sábado, 29 de dezembro de 2012

Dica para gordinhas -

"O Corpo Feminino" por Paulo Coelho
Dica para gordinhas - "O Corpo Feminino" por Paulo Coelho
Oiiiii!!!
Final de ano é uma data que pede uma injeção de auto-estima, pra começar o próximo ano repleto de energias. Não é?
Para isso, vamos mostrar um texto do Paulo Coelho, exaltando a mulher independente do seu manequim, que encontramos no blog Cheias de Charme Plus Size.
Vale a pena ler cada linha!
"Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.
Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas.
As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheiinhas, femininas... essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.
Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.
A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa. Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.
As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas... porque razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam conosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão.
É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranquila e cheia de saúde.
Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós e não a vocês, porque, nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda.
As jovens são lindas... mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado. O corpo muda... cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.
Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em Setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (sem sabotagem e sem sofrer); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.
Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol' nem em spa... viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos. Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se! A beleza é tudo isto."
 
TAMBÉM QUERIA MEU CORPO DE VOLTA, TALVEZ PERDER UNS 20 QUILOS...... MAS NADA SE COMPARA A CABEÇA E AS IDEIAS QUE EU TENHO HOJE.  QUE A SAUDE ME AJUDE A MELHORAR CADA VEZ MAIS. POIS OS LIVROS FAZEM A SUA PARTE
 

um super hiper big ano para todos


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Lady Gaga confessa batalhar contra bulimia e anorexia desde os 15 anos

A cantora divulgou fotos em que aparece de calcinha e sutiã em seu site nesta terça-feira, 25. Gaga admitiu estar em dieta após ganhar 11 quilos.

do EGO, no Rio
Lady Gaga postou em seu site fotos de calcinha e sutiã (Foto: Site Oficial / Reprodução)Lady Gaga postou em seu site fotos de
calcinha e sutiã (Foto: Site Oficial / Reprodução)
Lady Gaga divulgou fotos suas - de diversos ângulos do seu corpo - em que aparece de calcinha e sutiã nesta terça-feira, 25. "Eu tenho lutado contra a bulimia e anorexia desde os meus 15 anos", confessou ela na legenda das imagens.
Em recente entrevista a uma rádio norte-americana, ela confessou que está em uma dieta após ter ganhado 11 quilos durante as cinco semanas de recesso que teve durante a sua turnê. Uma nutricionista entrevistada pelo site "Radar Online" contou que a cantora poderia ter ganhado peso por beber demais.
Gaga vem tentando aconselhar as pessoas que não estão bem com o seu corpo através de mensagens em seu Twitter. "Para todas as garotas que pensam que são feias porque não usam um manequim 36: vocês que são as bonitas. É a sociedade que é feia", escreveu ela recentemente. Depois, ela acrescentou: "Agradeço a todos os meus fãs que me amam de verdade e que sabem o verdadeiro significado das palavras beleza e compaixão. Eu realmente amo vocês".
Já instalou o aplicativo do EGO para o Facebook?
Lady Gaga postou em seu site fotos de calcinha e sutiã (Foto: Site Oficial / Reprodução)Lady Gaga posa para as fotos (Foto: Site Oficial / Reprodução)
Lady Gaga postou em seu site fotos de calcinha e sutiã (Foto: Site Oficial / Reprodução)Lady Gaga tirou fotos de diversos ângulos (Foto: Site Oficial / Reprodução)
Lady Gaga postou em seu site fotos de calcinha e sutiã (Foto: Site Oficial / Reprodução)Lady Gaga divulgou as imagens na tarde desta terça-feira, 25, em seu site (Foto: Site Oficial / Reprodução)

Da obesidade mórbida à anorexia: a triste história de uma jovem de 21 anos

 

04/05/2011 | 18:30 | Anna Carolina Lementy | Atualidades | , ,

Malissa Jones, 21 anos, já foi a adolescente mais obesa do Reino Unido. Em 2008, com o ponteiro da balança perto dos 203 quilos, ela recebeu um ultimato: era perder peso ou morrer dentro de alguns meses.
Malissa escolheu a primeira alternativa e enfrentou uma cirurgia no estômago. Era a ajuda que ela precisava para perder 127 quilos e chegar aos 76, meta estabelecida pelos médicos.

Agora, a situação se inverteu: Malissa desenvolveu uma espécie de fobia à comida e está pesando pouco mais de 50 quilos (cerca de 12 são só pele). Precisa engordar para sobreviver.
Antes da cirurgia, Malissa ingeria 15 mil calorias por dia. Hoje, ela come três cenouras cozidas, duas porções de parsnip, um vegetal europeu, e uma batata assada, um total de 300 calorias, menos de um terço do que ela deveria consumir para se manter saudável.

“Meu médico diz que, se eu continuar assim, eu terei apenas seis meses de vida. Eu provavelmente morrerei por causa de um ataque cardíaco, então eu preciso ser perseverante e comer. Estou tentando, mas é muito difícil”, disse Malissa à revista Closer Magazine (o Daily Mail reproduziu alguns trechos).
A tristeza vivida por Malissa é uma das explicações para sua imensa dificuldade em comer. Recentemente, ela vivenciou a perda de seu primeiro filho, Harry. A notícia da gravidez foi uma surpresa, já que seu namorado usava camisinha. Contrariando a opinião médica, os dois decidiram ter o bebê e Malissa diz ter lutado muito para se alimentar adequadamente.
Mesmo assim, perdeu peso durante a gravidez. O bebê nasceu desnutrido e morreu 57 minutos após o parto, realizado no sexto mês de gestação por causa de uma falha no fígado da mãe. “Eu não cheguei a pegar Harry no colo. Não acredito que vá superar isso”. Ela guarda fios do cabelo de Harry e algumas fotos em uma caixa. Após a morte do bebê ela perdeu 63 quilos. Ela diz que era mais feliz quando estava obesa.
Anna Carolina Lementy é repórter de ÉPOCA em São Paulo.
http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2011/05/04/da-obesidade-morbida-a-anorexia-a-triste-historia-de-uma-jovem-de-21-anos/

 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Um guia feminista para as princesas da Disney

capadisney

Um guia feminista para as princesas da Disney

Por - 13 jul, 2012 - 12:32
 
Depois que assisti Valente me peguei pensando sobre a grande tradição das princesas da Disney. Valente é um filme da Pixar e sua heroína, Merida, é uma feminista de conto de fadas. As princesas da Disney, em sua maioria, não são. Precisam sempre obedecer aos interesses do macho que amam; a maioria dos filmes termina com casamento ou noivado. Mas isso não significa que elas são igualmente submissas e retrógradas. Atualmente, na verdade, há um grupo que circula entre o terrível e o não tão ruim.
Agora, eu sei que analisar alguma coisa pelo ponto de vista feminino é problemático, como seu professor diria, mas me acompanhe na discussão desta causa. E para a gente não se deixar levar, eis as regras: sequências ou meio sequências não serão levadas em conta e todas as concorrentes devem ser oficialmente parte da rede de princesas da Disney, o tremendo marketing que é vendido para garotinhas de cinco anos ou quando elas começam a falar. Das menos para as mais feministas, eis as princesas da Disney:
10. Aurora, A Bela Adormecida

Os primeiros filmes da Disney eram sobre fábulas estranhas com um belo cenário e mulheres que não tomaram decisões por si mesmas; A Bela Adormecida é o ápice do gênero. Aurora não tem qualidades interessantes; ela é bonita, reservada e geralmente gential, daquele jeito que princesas são (por exemplo, com os animais). A ingenuidade de Aurora a leva direto para a armadilha de Malévola, e ela prontamente adormece pelo resto do filme, até que um homem aparece para acordá-la (e não da melhor forma para uma pessoa inconsciente).
9. Branca de Neve, Branca de Neve

