentação. p. 342





Reconhecendo ou negando a existência do desejo e do prazer na mulher, os alienistas estabeleciam uma íntima associação entre as perturbações psíquicas e os distúrbios da sexualidade em quase todos os tipos de doença mental. p. 342





Cabe lembrar que entre as estratégias que fundamentariam a construção de uma ciência sexual ao longo do século XIX figurava a histerização do corpo da mulher, desqualificando-o como corpo excessivamente impregnado de sexualidade. 38

Entre os alienistas brasileiros, o caminhos percorridos pelo tema da histeria seguiram bem de perto a mesma trajetória, circunscrevendo-se em torno de duas questões-chave: a associação entre a histeria e o ser feminino; e a relação entre histeria e sexualidade e/ou afetividade. p. 343





As conquistas e sofisticações da psiquiatria na passagem do século XIX para o século XX, longe de questionarem a associação entre mulher e histeria, aprofundaram-na, conferindo-lhe status de verdade científica. Ainda por muito tempo, as palavras impetuosas do psiquiatra francês Ulysse Trélat, discípulo de Esquitol, continuariam a ecoar dentro e fora do mundo acadêmico e científico: “Toda mulher é feita para sentir, e sentir é quase histeria”. 79





Mulheres pobres e violência no brasil urbano. Rachel Soihet





Apesar da existência de muitas semelhanças entre mulheres de classes sociais diferentes, aquelas das camadas populares possuíam características próprias, padrões específicos, ligados às suas condições concretas de existência. Como era grande sua participação no “mundo do trabalho”, embora mantidas numa posição subalterna, as mulheres populares, em grande parte, não se adaptavam às características dadas como universais ao sexo feminino: submissão, recato, delicadeza, fragilidade. Eram mulheres que trabalhavam e muito, em sua maioria não eram formalmente casadas, brigavam na rua, pronunciavam palavrões, fugindo, em grande escala, aos estereótipos atribuídos ao sexo frágil. p. 367





Essas dificuldades se agravavam, pois muitas das idéias das mulheres dos segmentos dominantes se apresentavam fortemente às mulheres populares. Mantinham, por exemplo, a aspiração ao casamento formal, sentindo-se inferiorizadas quando não casavam; embora muitas vezes reagissem, aceitavam o predomínio masculino; acreditavam ser de sua total responsabilidade as tarefas domésticas, ainda que tivessem que dividir com o homem o ganho cotidiano. p. 367





A liberdade sexual das mulheres populares parece confirmar a idéia de que o controle intenso da sexualidade feminina estava vinculado ao regime de propriedade privada. A preocupação com o casamento crescia na proporção dos interesses patrimoniais a zelar. No Brasil do século XIX, o casamento era boa opção para uma parcela ínfima da população que procurava unir os interesses da elite branca. p. 368





A violência (masculina) surgia, assim, de sua incapacidade de exercer o poder irrestrito sobre a mulher, sendo antes uma demonstração de fraqueza e impotência do que de força e poder. p. 370





As condições concretas de existência dessas mulheres (populares), com base no exercício do trabalho e partilhando com seus companheiros da luta pela sobrevivência, contribuíram para o desenvolvimento de um forte sentimento de auto-respeito. Isso lhes possibilitou reivindicar uma relação mais simétrica, ao contrário dos estereótipos vigentes acerca da relação homem/mulher que previam a subordinação feminina e a aceitação passiva dos percalços provenientes da vida em comum. p. 377





A autonomia das mulheres pobres no Brasil da virada do século é um dado indiscutível. Vivendo precariamente, mais como autônomas do que como assalariadas, improvisavam continuamente suas fontes de subsistência. Tinham, porém, naquele momento, maior possibilidade que os homens de venderem seus serviços: lavando ou engomando roupas, cozinhando, fazendo e vendendo doces e salgados, bordando, prostituindo-se, empregando-se como domésticas, sempre davam um jeito de obter alguns trocados. p. 379





Na virada do século, o crime passional assumiu grandes proporções. p. 380





Os crimes beneficiavam-se da onda de romantismo no âmbito da literatura e da arte enfatizando o amor e a paixão. Situações desse teor eram retratadas por Tolstoi, Dostoievski, Daudet, Maupassant e D’Annunzio, cujas obras estão repletas de situações em que o amor e o ciúme aparecem como determinantes dos atos mais impulsivos. p. 381





Alguns países chegavam a adotar a norma de impunidade total em favor do marido que “vingasse a honra” ao surpreender sua mulher em adultério. No Brasil, de acordo com o Código Penal de 1890, só a mulher era penalizada por adultério, sendo punida com prisão celular de um a três anos. O homem só era considerado adúltero no caso de possuir concubina teúda e manteúda. p. 381





Os motivos da punição são óbvios, já que o adultério representava os riscos da participação de um bastardo na partilha dos bens e na gestão dos capitais. O homem, em verdade, tinha plena liberdade de exercer sua sexualidade desde que não ameaçasse o patrimônio familiar. Já a infidelidade feminina era, em geral, punida com a morte, sendo o assassino beneficiado com o argumento de que se achava “em estado de completa privação de sentidos e inteligência” no ato de cometer o crime, ou seja, acometido de loucura ou desvario momentâneo. p. 381-82





Na prática, reconhecia-se ao homem o direito de dispor da vida da mulher. p. 382





A honra da mulher constitui-se em um conceito sexualmente localizado do qual o homem é o legitimador, uma vez que a honra é atribuída pela ausência do homem, através da virgindade, ou pela presença masculina no casamento. Essa concepção impõe ao gênero feminino o desconhecimento do próprio corpo e abre caminhos para a repressão de sua sexualidade. Decorre daí o fato de as mulheres manterem com seu corpo uma relação matizada por sentimentos de culpa, de impureza, de diminuição, de vergonha de não ser mais virgem, de vergonha de estar menstruada etc. p. 389





Afinal, “pureza” era fundamental para a mulher, num contexto em que a imagem da Virgem Maria era o exemplo a seguir. “Ser virgem e ser mãe” constituía-se no supremo ideal dessa cultural, em contraposição à “mãe puta”, a maior degradação e ofensa possível da qual todas desejavam escapar. p. 390





Os crimes cometidos em nome da defesa da honra feminina equivaliam àqueles cometidos pelos homens, no caso da infidelidade da mulher. Percebe-se, portanto, por parte dos agentes jurídicos, uma tendência a considerar as mulheres que defendessem sua honra como merecedoras de tolerância, aceitando-se para o seu ato a justificativa do “estado de irresponsabilidade penal por privação de sentidos e inteligência”. p. 394





As defesas nos processos da mesma natureza não se pautam em aspectos essenciais: o significado da violência contra a mulher, o desrespeito à pessoa humana, à integridade individual da mulher, ao direito desta dispor de seu corpo. A defesa acentuava tão-somente a questão da honra feminina, cujo significado para a sociedade era o único relevante, um verdadeiro atentado à propriedade do marido ou do pai. p. 394-5





Além da violência física, sobre elas (mulheres populares) fez-se sentir, igualmente, a violência simbólica dando lugar à incorporação de inúmeros estereótipos. Em boa parte das situações essas mulheres desenvolveram táticas com vistas a mobilizar para seus próprios fins representações que lhes eram impostas, buscando desviá-las contra a ordem que as produziu; ou seja, definiram muitos de seus poderes por meio de um movimento de reapropriação e desvio dos instrumentos simbólicos que instituem a dominação masculina contra o seu próprio dominador. Isso se evidencia nos casos de crimes contra a honra. p. 398





Escritoras, escritas, escrituras. Norma Telles



É preciso ressaltar o papel fundamental desempenhado pelos produtos culturais, em particular o romance, na cristalização da sociedade moderna. Escrita e saber estiveram, em geral, ligados ao poder e funcionaram como forma de dominação ao descreverem modos de socialização, papéis sociais e até sentimentos esperados em determinadas situações. p. 401-2





O discurso sobre a “natureza feminina”, que se formulou a partir do século XVIII e se impôs à sociedade burguesa em ascensão, definiu a mulher, quando maternal e delicada, como força do bem, mas, quando “usurpadora” de atividades que não lhe eram culturalmente atribuídas, como potência do mal. Esse discurso que naturalizou o feminino, colocou-o além ou aquém da cultura. Por esse mesmo caminho, a criação foi definida como prerrogativa dos homens, cabendo às mulheres apenas a reprodução da espécie e sua nutrição. p. 403





