segunda-feira, 30 de junho de 2014

Moda das plásticas e tatuagens: Entre padrão e bizarro

Moda das plásticas e tatuagens: Entre padrão e bizarro

DIÁRIO DA MANHÃ
JOÃO JOAQUIM
Um fenômeno ou comportamento que mexe com as pessoas é a tal da moda vigente. Nesses tempos de comunicação tão fácil e massificada, sobretudo de imagens como a TV e internet, como se muda as tendências das pessoas em seus hábitos, usos, pertences, vestimentas e tantas outras atitudes e uso dos mais variados objetos e bens nas rotinas diárias.
Diversos fatores são responsáveis pelas mudanças dos hábitos da sociedade. Um setor que tem grande interesse em ditar a moda vigente são as próprias indústrias dos objetos de desejo de todas as pessoas. Os fabricantes dos bens cobiçados estão sempre de plantão. Eles vão explorar este filão de clientes, usando de todo o marketing para vender os seus manufaturados.
“A propaganda é a alma do negócio”. Este princípio na relação fabricante/consumidor será a pedra filosofal na meta de convencer o cliente a comprar os produtos anunciados. Assim vai suceder com os mais variados objetos e bens de consumo. O discurso das indústrias é sempre este: todos têm que estar na moda. Não importa se o consumidor vá penhorar até a alma ou endividar por 50 ou 100 meses. Mas, todos deverão estar na tribo dos que vivem e andam na moda.
Os veículos de mídia visual como as redes de televisão e internet são os maiores responsáveis por imporem os padrões vigentes. Quando estes canais de comunicação anunciam é fatal, aquele comportamento entra na moda. Até as tatuagens e cirurgias plásticas seguem este apelo.
A televisão ainda conta com outros componentes para aliciar as pessoas ao consumo. Além dos slogans bem elaborados com artes audiovisuais, tem-se o recurso dos chamados garotos-propagandas. Quem são esses garotos ou garotas-propaganda? São os mais belos e charmosos atores e atrizes das telenovelas assistidas por milhões de pessoas. Sabe-se que a maioria das pessoas pode até ser analfabeta absoluta e funcional, mas assistir TV todas assistem. Então elas são alcançadas por esses meios de comunicação.
O mesmo vale para muitas pessoas com “bom nível de escolaridade”. Parcela significativa desta  classe de gente pode até não dispor de uma biblioteca mínima em casa, mas ela sabe o que se passa na TV, quais são as novelas mais interessantes, os “reality shows” em andamento, quais atores (atrizes) mais badalados e por aí vai.
No Brasil um outro cenário que tem imposto sua moda é o mundo do futebol. São os jogadores com seus cortes de cabelo exóticos e cores mutantes ao sabor do sucesso pessoal ou de seus times, as roupas, os brincos e até os chavões criados nas entrevistas. E as tatuagens? “ Pelas barbas dos profetas”, diria um conhecido locutor que anda meio sumidão. Por onde você anda Silvio Luiz? As tatuagens, que mais parecem emporcalhar e enodoar a pele dos adeptos desses adereços pictóricos constituem um campo para análise de antropólogos e psicanalistas. Algum destes cientistas poderia nos dar uma luz das motivações e significados psíquicos para essas indeléveis pinturas cutâneas? Eu não consigo entender por que de tanta sujeira e lixo  tegumentar.
Agora se tem uma moda que anda revolvendo a cabeça e corpo das pessoas se chama cirurgias plásticas ou estéticas. Aliás, hoje se tornou até difícil separar o que seja uma cirurgia reparadora, plástica ou estética. Quase ninguém está satisfeito com o corpo e órgãos com os quais nasceu. E aqui torno à grande influência exercida pela televisão com seu “staff” de atores e atrizes. No mundo televisivo ninguém aceita uma ruga, uma flacidez, uma estria, um bumbum ou seio fora dos padrões tidos como belos. Assim a plebe, o povão, ricos ou pobres têm que a todo custo seguir os modelos de beleza e de comportamento a que se assistem todos os dias. Nem que para tanto e tão caros procedimentos se financie estes sonhos e desejos de consumo em intermináveis e suadas prestações no cartão de crédito ou outros tipos de financiamento
Impossibilitas de participar da moda vigente, muitas pessoas se tornam angustiadas, deprimidas e  neurotizadas; e para estas deformações do humor e do espírito ainda não criaram nenhuma cirurgia plástica ou estética ou tatuagem . Que feio, que triste!
http://www.dm.com.br/texto/181969
“Um setor que tem grande interesse em ditar a moda vigente são as próprias indústrias dos objetos de desejo de todas as pessoas. Os fabricantes dos bens cobiçados estão sempre de plantão. Eles vão explorar este filão de clientes, usando de todo o marketing para vender os seus manufaturados”
(João Joaquim, médico, cronista do DM, e-mail: joaomedicina.ufg@gmail.com)

