domingo, 28 de junho de 2015

Retratos da violência doméstica contra as mulheres paquistanesas

fonte: https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/retratos-da-violencia-domestica-contra-as-mulheres-paquistanesas/

REDAÇÃO EM 
Essas fotos retratam mulheres, do Paquistão, atacadas com ácido por homens que simplesmente tiveram sua propostas de casamento rejeitada ou, muitas vezes, pelo pai que não aceita o nascimento de uma filha mulher.
O responsável pelo ensaio, fotógrafo Emilio Morenatti, constatou que, apesar da selvageria, quase todas as vítimas se calam com medo de represálias da comunidade e até da própria família.

Papa Francisco diz que separação é 'inevitável' em casos de violência doméstica


REDAÇÃO EM 
Nesta quarta-feira (24), o Papa Francisco anunciou que defende a separação de casais em alguns casos. Ele disse que, sobretudo quando há violência em um relacionamento, a separação torna-se "moralmente necessária".
"Há casos em que a separação é inevitável, às vezes, moralmente necessária, para afastar os filhos da violência e da exploração e até da indiferença ou do isolamento", afirmou o Papa em uma audiência geral na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Divulgação
Divulgação
Papa admite a necessidade da separação de casais em alguns casos
Em fevereiro deste ano, o Papa já havia afirmado que quem decide se divorciar não deveria ser condenado.
"Quando o amor fracassa, e fracassa muitas vezes, devemos sentir a dor desse fracasso, acompanhar a pessoa que tenha sentido o fracasso de seu amor. Não devemos condená-los. É preciso caminhar com eles. Devemos ficar perto dos irmãos e irmãs que sofreram o fracasso do amor em suas vidas", disse na época.
Veja como denunciar a violência doméstica
No Brasil há um número específico para receber esse tipo de denúncia,180, a Central de Atendimento à Mulher. O serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias do ano e a ligação é gratuita. Há atendentes capacitados em questões de gênero, políticas públicas para as mulheres, nas orientações sobre o enfrentamento à violência e, principalmente, na forma de receber a denúncia e acolher as mulheres.
O Conselho Nacional de Justiça do Brasil recomenda ainda que as mulheres que sofram algum tipo de violência procurem uma delegacia, de preferência as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), também chamadas de Delegacias da Mulher. Há também os serviços que funcionam em hospitais e universidades e que oferecem atendimento médico, assistência psicossocial e orientação jurídica.
A mulher que sofreu violência pode ainda procurar ajuda nas Defensorias Públicas e Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, nos Conselhos Estaduais dos Direitos das Mulheres e nos centros de referência de atendimento a mulheres.
Se for registrar a ocorrência na delegacia, é importante contar tudo em detalhes e levar testemunhas, se houver, ou indicar o nome e endereço delas. Se a mulher achar que a sua vida ou a de seus familiares (filhos, pais etc.) está em risco, ela pode também procurar ajuda em serviços que mantêm casas-abrigo, que são moradias em local secreto onde a mulher e os filhos podem ficar afastados do agressor.
fonte: https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/papa-francisco-diz-que-separacao-e-inevitavel-em-casos-de-violencia-domestica/> acessado em 28.06.2015

Com albinas, sardentas e plus sizes, editorial da Elle celebra a beleza da diversidade