Então, sobre aquela coisa de dormir… bem, Branca de Neve também convenientemente adormece durante boa parte do filme, e espera ser resgatada por um príncipe charmoso (e sem graça em todo o resto). Branca de Neve é um filme mais estranho que A Bela Adormecida, mas embora Branca tenha uma beleza mais cheia de personalidade, com o cabelinho preto curto e tal, ela não demonstra muita atitude ou coragem. Ainda assim, desbanca Aurora, porque quando ela corre chorando para uma cabaninha e a encontra habitada por sete homens pequenos, ela não enfia o rabo entre as pernas e foge. Pelo contrário, se enche de coragem e segue em frente, o que é impressionante se considerarmos que ela fala com pássaros.
8. Cinderela, Cinderela

Cinderela não descansa. Eu nunca entendi por que as crianças gostam desse filme, é um desastre atrás de outro – não só essa pobre garota é tipo escrava, mas aí tudo que ela tenta fazer com sua vida acaba dando errado. Enfim, Cinderela não tem muita chance de ser feminista, na realidade, ela é muito oprimida. Mas no fim ela tenta fazer sua vida de merda funciona – ela encontra o vestido da mãe e consegue arrumá-lo a tempo de ir ao baile, passando por vários obstáculos. Claro, ela ainda precisa ser resgatada por forças externas, então é difícil colocá-la numa posição tão alta.
7. Ariel, A Pequena Sereia

Na minha humilde opinião, A Pequena Sereia é o melhor filme da Disney, mas a Ariel não passa uma imagem forte de feminista. Sim, ela é destemida, impetuosa, impulsiva e aceita os riscos para conseguir o que quer. Mas por outro lado, o que ela quer é um cara que ela viu tocando flauta num barco por vinte segundos. E mais desgraçadamente, Ariel perde seu poder para o patriarcado, trocando sua voz – sua voz! – pela chance de ficar com o boy. Ou ela é muda ou não pode andar até o fim, quando seu pai garante sua liberdade. Ah, sim, e o tempo todo ela está vestindo um biquíni de conchas. Ela é a primeira princesa da Disney a não esmorecer ao primeiro sinal de perigo, e ela tem muita coragem, mas a mensagem que passa no geral não é de tanto progresso.
6. Bela, A Bela e a Fera

Bela é sempre citada como o padrão de princesa feminista da Disney, mas nunca ficou muito claro para mim porque ela se sai melhor que a Ariel. Seu maior feito pode ser que ao invés de abdicar de sua voz, ela voluntariamente se faz de prisioneira, mas esse não é um passo grande para as mulheres. Pelo menos ela é empoderada o suficiente para se arrepender de sua prisão. Bela se vinga bem e, ao contrário de Ariel, você tem a impressão que seu jogo de cintura não é fruto de rebeldia adolescente, mas de uma acuidade intelectual. Ela resiste às expectativas de seu vilarejo sobre o que fazer de sua vida; ela é a primeira princesa a expressar um ceticismo sobre a vida marital. Mas, ao fim de tudo, Bela se apaixona por um homem dominador, porque ela acredita que pode mudá-lo. Claro, você pode até achar que é amor, mas isso também pode ser descrito como Síndrome de Estocolmo.
5. Jasmine, Aladin

Eu me vesti de Jasmine para o Halloween por duas vezes, então sou um pouco tendenciosa. Mas Jasmine é realmente muito progressiva, pois, você sabe, uma princesa presa em um castelo. Como Belle, ela é cética em relação a casamento, e demonstra o mesma curiosidade. Jasmine também é muito corajosa em assuntos do coração, se apaixonando por um “rato de rua” completamente inadequado e o tirando da pobreza, em vez do contrário. Infelizmente, o poder de Jasmine só reside na sua sexualidade. No final do filme, ela está reduzida a seduzir Jafar para salvar sua vida. E embora as mulheres às vezes tenham isso no mundo real, é triste pensar em meninas pegando essa mensagem. Por outro lado, há pontos principais para, pelo menos, verbalmente recusar-se a ser tratada como objeto. “Eu não sou um prêmio a ser ganho”, diz.
4. Rapunzel, Rapunzel

Uma princesa corajosa nos moldes Ariel / Jasmine, Rapunzel tem sido trancada em uma torre (freudiano) por anos, e assim por sua ingenuidade e às vezes fica perdida no caminho de seu progressismo. Mas ela ainda é linda e foda. Ela é uma das poucas princesas da Disney que empunham uma arma (reconhecidamente, é uma frigideira, mas ainda assim) e ela é surpreendentemente engenhosa com os cabelos. Ela também reconhece a injustiça de sua situação e encontra um caminho para sair dela, vencendo sua “mãe”, que é de fato sua sequestradora, para se aventurar com o mundo exterior.
3. Tiana, A Princesa e o Sapo

Tiana passa a maior parte do filme como um sapo, mas ela é a princesa que começa um negócio, o que eu acho que é docemente maldito. Não só isso, mas é o que ela na cena de abertura – a chance de realizar seus sonhos e comandar o seu próprio restaurante. Eu também aprecio Tiana porque ela se apaixona por um pobre perdedor (embora na verdade seja um príncipe), subvertendo a ideia de que as meninas precisam ser salvas. Mas, então, Tiana puxa um ponto bastante típica princesa Disney dublê, onde ela tem que sacrificar algo que ela realmente se preocupa para o homem que ela ama. Ainda assim, ela finalmente abre o negócio e dá seu nome a ele. Só por isso ela tem classificação bastante elevada.
2. Pocahontas, Pocahontas

Pocahontas, o filme, é história muito ruim, mas Pocahontas, a personagem, é talvez a primeira princesa que podemos confortavelmente chamar de feminista. Pocahontas não precisa se poupar por ninguém. Na verdade, ela resgata a cara que ela ama, porque ela não está interessada em se casar com o cara que o pai dela quer que ela se casa ou para seguir um caminho definido. Ela tem outra vocação na vida que ela quer seguir. Curiosamente, ela é a primeira princesa que não termina com o homem que ela ama; seu destino é maior do que um homem e ela ainda termina com o cara com o grande discurso “não é você, é o meu caminho”. Pocahontas ama corajosamente, mesmo quando isso faz com que ela seja estranha, vulnerável e sozinha. Ela não tem medo de ser exposta, faz o que acredita e eu me sinto muito bem em deixar uma menina assistir a este filme, apesar de provavelmente ter que ler alguns Howard Zinn para o lhe dar um equilíbrio histórico.
1. Mulan, Mulan

Pocahontas é grande, mas ninguém ganha de Mulan. Ela é a única a desafiar abertamente os papéis de gênero de sua sociedade – e centímetro por centímetro, ela esculpe um lugar para si. Mulan salva praticamente todo mundo, repetidamente, incluindo vários homens – seu pai, o imperador, e o cara mais durão do exército. Ela também tem dois modelos femininos positivos – chocantes em uma franquia onde a maioria das figuras maternas ou são más ou mortas. A dobradinha feminista do filme é vista melhor em sua canção mais famosa, “I’ll Make A Man Out Of You” – uma linha inteligente, porque, naturalmente, Mulan não é e nunca vai ser um homem. Mas ela ainda faz isso. Mensagem: você pode ser uma mulher e ainda ser ágil como um rio que corre e ter toda a força de um tufão grande. Doce.
Do Nerve.

http://jezebel.uol.com.br/um-guia-feminista-para-as-princesas-da-disney/

EXCELENTE REFLEXÃO! GOSTARIA DE TER ESCRITO

O velho e bom feminismo?

