sábado, 20 de setembro de 2014

Turismo hospitalar atrai estrangeiros em busca de cirurgias plásticas

Barra em Branco

SET182014
TURISMO HOSPITALAR ATRAI ESTRANGEIROS EM BUSCA DE CIRURGIAS PLÁSTICAS
 
Letra.:

·         Setor especializa-se para receber pacientes que buscam o conforto dos quartos de hotel aliado à segurança dos hospitais

O chamado turismo hospitalar tem atraído turistas do mundo todo, em busca dos melhores profissionais e de instalações de ponta, a preços mais vantajosos, para a realização de diversos procedimentos médicos e cirúrgicos. México, Costa Rica, Índia e Tailândia atraem, anualmente, milhões de pessoas, movimentando a economia do setor.

O Brasil tem alcançado, ao longo dos anos, renome internacional, quando o assunto são os procedimentos plásticos e reconstrutivos, devido à qualidade dos profissionais e das instalações hospitalares. O país ocupa, atualmente, o segundo lugar no ranking mundial do número de cirurgias plásticas, atingindo 905.124 procedimentos, por ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC).

O turismo médico no Brasil é um mercado promissor, levando os hospitais a investirem em acomodações mais modernas e confortáveis, os denominados hospitais hotéis ou de luxo. Na região de Sorocaba, o Hospital Santo Antônio de Votorantim (SP) aposta neste nicho de mercado e tem atraído pacientes de diversas cidades da região, em busca de instalações mais aconchegantes e requintadas, porém com toda a segurança e modernidade presentes em um hospital. “Apesar de ser um procedimento cirúrgico, com os mesmos riscos oferecidos em qualquer outra intervenção, a cirurgia plástica e reconstrutiva envolve autoestima, bem-estar e aconchego e, atualmente, estes pacientes buscam acomodações mais intimistas, com a mesma estrutura oferecida nos melhores quartos de hotéis, sem abrir mão da segurança oferecida pela equipe médica e pela estrutura hospitalar”, ressalta o diretor do Hospital Santo Antônio de Votorantim (SP), Adalton Dalashesi.

Cláudia Jane Sanches de Oliveira, 45 anos, realizou uma abdominoplastia há quatro meses e, no momento da escolha do hospital, levou em consideração a segurança e o conforto. “Neste momento, gostaria de contar com o apoio da minha família em um ambiente tranquilo e seguro”, ressalta Cláudia.

O Hospital Santo Antônio de Votorantim chega a receber, mensalmente, 80 pacientes de cirurgias plásticas e, para absorver esta demanda, vem se especializando neste tipo de atendimento, oferecendo equipe de enfermagem especializada no procedimento, o que não é comum no setor. Outro diferencial está nas acomodações especiais.  Os apartamentos possuem TV de LCD, armário privativo, ar condicionado, secador de cabelo, poltrona, sofá-cama, itens de higiene e beleza, que são entregues como lembrança, roupas de banho, ramal direto com a copa e frigobar abastecido com sucos, frutas e outros alimentos naturais. O usuário ainda dispõe de uma governanta, apta a atender todas as suas necessidades extras. O serviço cinco estrelas ainda é completado por uma nutricionista, que avalia a melhor opção de cardápio para cada paciente.

Dr. Ricardo Protto, cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e integrante da equipe médica do hospital, destaca a tranquilidade do profissional em ter disponível a assessoria de uma equipe de enfermagem especializada e treinada, além de materiais cirúrgicos de qualidade e procedência. “São serviços que deixam o cirurgião mais tranquilo e seguro no momento da cirurgia”, afirma Protto.
http://www.segs.com.br/saude/9680-turismo-hospitalar-atrai-estrangeiros-em-busca-de-cirurgias-plasticas.html

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Cidade chinesa cria faixa exclusiva para usuários de celular

Cidade chinesa cria faixa exclusiva para usuários de celular
Em Chongqing, pedestres podem escolher entre calçada normal ou 'pista' voltada para usuários de celular
Por Bruno Capelas
FOTO: Reprodução/Twitter
CHONGQING – Quem nunca tropeçou, quase bateu a cabeça no poste ou esbarrou em ninguém enquanto andava na rua usando seu smartphone? Buscando prevenir esse tipo de acidentes, uma cidade chinesa teve uma ideia criativa: a partir de agora, pedestres de uma rua de Chongqing têm opções no percurso de uma calçada de 165 metros, podendo andar em uma faixa normal ou em uma faixa exclusiva para quem está usando seu celular.
“Existem muitos idosos e crianças na nossa rua, e andar com um celular pode causar acidentes desnecessários por aqui”, disse Nong Cheng, responsável pelo marketing do grupo responsável pela área central de Chongqing.
A ideia é baseada em um experimento conduzido pela National Geographic no começo desse ano em Washington DC (EUA), supostamente feito para aumentar os cuidados com a falta de atenção que muitas pessoas têm ao usar seus smartphones enquanto andam por aí.
O problema de se andar por aí sem prestar atenção em nada além da telinha à frente não é exclusivo da China. De acordo com a Universidade de Washington, um em cada três americanos está ocupado com um smartphone ou outro tipo de dispositivo enquanto atravessa a rua em cruzamentos perigosos. Além disso, o departamento de transportes dos EUA estabeleceu recentemente uma conexão entre a quantidade de atropelamentos e mortes de pedestres e o uso de smartphones.
Entretanto, a prática de faixas exclusivas para quem está usando um smartphone não parece bem sucedida: logo após a introdução da faixa em Chongqing, ela parecia não fazer muito sucesso. “Quem está usando smartphones não usou a faixa exclusiva na calçada. Eles nem notaram que ela existia!”, dizia Nong.
FOTO: Reprodução
/ ASSOCIATED PRESS