A situação de ignorância em que se pretende manter a mulher é responsável pelas dificuldades que encontra na vida e cria um círculo vicioso: como não tem instrução, não está apta a participar da vida pública, e não recebe instrução porque não participa dela. p. 406





O século XIX não via com bons olhos mulheres envolvidas em ações políticas, revoltas e guerras. As interpretações literárias das ações das mulheres armadas, em geral, denunciam a incapacidade feminina para a luta, física ou mental, donde concluem que as mulheres são incapazes para a política, ou que esse tipo de idéia é apenas diversão passageira de meninas teimosas que querem sobressair. p. 407





Ao mesmo tempo que se pregavam valores burgueses, eram reforçados preconceitos de classe e raça. p. 429





Os higienistas empenharam-se com afinco na tarefa de formar a “mãe burguesa”. Empreenderam campanhas para convencer as mulheres a amamentar. Visavam também à “mãe educadora” sob vigilância do médico de família. Definiam a mulher como ser afetivo e frágil. Doçura e indulgência eram atributos que se somavam aos anteriores para demonstrar a inferioridade da mulher, cujo cérebro, acreditavam, era dominado pelo capricho ou instinto de coqueteria. Para que não adoecesse, era preciso que aceitasse o comando do homem e se dedicasse inteiramente à maternidade e à família. As mulheres pobres, as vendedoras de rua, as lavadeiras vão sendo expulsas do centro, que se afrancesa, e de seus ofícios de sobrevivência. p. 429





Em nome do perigo venéreo, domesticam (os médicos) a sexualidade feminina. p. 429





Durante o Império, e mais ainda no início do período republicano, a medicina higiênica tem um caráter de polícia médica. É dessa medicina que surgirá, entre nós, a psiquiatria. Desde o início a medicina institucional, em suas várias formas, pretendia interferir no “organismo social”, cuidar da saúde da cidade e dos indivíduos. A versão psiquiátrica nacional era nitidamente autoritária, permeada pela noção de progresso dos positivistas. Assim, irá perseguir aqueles que resistem às disciplinas para a normalização. Artistas e intelectuais, em especial, serão objeto de desconfiança e considerados problemas potenciais pelos alienistas. p. 430





Nas últimas décadas do século XIX, surge um novo tipo de personagem, a histérica. Os romances fazem estudos de temperamento que mais parecem relatos de enfermidades ou diagnósticos. Descrevem ‘casos de alcova’, temperamentos patológicos. O médico aparece com a palavra na literatura; as personagens passam a evidenciar uma obsessiva medicalização da linguagem. Quanto mais a personagem do médico discursa, dá aulas, mais aumenta sua credibilidade e sedução. Em geral, as personagens histéricas são enfermas, órfãs de mãe, e é sugerido que a causa da enfermidade é a quebra do quadro familiar. A cura está no casamento, na procriação, na aceitação das normas institucionalizadas. Os traços que estigmatizam a histérica na sociedade da família, do casamento e da maternidade higienizada são sua orfandade, isto é, a falta de um modelo feminino e o fato de serem solteiras e fogosas.

O médico, através de suas citações científicas, é que descobre o “temperamento doentio”, duplamente faltoso, um espaço a ser preenchido por seus discursos infindáveis. As histéricas quase não falam, os médicos falam por elas e só lhes resta reproduzirem os sintomas. Resultado: desmaios, enxaquecas e gritos. A mulher letárgica é socorrida pelo médico, e, mesmo que ela morra, o doutor permanece cercado de uma aura de sabedoria.

A despeito de muitas vozes contrárias, o mito da fragilidade feminina, da incapacidade física ou mental da mulher, floresceu ainda neste final de século. p. 430-1













Pressão por corpo esbelto na maturidade aumenta distúrbios alimentaresEstudo mostrou que após os 40 elas também arriscam a saúde para perder peso



Luiza Brunet afirma que é melhor ser mais cheinha
DO IG
As embalagens cosméticas, as propagandas de cirurgias plásticas e as dietas milagrosas prometem às mulheres com mais de 40 anos o mesmo reflexo exibido duas décadas atrás. Sem conseguir manter essa imagem, muitas se sentem traídas pelo espelho.A sensação é de fracasso, ainda mais em um mundo que “prioriza a beleza em detrimento da qualificação”, nas palavras da modelo e empresária Luiza Brunet, 50 anos. Ela está em plena forma física, mas em entrevista ao iG Saúde disse conviver diariamente com uma dificuldade cada vez maior para manter a silhueta.Antes era só correr na praia para perder dois quilos. Hoje faço pilates três vezes por semana, musculação outras duas vezes e diariamente caminho na orla. Sei que é muita coisa, mas eu ainda vivo da beleza”, justifica.

As pesquisas mostram que mesmo fora do universo das passarelas há um aumento da insatisfação com o corpo na maturidade, nem sempre revertida em emagrecimento. Ao contrário. Simultaneamente, há um perigoso crescimento dos índices de transtornos alimentares e também das taxas de sobrepeso nas mulheres desta faixa etária.



Marle Alvarenga, doutora em nutrição e diretora do Grupo Especializado em Transtornos Alimentares (Genta), explica o contra-senso:



“A mesma indústria da dieta e a mesma ditadura da magreza disseminam uma relação errada com a comida. Por isso, ambas estão por trás do crescimento da obesidade e dos casos de transtorno de imagem, de anorexia e de bulimia entre as mulheres mais velhas”.



Os números endossam a convivência sem harmonia entre peso excessivo e insatisfação com a imagem. O último inquérito realizado pelo Ministério da Saúde apontou que após os 45 anos, as brasileiras atingem o pico máximo de excesso de gordura (64% delas pesam mais do que deviam contra 48% nos outros grupos etários).Ao mesmo tempo, uma nova pesquisa internacional – publicada na última edição do periódico especializado Journal of Eating Disorders, revela que quando chegam nesta idade, elas também cometem loucuras para emagrecer, atitudes antes associadas só à adolescência.



O estudo foi feito com 1.849 mulheres de idade média de 59 anos. Delas, 70% fazem dieta, 7,5% recorrem às pílulas milagrosas para perder peso, 8% abusam de laxantes, 3% têm compulsão alimentar e 1% provoca vômitos após as refeições.



“Percebemos nos atendimentos que não se tratam de mulheres que carregam estes transtornos desde novinhas”, afirma Marle, baseada na própria rotina no consultório.



“Muitas não se sentiram pressionadas na juventude por padrões estéticos rigorosos. Mas após os 40 foram cobradas para serem malhadas, mães exemplares e profissionais de sucesso e acabam doentes”.



Transição



A composição hormonal da mulher após os 40 anos faz com que o metabolismo do corpo seja mais lento, a retenção de líquido mais intensa e o acúmulo de células gordurosas mais presente. Estas três condições tornam a tarefa de ser uma “quarentona sarada” ainda mais difícil.A oficial de justiça Maria Eliza Junqueira de Passas da Motta Silveira, 51 anos, tem os números da balança como prova. Foram 10 quilos acumulados nos últimos 20 anos, sem mudar a alimentação (que sempre foi saudável) e sem diminuir a rotina de exercícios físicos (que sempre foi intensa).



“Eu sempre lidei bem com o corpo. Sempre fiz exercício e sempre comi de forma saudável. Ainda sou feliz com o espelho, mas me convenci de que não vou ter o mesmo peso de antes. É um processo natural”, ensina.



A eterna Garota de Ipanema, a apresentadora Helô Pinheiro, 64 anos, em entrevista recente ao iG Saúde , também disse que a estratégia para ficar feliz com a imagem foi aposentar o jeans tamanho 38.



“A chegada da menopausa faz a gente ficar mais inchada mesmo. É um processo natural e brigar com isso é ficar infeliz para sempre. Não podemos pirar”, aconselha.



Se não bastassem as características naturais das mulheres, que já promovem alterações nos ponteiros da balança, o nutrólogo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Mauro Fisberg, acrescenta que quem está na chamada meia-idade hoje, por coincidência, está vivendo a transformação nutricional do brasileiro.



“O Brasil passa de um perfil de desnutrição majoritária para a ampla obesidade. Neste processo, o corpo ainda preserva memórias celulares do tempo em que faltava comida”, explica o especialista.



“Por causa do extinto de preservação da espécie, há um armazenamento de gordura, pois a mensagem que ficou é que pode faltar alimento. Isso é agravado pelo atual aumento de ingestão de industrializados e pelo sedentarismo.”A atriz Débora Bloch, 49 anos, confirma que um quilo hoje parece pesar mais do que o mesmo quilo há vinte anos.