 EM 

Com tantas inovações, soa até um pouco arcaico dizer que, ainda hoje, vivemos uma ditadura da beleza, ou melhor, uma ditadura da beleza anoréxica-eurocêntrica, onde ser bonito é ser muito magro e, de preferência, branco e com traços considerados "finos e delicados".
Assim, buscando quebrar os paradigmas e estereótipos estéticos vigentes, e nadar contra o restritivo mundo da moda, a edição de maio da revista Elle traz um editorial histórico que celebra a beleza da diversidade e afirma: ser bonito é ser diferente!
Recheada de belas fotos artísticas, super produzidas e com muitas cores contrastantes, a publicação traz  oito mulheres com belezas distintas, como albinas, sardentas, plus size, com cabelo afro e com traços fortes. Todas as imagens foram realizadas pelo fotógrafo Gustavo Lacerda.
Veja todas as fotos e conheça um pouco mais de cada modelo convidada:
SARDENTA
Nathane Lacerda, 26 anos
SARDENTA
Modelo, ela trabalha em um dos meios em que os padrões de beleza são mais latentes. Mas, paradoxalmente, foi assim que aprendeu a lidar bem com pequenas “imperfeições”. “Comecei a trabalhar cedo, aos 14 anos, e aos poucos passei a gostar das minhas sardas. Elas são meu diferencial. Sou grata por tê-las.”
ALBINA
Andreza Cavali, 35 anos
ALBINA
Educadora física, Andreza luta para levar informação para todo o país – os albinos não são nem computados pelo censo. Engajada na internet,
com frequência, ela também faz o papel de modelo. “Eu sou assim? Então ótimo. É assim que me apresento. Acho bonito quando as pessoas se valorizam. Por isso gosto de ser parte de projetos fotográficos para que outros albinos vejam e identifiquem ali sua beleza.”
GENDERLESS
Natasha Hollinger, 28 anos
GENDERLESS
Fotógrafa e artista plástica, ela é adepta do look tomboy, quase sem gênero. “Desde pequena, sempre tive um lado meio molecão, sem me importar muito com a beleza. Os padrões existem, mas eu não ligo.”
AFRO
Magá Moura, 27 anos
AFRO2
Enquanto nove entre dez afrodescendentes sonham em alisar os cabelos, Magá faz de suas tranças rasta seu melhor acessório. Blogueira e embaixadora da Nike, ela transborda estilo em roupas e cabelos supercoloridos. “Não quero ser mais uma na multidão. Quero me destacar. Todo mundo me pergunta em quem eu me inspiro. Eu me inspiro em mim. Olho no espelho e penso: que nega gata! Sou minha maior motivação.”
AGELESS
Liane Kohlrausch, 54 anos
AGELESS
Há 26 anos à frente de uma das maiores agências de modelos do país, a L’Equipe, Liane, conhecida como Lica, convive com algumas das mulheres mais lindas do país, como Jeisa Chiminazzo, de quem é uma fiel escudeira. “Quero ficar velha. Até usei toxina botulínica, mas acho que cada um tem que assumir sua beleza. Quando você não tem medo da velhice, e não tem tanto desejo da beleza, acho que tudo fica mais fácil. Você se torna mais integrada com o corpo, o cabelo, a pele. E isso é muito importante.”
TRAÇOS FORTES
Vanessa Mendes, 32 anos
TRAÇOS FORTES2
Estilista e blogueira, a baiana é a perfeita tradução do mix cultural do Brasil: tem origem africana, portuguesa e indígena. De Porto Seguro, onde mora, ela cria uma moda que favorece seu biótipo, cheio de curvas. “Sofri bullying na infância. Mas hoje em dia sinto que ter uma beleza diferente do que o mundo da moda impõe é uma força
EXOTIQUE
Geanine Marques, 42 anos
EXOTIQUE
Geanine saiu de Curitiba em 1993 e virou modelo por acaso – no ano seguinte, já desfilava para Alexandre Herchcovitch, de quem passou a ser musa. Considerada exótica, dispensa rótulos e acredita que a beleza está em todos. “Cada pessoa tem um quê, um encanto. Mesmo as pessoas consideradas feias, com certeza, trazem alguma coisa interessante.”
PLUS SIZE
Juliana Romano, 26 anos
PLUS SIZE
Ju é jornalista e abastece seu blog, Entre Topetes e Vinis, com posts que mostram que o estilo não se pesa – há dicas, por exemplo, de como usar botas over the knees se você tem a panturrilha grossa. “Quando comecei a trabalhar com beleza e moda, foi um choque porque no Brasil o termo plus size não era conhecido. O tema para quem estava acima do peso sempre foi como emagrecer. Demorei para me aceitar, mas hoje me acho linda.”
fonte: https://estilo.catracalivre.com.br/beleza/com-albinas-sardentas-e-plus-sizes-editorial-da-elle-celebra-a-beleza-da-diversidade/ > acessado em 28.06.2015

Sul-africana albina vira modelo para romper estereótipos

REDAÇÃO EM 

A advogada sul-africana Thando Hopa, de 25 anos, é albina e decidiu se tornar modelo para romper com os tradicionais conceitos e padrões de beleza nas passarelas. "Finalmente decidi que beleza é uma decisão, e vou ser bonita apesar do que as pessoas dizem. Meu slogan agora é: 'Um tom diferente do normal'", contou ela ao "Daily Mail".
A modelo Thando Hopa (Foto: Justin Dingwall)
O estilista Gert-Johan Coetzee insistiu para a modelo entrar no mundo da moda e a convidou para estrelar sua campanha. Thando relatou ao jornal que sofreu bullying durante a infância, principalmente na escola. Após investir na carreira de modelo, ela passou a se sentir mais segura e confiante e deixou de esconder sua pele debaixo de roupas e maquiagens pesadas.

sábado, 20 de junho de 2015

A Sociedade de consumo é influenciada e formada por informação, propaganda e publicidade, constituindo, assim, o modelo de vida moderna por LILIANY SAMARÃO e PEDRO CALABREZ FURTADO

As imagens e suas implicações sociais
A Sociedade de consumo é influenciada e formada por informação, propaganda e publicidade, constituindo, assim, o modelo de vida moderna
por LILIANY SAMARÃO e PEDRO CALABREZ FURTADO