Protestos políticos de mulheres com seios à mostra anunciam que ainda há muito a conquistar
Manifestações feministas ensinam que as desigualdades não podem ser tomadas isoladamente; cenas de A Chinesa (1967), manifesto cinematográfico de Jean-Luc Godard
ALINNE BONETTI
Elas foram guilhotinadas, conquistaram o direito ao voto, “queimaram” sutiãs, protestaram contra as ditaduras e o capitalismo, desafiaram as religiões, passaram a decidir sobre o momento de serem mães, tomaram as universidades, criticaram a ciência, inventaram novas teorias e campos de estudos, invadiram o mercado de trabalho, criaram leis para se protegerem contra a violência e passaram a ocupar altos cargos políticos em importantes países ao redor do mundo. São inúmeras e inegáveis as conquistas e, se as mulheres já conquistaram tanto, há quem possa argumentar que o feminismo perdeu a sua razão de existência.
As marcantes presenças tanto de mulheres quanto de bandeiras feministas em recentes mobilizações políticas ao redor do mundo parecem anunciar que ainda não se conquistou o suficiente. Os protestos de jovens mulheres em forma de invasões a eventos públicos com seios à mostra, como faz o grupo ucraniano Femen, e de marchas pelas ruas das grandes cidades do mundo, vestidas apenas com lingeries, autonominadas como Marchas das Vadias, revelam que o feminismo continua vicejante. Mas será que continua o mesmo? Que mensagem essas manifestações trazem sobre o feminismo no mundo contemporâneo, ao utilizarem o próprio corpo como instrumento de resistência às mais distintas formas atuais de opressão, tais como racismo, lesbo-homofobia, o capitalismo, os regimes políticos ditatoriais?
Simploriamente tomado como uma indesejável guerra entre os sexos, o ser feminista ainda carrega uma conotação negativa, supostamente antifeminina. Caudatário das revoluções do século 18, o feminismo pode ser caracterizado genericamente como uma ideologia política típica da modernidade, da qual decorre uma produção teórico-intelectual e uma prática política, ambas intensas e plurais, que vem se transformando ao longo dos anos. Compartilha, portanto, do ideário e do conjunto de valores iluministas como a centralidade do sujeito indiviso e universal, a racionalidade, a igualdade e a liberdade, que até hoje compõem o léxico da política no mundo ocidental. Importa destacar que a essa concepção de sujeito iluminista corresponde uma identidade, compreendida como coerente, fixa e que é central na constituição do indivíduo moderno.
Em diálogo com esse conjunto de valores, o feminismo – entendido como uma ideologia política – constituiu-se historicamente a partir da formulação de uma identidade coletiva e de um projeto de vida em sociedade particulares. Eles baseiam-se na suposição de que todas as mulheres, universalmente, compartilham experiências de opressão e interesses de transformação desta condição, oriundos do fato de terem nascido com as marcas corporais de fêmeas da espécie humana. Logo, o projeto político feminista implicaria na resistência a um poder que domina e oprime as mulheres, emancipando-as. Criar-se-ia, assim, uma nova identidade coletiva para elas, marcada pela liberdade e pela igualdade, o que redundaria em outra forma de vida em sociedade. Foi assim que o feminismo investiu a categoria social mulher – tomada a partir de uma concepção identitária baseada no aparato biológico, no corpo feminino – de um estatuto particular, tornando-a seu maior patrimônio político.
O feminismo, no entanto, não é um bloco homogêneo. Há, ao longo de sua história, relevantes marcos, diferentes perspectivas sobre seu sujeito e seu projeto políticos e formas variadas de expressão e mobilização, o que constitui a riqueza dessa ideologia a ponto de se reivindicar referi-la no plural. Mais ou menos consensualmente, entende-se que o feminismo teve seu primeiro grande marco mobilizatório em torno da igualdade entre homens e mulheres. Ao enfatizar direitos e possibilidades iguais para ambos os sexos, a tradição igualitarista caracterizou predominantemente o feminismo desde seu surgimento, que tem como uma referência a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã” de Olympe de Gouges, escritora e revolucionária francesa guilhotinada em 1793, até as mobilizações femininas pela igualdade entre homens e mulheres pelo direito ao voto, do início do século 20, movimento conhecido como Sufragismo.

Após esse período, há um arrefecimento das mobilizações feministas, que recrudescem somente nos anos 1970. Instigado pelos escritos existencialistas de Simone de Beauvoir sobre a condição da mulher, o novo feminismo institui um outro paradigma contestatório em torno da identidade feminina. Tal identidade é compreendida como una, imutável, coerente e marcada pela opressão, que se origina na particularidade do e se manifesta no corpo das mulheres. São corolários desse paradigma a compreensão de que as mulheres compartilham de uma realidade separada e radicalmente distinta da realidade masculina, de que o poder emana dos homens sobre as mulheres, de que os sistemas de dominação são transculturais e trans-históricos e estão imiscuídos aos modos de produção e de reprodução sociais. É também por meio desse paradigma identitário que o feminismo promove uma contundente problematização e consequente politização de arenas da vida social nunca antes questionado como a família, a sexualidade, a vida doméstica em todas as suas dimensões e, sobretudo, a subjetividade. Contudo, não tardam as críticas à forma como a identidade feminina é compreendida e defendida neste novo feminismo.
É dos movimentos pós-coloniais, de mulheres negras, lésbicas e de juventude que surgem as críticas à perspectiva predominante do novo feminismo. Essas outras experiências de exclusão anunciam que o novo feminismo pretensamente universal é, antes, situado. Ele é ocidental, branco, heterossexual, adulto, letrado e de classe média. Essas perspectivas encerram, também, uma crítica sobre universalização do quadro ideológico do poder e das relações de poder do pensamento ocidental. No bojo dessa crítica é que a noção de identidade feminina, que alimenta esse paradigma, passa a ser desconstruída. Sua contestação passa pelo questionamento da sua universalidade, da sua fixidez e, sobretudo, da própria noção de corpo como base biológica e material incontestável da identidade.
O sujeito da política, a identidade e o corpo passam a ser relativizados, tornando-se contextuais e contingentes. Propugna-se a complexificação dessa identidade a partir da incorporação e da articulação de marcadores sociais da diferença como gênero – a grande categoria política e analítica que deu o pontapé inicial ao processo de questionamento da fixidez identitária – raça, sexualidade, classe, religião, nacionalidade, entre outros. Como conseqüência desse conjunto de desafios críticos ao novo feminismo, tem-se a pluralização das suas possibilidades mobilizatórias e, também, das perspectivas feministas na contemporaneidade.
É neste contexto que podem ser compreendidas as recentes manifestações das feministas ucranianas do Femen que, com seus seios à mostra, protestam, ao mesmo tempo, contra o abuso dos corpos das mulheres pela prostituição e pelo turismo sexual e contra as ditaduras remanescentes na Europa oriental. É também nessa nova chave compreensiva que a Marcha das Vadias questiona a persistente banalização das violações sexuais das quais as mulheres são vítimas e também o racismo, a homofobia, a desigualdade de acesso ao poder e de salários entre homens e mulheres e o modo capitalista de vida que promove o consumo como signo de cidadania e destrói o meio ambiente. Tais manifestações feministas nos ensinam que as matrizes de desigualdades não podem ser tomadas isoladamente; antes elas são intrinsecamente associadas.
E o que dizer, então, do feminismo como ideologia política da contemporaneidade? Ao que parece, ele vive em um paradoxo. Os dois exemplos de protestos feministas acima mencionados colocam em evidência, novamente, o corpo feminino. Anunciam que, mesmo em tempos em que ser mulher não é mais exclusivamente definido pela materialidade da biologia, o corpo feminino ainda é onde se manifesta tanto a opressão quanto a resistência a ela. Essas mulheres insistem em nos fazer ver que é necessário lembrar que o seu corpo é o seu território, sobre o qual nem o Estado e nem as Igrejas devem ter ingerência. Mostram, com isso, que há muito que transformar no conjunto de valores relativos ao imaginário sexual que estão disponíveis na nossa cultura e que são predominantemente compartilhados, as nossas convenções de gênero.
Ao mesmo tempo, no entanto, elas sugerem que há algo na própria constituição da ideologia política feminista e nas suas formas de resistência que também necessita ser transformado, dada a persistência das mesmas violações às mulheres e ao feminino. Talvez o desafio contemporâneo para o novo feminismo seja a possibilidade de se constituir prescindindo do seu grande patrimônio político, as mulheres, como o seu sujeito político. Estamos, pois, à espera de uma nova inflexão para o feminismo contemporâneo.
Alinne Bonetti,
antropóloga, professora do Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade (BEGD), do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismos (PPGNEIM) e pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM), Universidade Federal da Bahia (UFBA)

MULHERES NO FRONT

cartaz de Mulheres no Front Mulheres no Front
(Le soldatesse, 1965)
• Direção: Valerio Zurlini
• Roteiro: Leonardo Benvenuti (roteiro), Piero De Bernardi (roteiro)
• Gênero: Drama/Guerra
• Origem: França/Itália
• Duração: 120 minutos
• Tipo: Longa-metragem



 
• Sinopse: No centro da história é o transporte armado de uma frota de mulheres, prostituição por causa da pobreza com a qual a guerra não tem afligiam, a fim de servir soldados italianos em bordéis na década de 1940 durante a Segunda Guerra Mundial. A ação começa em Atenas, na Grécia, e prossegue para o norte. A viagem de caminhão é sobre o terreno de montanha traiçoeira, e todo o calvário evolui para uma metáfora para a guerra.
 