“É muito mais difícil emagrecer aqueles quilinhos que a gente sempre quer perder. Tenho a vantagem de sempre ter feito exercício, desde muito nova, então carrego isso comigo. Mas reconheço que é uma fase de mudança (no corpo). E saber que as mudanças acontecem faz com que eu não me sinta tão pressionada.”



Cultura da insatisfação



A antropóloga Ana Figueiredo, especializada no universo feminino, ministra cursos sobre a representação do corpo no cinema e na mídia. Para ela, o segredo para viver melhor e feliz com a imagem é, de fato, a aceitação da mudança.



“Envelhecer nada mais é do que mudar. E mudança não significa fim. Significa novos limites e novos potenciais”.


“Obviamente, tudo isso fica perdido em uma sociedade que nunca valorizou o mais velho, a experiência. O que há é um incentivo da cultura da insatisfação. Para aumentar o consumo, seja de um creme ou de uma dieta milagrosa, a tática é criar cada vez mais pessoas insatisfeitas. Elas passam a comprar, e muitas vezes pagam com a felicidade, qualquer coisa que traga o que é impossível ter naturalmente.”


Os efeitos são nefastos. Quem come muito – e errado – acaba dentro dos 17% de mulheres diabéticas, 60% de hipertensas , gatilhos de problemas cardíacos , depressão e câncer .

Já as que sucumbem aos transtornos alimentares e dietas extremamente restritivas estão mais próximas de um problema que chega a matar uma em cada dez mulheres (o índice de mortalidade por anorexia é de 10%, de acordo com a Organização Mundial de Saúde), resulta em osteoporose , perda de dentição e também infarto .

A professora Miriam Nunes Cezar Carlos, 48 anos, sempre gostou do próprio reflexo do espelho. Mas reconhece que a pressão para as quarentonas aumentou extremamente quando compara com a época da sua mãe.

“Até a prateleira da farmácia te pressiona a comprar aqueles comprimidos infalíveis, tamanha é a oferta. Sem contar que a representação da mulher com mais de 40 anos nas novelas e nos comerciais é impossível. É uma ilusão querer estar como a Luiza Brunet.”
Mas é ela, a própria Brunet, quem dá o antídoto para essa "paranoia".


“Eu ainda vivo da beleza e por isso faço alguns sacrifícios. Mas, pensa bem, não é crime ser mais cheinha, pelo contrário. É bem mais legal do que ser uma neurótica, que não sai pra jantar e só fica buscando um padrão estético de modelo de passarela, incompatível com seu estilo de vida sociável.”

fonte: http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=3&cid=130628 acesso em 20 de agosto


Aos 91 anos e viciada em plásticas, mãe de Stallone tem rosto desfigurado





Com transformação total nos últimos 30 anos, Jackie Stallone apareceu ao lado do filho na avant première de Os Mercenários 

O exagero na busca de um rostinho bonito ou de negar a velhice muitas vezes causa um efeito contrário. A mãe do ator Sylvester Stallone não só teve o rosto totalmente alterado, como se tornou viciada em cirurgias plásticas.



Aos 91 anos, Jackie Stallone passou as últimas três décadas tentando melhorar seu aspecto, mas o resultado não foi dos melhores. Neste período, ela fez várias intervenções no rosto, engrossando e ampliando os lábios, e abusando do botox, para tentar suavizar as marcas de expressão.



Esta semana, ela esteve ao lado do filho na pré-estreia de Os Mercenários 2 e chamou bastante atenção. Jackie esteve em 2005 num reality Show voltado para celebridades. Apaixonada por astrologia, ela mantém um site onde vende mapas, DVDs e livros relacionados ao tema

Conheça Qual o Seu Tipo de Corpo



Sabe quando você coloca uma roupa e se olha no espelho e pensa: nossa ficou horrível.. Então, às vezes o que fica bonito nos outros não fica bem no seu corpo, e sabe por quê? Nós mulheres, assim como os homens, somos diferentes umas das outras, cada uma tem um tipo de corpo e para você poder valorizar o seu é preciso saber qual tipos de corpo feminino é o seu!



Por isso vim falar um pouco sobre os principais tipos de corpos femininos que são esses cinco:: o pêra, ampulheta, triangulo invertido, retângulo e oval.



Corpo Pêra: no corpo pêra os ombros e a cintura são mais estreitos que os quadris.



Corpo Ampulheta: no corpo ampulheta a medida dos ombros é a mesma que a dos quadris, e a cintura é mais fina.



Corpo Triangulo invertido: os ombros têm medidas maiores que a da cintura e quadris.



Corpo Retângulo: os quadris, a cintura e os ombros têm praticamente as mesmas medidas.



Corpo Oval: a largura da cintura é bem maior que a dos ombros e quadris.



Pois bem, sabendo analisar e descobrir qual o seu tipo de corpo, você vai poder montar looks próprios para a sua silhueta, assim estará valorizando mais seus looks e com certeza ficará ainda mais bonita com sua escolha, seja qual for a peça de roupa que escolher: vestido longo, curto, calça jeans, camisas etc. fica a dica, abraços!

http://www.blogdale.net/tipos-de-corpo/acesso em 20 de agosto

sábado, 18 de agosto de 2012

Quebrando regras, fazendo história , As mulheres nas Olimpíadas - De Londres, Aylê-Salassié





( London Bridge UCB News)



Mesmo acrescido do boxe feminino e do aumento da participação de atletas femininas árabes, não foi ainda desta vez que o número de mulheres atletas foi maior que o de homens em Olimpíadas. Em Londres, elas somam 4.725 mulheres (45%) contra 5.775 atletas masculinos (55%) . A superação da presença masculina pelas mulheres estava prevista, em quase todas as projeções especializadas, para as Olimpíadas de 2012, em Londres. Isso não aconteceu.



Contudo, considerando que apenas 23 por cento dos atletas olímpicos nos Jogos de Los Angeles (1984) eram mulheres, e que esse número saltou para 42 por cento em Pequim (2008), o avanço da participação feminina em competições olímpica tende superar o dos homens . Londres teria esta marca, justamente por causa da inclusáo de boxe feminino e da gradativa flexibilizaçao dos preceitos religiosos islâmicos contra a presença feminina no esporte no mundo árabe.Mas, o registro dessas duas incorporações as modalidades olímpicas entrarão, sem dúvida, definitivamente para o esporte olímpico a partir de Londres 2012.



“Last in the race but pioneer for history” (“Ficou em último lugar, mas em primeiro na história”), foi o título de um dos jornais de Londres, hoje homenageando a atleta Sara Attar que, contrariando as leis islâmicas, pela primeira vez, uma mulher da Arábia Saudita participa das Olimpíadas. Ela foi advertida, inclusive, de que seria banida do esporte em seu país se o Comitê Olímpico Internacional não a permitisse correr. “Eu quero fazer a diferença, e subir este primeiro degrau dá um sentimento incrível do cumprimento do dever histórico”, desafiou.



O Brasil também deixou a sua marca pioneira em Londres ,no boxe feminino, por meio de Adriana Araújo, ao conquistar o bronze na categoria até 60kg no boxe. Para chegar a ele, igual à Attar e mais uma de suas colegas - a judoca Seraj Abdulrahim Shaherkani - Adriana sofreu muitas críticas e humilhações, conforme confessou em entrevista coletiva. Attar e Shaherkani quebraram regras inclusive olímpicas, ao serem autorizadas a competir com a cabeça coberta por um lenço.



A mídia critica as ordenações religiosas, mas tem também seus preceitos ou preconceitos. Pelo que vê aqui, ela dá mais atenção aos atletas homens, ressaltando suas qualidades físicas; as torcidas, sim, estas simpatizam-se mais com as atletas mulheres. Talvez por considerá-las também vencedoras, embora mais frágeis, mais delicadas e lindas. Tem atleta aqui suando debaixo de um sol terrível, que vence qualquer concurso de beleza.



O ponto crucial dessas diferenças parece ser o dinheiro. Os patrocinadores investem mais nos homens, comentava hoje um analista de marketing. Já em 2010, a revista Forbes publicara uma reportagem, em que mostrava os atletas mais bem pagos do mundo, e incluía entre eles jogadores de tênis, como Maria Sharapova. No Brasil o esporte feminino sofre, que o diga a Marta, melhor jogadora de futebol do mundo, em quatro ocasiões, que sempre teve de atuar fora no País, para poder financiar suas atividades esportivas. Estão aí, portanto, alguns desafios que, quebrados no Rio de Janeiro em 2016, poderao ser uma das marcas do Brasil nas Olimpíadas.