domingo, 29 de junho de 2014

Anvisa interdita alimento infantil e suspende produtos e propaganda


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A Anvisa determinou a interdição cautelar, por 90 dias, de dois lotes do Alimento em Pó para Dietas com Restrições de Fenilalanina da marca Profenil 2, fabricado pela empresa Dynamic Lab Indústria Farmacêutica Ltda. Os lotes interditados são os de número 07N042 22 e 02P082. Nos dois casos foram identificadas variações da composição em relação a lista de ingredientes declarados no rótulo dos produtos.

No caso do lote 07N042 22, foram feitas análises que apontaram para a ausência do aminoácido isoleucina, declarada no produto. Já no lote 02P082foi identificada a presença de 9,79g do aminoácido isoleucina, isto é, 117% acima do valor de 4,5g declarado no rótulo. Também foi apontado que o lote não contém o aminoácido valina na composição, apesar de constar na lista de ingredientes.

A Vigilância Sanitária do Paraná recebeu informações de que crianças portadoras de fenilcetonúria tiveram reações adversas após consumir o produto, mas não há conclusão sobre a relação entre as reações e a variação da composição do produto.

Medicamentos falsificados
A Agência determinou a apreensão e inutilização, em todo o país, do lote Z0018 do medicamento Glivec 400 mg (mesilato de imatinibe), apresentação de 30 comprimidos revestidos. A empresa Novartis Biociências SA, detentora do registro do medicamento, informou que existem no mercado unidades falsificadas do lote em questão. A investigação técnica verificou irregularidades na rotulagem do medicamento, tais como não constar na tarja vermelha da embalagem a tinta reativa “Raspe aqui”.

Também foi determinada a apreensão e inutilização do lote nº CC30141 do medicamento Hormotrop (somatropina), na apresentação de 12 UI Pó Liófilo Injetável. O Laboratório Químico Farmacêutico Bergamo Ltda, fabricante do produto, informou que o lote em questão foi destinado somente a órgãos públicos. As unidades do lote disponíveis para venda em estabelecimentos comerciais são, portanto, falsificadas.

Suspensão de saneantes e cosmético

Foi determinada a suspensão da fabricação, distribuição, divulgação, comercialização e uso do produto Mund Paracetic, bem como todos os saneantesproduzidos pela empresa Ps Monteiro Cezar Distribuidora de Medicamentos e Antissépticos Hospitalares. A medida é por conta da empresa não possuir Autorização de Funcionamento.

Já o cosmético Sete em um Professional Minas Flor, fabricado pela empresa Inbras – Indústria Brasileira de Cosméticos Ltda foi suspensa por apresentar formulação e indicações distintas das aprovadas por esta Agência.
Suspensão de propaganda

Todas as propagandas relativas ao produto Reneaste que o atribuíam propriedades não estabelecidas pela Legislação Sanitária estão suspensas, sejam elas divulgadas no site do produto ou em qualquer outro tipo de mídia. As propagandas faziam indicações de que o produto possui propriedades medicinais ou terapêuticas, induzindo o consumidor ao engano em relação a verdadeira natureza do produto.
http://consumidormoderno.uol.com.br/experiencia/anvisa-interdita-alimento-infantil-e-suspende-produtos-e-propaganda
DIETA INFANTIL? E A TAL DA REEDUCAÇÃO ALIMENTAR? NÃO SERIA A ETAPA DA EDUCAÇÃO ALIMENTAR 

Consumidor.gov.br: estrada sem retorno e sem acostamento para a excelência

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O Governo Federal lançou hoje o portal Consumidor.gov, um site que media os diálogos entre consumidores e empresas e situações de conflitos de consumo que não foram resolvidas por meio do contato direto entre clientes e empresas.