Mulheres no front

Livro resgata fotos e documentos e revela a real participação feminina nas guerras

Natália Rangel
 
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TRICÔ E GUERRA
Militares tricotam após travessia do rio Garigliano (Itália) em zona de conflito. Atuavam nas
Forças Francesas Livres, equipe feminina do Exército francês
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Um numeroso e pouco conhecido exército de guerrilheiras, oficiais, pilotos e atiradoras de elite, todas fortemente engajadas – e armadas – nas batalhas deflagradas pela Segunda Guerra Mundial, é agora retratado em textos e raras imagens no livro “Mulheres na Guerra” (Larousse), do historiador francês Claude Quétel. Ele escreveu sua obra a partir de estudos sobre o assunto que vêm sendo produzidos desde a década de 1970 (a publicação inclui uma rica bibliografia) e lança um novo olhar sobre a participação das mulheres no conflito. Sua tese é de que a historiografia moderna relega a atuação feminina a um segundo plano e seu objetivo é mostrar que ela esteve presente em todas as dimensões da guerra. Quétel recupera a biografia de importantes personalidades desse período cujas trajetórias foram esquecidas ou nunca documentadas: “As mulheres veem a sua história dissolvida na história dos homens.” Numa das fotos incluídas nesse livro estão duas militares fazendo tricô diante de seus furgões blindados do Exército francês – emblemática da habilidade feminina de se desdobrar das agulhas às armas. O tricô das oficiais do século XX não tem nada do romantismo da mitológica Penélope, que tece enquanto espera o futuro marido chegar de suas homéricas batalhas. Elas tricotam no front e estão a postos no conflito de Garigliano, na Itália.
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CÉLEBRE ATIVISTA
A atriz alemã Marlene Dietrich visita soldados aliados na Alemanha, em 1944. Ela vivia nos EUA e
foi intimada a retornar ao seu país. Voltou para expressar repúdio a Hitler
Entre os personagens destacados no livro está a belga Odette de Blignières, jovem de uma família aristocrática que trabalhou como manequim da Maison Chanel antes de entrar para um grupo internacional de resistência à ocupação alemã. Em 1942, ela contribuiu com transporte e munição para que soldados aliados fugissem pelos Pirineus e alcançassem Londres viajando pela Espanha. Também militou no movimento antifascista italiano ao lado de outras mulheres. Conhecida como a “ciclista que detonava explosivos”, a química francesa Jeanne Bohec foi escalada para trabalhar na confecção de armas de sabotagem. Além de fabricá-las, ela as utilizava para detonar ferrovias e cumpria sua missão in loco de bicicleta. Em 1944, ela estava no grupo que resistiu a um ataque alemão em Saint- Marcel. Jeanne sobreviveu e recebeu honrarias militares ao final da guerra. Outra francesa, Georgette Gérard, entrou para o grupo de Resistência de Lyon e atuou no movimento Combat. Em 1943, ela era a capitã de um grupo de cinco mil guerrilheiros divididos em 120 acampamentos localizados em florestas. Para “inspirar confiança”, se fazia passar por um oficial e se autodenominava “comandante Gérard”. Poucos subordinados sabiam que se tratava de uma mulher.
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NOS ESCOMBROS
A coronel Margaret Kneebone (à dir.) coordena resgate após bombardeio em Londres,
em 1941. Seu batalhão médico acompanhava o Exército inglês
Em Berlim, uma extraordinária manifestação de caráter antinazista foi protagonizada por mulheres. E deu certo. O protesto de Rosenstrasse envolveu centenas de alemãs casadas com judeus, que reivindicavam a libertação de seus maridos. Após uma semana de intensos motins, Joseph Goebbels libertou cinco mil berlinenses de origem judaica. “O ódio político das mulheres é extremamente perigoso”, teria dito Adolf Hitler. Na União Soviética, onde o alistamento militar feminino já ocorria desde 1925, eram muitas as soldados e atiradoras que assumiam a linha de frente do Exército soviético. Uma delas foi Luba Makarova, atiradora de elite, que ilustra a capa do livro. Ela participou da conquista de Berlim, ao final da guerra, como capitã de um Exército formado por homens. Uma outra jovem soviética, integrante da Juventude Comunista, militou contra a invasão alemã a Moscou. Ativista de um grupo guerrilheiro, Zoia Kosmodemianskaia, 18 anos, organizava sabotagens às tropas alemãs e foi presa após colocar fogo em estábulos do inimigo.
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CARGA PESADA
Mulheres da Força Aérea inglesa (WAAF) reparam aviões de caça. Elas controlavam
a segurança dos cinco mil quilômetros da costa britânica
Cruelmente torturada, ela foi enforcada e teve seu corpo exposto publicamente. Um repórter do jornal “Pravda” a fotografou e a imagem de Zoia e sua história a transformaram em “heroína da União Soviética”. Segundo Quétel, o fato serviu de motivação para o Exército Vermelho, que foi insuflado pelo slogan “patriótico”: “Matem o monstro nazista.” Além de narrar as histórias com leveza e sempre incluir um detalhe pessoal ou curioso no perfil de suas personagens, o autor também envereda por temas mais prosaicos. Conta, por exemplo, como a guerra determinou a moda do uso de turbantes e reproduz um relato da filósofa e escritora francesa Simone de Beauvoir, famosa adepta do adereço. Ela explica que as frequentes panes de eletricidade inviabilizaram o uso do penteado permanente (o mise-en-plis), e a crise de abastecimento fez desaparecerem os chapéus das lojas. Para não sair de “cabelos ao vento”, que era de mau gosto na época, adotaram-se turbantes. “Apeguei-me a eles definitivamente”, escreve Simone
 

domingo, 23 de dezembro de 2012

O TEMPO ESTA A SEU LADO

Juventude é virtude e velhice defeito? Uma edição especial sobre envelhecimento
icone postado
05.10.2012 | Texto por Carol Sganzerla, diretora de redação Ilustração Carol Bertier


Carol Bertier
Você tem duas opções:
a) envelhecer
b) morrer
Se tudo der certo, você fica com a primeira opção. Nesse caso, a próxima pergunta de múltipla escolha estético-existencial será algo como:
a) envelhecer, sem deixar de ser você mesma
b) envelhecer, tentando desesperadamente se transformar em outra pessoa – alguém que se parece vagamente com você, a não ser pela testa congelada, pelos olhos levemente assimétricos e pelos lábios que parecem mais um sashimi do que uma boca.
Separando as duas opções, resta apenas o bom senso, que alguém já definiu como “a coisa mais mal distribuída do mundo”. Uns com tanto, outros com tão pouco. Como saber a hora de parar? Não digo parar o tempo, que qualquer fã do Cazuza sabe que não para, mas parar de insistir em parecer ter uma idade que, simplesmente, não é a sua.
Não é que alguém deva parar de se cuidar, largar os cremes, sei lá, ou a drenagem e o ácido retinoico recomendado pelo dermatologista para passar no rosto antes de dormir. Mas é importante não perder de vista a diferença entre envelhecer bem e virar um mostruário de tratamentos e procedimentos de resultados duvidosos – que, ao fim e ao cabo, em vez de rosto mais jovem, deixa a pessoa com rosto de quem fez plástica ou Botox.
Exagero? Os números impressionam. O Brasil lidera o ranking mundial de blefaroplastia, mais conhecida como a cirurgia que retira o excesso de pele da pálpebra. Na modalidade Botox, só fica atrás dos Estados Unidos. E, com tudo em cinco vezes no cartão, a coisa não dá sinais de melhora. E, mesmo que desse algum sinal, logo alguém iria sugerir um preenchimento ou algo assim.
O paradoxo é que, num país cada vez mais velho, a velhice esteja se tornando sinônimo de defeito, de prazo de validade expirado antes da hora – e aí aparecem eufemismos do tipo “melhor idade”. De acordo com o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a expectativa de vida aumentou incríveis 25 anos de 1960 para cá. Com isso, a probabilidade de passar mais tempo por aqui, ver netos e bisnetos crescerem deu um salto extraordinário.
Vinte e cinco anos: o tempo está ao seu lado, e não contra você