Nascimento de bebê salva mãe de anorexia

Matthew salvou a vida da mãe, Laura Wilson, que sofria de anorexia e chegou a ser internada em uma clínica psiquiátrica, mas não conseguia se livrar da doença


Postada em: 12/08/2012 ás 18:25:19 Link:

Antes mesmo de nascer, Matthew salvou a vida da mãe, Laura Wilson, que sofria de anorexia e chegou a ser internada em uma clínica psiquiátrica, mas não conseguia se livrar da doença. Em março do ano passado, quando descobriu que estava grávida de sete meses, apesar de ter ficado cinco anos sem menstruar por conta da doença, Laura pôs rédeas em sua dieta radical e passou a se dedicar à própria saúde e ao bebê.

“Eu vejo o nascimento de Matthew como uma intervenção divina. Ele é um menino iluminado e feliz e eu o adoro. Meu bebê milagroso está salvando a minha vida todos os dias”.



Os problemas de Laura com sua aparência começaram quando seu marido, Philip, a pediu em casamento. Ansiosa para estar perfeita no grande dia, ela iniciou uma cruzada pela magreza que se transformou em doença: “Eu sobrevivia só com café e coca diet, e fazia 700 abdominais por dia”, contou ela ao jornal Daily Mail, do Reino Unido. “Comia uma refeição às 10h30 em ponto, e sempre cinco feijões verdes e uma barrinha de chocolate”.



O ponto mais crítico da doença chegou depois do casório. Ela voltou da lua de mel na Tailândia com apenas 31 quilos, depois de ter se alimentado com apenas duas fatias de abacaxi durante a viagem, que o jornal não informa quanto tempo durou.



Mesmo em estado grave, ela se recusava a aceitar tratamento, o que só mudou quando foi recusada ao tentar obter uma vaga num curso de formação de professores, com 21 anos.



“Meu corpo e mente estavam morrendo e eu estava tão fraca que não tinha as mesmas emoções que as outras pessoas”.



Ao ser tratada, ela ganhou peso, mas ouviu que jamais conseguiria ter filhos, porque tinha ficado cinco anos sem menstruar. Apesar disso, em março do ano passado, ela buscou uma unidade de saúde porque sentia seu estômago doendo e “se movendo” e descobriu que já estava no sétimo mês de gestação.



“Eu fui literalmente de passar fome a comer toda a comida nutritiva que podia. Eu tinha muito medo de que o bebê tivesse sido afetado pela minha dieta extrema e meu regime de exercícios. Eu sabia que tinha que fazer algo pela minha saúde. Se fosse preciso comer três refeições e não me exercitar, eu faria”.




Foto: Reprodução da internet / Daily Mail Fonte: Extra Online Postador: surgiu.com (abr)

http://surgiu.com.br/noticia/45195/nascimento-de-bebe-salva-mae-de-anorexia.html

Corpo feminino: a construção da midia ?

Introdução




Este texto apresenta alguns resultados do projeto de pesquisa intitulado “Processos Midiáticos: Gênero e Cultura”. A pesquisa se constituiu de três etapas, o levantamento do referencial teórico, a coleta e análise de anúncios publicitários de calçados femininos; a organização de grupos focais com mulheres a fim de identificar suas opiniões a respeito dos textos selecionados. De posse desses resultados, pôde-se identificar a imagem feminina que as campanhas publicitárias veiculam, bem como verificar as opiniões das mulheres entrevistadas. Discutindo, assim, o uso de anúncios publicitários como manuais estéticos contemporâneos.



Corpo feminino



O corpo feminino tem sido um dos produtos mais oferecidos pela publicidade, e com grande sucesso. E esse corpo vem recoberto de uma série de exigências que perpassam pela estética e pela moda, aproximando-se daquilo que é considerado o ideal do grupo, inclusive expondo modificações culturais das sociedades.



Percebe-se que o corpo feminino, muito mais que o masculino, tem evidenciado as evoluções pelas quais as sociedades têm passado, pois é nele que se percebe, com clareza, através de sua leitura, tais modificações.



De acordo com Peruzzolo (1998):



Quando o indivíduo olha um corpo através dos sistemas de circulação dos sentidos no grupo cultural, ele vai interpretar esse objeto ou evento como um “corpo” (humano) e não com um amontoado de linhas, formas, pedaços, cores, cheiros, etc, como se não fosse um caos de informações. Um “corpo” é uma construção social e cultural, cuja representação circula no grupo, investida duma multiplicidade de sentidos. Esses sentidos por vezes reafirmam, por outras se ampliam ou remodelam e por, outras ainda, enxugam ou, mesmo, desaparecem. Mas de qualquer forma, as representações se formam de acordo com o desenvolvimento humano num dado contexto sócio- histórico.(Peruzzolo, 1998: 86)



A percepção da existência do corpo da mulher ocorreu quando ela saiu da obscuridade para o visível, criando uma série de fatos que até então não haviam acontecido, pois as mulheres detinham-se ao espaço de suas casas, ao privado. E, com essa saída de casa, viu-se algo de interessante, o corpo feminino foi desvelado, desejado e, muitas vezes, utilizado como objeto nos veículos de comunicação, para vender quaisquer produtos, apontando, necessariamente, para um padrão estético o qual é recomendável que seja seguido pelos indivíduos.



É importante mencionar que, nesse processo, os indivíduos, e, principalmente a mulher, desejam seguir os padrões estéticos ditados na sociedade, seguindo normas impostas, as quais nem sempre são fáceis de serem alcançadas, pois exigem imenso esforço por parte do indivíduo a fim de reproduzi-las.



Considerando-se a presença dessas orientações, ao longo das décadas, pode-se realizar uma breve retrospectiva histórica, considerando-se, por exemplo, a mulher da década de 30, a qual deveria ser magra, bronzeada e esportiva. O visual sofisticado de muitas atrizes foi imitado por outras mulheres, como o caso de Greta Garbo, a qual possuía sobrancelhas e pálpebras marcadas com lápis e pó facial bem claro. A cintura era bem marcada, e os sapatos deveriam ser de salto alto, outro acessório usado freqüentemente eram as luvas, as peles e muitas jóias.



Na década de 50, o sapato de salto-agulha foi muito utilizado pelas mulheres, além do salto-choque, encurvado para dentro, além do bico chato e quadrado, entre muitos outros. Com esses exemplos, vê-se que a mulher segue regras estéticas há muito tempo.



A partir da década de 60 as mulheres brigaram por maior independência na sociedade, no entanto, ao invés dela ver-se livre de regras sociais, e comportamentais, o que parece ter acontecido é, na verdade, outra forma de aprisionamento. Anteriormente, a maioria das mulheres deveriam prestar contas ao pai, e, após o casamento, ao marido, todavia, depois que seu corpo foi exposto, a cobrança passou a ser muito maior, porque ela deveria prestar contas, também, à sociedade, responsável pela elaboração/manutenção dessas orientações.



A excessiva preocupação com o corpo se intensificou, principalmente, a partir da década de 80. E a procura por um corpo perfeito iniciou-se com preocupação em manter rituais saudáveis como a boa alimentação, a prática de exercícios, uma vez que o corpo não mais foi visto, simplesmente, sob a perspectiva da Biologia, das Ciências Naturais, ou seja, um organismo que cumpre uma série de funções orgânicas. O surpreendente é que a atenção maior, muitas vezes, é dada à possibilidade do corpo servir como precioso veículo para a manifestação de uma série de preocupações e características e reflexos sociais das épocas.



E, hoje, ainda que se busque a aceitação das diferenças, conforme mencionado por Alves e Pitanguy (1991), o que se percebe é a reprodução de certos padrões que são sugeridos às mulheres. E esses padrões referem-se, principalmente, à maneira de se comportar, de se vestir, insinuando, inclusive, a forma que o corpo feminino deve ter. A propagação destes padrões desejados/sugeridos pelos grupos, atualmente, é realizado, muitas vezes, pela publicidade, que se coloca como um canal poderoso que chega aos grupos de maneira muito eficiente, gerando, algumas vezes, mudanças de comportamento.