Por que é importante entender o seu cliente para vender mais

 

Especialista em vendas afirma que o preço nem sempre é o fator decisivo para vender um produto ou serviço

Editado por Camila Lam, de
Kevork Djansezian/Getty Images
vendedor

Por que é importante entender seu cliente para vender mais
Escrito por Marcelo Ortega, especialista em vendas
Muitos vendedores culpam o mercado, a crise ou o próprio cliente quando não conseguem fechar uma venda. Hoje, não dá para ficar lamentando quando as vendas do negócio não estão boas. Quando comecei na área de vendas, ouvi pela primeira vez o velho ditado “enquanto uns choram, outros vendem lenços”. É importante que donos de pequenas empresas reflitam: sua empresa vende como vendia há dez anos?
Só seremos vendedores de sucesso quando estivermos conscientes de que o cliente é o protagonista da venda. O cliente não será fiel se não formos fiéis a ele e o consumidor não precisa daquilo que vendemos quando a proposta da empresa é igual a de todos os concorrentes. Consumidores pagam mais quando recebem mais e eles não podem ser julgados pelo que aparentam.
O cliente é capaz de promover a ascensão da sua marca, assim como a sua destruição. Para vender mais e melhor é preciso entender que os clientes são diferentes e não será possível entendê-los sem antes se preparar para as seguintes situações:
1. O preço é o mais importante
Se o cliente compra de acordo com o preço, neste caso o vendedor deve praticar a venda transacional. Quase não existe envolvimento, apenas a troca do produto/serviço pelo dinheiro.
2. Os benefícios da compra são essenciais
O cliente valoriza a qualidade do produto ou serviço. Principalmente os benefícios que ele terá como conforto familiar, lucratividade de sua empresa, produtividade dos funcionários, segurança, status, saúde, entre outros.
3. A orientação é fundamental
Nesse caso, o cliente compra com base no relacionamento que tem com o vendedor. Ele necessita de apoio para escolher aquilo que melhor atenda sua necessidade e prefere ser orientado. Este tipo de cliente é aquele que demanda uma venda empreendedora, de alto nível de envolvimento.
Lembrando que quanto maior o nível de envolvimento, mais investimento de ambos os lados. O cliente pagará mais, desde que ache justo e esteja convencido. Nem sempre o preço é o principal fator de decisão de compra, às vezes, ele precisa se sentir seguro e ter certeza de que está fechando um bom negócio.
O cliente que demanda pouco envolvimento é aquele que a compra é focada no preço. Pode ser uma resposta ao vendedor despreparado, tirador de pedidos, que não precisa fazer perguntas.
Quanto mais você entender o cliente antes de atender, mais irá definir o potencial e o nível de envolvimento. O investimento que você faz é absolutamente proporcional ao que o cliente investirá em você, em termos de tempo e dinheiro. Sucesso e inteligência em vendas!!
Marcelo Ortega é especialista em vendas, palestrante e consultor empresarial.
http://exame.abril.com.br/pme/noticias/por-que-e-importante-entender-o-seu-cliente-para-vender-mais
 

domingo, 14 de setembro de 2014

Revista Claudia - fevereiro - 2014 / Ela superou o cativeiro

Superação: ela viveu mais de um ano em cativeiro e conseguiu passar por cima do o trauma

Aos 27 anos, canadense Amanda Lindhout foi sequestrada por um grupo rebelde na Somália. Ficou refém por 15 meses. Conheça a história, que virou livro.

Publicado em 10/03/2014
Isabella D' Ercole
A experiência Amanda Lindhout  virou livro
Foto:
Aprendi desde cedo a me virar e a ser forte. Meus pais se separaram quando eu era criança e minha mãe se casou com um homem violento, o que tornou nossa casa um ambiente instável. Morávamos em uma cidade pequena e, aos 19 anos, mudei com meu namorado para uma maior.Arranjei emprego de garçonete – pela primeira vez, tinha o próprio dinheiro e podia investir no que quisesse. Escolhi viajar. Trabalhava seis meses, poupava e partia. Assim, fui à Índia, Venezuela, Nicarágua...
Estava solteira quando cheguei à Etiópia, em 2006. Lá, conheci Nigel Brennan, um fotógrafo australiano. Nossa conexão foi imediata e engatamos um namoro. Rompi ao descobrir que ele era casado. Mas continuamos a nos falar como amigos. Nessa época, mesmo sem ser formada, eu já colaborava com veículos de comunicação mandando as boas histórias que achava no caminho. Então, surgiu a chance de trabalhar em Bagdá para uma TV iraniana. Fiquei animada. Morei lá apenas sete meses e já senti desejo de ter outro desafio.

A Somália

O país, que me atraía, estava em guerra civil havia 15 anos e era considerado um dos mais perigosos do mundo. Até jornalistas experientes se negavam a ir para lá. Eu sabia que encontraria histórias incríveis para contar. Troquei e-mails com Nigel e o convidei para fazer as fotos. Ele topou. Quando nos encontramos em Nairóbi, no Quênia, tive certeza de que nosso romance havia terminado. Voamos para Mogadíscio, na Somália, com planos de ficar pouco tempo. Eu tinha contato com quem poderia nos levar aos lugares certos.
Era 23 de agosto de 2008, nosso terceiro dia lá. Seguíamos por uma estrada para um acampamento dos sem-teto. Tínhamos contratado seguranças particulares e um câmera. No trajeto, o carro foi parado abruptamente e vi que estávamos cercados por uma dúzia de homens usando lenços que cobriam o rosto todo, com exceção dos olhos. Eles apontavam fuzis para nós. A lembrança seguinte é de estar deitada de bruços com o rosto na areia quente e uma arma encostada na minha cabeça. Eles nos revistaram, nos colocaram de volta no carro e partimos com um dos sequestradores ao volante.
Demorei a entender que o Nigel e eu éramos reféns e tínhamos virado uma mercadoria valiosa. Ligaram para a minha família e exigiram muito mais dinheiro do que era possível pagar. Passamos por 13 cativeiros e pouco sabíamos sobre em que pé estavam as negociações, o que só aumentava a ansiedade. Eu temia pela minha vida, já que os sequestradores foram ficando mais e mais violentos. Um dia, levaram o Nigel para outro quarto. Dali em diante, fui estuprada, torturada e ameaçada de morte várias vezes. Eu, que sempre me achei tão destemida, estava apavorada. Ficamos presos 15 meses e meio. Eu pensava muito na minha família, na vida incrível que tinha tido e nas coisas que ainda queria realizar. Cada um acha seu mecanismo para lidar com situações traumáticas. Parecia tudo tão surreal que eu precisava encontrar uma lógica naquilo. Foi quando parei para analisar quem me aprisionava. Eles eram produto de uma nação destruída pela guerra, havia órfãos de 16 anos que nunca tinham ido à escola. Era uma realidade triste. Entender isso diminuiu minha raiva.

O cativeiro

Na verdade, passei por diferentes fases no cativeiro: fiquei infeliz, deprimida, raivosa, questionei por que merecia estar ali. Quando estava quase perdendo as esperanças, porém, eu me imaginava em um lugar feliz. E me fazia promessas para quando saísse dali: viajar com minha mãe, ter sempre flores frescas em casa, pedir desculpa às pessoas que magoei... Depois de cinco meses, eu e o Nigel nos sentíamos desesperados. Mas nós não conhecemos o tamanho da força humana até colocá-la à prova. Trocando bilhetes escondido, combinamos uma fuga. Abrimos um buraco na parede do banheiro e pulamos para a rua. Corremos o máximo que pudemos. Entramos em uma mesquita para pedir ajuda, mas ninguém fez nada e fomos capturados novamente. Claro que o castigo veio.

A vida de volta
 

Já estava há tanto tempo presa que não imaginava mais quando aquilo teria um desfecho, se é que teria. Assim, o dia da libertação foi uma surpresa. Pensei que seríamos vendidos para um grupo fundamentalista. Ao ser colocada no carro que nos transportaria, eu chorava copiosamente. Um homem que eu nunca tinha visto antes me entregou um celular. Do outro lado da linha, ouvi a voz da minha mãe dizendo que eu estava livre. Nossas famílias haviam entregado quase 1,2 milhão de dólares para o resgate, depois de recolher doações do mundo todo. Finalmente, iria reencontrar minha mãe. Sonhava com o momento em que estaria novamente no colo dela.
Fiquei semanas no hospital me recuperando dos maus-tratos. Acredito que tudo na vida acontece por um motivo, mas isso não torna mais fácil lidar com essa história. Acho que minha recuperação será eterna, sem prazo. Há dias bons e outros ruins. Acordo desejando perdoar as pessoas que me fizeram mal, só que nem sempre consigo. Nem por isso me tornei uma pessoa amarga, cheia de raiva ou apavorada.
Quando cheguei em casa, fundei a Global Enrichment Foundation, para fomentar a educação e estimular mudanças positivas na Somália. Em 2011, durante uma crise de alimentos, voltei ao país para distribuir comida. Não senti medo. No final de 2013, lancei o livro A Casa no Céu (Novo Conceito), escrito em parceria com a jornalista Sara Colbert. O título se refere ao lugar em que eu me refugiava dentro da minha mente quando as experiências eram ruins demais. Algumas partes foram difíceis de relembrar, mas, no final, escrever ajudou na recuperação.
Agora, aos 32 anos, quero me dedicar mais a mim mesma. Vou, finalmente, cursar uma faculdade. Não sei o que o futuro guarda para mim, mas estou animada por ser livre para vivê-lo.

REVISTA CLAUDIA - março 2014 - mulheres que lutam por sua liberdade

Luta pela liberdade: como quatro mulheres superaram a realidade em seus países

Conheça personagens do Irã, Afeganistão, China e Coreia do Norte que tentam superar os desafios de ser mulher em países que as privam de liberdades básicas, do desenvolvimento de seus talentos e da realização de seus potenciais.

Atualizado em 11/06/2014
Por Thais Oyama - Edição: MdeMulher
Niloofar Moghaddam é admirada pelos praticantes de Parktour no Irã. Em relação a eles, está sempre em desvantagem
Foto: Adam Dean

A iraniana que pratica parkour em Teerã

Se não tivesse de usar véu, a iraniana Niloofar Hasan Moghaddam já teria ido muito mais alto. Fera do parkour, ela parece voar quando está em ação: salta muros, equilibra-se em grades, aterrissa em telhados. Chega a pular de alturas de 5 metros. Em Teerã, onde vive, é considerada uma das melhores pelos meninos que praticam o esporte. Em relação a eles, no entanto, Niloofar estará sempre em desvantagem. "O lenço tira a visão lateral e limita os movimentos", diz.
Símbolo da modéstia e da virtude das muçulmanas, o pano que recobre a cabeça das mulheres faz parte da história do Irã há 14 séculos, mas nos últimos 80 anos vem infernizando a vida delas - e cada vez por um motivo diferente. "Nesse governo, as mulheres não andarão mais nuas", anunciou o aiatolá Khomeini em 1979. Dois anos mais tarde, todas as iranianas com mais de 9 anos de idade passaram a ter de cobrir os cabelos e esconder os contornos do corpo com roupas compridas ou o xador, uma veste negra, sob pena de serem submetidas a 74 chibatadas.
Algumas décadas antes, porém, alguém as havia mandado fazer precisamente o contrário. Em 1934, quando o Irã ainda vivia sob um governo secular, o xá Reza Pahlevi voltou de uma viagem à Turquia encantado com a modernização que vinha promovendo lá o seu colega Kemal Ataturk. Resolveu proibir o que considerava ser uma incômoda lembrança do passado tribal da sua nação. As mulheres que saíssem às ruas de xador teriam a veste rasgada pelos guardas do regime.
Como para boa parte das iranianas daquele tempo aparecer diante de estranhos sem o manto preto soava inimaginável, muitas preferiram se autoconfinar em casa. Põe véu, tira véu, o resultado é que há quase um século as iranianas não podem se apresentar em público como bem entendem.

Na parede da sala de Sabzina Hasanzada, o retrato do marido ausente ocupa lugar de honra
Foto: Adam Dean

A afegã que teme pela filha que quer ser atriz

Encontrei Sabzina Hasanzada nas ruas de Cabul em 2010. Na verdade, foi ela quem me achou. Ao avistar uma estrangeira, aproximou-se e puxou conversa. Ao contrário da maioria das mulheres daquele país, não usava burca, só um vestido comprido e um véu na cabeça. Falava um pouco de inglês e me convidou a passar mais tarde na sua casa.
Sabzina me apresentou suas filhas. Frieshta era uma adolescente tímida, de 15 anos. Já Silsila, de 13, era alegre e curiosa. Em menos de cinco minutos, me mostrou seus cadernos escolares, recitou uma lição em inglês, exibiu sua coleção de bijuterias e contou que queria ser atriz. Nesse momento, Sabzina revirou os olhos para o alto, como quem clama por ajuda de Alá - no Afeganistão, se as mulheres são vistas como cidadãs de segunda categoria, tratamento bem pior é reservado às atrizes.
Na entrada da sala de casa, Silsila colou fotos de suas atrizes preferidas, junto com uma do pai, que não conheceu. Professor de Corão numa universidade de Cabul, ele morreu poucos meses antes de ela nascer, em 1996, quando o Talibã assumiu o controle do Afeganistão. Naquele ano, a vida da família mudou completamente. O Talibã proibiu as mulheres de trabalhar e estudar. Sabzina, formada em engenharia civil e então funcionária do Ministério da Energia, teve de deixar o emprego.
Assim como aconteceu no Irã, a substituição de um governo secular por um fundamentalista fez as mulheres desaparecerem da paisagem de um dia para o outro.Elas só podiam sair à rua acompanhadas do marido ou de um parente do sexo masculino. Sabzina, que não tinha mais marido e cujo único irmão morrera atingido por um drone americano, não podia nem mesmo ir ao mercado comprar comida. Confinada em casa, com uma das filhas recém-nascida e a despensa vazia, só lhe restou deixar o país. Foi morar com as meninas de favor na casa de parentes no Paquistão e voltou para o Afeganistão apenas em 2001, depois que o Talibã caiu.
Na volta, casou-se novamente. Mas o marido mora em outra cidade e já tem uma família. Sabzina é sua segunda esposa e o vê pouco. Perguntei quando tinha sido o último encontro. "Há dois anos e três meses", disse. Sua casa tem três cômodos. Na parede da sala, o retrato do marido ausente ocupa lugar de honra.

A norte-coreana Joo Young Lee fugiu para o sul e ainda tem medo de mostrar o rosto
Foto: Adam Dean

A norte-coreana que teve que aprender a andar de escada rolante

Joo Young Lee fugiu da Coreia do Norte sozinha, quando tinha 20 anos. Encontrei-a no ano passado, quando ela estava num centro de "reeducação" de refugiados na Coreia do Sul para aprender tarefas como andar em escadas rolantes e lidar com cartões de crédito - duas das muitas coisas inexistentes no país em que nasceu.
Joo morava em Rajin, com a mãe e o padrasto. Tocava e estudava piano; não porque gostasse, mas porque autoridades locais assim determinaram - na Coreia do Norte, é o regime que escolhe o que as pessoas irão estudar e no que irão trabalhar. A definição é feita com base em um sistema de castas, que, por sua vez, tem origem no histórico das famílias e seu grau de lealdade ao governo. No caso das mulheres, a aparência também é levada em conta. A jovens bonitas, como Joo, o governo reserva profissões como a de pianista, atriz e guarda de trânsito. As da capital, Pyongyang, comenta-se, eram escolhidas pelo finado Kim Jon-Il em pessoa.
Escapar do porão dos Kim, além de arriscado, é caro. Em geral, os "atravessadores" que os fugitivos contratam para lhes dar cobertura e subornar policiais cobram em torno de 3 mil dólares pela travessia para a China e mais 3 mil dólares pelo percurso China-Coreia do Sul. Joo, no entanto, não parecia querer falar sobre o assunto.
Um dia depois de encontrá-la, fui entrevistar o diretor de uma escola que oferece aulas de reforço para estudantes norte-coreanos com dificuldades para acompanhar seus hipercompetitivos e preparados colegas sul-coreanos. Joo era uma das alunas da escola. Conversamos e, mais tarde, comentei com o diretor a coincidência do encontro. Ele me contou o que ela não quis revelar.
Para escapar de seu país-prisão, Joo aceitou ser vendida como "noiva" para um lavrador chinês. O comércio de mulheres é um negócio bastante disseminado em cidades norte-coreanas que fazem divisa com a China, caso de Rajin. Os "compradores" são, em geral, homens que não conseguiram encontrar uma mulher por serem já muito velhos, muito pobres ou portadores de alguma deficiência. Como a China é aliada da Coreia do Norte, desertores flagrados em seu território são imediatamente deportados de volta. Assim, as mulheres que não se comportarem como esperam seus maridos correm o risco de serem por eles denunciadas - e seguir direto para um dos campos de concentração do "segundo país mais feliz do mundo".
Joo viveu com o lavrador que a comprou até conseguir dinheiro suficiente para fugir dele e pagar o atravessador que a trouxe à Coreia do Sul. Ocorre que o breve "casamento" produziu um bebê, que Joo deixou para trás na fuga para Seul. "Ela chora todos os dias na escola", disse o diretor. "Arrependeu-se por ter abandonado o filho."

Na China, quem sai do campo não pode levar os filhos. As vilas estão cheias de orfãos de pais vivos
Foto: Adam Dean

A chinesa que é rejeitada pela filha

Na China, milhões de mulheres conhecem a dor de ter de abandonar suas crianças. São as migrantes, uma população de 150 milhões de pessoas que, nascidas nas zonas rurais, se mudaram para as cidades em busca de trabalho e progresso. O problema é que, por obra de uma herança maoísta, urdida para aumentar o controle do governo sobre os cidadãos, quem sai do campo para a cidade não pode levar os filhos consigo. O regime chinês determina que eles estão proibidos de ter acesso aos benefícios disponíveis para os que nascem nas cidades, como colocar os filhos em creches ou escolas públicas.
Na minúscula Heshian, na província de Guizou, que visitei em 2011, conheci Wang Can Yang. Ela tinha 27 anos e havia voltado para casa uma semana antes, após cinco anos trabalhando numa fábrica de cosméticos na capital da província. A filha, de 6 anos, ficou com a avó e Wang a viu apenas quatro vezes. Wang estava contente por ter conseguido juntar dinheiro para construir uma casa na vila para os parentes. Mas a filha, para quem havia trazido brinquedos e roupas, não olhava para ela e recusava-se a beijá-la. Wang passou a vida vendo seus pais carregarem baldes de água nas costas e se consumirem em lavouras miseráveis cuja produção mal chegava para alimentar a família. Adulta, viu a chance de escapar do mesmo destino. A rejeição da filha, porém, foi o preço que o regime chinês cobrou dela pela escolha.
De um canto a outro, os sonhos das mulheres não são muito diferentes: casar com quem se ama, trabalhar com o que se gosta, ver os filhos crescerem... Realizar esses desejos não depende só de vontade. E, em alguns lugares, dá muito mais trabalho. Não fossem os véus, os fanáticos fundamentalistas e os tiranos malucos, quão alto essas mulheres poderiam ter voado?

Revista -claudia - maio 2014 - 20 aos 60 anos - mulheres apaixonadas

Dos 20 aos 60 anos: mulheres contam como é se apaixonar em diferentes fases da vida

Cinco mulheres demonstram como a descoberta do amor pode assumir diferentes significados conforme a idade, o histórico de realizações e as ambições profissionais.

Atualizado em 22/07/2014
Daniel Vilela
O sentimento de amor se transforma ao longo da vida
Foto: JJack/Thinkstock/Getty Images
O título não deixa dúvida a respeito do conteúdo. Lançado pela editora Paralela, selo da Companhia das Letras, O Amor Chegou Tarde em Minha Vida é uma biografia franca de uma das jornalistas mais famosas do país (veja entrevista no final da matéria). Aos 48 anos, Ana Paula Padrão conta, sem pudores, como foi deixar a disputada bancada do Jornal da Globo, em 2005, para dedicar mais tempo ao segundo marido, o economista paulistano Walter Mundell, com quem se casou aos 36.
Uma decisão, segundo ela, possível apenas quando já se atingiu certo grau de maturidade e realização profissional. Ela alega que não queria mais o trabalho no centro de sua vida, justificando a resolução, que causou celeuma na época."O amor fez toda a diferença. Hoje, sou uma pessoa completa."
Suas confissões demonstram como a descoberta do amor pode assumir diferentes significados conforme a idade, o histórico de realizações e as ambições profissionais. Com o tempo, acumulamos vivências, boas e ruins, e ficamos mais racionais. O avanço da idade gera novas expectativas. A atração física, imperiosa no começo da vida afetiva, cede espaço à busca por companheirismo e afinidades na profissão, nas finanças e nos gostos pessoais.
Da mesma forma, a dor do amor desfeito assume diferentes matizes. Enquanto o mundo parece desmoronar na adolescência, com o tempo aprendemos que coração quebrado tem conserto. Nem por isso a emoção de amar diminui com a idade, como comprovam as histórias a seguir.
Aos 20 - "O amor tem mais afinidade com a coragem".
Natasha Siviero
Foto: Everton Nunes
"Hoje, quando alguém me diz que vai se casar aos 21 anos, até acho cedo. Mas comigo não foi - e não me arrependo. O Rafael tinha 24 anos e estávamos na mesma turma na faculdade de comunicação. Ele era charmoso, chamava a atenção com seu olhar oblíquo e pernas longas. Entendi que a atração física era amor quando passei a querer dormir com ele todas as noites. Deixei para trás o meu quarto, a convivência diária com meus pais e irmãos, o forró de domingo... Tive dúvidas, claro, mas não precisei de certezas para decidir pelo casamento.
O amor tem mais afinidade com a coragem. Não sou mais a mesma pessoa, o que é visível no meu blog Samba Pras Moças. Eu, que sempre fiz um dramalhão das pequenas coisas, passei a amar o que é pequeno em sua miudeza. Das dores homéricas, amores e paixões, minhas crônicas ganharam outros temas: vieram parar no carrinho de compras do condomínio e nas tarefas da babá, mas sem abandonar a intensidade de quem é jovem. Não tenho ciúme, sou segura. Quando o Miguel nasceu, há dois anos, nosso amor mudou. Ficou mais livre, cheio de compaixão, de entrega e mansidão, sem urgências."
Natasha Siviero, 26 anos, escritora
Aos 30  - "Eu não sonhava com casamento, mas acabei sendo atropelada pelo amor".
Luciana Canuto
Foto: Filipe Redondo
"O Paulo César é ator e eu o conheci no palco, quando participava de uma peça produzida por alguns amigos. Foi amor à primeira vista; não conseguia tirar os olhos dele. Eu estava prestes a completar 33 anos; ele tinha 31. Do espetáculo, fomos para um churrasco e logo ficamos amigos. Começamos a sair pouco depois, mas o primeiro beijo demorou semanas para acontecer. Engatamos um namoro cheio de idas e vindas, pois ele morava em Belo Horizonte e viajava bastante a trabalho.
Eu, em São Paulo, passava por um momento profissional muito bom. Achava que um relacionamento não caberia na minha vida. Era engraçado, minhas amigas da mesma idade estavam todas desesperadas pela pressão do relógio biológico e das famílias. Eu sempre era madrinha dos casamentos, mas não sonhava com aquele tipo de romance para mim - só que acabei sendo atropelada pelo amor. Cerca de dois anos depois, decidimos morar juntos.
Se fôssemos mais jovens, não teríamos tido estrutura para modificar tanto a nossa vida. Ele trocou de cidade e deixou a família para morar comigo. E eu, que sou filha única e sempre fui individualista, aprendi a conviver. Nossa filha, Marina, nasceu em 2008. Ela já tinha completado 3 anos quando casamos de papel passado, e a cerimônia coroou um momento importante da nossa história. Nem por isso digo que vivemos um conto de fadas, pois a rotina no casamento é difícil. Ao olhar para trás, porém, e ver tudo o que passamos juntos, tenho certeza de que valeu muito a pena."
Luciana Canuto, 42 anos, funcionária pública
Aos 40 - "Quando jovem, persisti num amor sem retribuição. Hoje, sei que o amor é recíproco."
Francisca Xavier, 60 anos, funcionária pública
Foto: Anna Luiza Fischer
"Conheci um rapaz no primeiro período da faculdade de direito, aos 20 e poucos anos, e me apaixonei. Cinco anos depois, entrei de cabeça e começamos a namorar, mas ele não mantinha o compromisso e descobri várias traições. Só consegui deixá-lo aos 40. Sentia que havia perdido 13 anos da minha vida e não queria ficar só, mas nunca fui de frequentar bares atrás de alguém. Muito menos naquela idade. Procurei anúncios sentimentais no jornal, mas não gostei de ninguém. Resolvi me inscrever em uma agência de matrimônios. Como nunca encontrava a pessoa certa, decidi tocar a vida sozinha. Até que conheci o José na fila do cinema.
Era viúvo e procurava uma companheira que o ajudasse a criar o filho adotivo, então com 5 anos. Marcamos um encontro. Eu tinha sofrido muito e não estava preparada para casar, muito menos para ganhar um filho, mas o amor aconteceu com o tempo. O Zé e o garoto me conquistaram.
Temos muita cumplicidade e carinho um pelo outro. Ele me pressionou e casamos dois anos depois. Foi difícil encontrar alguém nessa fase da vida, porque sempre trabalhei muito, sem horário certo para chegar em casa. Eu, que não tive filhos e podia bater a porta sem dizer para onde ia, me vi administrando uma carreira, um casamento e uma criança. Mas valeu a pena. São 16 anos de uma relação que não me machuca. Quando jovem, persisti num amor sem retribuição. Hoje, sei que o amor é recíproco."
Aos 50 - "O amor na maturidade envolve menos sexo, mas você aproveita mais."
Maria Magdalena Frechiani
Foto: Everton Nunes
"Na adolescência, sentia borboletas no estômago se gostava de alguém. Conheci o pai das minhas filhas na faculdade de medicina. Era interessante, culto, inteligente... Engravidei na primeira transa e casei aos 21 anos, logo após sair da cadeia - já estava grávida quando fui presa pela ditadura. O Guilherme tinha 23 anos e passamos por dificuldades financeiras e emocionais que minaram o relacionamento. O casamento acabou quando nossa terceira filha estava com 3 anos.
Depois, não tive relacionamentos sérios. Aos 35, namorei um rapaz sete anos mais jovem, meu aluno na residência médica. Mais tarde, mantive uma relação mais ou menos estável com um médico, mas nossos gênios não batiam. Quando terminou, eu tinha pouco mais de 40 anos e achei que chegava. Passei oito anos sem ninguém, não valia a pena me envolver. Até que, aos 54, conheci o Albert a caminho da praia. Ele é irmão da minha vizinha e havia perdido a mulher tragicamente numa cirurgia. Marcamos um encontro no Réveillon, no sul da Bahia, só que ele não apareceu. Cheguei a desistir, mas em janeiro ele surgiu na minha casa e começamos a namorar.
Meus quatro netos acharam o máximo. Aquele janeiro foi muito intenso, realmente me senti uma adolescente apaixonada e ridícula. Sempre fui muito direta, um pouco dura, mas a paixão é química, sempre dá frio na barriga. Seis meses depois, descobrimos que ele tinha câncer no pulmão. Eu mal conhecia aquele homem, mas, depois de operado, passou um semestre em recuperação na minha casa e hoje está bem. Temos diferenças. Ele é possessivo e ciumento, o que não combina comigo, porque nunca fui submissa. Somos, porém, muito companheiros. O amor na maturidade envolve menos sexo, mas você aproveita mais."
Maria Magdalena Frechiani, 62 anos, oncologista pediátrica
O Amor Chegou Tarde em Minha Vida, biografia de Ana Paula Padrão
Foto: Divulgação
O amor é a questão central do livro?
Há dois tipos de amor. O romântico, que gera o casamento, e o amor por você mesma, que a torna capaz de amar outra pessoa. Enquanto você não se ama, não consegue amar o outro. O livro conta como comecei a me amar.
E por que aconteceu tão tarde?
Boa parte de nós, mulheres dos anos 1980, estava tão intensamente ligada ao trabalho que abdicou da vida amorosa. Quebramos esse ritual feminino para copiar os homens e entrar no mercado de trabalho. No meu caso, precisei de um longo processo para aprender a me amar e querer mais do que o trabalho pudesse oferecer.
O amor exige muito?
Lógico! O amor exige cuidado todos os dias. Fazer um gesto em direção à pessoa, entender suas fraquezas e fragilidades é um exercício diário de concessões para harmonizar os opostos.
A vida afetiva da mulher pesa no mercado de trabalho?
Não tanto quanto a maternidade. A vida afetiva não interfere na carreira, contanto que a mulher continue disponível 16 horas por dia.
Qual a grande mudança que o amor provocou na sua vida?
Sou uma pessoa mais completa. E me sinto menos estranha.

Revista Claudia - maio 2014 - Coisas faceis e gostosas da vida

Danuza Leão: Algo gostoso, fácil e barato é o que se quer da vida

A escritora e colunista de CLAUDIA descreve, com seu contar característico, fatos comuns da rotina, como o dia em que uma amiga estrangeira precisou preparar um menu simples e comprou um tomate. Mas, afinal, o que se pode fazer com apenas um tomate?

Atualizado em 23/05/2014
Danuza Leão
Foto: Thinkstock
Sumi no carnaval deste ano para bem longe. Depois de ter visto tantos carnavais e tantas escolas desfilando, tive uma imensa necessidade de não ouvir um só samba, não ver um só bloco nem uma só rainha de bateria. E fui para Paris, claro. Quando estou em Paris, vivo exatamente como aqui; passeio o dia inteiro pelo bairro, descubro sempre alguma coisa nova, como bastante (adoro) e, às 11, já estou na cama. Noitadas em Paris? Só até os 18 anos.
Tenho uma amiga que mora lá e conta com uma empregada que vai duas vezes por semana por duas horas - quem cozinha é ela (minha amiga), todos os dias de todos os meses de todos os anos. Entre nós ficou logo estabelecido que aos domingos almoçaríamos juntas, em sua casa, mas eu levaria a comida. Adorei a ideia do piquenique: ela me passou uma listinha e lá fui eu às compras.
Não chega a ser um sacrifício ir a um supermercado em Paris. Em primeiro lugar, porque, por mais que a fila pareça enorme, cada pessoa está comprando o que precisa especificamente para a refeição daquela hora; por isso, a fila anda rápido. Em segundo lugar, porque as coisas que a gente vê nas prateleiras são tão maravilhosas, tão fáceis de preparar que eu passaria uma semana inteira dentro de um bom supermercado, e seria uma viagem maravilhosa.
Minha lista era curta: metade de um frango, assado na hora e cheiroso; batatas ao forno com alecrim; e um tomate. Você não leu errado: eu falei UM TOMATE. Mas para que alguém quer um tomate? Para fazer uma flor e enfeitar o prato, talvez? E será que me venderiam UM tomate ou me expulsariam da loja?
Fiquei lembrando às vezes em que a empregada - quando eu tinha uma em tempo integral - me entregava a lista do supermercado. Laranja, por exemplo, era por dúzia e cansei de pedir uma dúzia da seleta mais uma de laranja-lima e uma e meia de lima-da-pérsia. Para as caipirinhas, limão era aquela redinha com dez ou 12. E dois abacaxis, três mangas, por aí vai.
Voltando aos tomates, era de 1 quilo e meio a 2; cebola, 2 quilos - não é um exagero de cebola? Pois, na época, nunca parei para pensar; era o cotidiano de minha casa, fora as carnes, os peixes, os legumes, as frutas. Lógico que boa parte das coisas ia parar no lixo. Quanto desperdício, quanto dinheiro jogado fora. Mas o tomate, para que era aquele tomate? Vou contar.
Quando cheguei com as sacolas, a primeira coisa que minha amiga fez foi organizar: para um tabuleiro foi o meio frango com as batatas; daí para o forno baixinho; aí pegou o tomate - tão bonito quanto um brasileiro -, retirou as sementes, cortou em pedaços, botou numa saladeira pequena, tirou do armário uma garrafa com um molho de salada que ela faz em grande quantidade - assim, quando precisa, já está pronto; aliás, grande ideia -, respingou, jogou por cima folhinhas de manjericão e nossa entrada estava pronta.
Pronta e gostosa, fácil e barata, o que se quer na vida. Aí pensei em como aqui no Brasil estamos atrasados em matéria de facilitar a vida. Como é tudo complicado, tudo é refogado em alho, cebola e ervas e tudo dá muito trabalho. Como fazem as mulheres que trabalham, têm marido e filhos e o péssimo hábito de jantar?
Voltando ao assunto, na bancada onde estavam os tomates, não acreditei no que vi e contei para não esquecer: eram 12 qualidades diferentes, de cores e formatos que jamais imaginei que existissem neste mundo. E eu, que tenho poucas prendas domésticas, pensei em comprar todos aqueles tomates e fazer um lindo buquê para o centro da mesa.
Danuza Leão é cronista e dona de um lirismo característico com que encara os fatos da vida cotidina. Escreveu vários livros, entre os quais "Fazendo as Malas" (Cia. das Letras) e "É Tudo Tão Simples" (Agir).

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