A versão beta do site já pode ser usada pelos consumidores dos seguintes estados:  Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.  Até dia 1 de setembro de 2014 os serviços do site estarão disponíveis para todo o país.

O Consumidor.gov.br permite ao consumidor registrar reclamações direcionadas às empresas cadastradas mediante um cadastro simples, com nome e CPF. O consumidor pode acompanhar o status da sua demanda por meio da página.

A iniciativa foi tomada com o intuito de diminuir o número de casos encaminhados para o setor judiciário e é gerida pela Senacom (Secretaria Nacional do Consumidor) em parceria com os Procons e órgãos de defesa do consumidor estaduais. O lançamento do site faz parte do ENAJUD, Estratégia Nacional de Não Judicialização das demandas de consumidores, para que os conflitos sejam resolvidos de forma mais rápida e desburocratizada.

"Temos quase 6 mil municípios no Brasil e somente 800 possuem Procons. A partir de agora, vamos ampliar esse escopo de atendimento", diz a Secrerátia Nacional do Consumidor, Juliana Pereira da Silva.

O termo de compromisso do portal Consumidor.gov.br foi assinado pelo presidente da Associação Brasileira de Procons, Gisela Simona. "Essa é uma ferramenta que auxiliará milhares de consumidores que não tinham onde reclamar e, muitas vezes, recorriam às redes sociais. Essa é uma oportunidade de as empresas melhorarem os serviços prestados ao cidadão", diz.

Essa é também uma grande oportunidade de emancipação do consumidor brasileiro, que poderá libertar-se definitivamente do jugo do mau atendimento. "O consumidor poderá ter um critério de escolhas melhor para optar pelas empresas que, de fato, representam seus direitos", afirma Valter Moreira Leite, vice presidente do Banco do Brasil.

"O Consumidor.gov será uma revolução no tratamento das reclamações dos consumidores e possibilitará à sociedade avaliar as empresas, que poderão aprimorar o seu atendimento do ponto de vista do consumidor. Essa é uma estrada sem retorno e sem acostamento", finaliza Ricardo Floresta, da Claro.
 onsumidormoderno.uol.com.br/ultimas-noticias/consumidorgovbr-estrada-sem-retorno-e-sem-acostamento-para-a-excelencia

Mesmo conectado, parte dos Neoconsumidores ainda teme comprar online


Brasileiros têm receio de fraudes e problemas na entrega. Apesar de pesquisarem na internet e considerarem os preços vantajosos, 18% nunca finalizaram uma aquisição na web

Por Luisa Medeiros, do Mundo do Marketing | 27/06/2014

luisa@mundodomarketing.com.br

As pessoas que emergiram das classes C e D, além de ingressarem em novas categorias de compras, também se incluíram no universo digital. Entre os chamados Neoconsumidores, o e-commerce já se popularizou, especialmente para aquisição de pacotes de viagem, smartphones e eletrônicos. As compras online, entretanto, ainda não são uma unanimidade: 13% destes consumidores nunca finalizaram um pedido na internet, de acordo com a terceira e mais recente onda do estudo brasileiro de hábitos de consumo multicanal, da Gouvêa de Souza.
Entre os principais empecilhos para a finalização de uma transação, 51% dos entrevistados apontam o medo de não receberem o produto comprado. Outras barreiras como os riscos de fornecer informações bancárias e dados pessoais, não poder levar o item na hora e o custo do frete também contribuem para a insegurança. Esse cenário demonstra que o consumo online está em fase de maturação no Brasil, mas, mesmo entre aqueles que não confiam em misturar dinheiro e internet, o hábito de pesquisar online já é natural. Entre os brasileiros, 47% dizem checar preços online e considerar os produtos neste canal mais baratos.
Para quem está inserido em redes sociais ou tem o hábito de realizar buscas na internet, a rede influencia as compras físicas. “É um erro pensar que, por uma compra ser concluída no varejo físico, a internet não tenha influência na decisão desse consumidor. Influencia, sim, à medida que os amigos comentam nas redes sociais ou ele clica em um banner e depois vai até uma loja física”, avalia Sérgio Lage, Consultor e Professor de Comportamento do Consumidor dos MBAs da ESPM e FIA, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Importância do investimento multicanal
A internet permeia todos os processos de compra, mesmo de quem não consome especificamente no canal, mas está conectado de alguma forma. Os consumidores recebem informações de produtos e marcas constantemente em anúncios nas páginas que costumam navegar na internet, inclusive misturados às publicações de amigos em redes sociais. Enquanto os brasileiros assistem à TV, o smartphone é utilizado por 74% deles para conseguir mais informações sobre um item divulgado, de acordo com uma pesquisa do Ibope.
Se bem explorado, este comportamento pode ser positivo para aumentar vendas tanto no varejo online quanto no físico. Para as empresas que atuam em multicanais, com lojas físicas e página na internet, mesmo que o cliente tome conhecimento do produto na web e compre no ponto de venda, o esforço online será válido. Já para as que são exclusivamente online, o desafio é personalizar as ofertas o máximo possível.
O excesso de informações simultâneas aumenta ainda mais o desafio, pois antes de vender é necessário ganhar um espaço na memória do público-alvo. “O neoconsumidor não quer uma empresa que diga “compre”, ele quer aquela que o conhece. Não temos muito tempo para prestar atenção a todas as ofertas que chegam até nós. Elas precisam, por isso, ser diferenciadas e ir direto ao ponto”, avalia Sérgio Lage.
Conquistar a confiança é o maior desafio
Os novos consumidores que navegam na internet, mas ainda não compram por ela, são um target que desafia as marcas a se aproximarem e conquistarem sua simpatia. A principal desconfiança está relacionada à idoneidade dos sites, pois os consumidores temem que a loja não exista de verdade e que a sua segurança bancária esteja nas mãos erradas. “O caminho é uma aproximação didática. É necessário informar o consumidor. A empresa precisa deixar claro que possui um ambiente seguro, por meio de selos e sistemas de pagamento reconhecidos”, comenta Luiz Felipe Cota, CMO da Goomark, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Para conquistar esta proximidade, algumas companhias como Dafiti, Netshoes, Mercado Livre, OLX, Hotel Urbano e Bomnegocio.com investiram também em mídia fora da internet. Lançando mão de banners em ônibus, anúncios em revistas, inserções na televisão e até em lojas físicas, no caso do Hotel Urbano, as marcas pretendem conquistar relevância mesmo para os consumidores mais tradicionais. “Quando uma marca anuncia muito, o pensamento que se firma na mente do consumidor é basicamente este: alguém que se mostra tanto e que investe constantemente só pode ser sério. Consequentemente atrai a confiança”, diz Roberto Cassano, Diretor de Planejamento e Estratégia da Agência Frog, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Mas não adianta apenas as marcas comunicarem nesses meios tradicionais. A interatividade na web também é muito importante, já que 90% dos novos consumidores contam com perfil no Facebook e produzem conteúdos próprios. O que os outros consumidores falam ganha muito crédito. Estas mensagens podem alterar, inclusive, decisões de sua rede de contatos. Em uma escala de cinco, as opiniões de clientes alcançam 4,1 de aceitação, superando até os 3,6 de impacto gerado pelos comentários de especialistas.
Um comentário negativo de um consumidor que não seja respondido da melhor forma pode ser mais destrutivo do que uma crítica em um canal especializado no segmento em que a marca atua. “O Reclame Aqui assumiu o papel do Procon Online. Já quando a ideia é indicar um serviço, a opinião de um conhecido vale mais do que a de 200 estranhos”, diz Roberto Cassano.

Online ainda não substitui o contato físico
Os canais tradicionais ainda prevalecem no quesito contato. Na opinião de 54% dos consumidores, o atendimento pessoal e o bate-papo com o vendedor ainda não podem ser plenamente substituídos por um tour em um site, de acordo com a Gouvêa de Souza. Eles valorizam a possibilidade de ver o produto que pretendem adquirir de perto e experimentar. A experiência no ponto de venda física é importante para 24% dos brasileiros. “Uma empresa pode ter o totem mais sofisticado, mas as pessoas ainda preferirão falar com o segurança”, diz Roberto Cassano.
Estas características são ainda mais fortes em quem conheceu a tecnologia depois de adulto Essas pessoas não substituem o contato pessoal por interfaces digitais. Para se aproximar deste público, as empresas devem investir em diálogo, por meio de blogs e canais da marca nas redes sociais.  “Os players disputam a atenção dos consumidores que já são multiconectados e se esquecem de se comunicar com aqueles que ainda preferem o varejo físico. Quem conquistar esta camada sairá na frente na concorrência”, avalia Luiz Felipe Cotta.
Outra lacuna que existe entre os canais on e offline é a entrega: 22% dos consumidores não gostam de esperar dias para receber seus pedidos. Para compras de conveniência, produtos de supermercado ou itens emergenciais, como medicamentos, mesmo os usuários mais conectados preferem o varejo tradicional. Isso acontece porque o online ainda tem deficiências em logística. São raros os canais de e-commerce que se propõem a entregar os produtos no mesmo dia e, quando fazem, atendem a poucas regiões ou cobram taxas altas, que são responsáveis pela desistência de 9% dos consumidores durante o processo de compra.
 

Médico se especializa em cirurgia nos pés para sapato de grife calçar melhor


Procedimento estético que muda o formato e o tamanho do pé se populariza nos EUA. Pacientes levam o sapato que querem usar após operação ao cirurgião

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Cirurgia estética para os pés crescem nos EUA (Foto: Getty Images)

O conto de fadas de Cinderela poderia não ter um final feliz, se dependesse de uma nova moda em cirurgias plásticas. Segundo reportagem do jornal "The New York Times", operações para deixar os pés mais bonitos e fazê-los calçarem melhor sapatos de grife estão se popularizando nos EUA. O foco sobretudo são os dedos dos pés.
Há até nomes para os procedimentos: Perfect 10 para encurtar os dedos; Model T para crescer os dedos; e o mais radical de todos, Cinderela, no qual o pé é remodelado para o formato de um sapato que se deseja usar. Nesse caso, as irmãs invejosas não teriam problema algum para fazer o sapatinho perdido entrar em seus pés.

"As pacientes me traziam os sapatos que elas sonhavam em usar", contou ao jornal. "A princípio, parece algo superficial, mas percebi que esses sapatos são armas para se ter maior confiança, eles são parte da pele dessas mulheres. Isso é o mundo real", argumenta.
No início, Sadrieh até achou um excesso de vaidade as pacientes que pediam para se submeter a cirurgias porque seus pés doiam ao usar sapatos de grife. Mas acabou mudando de ideia.

Fabricando consumidores

Fabricando consumidores
Alvo certo: crianças brasileiras passam, em média, 5h22 em frente à tevê


Proibição do Conanda à publicidade infantil 
é ignorada. Para especialistas, falta 
de maturidade das crianças as torna 
um público mais suscetível ao 
apelo das marcas
//Por Thais Paiva
Elas participam de 80% das decisões de compra da família, segundo a Interscience, e passam, em média, 5 horas e 22 minutos diários em frente à televisão – o tempo, estimado pelo IBGE, é superior ao despendido em período escolar no Brasil ou no convívio com os pais.  São elas que apresentam aos familiares novos produtos e os informam sobre o que está ou não na moda. Em outras palavras, as crianças são um importante e rentável alvo para os anúncios publicitários e outros tipos de comunicação mercadológica. O fato pode ser constatado pela quantidade de personagens de desenhos e filmes infantojuvenis que estampam marcas de roupas, brinquedos, materiais escolares e produtos alimentícios. A mensagem dos comerciais é invariavelmente a mesma: as crianças mais felizes e populares são aquelas que possuem determinado item. E, claro, os bons pais, aqueles que presenteiam seus filhos com ele. 
 
Pauta constante nas casas e escolas, a discussão acerca da publicidade e do consumismo infantil ganhou novo fôlego em março deste ano com a aprovação da Resolução nº 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Conanda, órgão vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O texto passa a classificar como abusivas todas as formas de publicidade dirigida às crianças e adolescentes. Combinada ao artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, que prevê como abusiva e ilegal a publicidade que se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, a resolução tem força para proibir a veiculação desse tipo de propaganda. Segundo o documento, estão banidas quaisquer comunicações mercadológicas com intenção de persuadir esse público ao consumo, utilizando-se, entre outros, de uso de linguagem infantil, efeitos especiais, excesso de cores, trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança e participação de celebridades e personagens com apelo ao público infantil.
 
A resolução, porém, não está sendo respeitada pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), a Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) e outras entidades ligadas ao ramo publicitário, que declararam que “reconhecem o Poder Legislativo, exercido pelo Congresso Nacional, como o único foro com legitimidade constitucional para legislar sobre publicidade comercial” e que “a autorregulamentação exercida pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) é o melhor e mais eficiente caminho para o controle de práticas abusivas em matéria de publicidade comercial”.
 
“A resolução do Conanda não é lei e não pode infringir a Constituição Federal, por isso, entendemos que não tem aplicação legal”, diz Paulo Gomes de Oliveira Filho, assessor jurídico da Abap. “A resolução estabelece que pelo simples fato de ser direcionada ao público infantil já é uma propaganda abusiva, não importa que o conteúdo não o seja, o que é um absurdo.” Para o advogado, a publicidade é um ponto infinitamente pequeno dentro da orientação da criança. “Não dá para colocar a propaganda como a caixa de Pandora, responsável por todos males do mundo, pela obesidade infantil, por exemplo. São os pais que sabem se devem ou não levar o filho ao fast-food e se ele pode comer um ou dois sanduíches”, diz. 
 
Para Diego Medeiros, defensor público do estado de São Paulo e representante da Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude no Conanda, a Resolução nº 163 soma esforços ao Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para maior compromisso e responsabilidade da sociedade em relação ao tema. “Os operadores de direito devem ficar atentos para que a aplicação harmônica desses três instrumentos normativos seja pauta no cenário político brasileiro. A resolução traz respaldos e princípios definidos dentro do ECA e deve repercutir de forma administrativa ou até mesmo judicial, no sentido de fazer os publicitários se responsabilizarem por condutas consideradas abusivas”, diz.
 
A aprovação do documento foi festejada pelo Instituto Alana, organização sem fins lucrativos de assistência social, educacional e cultural para crianças, que vem lutando a favor da proibição desde 2006. “A criança não tem desenvolvimento cognitivo para compreender a intenção persuasiva das mensagens publicitárias, o que é real e o que não é. Logo, não existe relação de igualdade entre anunciantes e público infantil. Com a proibição, elas serão poupadas desse apelo consumista, dessa inversão de valores onde para ser alguém na vida ela precisa ter tal coisa”, diz Isabella Henriques, diretora do instituto. A responsabilidade de cuidado das crianças, defende Isabella, não é exclusivamente da família, mas também da sociedade e do Estado. “Os pais têm sua responsabilidade, sem dúvida, mas eles não têm como lutar contra essa avalanche de anúncios publicitários sozinhos, que entram em casa por diversos veículos de comunicação e instituições. Cabe ao poder público fazer uma regulação e às empresas respeitar essas normas”, aponta.
 
Em resposta à postura das empresas, o Instituto Alana encaminhou em maio uma denúncia à Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça. Segundo nota da organização, as campanhas publicitárias continuam falando diretamente com as crianças. Boa parte das trilhas sonoras, linguagem e personagens utilizados ainda têm conotação voltada diretamente ao público infantil. A Senacon comprometeu-se em analisar o caso. 
 
Infância vs. consumo
 
Ao contrário do que alegam as entidades publicitárias, a propaganda tem um impacto direto e nocivo na vida e desenvolvimento dos pequenos. É o que retrata o documentário Criança, a Alma do Negócio (2008), dirigido por Estela Renner (de Muito Além do Peso). Sob um olhar crítico, o filme revela como as marcas manipulam o desejo e a fantasia infantis, a fim de transformá-los em consumidores mirins. Em uma das cenas, a psicóloga Roberta Carneiro mostra para um grupo de crianças um cartão com a imagem de um avestruz. Nenhuma criança consegue dizer o nome do animal. Mas o cenário é bastante diferente quando os cartões trazem os logotipos de empresas de telefonia. As respostas são instantâneas, estão na ponta da língua.
 
Para a psicóloga norte-americana Susan Linn, diretora da Campanha por Uma Infância Sem Comerciais (CCFC) e autora do livro Crianças do Consumo: A infância roubada, a publicidade e o marketing podem ser apontados como um fator constitutivo dos problemas que as crianças enfrentam hoje. “Não são a única causa, é importante destacar. Mas são um fator da obesidade infantil, dos distúrbios alimentares, da sexualização precoce das meninas, da violência juvenil, do estresse familiar e um fator importantíssimo na aquisição de valores materialistas, a falsa noção de que marcas ou as coisas que compramos nos farão felizes”, disse durante o II Fórum Internacional Criança e Consumo, promovido pelo Instituto Alana. 
 
Além disso, a publicidade dirigida ao público infantil vale-se da falta de autonomia e maturidade da criança para vender seus produtos, dizem os especialistas. “O adulto tem capacidade de escolher, de discernir se aquela propaganda é fantasiosa ou real. A criança, não. Quando uma propaganda diz que sem aquele produto ela não será feliz, para ela aquela mensagem traduz um fato”, diz Júlio Pompeu, professor de Ética do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da Universidade Federal do Espírito Santo. Essa diferença entre realidade e ficção só é construída mais tarde. “Basta ver uma criança brincando com uma caixa de papelão como se fosse um carrinho. Se você chuta a caixa, ela chora não porque você chutou o papelão, mas porque chutou o carrinho”, diz.
 
Pompeu ressalta ainda que a publicidade infantil não está circunscrita à propaganda de brinquedos e outros itens do universo da criança. “Quem fica mais tempo em casa vendo tevê são as crianças. Os anunciantes sabem que é com elas que precisam conversar. Então colocam na propaganda de celular uma criança falando para elas se identificarem, usam a criança para atingir o adulto.” A ideologia consumista presente na publicidade estimula também a precocidade, tratando as crianças como “miniadultos”, pois quanto mais cedo se tornarem consumidores, melhor. “Erotiza-se a criança, principalmente as meninas. Há um discurso machista muito presente que qualifica a mulher quanto à sua beleza. A menina legal é a princesa. Aquela que é bonita e não a que é competente”, diz o professor. 
 
A promessa de felicidade  impacta não apenas o indivíduo, mas a sociedade como um todo. Segundo Isabella, a criança de uma família com recursos pode até ter seus desejos atendidos, mas nunca ficará feliz. “O mercado não quer o cliente satisfeito, e sim querendo sempre mais”, diz. Por outro lado, a criança que não tem tantas condições vai continuar nutrindo o desejo da posse, se sentindo inferior aos demais. “Isso pode influir em uma passagem para o campo da violência. Pesquisas já mostram que um dos fatores que levam crianças e adolescentes a se envolverem em roubos, furtos ou tráfico de drogas é o desejo de ter produtos que possam levá-los a ter status social”, aponta Isabella. 
 
A generificação, ou seja, a distinção entre gêneros, é outro ponto exacerbado pela publicidade, diz Amana Mattos, professora de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pesquisadora na área de Infância, Juventude e Gênero. “Hoje você encontra fralda descartável para meninos e para meninas, pois assim se criam necessidades específicas, novos nichos de consumo. Se antes você comprava uma bola para ser compartilhada entre um casal de filhos, hoje você tem de comprar duas, porque tem bola de menino e de menina. Isso também acontece em relação às idades: criam-se subdivisões, fases, dentro da infância e com isso novas possibilidades de venda”, conta. 
 
Entretanto, Amana ressalta que a proibição da publicidade dirigida ao público infantojuvenil, por si só, não resolve o problema. “A questão central é: que valores estão sendo passados para as crianças? Proibir não resolve o problema que é o consumo naturalizado em nossa sociedade”, diz. Para a professora, é papel da escola e dos pais discutirem sobre a questão. “É importante construir uma capacidade crítica nas crianças e adolescentes. Mostrar como a publicidade cria vontades, necessidades inventadas, totalmente desconectadas com o nosso cotidiano.”
http://www.cartafundamental.com.br/single/show/240

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