Então:



É importante ter em mente que a figuração do corpo humano como dispositivo de produção de sentido, na mídia e fora dela, não é algo isolado nem no tempo nem no espaço e não está aí sequer por vontade expressa de ninguém nominável. Como produto cultural do tempo das mídias, o fenômeno está sujeito ao jogo das forças inonimáveis dos processos sócio-históricos que constroem a cultura e possibilitam a sua integração nela, fazendo a sua vivência.( Peruzzolo, 1998: 12)



E, segundo Del Priore (2000), a banalização da beleza fez com que a maioria da população feminina consumisse uma imagem que, para grande parte da população brasileira é um ideal difícil de ser alcançado. Uma vez que a publicidade, além de vender o produto, vende também, simbolicamente, valores e imagens que os receptores passam a desejar.



Conforme Kellner:



(...) indica que a propaganda está tão preocupada em vender estilos de vida e identidades socialmente desejáveis, associadas a seus produtos, quanto em vender o próprio produto – ou melhor, os publicitários utilizam constructos simbólicos com os quais o consumidor é convidado a identificar-se para tentar induzi-lo a usar o produto anunciado. (Kellner, 2001: 324)



E o uso, como sustentação, do corpo humano para venda de produtos/valores, sugere a utilização de certos bens de consumo, como maquiagem, roupas, cremes, alimentos, entre outros produtos. Entretanto há a intensa presença de anúncios publicitários que se valem da utilização de corpos simplesmente como alegoria para o produto vendido, não existindo nenhuma relação entre o objeto vendido e o corpo exibido.



O corpo, considerado como texto, apresenta uma série de significações, e pode representar a cultura dos grupos, reconhecida a partir das características desses corpos. E, a partir da alteração das relações sociais e culturais, os corpos também são alteradas, refletindo esses momentos, segundo Baitello Jr.



A publicidade



O reconhecimento da necessidade de propaganda surgiu partir da existência de uma população com recursos considerados acima do nível de subsistência, a qual poderia adquirir produtos considerados desnecessários. É somente no século XVIII que se consolida, na Grã-Bretanha, esta população.



Para Vestergaard/Schroder (2000), no século XIX, com o desenvolvimento da tecnologia e das técnicas de produção de massa, surgiu a superprodução de mercadorias, mas sua demanda ainda era pequena.



A expansão da publicidade deu-se no século XX, principalmente com o advento da televisão, o que possibilitou aos consumidores maior contato com os produtos oferecidos pelas empresas. Além disso, outro importante fator para o crescimento da publicidade na Europa dos anos 50 do século passado, foi o grande desenvolvimento econômico pós-guerra, gerando, assim, consumidores com potencial de compra.



Quando se discute a publicidade, algumas idéias logo surgem, e entre elas a de sedução, e a de manipulação, ou seja, a publicidade como um eficiente recurso para, após a identificação de prováveis necessidades, ou desejos dos indivíduos, servir como uma ferramenta para influenciar seus receptores a adquirirem produtos, necessitando ou não deles.



(...) a mensagem publicitária cria e exibe um mundo perfeito e ideal, verdadeira ilha da deusa Calipso, que acolheu Ulisses em sua Odisséia – sem guerras, fome, deterioração ou subdesenvolvimento. (Carvalho, 1996: 11).



O mundo sugerido pelos anúncios publicitários, normalmente, apresenta um lugar diferente da realidade vivenciada pelos receptores desses anúncios, pois que está presente na publicidade, o encanto, e, talvez, até mesmo um mundo de faz-de-conta, para o qual o receptor é convidado a participar, através da aceitação ou compra do produto.



Diante da perfeição desse mundo, é impossível que o indivíduo não sinta motivação ao consumo de produtos oferecidos nas propagandas, pois, com eles, será possível, também, adquirir certos bens simbólicos que estejam agregados àqueles bens. Assim sendo, a publicidade não quer vender somente a mercadoria, mas quer, também, comercializar conceitos de vida que serão adquiridos pelo comprador, a partir do momento em que ele se dispuser a gastar o valor necessário para adquirir o bem em questão.



Organizada de forma diferente das demais mensagens, a publicidade impõe, nas linhas e entrelinhas, valores, mitos, ideais e outras elaborações simbólicas, utilizando os recursos próprios da língua que lhe serve de veículo, sejam eles fonéticos, léxico-semânticos ou morfossintáticos (Carvalho, 1996: 13).



A publicidade, então, trabalha com os sonhos, ela, apesar de se constituir a partir de uma realidade, um objeto ou de algo a ser vendido, segue para a esfera do desejo, do onírico, escapando dos limites da realidade e construindo um mundo próprio, mas que irá ao encontro dos desejos do receptor. Sugere, então, ao receptor, a possibilidade de satisfação dos desejos de sua vida diária. Acontece que essa fuga da realidade não possibilita ao receptor sua liberdade, pelo contrário, insinua o aprisionamento, pois é um recurso para o conformismo com a realidade (Severiano, 2001).



E, algumas vezes, o receptor tem a consciência da impossibilidade do alcance dessa ideal sonhado, mas acredita que num “futuro” poderá encontrar o que busca (Vestergaard/Schroder, 2000), e aí se estabelece uma procura constante, podendo, até mesmo, ser chamada de eterna, porque dificilmente alcançada.



Ao mesmo tempo em que a publicidade possibilita a construção de sonhos, de fantasias, ela tem como objetivo a venda de uma imagem, a qual virá concretizada através de um produto ou serviço. A busca por essa fantasia, por essa imagem de irrealidade, mas extremamente sedutora, é freqüente, fazendo com que o receptor esteja constantemente vinculado a essas propagandas, porque o ideal que ele almeja dificilmente será alcançado, em virtude dos truques utilizados em anúncios publicitários (photoshop, dublês, maquiagem...)



Esses aconselhamentos tornam-se algozes que exigem a assimilação de certas características, as quais tornar-se-ão o alicerce para a elaboração de identidades, que variarão de acordo com o grupo de indivíduos. Então, o indivíduo deixa de ser somente o seu grupo, mas passa a ser, também, os conselhos, dicas, definições e tudo o mais que a publicidade insinua. O grupo passa a assumir a identidade sugerida pelo anúncio, admitindo, algumas vezes, características, gostos, idéias que nem passavam por sua cabeça, mas que foram incutidos através da publicidade que o alcança.



O anúncio propõe, portanto, uma troca de identidades ao destinatário entre a sua identidade enquanto“ser no mundo” e a identidade projectada de um destinatário, “ser do discurso” Ao propor esta troca, o anúncio diz-nos quem somos e como somos, ou seja, fixa os contornos da nossa própria identidade(...). (Pinto, 1997: 31).



E, através dos textos e das imagens postas nas publicidades, somos levamos a agirmos, pensarmos e, até mesmo, sermos de uma certa maneira, de acordo com o que é sugerido na propaganda. Então, o que inocentemente nos parece uma possibilidade de escolha, de ação; na verdade é uma orientação ao modelo que deve ser seguido, ou às atitudes que devem ser tomadas em determinado momento. Pinto (1997) afirma que, muitas vezes, os produtos passam de criaturas para criadores; isso quer dizer que, na verdade, o produto é que criará em seu consumidor certas qualidades, ou melhor, o indivíduo é orientado pelos produtos, e não o contrário.



Pinto sugere, inclusive, que a publicidade poderia vender, também, as identidades dos indivíduos, pois, deve-se considerar a presença do espelhamento nas publicidades.



Todo esse movimento de aceitação dos ideais propostos pela publicidade, tem sido cada vez mais forte, e as pessoas, na maioria dos casos, não conseguem romper com essa estrutura, porque exigirá ir “contra a corrente”, ou seja, estar na marginalidade, no limite. Porque, apesar de trabalhar com a fantasia, o devaneio, o ideal que as pessoas almejam a publicidade consegue, também, refletir os conceitos que estão presentes e que pairam sobre as sociedades (Vestergaard/Schroder, 2000).



E é claro que a mulher somente conseguirá adquirir as características apresentadas nos textos publicitários, consumindo, não só os produtos, mas também, os aconselhamentos estéticos, morais, de moda, evidenciados nesses discursos.



As campanhas publicitárias selecionadas para servir como corpus desta pesquisa apontam para um “modelo” de corpo que deve ser esguio, saudável, livre de quaisquer tipos de males comuns às mulheres (celulite, gordura localizada, manchas na pele, etc.), além disso, ela deve, necessariamente, manter-se jovem e sedutora.



A intenção da formação dos grupos focais foi a verificação, por parte das mulheres entrevistas, da aceitação ou não dos padrões estéticos expostos nos anúncios recolhidos. Questionando-se, também, a resignificação dos aconselhamentos, por parte dos grupos femininos, em relação ao conteúdo apresentado pela publicidade.



A percepção feminina dos anúncios de sapatos



Observando as questões anteriores, bem como análises realizadas de algumas campanhas, optou-se pela busca da opinião da consumidora em relação ao papel feminino anunciado nas campanhas de calçado, bem como a visão particular da mulher na contemporaneidade.



A fim de estabelecer esta conexão entre análises teóricas e recepção dos anúncios, foram entrevistados três grupos de mulheres. Cada um dos grupos composto por mulheres da região do Vale do Sinos1, ou seja, pessoas que poderiam ser interpeladas pela mídia local, recebendo anúncios das empresas dessa região.



A opção por esta metodologia ocorreu porque os grupos de foco geram discussão, revelando tanto os significados presumidos pelas pessoas no tópico de discussão, como a maneira pela qual elas negociam esses significados. Os grupos de foco geram diversidade e diferença, dentro ou entre os grupos, e, por isso, revelam de maneira mais evidente as opiniões dos indivíduos pesquisados.



O universo que fez parte dos grupos focais, foi composto de mulheres na faixa etária dos 18 aos 50 anos, economicamente ativas, ou não. Nos anúncios selecionados para apresentar aos grupos focais, é possível verificar a idéia de aprisionamento, enunciada por Vestergaard/Schroder(2000), o qual utiliza a metáfora da “camisa-de-força da feminilidade”, para retratar a forte tendência que a maioria das mulheres seguem em relação aos padrões estéticos e comportamentais reiteradamente, apresentados pela mídia.



Os grupos entrevistados apontaram para a representação de uma mulher requintada nesses textos, requinte representado pelo figurino e pelo uso de muitas jóias. Outro aspecto percebido pelas entrevistadas foi um certo “ar de vulgaridade”, expresso em alguns desses anúncios, mencionando a distância existente entre a mulher anunciada nos textos publicitários e a mulher real. Além disso, as entrevistadas afirmaram que a imagem retratada na mídia não é a imagem que elas próprias têm de si, ou seja, fica aquém de suas expectativas, pois há a presença do estereótipo da mulher fatal, que por vezes pode ser sofisticada, outras vezes é apelativa, beirando o banal.



Outro aspecto interessante da publicidade e que foi discutido com o grupo focal é o padrão estético feminino atual. Como afirma Del Priore: “É o culto ao corpo na religião do indivíduo em que cada um é simultaneamente adorador e adorado.(...) Quem não o modela, está fora, é excluído” (2000, p. 92). Sabe-se que desde o início da Pós-Modernidade, o corpo assumiu um lugar de destaque, ou seja, deixou de ser simplesmente invólucro da alma, dos sentimentos. O corpo tornou-se um instrumento precioso para a auto-afirmação nos grupos sociais, podendo-se mencionar a existência de um imaginário sobre as formas que tais corpos devam assumir.



As mulheres entrevistadas percebem essa exigência e reagem a esse modelo, dizendo que o corpo esguio sugerido pela mídia está longe do corpo feminino brasileiro, assemelhando-se muito mais ao corpo da mulher européia. E, lembram, também, a exigência de um corpo perfeito, sem marcas, sem rugas, sem gorduras. Além disso, estas mulheres têm consciência da mestiçagem que deu origem ao corpo feminino brasileiro, bem como a ausência de sua representatividade nos anúncios publicitários.



Outro aspecto muito interessante é o fato de os modelos das campanhas lembrarem um determinado grupo social, a classe alta, sugerindo que os produtos são produzidos para mulheres de grande poder aquisitivo, quando, na verdade, sabe-se que tais produtos são vendidos em diferentes lojas, de diferentes padrões sociais.



E esta percepção, relatada na fala anterior pode ser associada ao acesso ao poder simbólico, que têm aquelas pessoas que fazem parte de determinadas classes social, a dominante. Ou seja, a cultura dominante, através do poder simbólico, legitima as diferenças e as semelhanças (Bourdieu, 1998).



Então, o que muitas vezes parece ser um simples anúncio de calçados, é, também, um precioso instrumento para apontar, reforçar, instituir características físicas, sociais, de classe, de gênero, que são perceptíveis, sim, pelos públicos receptores. E, muitas vezes, reproduzidos por esse mesmo público, na tentativa de conectarem-se ao grupo desejado. Também são, na maioria das vezes, admitidos, pois a mídia impressa passa, nos dias de hoje, como já mencionado, a exercer a função de “manual de boas maneiras e mobilidade na sociedade”.



Percebe-se, então, que realmente há a instauração de padrões estéticos, comportamentais, considerando a aparência do indivíduo, mesmo que este tenha recursos financeiros, isto não é suficiente, ele realmente necessita mostrá-lo. É um jogo de aparências que vale muito mais que a realidade, o qual foi reconhecido e algumas vezes reproduzido pelas mulheres entrevistadas, de acordo com suas próprias palavras.



É surpreendente perceber que atualmente a publicidade, pelo menos para este grupo de mulheres, não está alcançando seu objetivo principal que é persuadir o indivíduo a comprar o produto. Ou seja, o que ocorre é um grande desencontro entre os produtos anunciados e os que realmente existem nas lojas, o que faz com que os consumidores desistam de considerar a publicidade como veículo confiável.



Segundo as entrevistadas, as campanhas publicitárias deveriam ser repensadas, pois é a mulher, na maior parte dos lares brasileiros, que realiza as compras, e não só isso, mas é a mulher que está tendo a tarefa de sustentar o lar, pois já muito grande o número de mulheres que recebem mais que seus companheiros. Além disso, o grupo de mulheres economicamente independentes, que espera uma publicidade que as veja como um grande público disposto a consumir, aumentou muito nos últimos anos.



Essas mulheres entrevistadas têm consciência de seu poder de compra, e estão esperando por campanhas publicitárias que as trate com respeito, que levem em consideração que são mulheres que estão comprando para a casa, mas para si também. As características femininas desejáveis e mencionadas pelas entrevistadas foram: independente, batalhadora, determinada, ou seja, a mulher tem consciência de como é, e gostaria de ver refletidas nas campanhas publicitárias tais características, despreocupando-se, então, tanto com os padrões físicos.



Considerações finais



Aparentemente, a publicidade ainda exerce forte influência sobre os públicos consumidores, entretanto o público entrevistado, as mulheres, têm o poder de compra, que passou da exclusividade das mãos masculinas para um grande número de mãos femininas. E, diante de tais mudanças, é necessário que as campanhas modifiquem-se, pois uma constante na fala das mulheres é que os anúncios parecem ser realizados especificamente para homens.



São anúncios de cremes com mulheres exacerbando sensualidade, seus corpos quase nus, e tais corpos apontam para mulheres fatais, que tem formas perfeitas, corpos construídos para a sedução, para a satisfação estética de que os vê. Um corpo que decididamente não retrata o corpo da mulher “comum”. Sabe-se, inclusive, do relato de fotógrafos sobre o uso de ferramentas como o “photoshop” para corrigir certas imperfeições dos corpos dos modelos. O que distancia cada vez mais as mulheres reais das mulheres presentes em anúncios publicitários.



E o produto que passou a ser mais consumido nas campanhas é o corpo feminino, situação discutida por Baudrillard (1970), o qual afirmava ser o corpo o mais belo objeto de consumo. Entretanto, é um consumo que está sendo questionado, considerando as respostas dadas à pesquisa. Ou seja, a mulher tem consciência de que o corpo está sendo “vendido”, e muitas delas mostraram que tal formato de publicidade já não funciona mais de maneira tão eficiente.



A exigência de uma mulher dentro do padrão estético atualmente veiculado pela mídia, é inaceitável, pois as mulheres brasileiras sofrem a influência de várias raças, constituindo-se em uma forte mestiçagem, o que construiu um corpo que de longe se aproxima dos padrões tão valorizados nas campanhas, que são mulheres altas, com pernas longas e esguias, extremamente magras, semelhantes a bonecas do tipo Barbie.



A maioria das peças utiliza estereótipos femininos, como o da mulher fatal, ou da dona-de-casa, os quais, pode-se perceber que deixa as mulheres pesquisadas insatisfeitas.



A mulher necessita, obrigatoriamente, ser bela, ser inteligente, ser bem sucedida profissionalmente e financeiramente, ou seja, aparentar a perfeição desta época, que é vista através dessas características. E, como conseguir tal feito? As campanhas publicitárias mostram para essas mulheres que isso é possível, através do uso de certas roupas, sapatos, produtos para embelezar o corpo, os cabelos, material para ginástica, enfim, todos os recursos necessários para que a mulher comum se transforme em “mulher maravilhosa”.