 

VOCE VAI ENVELHECER. ACEITE OS SEUS CABELOS BRANCOS

 
 
http://revistatpm.uol.com.br/revista/125/reportagens/voce-tambem-vai-envelhecer-aceite.html
 
Cabelo branco, experiência, ruga, bigode chinês, história pra contar, flacidez. Hein?
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05.10.2012 | Texto por Letícia González Fotos Alex Batista
Alex Batista
Nome: Céu - Idade: 32 anos - Profissão: cantora - Medo de envelhecer: “Ficar surda” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Arranquei, mas o segundo deixei por medo de que viessem outros”
Nome: Céu - Idade: 32 anos - Profissão: cantora - Medo de envelhecer: “Ficar surda” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Arranquei, mas o segundo deixei por medo de que viessem outros”
Um dia ela acorda e o rosto caiu. A bunda também. O fôlego acabou, ninguém mais virou o pescoço na rua e os fios brancos tomaram conta. Na cabeça da mulher brasileira há espaço para esses e muitos outros medos quando o assunto é envelhecer. Eles moram escondidos atrás do “eu não penso muito no assunto” e são responsáveis por deadlines autoritários (precisa ter tudo antes dos 35), angústias e gastos altos com o dermatologista. E o mais surpreendente: as preocupações com o envelhecimento começam cedo. Muito cedo.
Em uma pesquisa realizada pelo Datafolha em dezembro de 2011 em São Paulo, quase metade dos entrevistados entre 16 e 25 anos confessou ter medo da velhice. Entre os maiores de 56 anos, no entanto, apenas um quarto admitiu sentir o mesmo.
Para entender por que o medo e as expectativas em relação à velhice começam tão cedo, Tpm ouviu mulheres de perfis diferentes: a cantora Céu, 32 anos, a atriz Isabel Wilker, 27, a jogadora de vôlei Jaqueline Carvalho, 28, e a chef Renata Vanzetto, 24. Elas aceitaram ver seus rostos alterados, com marcas que ainda não existem (as fotos desta reportagem foram ampliadas, dobradas para simular rugas e marcas de expressão e refotografadas). Falaram de perdas e ganhos, rugas, trabalho, família e do “fim” – a morte ainda é um tabu poderoso.
O Brasil é campeão mundial em cirurgia de pálpebras. No Botox, perdemos apenas para os Estados Unidos
Jovens, elas são o retrato da geração que investe em beleza preventiva, amparada pela oferta de produtos e pela orientação médica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os brasileiros vivem 25,4 anos a mais hoje do que em 1960. Mas, a julgar pelo boom de intervenções estéticas, é como se não tivessem se acostumado à nova realidade. O país é o número um do mundo na blefaroplastia, cirurgia que tira a pele envelhecida das pálpebras, e também no enxerto de gordura no rosto, usado para preencher rugas. Os dados, da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps), mostram também que, no uso da toxina botulínica, ficamos atrás apenas dos Estados Unidos. Para a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), não há restrições para a aplicação do Botox a partir dos 30 anos – seu uso “preventivo” tenderia a ser mais eficaz do que aplicações iniciadas aos 40.
Mesmo quem não procura fazer o impossível, parar a natureza, tenta atenuar os efeitos do tempo. Renata, nascida e criada na praia, não toma mais sol sem protetor. Por outro lado, se apoia no metabolismo acelerado para comer até quatro porções de chocolate por dia. Daqui a dez anos, ela sabe, o corpo pode não aguentar o mesmo ritmo. “Minha mãe não come carboidratos à noite há mais de 20 anos. Sinto que um dia também farei sacrifícios.” Jaqueline e Isabel usam creme antissinais desde que completaram 25 anos. Céu tenta preparar o espírito para a mudança de visual. “Aos 40, espero estar de bem com as minhas ruguinhas”, diz. O que, em especial num país como o Brasil, não é tarefa assim tão fácil.
“Torço pela sabedoria de enxergar o melhor foco para cada momento” Céu, cantora
“A juventude aqui é apresentada como a verdade através da qual se consegue visibilidade, estima e aceitação social”, explica o psicanalista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Sócrates Nolasco. O que agrava o quadro, segundo ele, é a falta de postura crítica do brasileiro. “Somos incapazes de relativizar as cobranças que recebemos da publicidade, e buscamos sempre a aceitação do grupo”, diz. “O brasileiro sozinho é malvisto e, por isso, passa maior parte do tempo dentro de algum grupo. A demora para se emancipar emocional e financeiramente da família colabora para que [as pessoas] não aprendam a ter opinião própria.”
Alex Batista
Nome: Isabel Wilker - Idade: 27 anos - Profissão: atriz - Medo de envelhecer: “Não me tornar uma grande atriz” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Não dei bola”
Nome: Isabel Wilker - Idade: 27 anos - Profissão: atriz - Medo de envelhecer: “Não me tornar uma grande atriz” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Não dei bola”
Limites da medicina
Talvez as coisas estejam começando a mudar. Em julho deste ano, o Conselho Federal de Medicina emitiu um parecer em que não reconhece terapias antienvelhecimento que se utilizam de hormônios. O argumento é que esses tratamentos – que usam testosterona, cortisona, melatonina – não têm benefícios comprovados e trazem riscos aos pacientes. No texto, além de causar um revés importante em um tratamento que vinha se popularizando no Brasil, o conselho foi além e lembrou: “O envelhecimento é uma fase do ciclo normal da vida, não devendo ser considerado doença que necessita intervenção medicamentosa”.
Ainda assim, os consultórios de dermatologia estão lotados de pessoas querendo parar a ação do tempo. E a especialidade cresce em ritmo acelerado. De 2010 para 2011, a procura pelo teste que confere o título de dermatologista cresceu 40%, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Um levantamento feito pela entidade mostra que a grande maioria de seus membros atende à demanda por juventude: 84% aplicam toxina botulínica em seus consultórios. O Botox é o tratamento mais popular para atenuar o envelhecimento cutâneo no Brasil, seguido de preenchimento com ácido hialurônico e laser. A SBD orienta os médicos a sugerir intervenções apenas depois de ouvir a queixa do paciente. Na prática, não é sempre isso o que acontece.
A antropóloga Mirian Goldenberg sabe como é isso. Aos 40 anos, ela foi pela primeira vez à dermatologista querendo orientações sobre hidratação e proteção contra o sol. Lá, ouviu uma lista de defeitos que não enxergava em si mesma. “Ela me sugeriu preenchimento ao redor dos lábios, Botox na testa e correção nas pálpebras. Eu não via nada daquilo no meu rosto!”, lembra. Nos seis meses que se seguiram à consulta, Mirian entrou em crise – e depois a superou, sem ter feito nenhuma intervenção no rosto.
“O botox diminui o ritmo do envelhecimento, só. A ideia nunca é ter 50 e parecer 20”, Bruna Felix Bravo, dermatologista
Outro aspecto em que teoria e prática diferem é o momento certo de parar. “[O Botox] apenas ajuda a diminuir o ritmo do envelhecimento. A ideia nunca é ter 50 parecendo 20”, afirma a dermatologista Bruna Felix Bravo, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Rio de Janeiro. Mas, como a decisão obedece a uma vontade estética, exageros são comuns mesmo com orientação médica. “Não gostaria de ser uma dessas pessoas que lutam com força contra os anos”, afirma a cantora Céu. “Elas não ficam com cara de mais novas. Só ficam com cara de quem está lutando.”
Essas senhoras da revolução botulínica de que Céu fala são um elemento novo no cenário urbano brasileiro. Mas, se as injeções semestrais podem trazer satisfação pessoal a mulheres desgostosas de suas rugas, elas são vistas com ressalvas por quem estuda o assunto.
É o caso da antropóloga Andrea Lopes, doutora em gerontologia e coordenadora do grupo Envelhecimento, Aparência, Imagem e Significativo, da Universidade de São Paulo (USP). “Faltam imagens reais e, principalmente, diferentes umas das outras”, pontua. Em vez de diversidade, temos uma bipolarização. Até a década de 70, ser velho era sinônimo de decadência, doença, asilo. Aí, no final do século 20, surge uma imagem superpositivada, dos velhinhos que podem tudo. São duas inverdades cruéis com quem tem de envelhecer”, diz.
Essas pessoas que têm de envelhecer, no caso, são todas. Você, eu, todo mundo. Por mais difícil que pareça. Num encontro de amigas, a jogadora Jaqueline quase jogou um celular longe quando uma delas incluiu sua foto em um aplicativo que envelhece retratos. “Eu aparecia grisalha, cheia de rugas. Saí gritando ‘tira isso da minha frente!’.” Por mais que recuse essa imagem, Jaque não sabe ao certo como vai encarar a mudança no rosto. Se espelha em Luiza Brunet (leia a entrevista nas Páginas Vermelhas), mas reconhece que ela é exceção.
“Temos duas imagens irreais: a da decadência e a dos velhinhos que podem tudo”, Andrea Lopes, antropóloga
De fato, o modelo da maturidade é algo que precisa ser reinventado. “Inclusive porque as pessoas que estão entrando nos 60 anos cresceram num mundo que exaltou a juventude. Elas não são um bom exemplo de como lidar com o tempo”, lembra Andrea. A exaltação a que se refere é a de ícones como os Beatles e Elvis Presley, de bordões como “Não confie em ninguém com mais de 30”, “O Brasil é o país do futuro” e da revolução dos costumes, movimentos em que os jovens encamparam o poder e transformaram pais e avós em imagens a não ser seguidas.
Alex Batista
Nome: Jaqueline Carvalho - Idade: 28 anos - Profissão: jogadora de vôlei - Medo de envelhecer: “Perder a mobilidade” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Pintei”
Nome: Jaqueline Carvalho - Idade: 28 anos - Profissão: jogadora de vôlei - Medo de envelhecer: “Perder a mobilidade” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Pintei”
Novas velhas
Uma maneira de encarar a questão, para muitas mulheres jovens, é procurar uma nova relação com a passagem do tempo. “Penso muito no assunto”, diz Céu. “Será que vou entender a hora de parar de fazer música? Será que vou querer curtir meus netos? Torço pela sabedoria de enxergar o melhor foco para o momento”, afirma. Mesmo assim, os receios vêm junto. “Tenho medo de ficar surda, porque uso o fone in-ear e, quando o técnico erra, o som estoura dentro do ouvido. Também tenho medo de ter vícios de comportamento, de me tornar ainda mais esquecida do que sou.” Para Isabel Wilker, a aflição é profissional. “Tenho medo de chegar aos 50 e ver que não fui a boa atriz que quero ser.”
O receio tem a ver com a fase atual da carreira. Há dois anos, ela decidiu seguir a profissão dos pais, os atores José Wilker e Mônica Torres. Está feliz com a decisão, mas se pergunta se não veio atrasada. “Bati o martelo com 25 anos, enquanto colegas estão na profissão desde os 18. Para alguns papéis, já sou velha”, conclui ela, que se formou em letras, iniciou um mestrado na área, foi modelo e apresentadora e fez cursos de interpretação em Londres. Aos 27, vê que o tempo de indefinições está chegando ao fim. “É como se você passasse a ter menos espaço de manobra”, afirma. E, ao mesmo tempo, sem poder olhar para trás e enxergar realizações importantes. “Fico nervosa”, solta, cerrando os dentes.
“Para alguns papéis, já sou velha demais. Às vezes me sinto atrasada”, Isabel Wilker, atriz
Sentir-se velha bem antes de sê-lo é algo que Jaque conhece bem. Por causa da carreira curta que o vôlei proporciona, a atleta precisa pensar, antes dos 30, na sua aposentadoria. “Estou mais perto do fim do que do início. Se sofresse uma contusão agora, teria que repensar o esporte”, pondera.
A antropóloga Mirian Goldenberg aprofunda seus estudos no intervalo que existe entre a “era de ouro” dos 20 anos e a morte. E, se tudo der certo, ele pode ser grande. “Minha próxima pesquisa é sobre os aspectos positivos do envelhecimento. Os negativos existem, mas já foram muito abordados”, conta. Ela identificou que a fase dos 30 aos 50 é a mais sofrida para a mulher, nesse quesito. “Se ela tem 35 e quer ter filhos, sofre muito. Depois, aos 40, vê que passou a vida investindo no corpo e, de repente, se sente invisível. Já depois dos 50, vejo uma queda grande na frustração”, explica. Um dado inédito dessa pesquisa, no entanto, surpreende. “Quando pergunto para homens e mulheres de todas as idades quem envelhece melhor, todos respondem: ‘Os homens’. Mas hoje um grupo está discordando disso: são as mulheres de 60! Elas chegam lá e veem que estão ótimas, bem cuidadas, ativas, felizes, olham para o cara do lado e não o acham tão bem assim. Esse dado é revolucionário!” Estudando o tema há seis anos, a antropóloga criou uma espécie de manifesto pessoal contra a neura de envelhecer. “Se você vai viver até os 90 e começa a sofrer aos 20, pense bem...”
Alex Batista
Nome: Renata Vanzetto - Idade: 24 anos - Profissão: chef de cozinha - Medo de envelhecer: “Engordar” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Não apareceu ainda”
Nome: Renata Vanzetto - Idade: 24 anos - Profissão: chef de cozinha - Medo de envelhecer: “Engordar” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Não apareceu ainda”
A proximidade do fim
Isabel cresceu ouvindo a mãe dizer que envelhecer era uma droga, mas que a alternativa (morrer) era bem pior. Mesmo assim, só começou a pensar no assunto depois que a ideia da morte deu uma trégua. “Quando tinha 4 anos, um amiguinho morreu num acidente de carro. A partir dali, por anos, achei que fosse morrer a qualquer hora. Estava convencida de que não ia dar tempo de envelhecer”, lembra. Só depois de muita psicanálise, iniciada na infância, ela passou a entender que tem mais tempo para viver. E precisa, agora, lidar com ele.
Na vida da chef Renata, ao contrário, a morte entrou de supetão. Ela não pensava muito na finitude até que, em abril deste ano, perdeu o namorado, o italiano Luigi Nemi, em um acidente de mergulho no litoral paulista. Renata e Luigi moravam juntos havia um mês. “Ainda não sei que conclusões estou tirando dessa história, que me arrasou. Penso muito mais na fragilidade da vida, na morte e, às vezes, penso que ele vai ser o forever young, o cara que ficará sempre igual.” Em julho, ela incluiu uma menção a ele no cardápio de sobremesas de seu restaurante, o Marakuthai, onde se lê: “Os doces são uma homenagem a Luigi Maria Ucelli Di Nemi, que gostava de fazer doces porque, ao ver as pessoas comendo, elas sorriam... A vida é curta, comece pela sobremesa!”.
“As mulheres de 60 são as únicas a dizer: os homens não envelhecem melhor, não”, Mirian Goldenberg, antropóloga
Depois do drama, Renata entende mais ainda que a vida depende do ângulo de visão. “Eu poderia ter me afundado, mas tentei encarar de forma natural. Agora, fiquei mais alerta, com mais medo. Ao mesmo tempo, comecei a entender que isso faz parte da vida, que muitas pessoas morrem todos os dias.” É essa mesma posição que ela decidiu adotar em relação ao envelhecimento: “Não tenho como fugir. Basta aceitar”.

40 e poucos

Para nós, garotas roqueiras, essa é só a idade que a gente tem
POR NINA LEMOS*
Ser uma moça de 40 e poucos anos é um problema. Só que para os outros. Os outros são vocês, meninas de 20, 30. E vocês, rapazes de qualquer idade do nosso Brasil. Repito. O problema é de vocês, que vez ou outra nos falam: “Nossa, mas você não parece ter 40 anos”, com certo ar de choque. Deve ser um elogio, certo? Outra frase que ouvimos muito: “Nossa, como você pode ter 40 anos?”. É simples, os anos vão passando, você não morre e um dia tem 40 anos. O que não é nada ruim. Inclusive porque quem tem 40 anos ainda é meio jovem. E vocês, meninas de 20, 30, ainda não perceberam isso porque são loucas!
Outro dia me vi em uma roda de garotas de 30 e elas só falavam sobre bigode chinês. “Tenho medo de ter bigode chinês, será que eu tenho bigode chinês?” Eu e minhas amigas de 40 nunca falamos sobre isso. Sério. Nunca mesmo. A gente fala sobre... sei lá, o disco novo que nosso amigo lançou, política, roupa.
Repito. Não é um problema para a gente. É só a idade que a gente tem, ponto. Se é um problema para os homens? Ah, claro. Quando você faz 40 anos acontece um fenômeno estranho. Alguns caras da sua idade (ou mais velhos) passam a te achar velha. Escuta, baby, você tem a mesma idade que eu.
Uma vez eu e uma amiga contamos isso a um policial italiano que conhecemos em um bar gótico em Berlim (coisas surpreendentes continuam acontecendo depois que você fez 40 anos, oh, yeah!). Resposta do sujeito: “Mas isso é absurdo, como posso achar que vocês são velhas se tenho a mesma idade que vocês?”. Minha amiga gritava: “Está vendo? Ele é italiano, ele é policial, e ele entende. Já os nossos amigos do Brasil, gênios, artistas, não entendem”.
Não são todos os homens que são assim, não. Mas muitos. Muitos do Brasil. Porque o Brasil é um país muito, muito, muito machista. Em outros lugares é diferente, sim.
E o que nós, garotas roqueiras de 40 e poucos anos, fazemos quando um cara da nossa idade nos acha velha e só namora garotas de 20 (nada contra vocês, ei!)? Nós rimos. Rimos muito. Rimos. E, se vocês são nossos amigos, rimos na cara. Se não, fazemos piada pelas costas.
Melhor cantada que já recebi na vida, de um médico alemão: “Não acredito que você tem 39 anos, mas, se você tiver, vou te achar mais interessante ainda”. Aprendam com eles, compatriotas da minha geração. E saibam que as mães de vocês erraram. Quer dizer, não aprendam. Porque uma coisa que a gente já sabe aos 40 anos é que não vale a pena perder tempo educando homem (que não for nosso filho). Ou vocês se ligam. Ou não. Problema de vocês. Com a gente está tudo bem. Juro.
*Nina Lemos, 41 anos, é repórter especial da Tpm, Carioca exilada em São Paulo, autora de cinco livros e ainda acredita que vai mudar o mundo.

Vida perfeita só existe no Facebook


fonte: http://revistatpm.uol.com.br/revista/127/reportagens/vida-perfeita-so-existe-no-facebook.html
Como as redes sociais mudaram a relação que você tem com a sua própria imagem – e com o resto do mundo
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14.12.2012 | Texto por Por Bruna Bopp e Letícia González Fotos Mariel Clayton


Mariel Clayton

No último fim de semana, é provável que você tenha visto postadas aos montes no Instagram fotos de festas incríveis, piqueniques no parque, drinks na praia, pés na areia, crianças fofas e cachorros mais fofos ainda. E pode ter caído na armadilha de acreditar que seus amigos – e os amigos dos amigos – estavam se divertindo muito mais do que você.
Victor Affaro
“Às vezes penso: o que eu e minhas fotos estamos fazendo aqui? ” gleidys salvanha, publicitária
“Às vezes penso: o que eu e minhas fotos estamos fazendo aqui? ” Gleidys Salvanha, publicitária
Não é de hoje que se espelhar nos outros para avaliar a sua própria vida é um comportamento comum. Mas é fato que as redes sociais conseguem deixar a felicidade alheia mais sedutora, transformando pessoas e situações em ideais. Imagens de “vida perfeita” sempre estiveram por aí, carregando a mensagem inquietadora: “Você poderia ser melhor”.
Ao ver amigos questionarem a própria vida depois de navegar pelo Facebook, o psicólogo Alexander Jordan, da Universidade de Stanford, na Califórnia, foi pesquisar o assunto a fundo. Em 2011, publicou uma série de estudos sobre como universitários avaliavam as emoções dos seus amigos. Concluiu que a maioria superestima a felicidade dos outros e subestima sentimentos negativos. Ao mesmo tempo, quanto menos os estudantes enxergavam experiências negativas na vida dos outros, mais reportavam solidão e tristeza na sua. Na apresentação do estudo, citou o filósofo iluminista Montesquieu: “Se quiséssemos apenas ser felizes, seria fácil. Mas queremos ser mais felizes que os outros, o que quase sempre é difícil, já que pensamos que eles são mais felizes do que realmente são”.
Um dos erros mais comuns nessa busca é ignorar que, por trás de cada imagem de perfeição, existe a vida real. A headhunter Josiane Menna, 30 anos, cai nesse engano quando acompanha as fotos de viagens alheias. “Instagram de quem viaja muito é o que mais mexe comigo. Eu queria estar ali”, confessa. Embora duas vezes por ano faça viagens para fora do Brasil, não consegue evitar a inveja quando as paisagens estrangeiras invadem o seu celular.
E Josi sabe que, claro, os viajantes mostram só os melhores ângulos. Ela faz o mesmo. “Fui para Nice [na região de Côte d’Azur, na França] e postei uma foto do mar azul, calmo, lindo. Só eu sabia que a minha perna estava toda marcada porque a praia é cheia de pedregulhos, e que paguei seis euros numa garrafinha de água”, ri. Mas esse é o jogo do aplicativo de fotos, acredita. “É a rede social dos momentos felizes.”
Para o teórico britânico Tom Chatfield, autor de Como viver na era digital, lançado pela editora Objetiva com o selo da The School of Life (do escritor e filósofo suíço Alain de Botton), “tentar mostrar ao mundo a melhor imagem de si mesmo é um pouco como se dedicar a um trabalho: você desenvolve habilidades, escolhe melhor as palavras e aparências que vai usar e obtém satisfação quando vê que seu produto teve sucesso”. O produto, no caso, é você mesma. “Vender-se como um objeto é uma espécie de busca pela perfeição. Mas ela pode te levar para longe do que você é, e para longe da felicidade e das relações honestas”, afirma Chatfield à Tpm. Faz-se muito isso na internet, diz ele, ainda que a rede não seja a responsável pela busca da perfeição – apenas oferece novas ferramentas para isso.
Victor Affaro
“Já entrei em crise por causa do perfil do namorado” Vanessa Queiroz, expert em imagem virtual
“Já entrei em crise por causa do perfil do namorado” Vanessa Queiroz, expert em imagem virtual
A publicitária Gleidys Salvanha, 44 anos, vê o bom uso dessas ferramentas na sua timeline. “Sigo muita gente do meio e, nesse mundo da publicidade, as pessoas têm um supersenso estético, postam fotos maravilhosas. Então, às vezes penso: ‘O que eu e minhas fotos estamos fazendo ali? [risos]’.” Por sorte – e por causa dos oito anos de terapia, que ela diz terem trazido calma – a angústia é passageira. “Logo volto a ficar satisfeita com o que tenho”, garante a diretora de mídia de uma das maiores agências do mundo, a Publicis.
Porém, dizer que “está satisfeita com o que tem” não significa que a vida está perto da ideal. Por trabalhar muitas horas por dia, Gleidys sente falta de passar mais tempo com a filha. “O mundo perfeito seria trabalhar oito horas diárias dia, levar e buscar a Sophia na escola, e acordar cedo com ela”, diz. Mas, em seguida, corrige essa imagem de vida ideal. “Ela não é perfeita para mim, que não consigo viver sem o meu trabalho.” Então por que ainda nos cobramos perfeição?
A vida como ela é
O problema começou há tempos. Mesmo. “Estamos marcados por uma divisão de milênios, na linguagem e no imaginário”, lembra a psicanalista Maria Lucia Homem, especializada em estética e literatura. “Essa busca de um plano ideal, diferente de tudo o que é feio, sujo, ‘mal’, é muito antiga.” Antiga tipo Grécia Antiga, quando o filósofo Platão, com a Teoria das Ideias, criou uma divisão entre a vida como ela é e o mundo perfeito. Resumindo: um plano real e outro ideal, duas coisas separadas. A confusão aumenta, segundo Maria Lucia, quando se busca esse lado ideal no mundo concreto – como se fosse possível.
“Todos querem a perfeição no Facebook, inclusive eu. Querem mostrar o melhor que têm, o que alcançaram”, diz a booker Milena Paes de Barros, 43 anos. Responsável pelo portfólio internacional da agência Way Model, das tops Alessandra Ambrósio e Carol Trentini, ela sabe exatamente o que é procurar a melhor pose. “Tenho que tirar muitas fotos das modelos, de vários ângulos, para que elas fiquem satisfeitas e aprovem para colocar nas redes sociais”, diz. Quando expõe algo da própria vida, não é diferente. “Não vou abrir para as pessoas que briguei com o meu filho. Agora, se ele me der flores, vou postar: ‘Olha que lindas as flores que ganhei do meu filho’. Naquele espaço você é a melhor mãe, a melhor amiga, a melhor profissional, a melhor de si.”
Victor Affaro
“Instagram de quem viaja muito é o que mais mexe comigo” Josi Menna, headhunter
“Instagram de quem viaja muito é o que mais mexe comigo” Josi Menna, headhunter
De acordo com o psiquiatra Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Grupo de Dependência de Internet – pois é, já foi preciso criar um, em 2006 – do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, vida virtual e vida social não são tão separadas assim. “Essa teoria de que, na internet, temos um ‘outro eu’ é uma grande bobagem. O que você está fazendo lá são ensaios do que você é na realidade”, afirma. Para ele, a rede é mais um lugar onde as pessoas vão buscar aceitação.
A designer Vanessa Queiroz, 36 anos, sabe bem disso. Sócia de um estúdio que gerencia a imagem de diversas marcas na internet, ela trabalha justamente para fazer com que o maior número de pessoas clique no curtir. Como pessoa física, em sua página pessoal no Facebook, mostra seu dia a dia no trabalho, palpita sobre política e tenta não sofrer quando comete um deslize (como a vez que postou uma piada sobre o estado de saúde do arquiteto Oscar Niemeyer e foi criticada).
Por se sentir à vontade no mundo virtual, estranhou quando o namorado a deixou de fora do perfil dele. “Entrei numa crise e falei: ‘Por que você não põe foto minha? Tem um monte de mulher que te segue e você não vai colocar foto minha?’”. O que Vanessa queria – a essa altura você já deve ter entendido – era que essas mulheres soubessem que o moço tinha dona. “Foi ciúme, possessão, aquelas coisas irracionais.” A crise passou sem nenhuma foto dela no perfil do rapaz. “Ele odeia postar fotos pessoais no Instagram. Disse que o perfil é dele, e respeitei.”
Essa discrição, no entanto, não é o comportamento mais comum nas redes. Ser visto, reconhecido e curtido a todo custo é uma necessidade real para muitas pessoas. E não estamos falando daquelas com perfis antissociais, mas de gente comum, sem dificuldade para fazer amigos ou paquerar. “Por mais soltas que sejam socialmente, muitas pessoas não têm uma sedimentação daquilo que são. Falta maturidade, confiança, autoestima. Pacientes dizem que, se ninguém curte algo que postaram, deletam o post. É como se eles se nutrissem da valorização que vem de fora. E isso é fugaz”, explica Nabuco.
Victor Affaro
“Todos querem a perfeição no facebook, inclusive eu” Milena Paes de Barros, booker
“Todos querem a perfeição no facebook, inclusive eu” Milena Paes de Barros, booker
Além do risco de se viciar nas redes, outro efeito da busca desenfreada por um curtir é a desconexão da realidade. Para Luli Radfahrer, um dos principais estudiosos de mídia eletrônica no Brasil, a perda de espontaneidade faz crescer uma bola de neve. “O Instagram foi feito para mostrar as coisas legais que você achou. O erro é ficar carente do “curti”. Se dependo do aplauso dos outros, começo a fazer qualquer coisa para garantir isso.” Como consequência, Radfahrer vê as pessoas tratando a própria vida como uma mídia. “A vida não é cinza nem colorida. Mas, quando vira entretenimento, o indivíduo se sente obrigado a fazer uma programação florida todos os dias. É um Show de Truman voluntário”, diz.
Keep calm
Curiosamente, a visão do especialista em novas mídias se aproxima do olhar milenar do budismo. “O trânsito não é bom nem ruim, tudo depende de como encaramos. A gente projeta a felicidade nos prazeres sensoriais, nos bens materiais e na nossa imagem”, afirma o monge Daniel, do centro Dharma da Paz, em São Paulo. Para o budismo, os fatos concretos importam menos que a maneira como os encaramos. “É na sua relação com as coisas que você define sua vida. E ela pode ser muito mais harmoniosa”, garante.
Segundo Daniel, falta educação espiritual para encarar o dia a dia. “Principalmente no mundo ocidental, vivemos à mercê das emoções. E elas nos levam para uma montanha-russa: gira, vira de ponta-cabeça, endireita de novo. Isso cansa, porque exige muita energia.” Um desgaste que chega não só aos templos, mas também aos consultórios. “As pessoas vêm perdidas, sem saber mais do que gostam”, diz a psicanalista Maria Lucia. Para ela, as cenas de perfeição compartilhadas à exaustão têm a ver com isso.
É o caso de se afastar das redes sociais? Não necessariamente. Mas vale colar um post it no computador para lembrar que, ali, se trata mais da vida como a gente gostaria que fosse do que da vida como ela é de fato.
Curti
O que significa o botão curtir? Três especialistas dão suas visões
“Ele não significa nada. É equivalente a uma palma protocolar, um tapinha nas costas, um sorriso. E é tão efêmero quanto. Se você dissesse pra mim: ‘Nesta semana recebi 180 sorrisos’, eu diria que você precisa de um psiquiatra urgente. Porque não se acumula esse tipo de coisa. É uma coisa bacana, espirituosa e bem colocada que você falou. As pessoas sorriram e pronto. Todo mundo move adiante. O problema é, na verdade, que isso se acumula, paralisa no tempo. E daí o indivíduo valoriza isso. E começa a falar: ‘Contei uma piada e ninguém riu. Meu Deus! Então vou contar uma piada mais incorreta para achar alguém para rir’.” Luli Radfahrer, estudioso e consultor de mídias sociais
“Uma das maneiras de entender o curtir é como uma indicação de que se está reconhecendo o outro publicamente. Isso seria parecido com chegar no trabalho ou na escola e dizer ‘oi’ para as pessoas. Você não quer iniciar uma conversa, mas pode ser considerado uma desatenção (no Brasil, pelo menos) entrar em um lugar desses sem falar com ninguém. Para algumas pessoas, portanto, curtir pode significar esse reconhecimento, esse ‘bom dia’, essa demonstração de que esse outro existe e que é importante para mim demonstrar publicamente a importância dele como um amigo.” Luciano Spyer, antropólogo digital
“É o superego contemporâneo. O superego tem o ideal de eu. Ele diz como você tem que ser, manda mensagens como ‘não faça isso’, ‘pare de comer’, ‘seja assim’. E o botão curtir reforça esse ideal. Aí, você faz tudo por ele.” Maria Lucia Homem, psicanalista

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