SHUTTERSTOCKPara a mídia, a beleza, a sedução, o prazer - das cores, das formas e das linhas -, na apresentação dos produtos, parecem ser mais importantes do que a utilidade ou a funcionalidade real dos mesmos. As peças produzidas pela mídia lidam com o desejo para a produção de bens e mercadorias e, desta forma, a imagem se converte no referencial que deve ser reproduzido na vida cotidiana. Assim, as imagens se tornaram onipresentes e importantes meios para a difusão de signos, símbolos e informações











A LÓGICA DA LIQUIDEZ segue a lógica do consumo, do mercado. A satisfação plena dos desejos de consumo arruinaria a economia capitalista. Afi- nal, se os desejos de consumo pudessem ser saciados totalmente, chegaria um ponto em que o indivíduo deixaria de consumir mais e mais como a lógica do capital requer. Bauman nos diz, em seu livro Vida líquida: "A não satisfação dos desejos e a crença firme e eterna de que cada ato visando satisfazê- los deixa muito a desejar e pode ser aperfeiçoado - são esses os volantes da economia que têm por alvo o consumidor". Os membros da sociedade líquida precisam desejar sempre mais, para consumir mais e alimentar a economia do capital.
Aqui as idéias de Platão e Schopenhauer (veja quadro A filosofia do desejo) fazem sentido em nossa sociedade: o desejo ocorre na falta, e a obtenção do que se deseja consumir leva, invariavelmente, ao tédio e a novos desejos de consumo. Assim se alimenta a economia. A mídia nos diz para trocar de carro anualmente, de roupas a cada estação, e não é diferente com o corpo. A busca pelo corpo sensual ideal é interminável, alimentando a economia do consumo e adequando as imagens de corpo sexy ao modelo social em que a sociedade contemporânea vive. O corpo ideal é líquido como a sociedade de consumo. E a sociedade continuará a desejá-lo eternamente.
A força da mídia parece ser incontestável e, com isso, sua presença no cotidiano ganha "raízes". E é essa força que parece estar escrevendo as linhas da história da nossa sociedade.

LILIANY SAMARÃO é publicitária e professora universitária com estudos na área de corpo, gênero e imagem na publicidade. Pesquisadora pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) com vários artigos publicados. E-mail: (lilianysamarao@gmail.com) PEDRO CALABREZ FURTADO é professor da disciplina de Filosofi a da Comunicação na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP), e pesquisador pelo Instituto Cultural da escola. Estuda ética, corpo e recepção na comunicação. E-mail: (pedro.calabrez@acad.espm.br)

http://sociologiacienciaevida.uol.com.br/ESSO/Edicoes/18/artigo98178-3.asp

As imagens e suas implicações - PARA LER E PENSAR

Filosofia
As imagens e suas implicações sociais
A Sociedade de consumo é influenciada e formada por informação, propaganda e publicidade, constituindo, assim, o modelo de vida moderna
por LILIANY SAMARÃO e PEDRO CALABREZ FURTADO

IMAGENS: SHUTTERSTOCK, / MONTAGEM LUCAS DE OLIVEIR
Na onda dos eventos de moda, como o Fashion Rio, realizado no Rio de Janeiro, ou o São Paulo Fashion Week, na capital paulista, sempre surgem discussões sobre moda, beleza e, uma das mais polêmicas, sobre o corpo. Baseado em tipos franzinos, magros, os corpos "da moda" são tão produtos de consumo quanto as roupas que os vestem. A polêmica dos corpos, sejam das modelos de passarelas, sejam de modelos publicitários, ganha páginas de jornais, de revistas, nas tevês por meio de imagens e representações e abre espaço para a discussão sobre como a idealização do corpo adquiriu poder ao longo do século XX, chegando ao século XXI com normas estéticas específicas. É necessário ser como as modelos: corpo plasticamente perfeito, à prova de velhice, isento de qualquer descuido ou preguiça.
A busca por definições de padrões no que diz respeito ao corpo transforma- se numa corrida rumo ao consumo. A mídia trabalha para que a sua produção de imagens chegue ao indivíduo de maneira que legitime e afirme não só o consumo, mas também os modos de sociabilidade - uma espécie de orientação sobre como viver e se relacionar em sociedade - nelas inseridos. Para isso, a mídia ensina o que, onde, quando e como consumir. Mais: ensina como devemos ser. Por meio de suas representações, o indivíduo pode se reconhecer como protagonista das imagens, espelhando-se nos modelos apresentados, fazendo da imagem midiática algo a ser copiado.
As pessoas, em particular as moradoras das grandes metrópoles, relacionam- se, diariamente, com um fluxo contínuo de imagens produzidas pela mídia. Essa "relação" não é propriamente uma novidade e já há muito tempo influencia a sociedade. