quarta-feira, 14 de junho de 2017

Modelos na SPFW contestam lei que proíbe magreza excessiva




PEDRO DINIZ
COLUNISTA DA FOLHA

20/04/2015  02h15
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Enquanto o Senado francês se prepara para votar nas próximas semanas duas emendas à Lei da Saúde Nacional que criminaliza a contratação de modelos excessivamente magras na França, como forma de combater a propagação da anorexia no país, as tops e os convidados que passaram pela 39ª edição da São Paulo Fashion Week contestam a viabilidade prática do projeto.

A Folha levou uma balança e pesou algumas modelos nos bastidores dos desfiles e constatou que, para o padrão exigido pela França, elas estão ou no limite ou abaixo do necessário.

O texto do deputado Olivier Véra foi aprovado na terça (14) pela Assembleia Nacional do país e agora segue para o Senado. Estipula pena de até seis meses de prisão ao contratante da modelo considerada anoréxica e multa de 75 mil euros (R$ 250 mil) à agência que contratar garotas com Índice de Massa Corporal (IMC) inferior a 18. O número é obtido pelo peso dividido pela altura ao quadrado.

Uma das apostas da grife de lingerie Victoria's Secret, Laís Ribeiro, 24, tem 1,80 m de altura. No teste da balança, pesou 61 kg. Passou raspando no limite do IMC, com 18,8. "Muitas meninas são magras naturalmente", diz ela.

Liliana Gomes, que representa a modelo, critica a lei: "Todo mundo sabe que músculo pesa tanto quanto gordura, por exemplo. O IMC não dá noção se a modelo é magra ou não. Isso não faz sentido. Na agência, não procuramos meninas pelo peso, mas pelo biotipo magro e pela altura".

Já Vivi Orth, 25, cravou um índice de 16,5, o que a eliminaria dos desfiles franceses. A Espanha, o Chile e Israel têm regulamentadas leis que definem um padrão de peso para contratação de modelos.

Mas Vivi diz que muitas meninas conseguem burlá-las. "Nos 'castings' [seleções], é comum a modelo colocar enchimento nas calças para ficar mais pesada. Com certeza, eu não me encaixaria nessa medida mínima", diz ela, que pesa 54 kh e mede 1,81 m.

O IMC de 18 é limítrofe para um corpo saudável, segundo a Organização Mundial da Saúde. Abaixo disso, a mulher é considerada desnutrida e, se constatadas alterações nas taxas hormonais, cabelos e unhas fracos e problemas em ingerir comida, ela é diagnosticada anoréxica.

As agências francesas temem uma invasão de esquálidas de outros países, que supririam a demanda do mercado de moda francês e acreditam ser impossível cravar, a partir de um IMC, se as modelos são saudáveis.

Segundo a nutricionista Viviane Scheifer, a lei francesa pode ser um grande passo para uma mudança global.

"As meninas recebem a mensagem de que ser muito magra é bonito e chegam a cometer loucuras. Já tive paciente que comia tijolo", conta.

Ela frisa, no entanto, que só é possível avaliar o estado de magreza com exames clínicos e que meninas novas com o biotipo magro costumam ter IMC abaixo do normal. "Avalio o lado psicológico da mulher para cravar um diagnóstico de anorexia", explica.

Não há nenhuma lei no Brasil que determine o mínimo necessário de IMC para uma modelo desfilar.

Colaboraram GIULIANA MESQUITA e ISADORA BRANT.
Modelos na SPFW contestam lei que proíbe magreza excessiva

Modelos francesas terão que comprovar saúde para poder trabalhar

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 (Foto: Flickr / Farrukh)
França deu um grande passo na indústria da moda: agora as modelos têm de provar que estão saudáveis. Segundo o New York Times, as garotas com mais de 16 anosterão de apresentar um laudo que comprove o bem-estar e o índice de massa corporal adequado, ou seja, prove que não estão magras demais ou anoréxicas.
Além disso, a partir de outubro todas as fotos editadas no photoshop usadas para fins comerciais deverão apresentar o aviso “photographie retouchée” (fotografia retocada).
Quem desobedecer essas leis terá de pagar multas: cerca de 40 mil euros para as fotografias e 75 mil por contratar modelos sem as comprovações requeridas — além de 6 meses de prisão.
Para o membro da Universidade de Saúde Pública de Harvard S. Bryn Austin a fiscalização é necessária para averiguar a eficácia da lei nas modelos e na população: “Também podemos esperar para ver os efeitos de ondulação em toda a indústria da moda global, que olha para a França como líder. Só o tempo dirá.”
Outros países como Espanha, Índia, Israel e Itália também têm políticas para preservar a saúdes dos modelos.
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2017/05/modelos-francesas-terao-que-comprovar-saude-para-poder-trabalhar.html

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