As campanhas de calçado, atualmente, têm apresentado em suas imagens muito mais os corpos dos modelos que os produtos a serem vendidos, os sapatos. Observou-se que, principalmente nas campanhas dos meses de verão, o corpo é o produto a ser vendido, e o sapato é um adereço para enfeitar o produto que realmente está à venda, a imagem da mulher atual.



Observou-se, também, que as campanhas de inverno trouxeram o mesmo elemento orientador das campanhas da outra estação, ou seja, o corpo feminino em evidência, vendido como produto. Além disso, certos conceitos também são apresentados como produtos a serem consumidos pelas compradoras da mercadoria ofertada, conceitos que também são avidamente consumidos e desejados (beleza, elegância, riqueza, sucesso...).



O corpo vendido sempre é um corpo que tangencia magreza e altura extremas, perfeição nas formas, na pele, enfim, um corpo que se tornou o sonho da maioria das mulheres, mas que, por outro lado, tornou-se, também, o algoz dessas mulheres, porque é praticamente inalcançável para grande parte da população feminina brasileira.



Nota



Região compreendida entre a capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, e a Serra gaúcha, composta por 14 municípios.



Referências bibliográficas



BAITELLO JR, Norval. As imagens que nos devoram. Antropologia e Iconofagia. Capturado em www.cisc.org.br, acesso em 26 de agosto de 2005.



BAUDRILLARD, Jean. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1995.



BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 5. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.



Carvalho, Nelly de. Publicidade: a linguagem da sedução. São Paulo: Ática, 1996.



Del Priore, Mary l. Corpo a corpo com a mulher: pequena história da transformação do corpo feminino no Brasil. São Paulo: Senac, 2000.



Durand, Gilbert. O imaginário – Ensaio acerca das ciências e da filosofia da imagem. Rio de Janeiro: Difel, 1999.



GHILARDI-LUCENA, Maria Inês. Representações do Feminino. Campinas/SP: Átomo, 2003.



JAMESON, Fredric. A cultura do dinheiro: Ensaios sobre a globalização. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2001.



KELLNER, Douglas. A cultura da mídia. Bauru, SP: EDUSC, 2001.



MAFFESOLI, Michel. No fundo das aparências. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1999



PERROT, Michelle. As mulheres e as suas imagens: ou o olhar das mulheres. In:



Pinto, Alexandra Guedes. Publicidade: um discurso de sedução. Porto: Porto Editora, 1997.



Peruzzolo, Adair Caetano. A circulação do corpo na mídia. 1. ed. Santa Maria: UFSM, 1998.



Severiano, Maria de Fátima Vieira. Narcisismo e publicidade: uma análise dos ideais do consumo na contemporaneidade. São Paulo: Annablume, 2001



Vestergaard, Torben. Schroder, Kim. A linguagem da propaganda. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.



http://www.efdeportes.com/efd120/corpo-feminino-construcao-da-midia.htm

As medidas da mulher perfeota

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Conheça Valeria Lukyanova, a Barbie da vida real






Valeria Lukyanova é uma mulher com uma aparência bastante incomum: é difícil não olhar para ela sem que a palavra “Barbie” venha à cabeça. A garota russa, de 21 anos, se tornou uma espécie de celebridade em seu país.



Com um corpo de proporções que você normalmente só veria em uma boneca, muitas pessoas acreditam que isso seja produto de muitas cirurgias plásticas. Mas, segundo o Oddity Central, Valeria diz que tudo o que ela fez foi colocar silicone. Ainda assim, a dúvida continua.



Afinal, seria ela mais resultado de muitas cirurgias, maquiagem ou até mesmo Photoshop? Ou será que ela está falando a verdade?


http://planetvip.wordpress.com/2012/04/30/conheca-valeria-lukyanova-a-barbie-da-vida-real/














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Curvas da Barbie são desproporcionais as de uma mulher real





Katie Halchishick, idealizadora da Healthy Is The New Skinny, mostrou as diferenças entre a Barbie e a vida real

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Comentar 22Se você sempre sonhou em ter o corpo da Barbie, esqueça! Uma foto polêmica publicada no perfil do Twitter So Bad, So Good chama a atenção para as diferenças entre as curvas da boneca e a vida real. A imagem mostra que as a Barbie é desproporcional se comparada a um corpo feminino. As informações são do Huffington Post.



A mulher na foto é Katie Halchishick, idealizadora da Healthy Is The New Skinny, uma organização dedicada a "revolucionar a forma como pensamos, falamos, vivemos e amamos os nossos corpos".



Essa não é a primeira vez em que a Barbie é apontada com proporções irreais. Entre as principais diferenças estão o queixo pontudo da boneca, os olhos gigantes e um pescoço fino que é praticamente incapaz de sustentar
fonte:http://beleza.terra.com.br/corpo-em-forma/curvas-da-barbie-sao-desproporcionais-as-de-uma-mulher-real,f0cfa4568a109310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Pesquisas comprovam a importância da atividade física após lipoaspiração



em: 07/08/2012

.Rotina garante minimizar, não só a gordura subcutânea, que está localizada logo abaixo da pele, mas também a gordura visceral, que oferece mais riscos à saúde e está presente entre os órgãos abdominais
Considerada uma das cirurgias plásticas mais realizadas no Brasil, com aproximadamente 45% do total dos procedimentos estéticos segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a lipoaspiração é um dos meios mais populares do mundo para remover gordura localizada e ideal para as pessoas que têm excesso de gordura localizada em áreas específicas do corpo. Novos estudos, no entanto, mostram que, com uma rotina regular de atividade física, os resultados do procedimento podem ser potencializados e até mesmo proporcionar outros benefícios, como proteger órgãos internos da temida gordura visceral, extremamente prejudicial à saúde, pois pode provocar doença arterial, entre outros malefícios.

A cirurgia de lipoaspiração, aparentemente, é muito simples. É utilizado um instrumento chamado de cânula ligado a um aparelho de sucção a vácuo, que realiza a quebra e a sucção da gordura, normalmente localizada na parte abaixo da pele, denominada camada subcutânea. Um estudo recente afirma que o procedimento, embora retire a gordura subcutânea, pode desencadear um aumento compensatório de gordura visceral, que é efetivamente combatido pela atividade física.

O Cirurgião Plástico Marcelo Wulkan, lembra que, há pouco tempo, em um estudo pioneiro realizado por pesquisadores da University of Colorado, mulheres sedentárias que tinham feito lipoaspiração na gordura subcutânea em coxas e abdômen recuperaram toda a gordura dentro de um ano, e parte dessa nova gordura foi da variedade visceral. “Diante desse resultado, a lipoaspiração pode, potencialmente, desencadear um aumento compensatório de gordura visceral. Portanto, para as pessoas que se submetem a esse procedimento, é imprescindível que se exercite após a cirurgia”, comenta o médico.



Estudo brasileiro

Pesquisadores da Universidade de São Paulo também realizaram uma importante pesquisa acerca da importância da atividade física após o procedimento de lipoaspiração, cujo resultado aparece na edição de julho do The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism. Os resultados do estudo mostraram que nos primeiros quatro meses após a cirurgia, metade das mulheres tinha recuperado a gordura, especialmente gordura visceral, em cerca de 10%, em comparação com antes da cirurgia. As mulheres que se exercitaram, entretanto, recuperaram pouca gordura e nenhuma gordura visceral nova. “Esse novo estudo, desta forma, veio ao encontro do já fazíamos, ou seja, manteremos nossa orientação de sempre, enfatizando que a saúde clinica global é mais importante que o aspecto estético final. A saúde deve ser respeitada e agora, mais do que nunca, temos provas científicas disso”, finaliza o cirurgião.

http://www.plasticaebeleza.com.br/viva-melhor/2012/08/pesquisas-comprovam-a-importancia-da-atividade-fisica-apos-lipoaspiracao/

Estetica tambem incomoda aos homens

Muitos homens sentem vergonha de se exporem em público, sem a camisa, por um ponto puramente estético, como é o caso das mulheres. Mas isto não ocorre apenas por eles serem gordinhos ou magros demais. São rapazes, jovens e senhores, que se sentem incomodados com a glândula mamária que está saliente no corpo.


Geralmente elas não se desenvolvem nos homens, porém, algumas vezes podem aparecer e se destacar por alterações hormonais sofridas ou pelo excesso de peso. “Pode não importar, mas isto causa um grande desconforto estético e emocional. Fere aquilo que eles chamam de masculinidade”, conta Arnaldo Korn, diretor do Centro Nacional – Cirurgia Plástica.



A cirurgia plástica conhecida por resolver este problema masculino é a Ginecomastia. Apesar de parecer complexa e de ter certos cuidados, não é uma cirurgia que demore muito a ser feita, por isso o paciente fica internado na clínica apenas no dia em que ela será realizada. Dependendo do caso, qualquer um pode fazer.



A cirurgia de correção é feita por uma incisão, de uma maneira muito discreta ao redor da aréola, local onde a pele do homem é mais escura. O excesso de gordura, caso houver, é resolvido com uma pequena lipoaspiração local e se necessário, o tecido mamário é removido com bisturi. Os pontos são feitos com fios de mononylon, que reduzem ao mínimo os vestígios da cirurgia. Em outras palavras, a cicatriz não fica aparente.



“Nos primeiros 30 dias o paciente deve utilizar uma faixa elástica com pressão. E logo o homem poderá voltar ao trabalho, em questão de dias, dependendo das atividades exercidas com o braço, que, aliás, são muito recomendadas neste caso.”, afirma o diretor. A drenagem linfática pode ser uma boa indicação neste tipo de pós-operatório.



Vale lembrar que o resultado é excelente, mas que só após seis meses é que se pode dizer que está definitivo. A Ginecomastia custa entre R$ 3mil e R$ 7 mil reais e grande parte da população masculina não tem condições de pagar estes valores. Para isso existe o Centro Nacional – Cirurgia Plástica, um intermediador administrativo-financeiro, que ajuda o paciente a encontrar as melhores formas de pagamento junto a uma instituição médica ou cirurgiões profissionais.



Para mais informações acesse o site www.plasticaparcelada.com.br .

http://londrina.odiario.com/blogs/vita/2012/08/09/estetica-tambem-incomoda-aos-homens/

Cirurgia plástica pode ajudar a melhorar relacionamento entre casais

09/08/2012 - 06:42- Terra

Conversar, viajar e passar por sessões de terapia são algumas das maneiras que podem ajudar um casal a fortalecer os laços de união. Ao que parece, as cirurgias plásticas com finalidades cosméticas parecem ter se juntado à essa lista. De acordo com uma pesquisa, o número de parceiros que se submetem a operações ao mesmo tempo está cada vez maior. As informações são da rede de televisão ABC, que foram repercutidas pelo jornal inglês Daily Mail.



David Robinson, casado há 18 anos, decidiu dar uma recauchutada nas formas do rosto, quando agendou uma lipoaspiração na papada, para acompanhar sua mulher, Heather, que passaria por uma lipo na barriga. "Vida feliz, mulher feliz, certo?", disse durante a entrevista para justificar o motivo da plástica.



Segundo o cirurgião Anthony Youn, de Michigan, nos Estados Unidos, cada vez mais casais têm feito o mesmo. "Muitos casais querem fazer as coisas juntos, viajar juntos, criar os filhos juntos e agora estão entrando na faca juntos também", disse. O número de homens que está fazendo plástica mais do que dobrou nos últimos anos, segundo a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos.



O casal entrevistado pela ABC disse que os 18 anos de união têm sido ótimos, mas que causaram estragos no corpo, que são difíceis de corrigir. David engordou mais de 20 kg e Heather acumula gordura abdominal depois de quatro gestações. "Se vissem como era quando nos conhecemos... Acho que ela ainda tem essa imagem de mim na cabeça", disse.



A cirurgia do casal durou cinco horas no total e foram seis semanas de recuperação.


http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=Cirurgia_plastica_pode_ajudar_a_melhorar_relacionamento_entre_casais&edt=34&id=273665




..Mídia da Arábia Saudita ignora histórico Jogos Olímpicos de atletas mulheres



Por Fernando Santos
Visão Global – dom, 12 de ago de 2012 09:53 BRT

Sarah Attar, da Árabia Saudita, chegou em último. Porém, o resultado pouco importou.

*Por Martin Rogers, especial para o Yahoo! Esportes*



LONDRES - As duas históricas atletas que se tornaram as primeiras mulheres da história a representar a Arábia Saudita em Jogos Olímpicos têm sido ignoradas pela mídia do país e expostas a uma campanha de ódio.



Sarah Attar correu nos 800 metros na pista do Estádio Olímpico e Wojdan Shaherkani competiu no judô nos Jogos, depois que o governo saudita aliviou a postura sobre mulheres competirem no esporte, pressionado pela comunidade internacional. Attar terminou em último em sua eliminatória e Shaherkani perdeu em sua primeira luta, mas as duas receberam enorme destaque mundo afora. No entanto, na Arábia Saudita, a abordagem foi bem diferente.



"Nós fomos o único jornal a escrever sobre isso", disse Hahled Al-Maeena, editor da "Saudi Gazette", publicação em inglês, por telefone, ao Yahoo! Esportes EUA. "Eu acredito que essas meninas são heroínas, e nós deveríamos celebrar, como nação. Infelizmente, outras pessoas não acham isso".



Uma campanha ameaçadora no Twitter, com a hashtag "prostitutas das Olimpíadas", começou na Arábia Saudita e foi usada para criar um ódio sexista contra as atletas.



O pai da judoca Shaherkani foi tão bombardeado que entrou em contato com o ministro do interior do país para pedir uma ação contra aqueles que insultaram sua filha. Sob a lei saudita, a punição por insultar a honra e a integridade da mulher pode chegar a mais de 100 chicotadas.



Attar e Shaherkani foram adicionadas depois na delegação saudita e não tinham classificação para os Jogos, mas foram aceitas nas modalidades em Londres sob uma regra do Comitê Olímpico Internacional, que procura estimular a participação de atletas de países restritos.



Ainda que forçadas a serem acompanhadas pelos seus parceiros na Cerimônia de Abertura, a presença das atletas foi vista como um passo na direção certa pelos direitos das mulheres, em um país onde lhes são negados muitos dos direitos humanos básicos em outras nações.



Porém, há um ceticismo sobre as verdadeiras razões da decisão em permitir Attar, uma saudita-americana que estudou na Universidade de Pepperdine, e Shaherkani competir.



"Eles permitiram a elas competirem por uma única razão. Se você não envia mulheres, então, no futuro, a seu país não será permitido participar (nos Jogos). Foi uma coisa maravilhosa de ver as meninas participarem, e motivo de orgulho para muitas pessoas, mas houve um motivo para isso acontecer. Eu acredito na livre imprensa, mas houve um fator político usado e isso foi triste", disse Al-Maeena



A "Saudi Gazette" recebeu críticas de extremistas por exaltar as atletas. Ao mesmo tempo, todo jornal de língua árabe dedicou extensa cobertura à medalha de bronze conquistada pelo time saudita do adestramento, no hipismo, liderado pelo Príncipe Abdullah al Saud.



Attar e Shaherkani não falaram com os repórteres depois de suas disputas nas Olimpíadas. Espera-se que as participações delas possa pavimentar o caminho para mais atletas de países como a Arábia Saudita, Qatar e Brunei, as três únicas nações a não mandarem mulheres em Pequim, quatro anos atrás. Os três tiveram atletas mulheres nestes Jogos.



Porém, ainda existem certas restrições culturais em lugares como a Arábia Saudita que podem atrapalhar no progresso de atletas mulheres. A filha de Al-Maeena, Lina, fundou um time de basquete que viajou para a Jordânia para competir, mas têm recebido muitas críticas pesadas.



"Não é fácil para uma mulher praticar esporte", disse Lina Al-Maeena, que pediu ao COI para que seu time representasse a Arábia Saudita em Londres, mas foi rejeitada.



"Os extremistas disseram que nos não estávamos agindo como mulheres deveriam agir, que éramos erradas, imorais e desrespeitosas. Nós só queremos jogar o esporte que amamos e possibilitar a outras mulheres a competirem. Os extremistas têm sua própria visão e é muito difícil mudar a sua visão".



O representant do Comitê Olímpico da Arábia Saudita não respondeu às perguntas enviadas na sexta-feira, sobre Attar e Shaherkani.



* Texto adaptado por Fernando Mello Figueiredo
fonte: http://br.esportes.yahoo.com/blogs/visao-global/m%C3%ADdia-da-ar%C3%A1bia-saudita-ignora-hist%C3%B3rico-jogos-ol%C3%ADmpicos-125329862.html acesso  13 de agosto



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ONG explica campanha feminista com Cruzeiro, que vira destaque internacional

Ação é tida como a primeira de uma sequência de etapas de conscientização   João Vítor Marques /Superesportes  ,  Tiago Mattar /Superes...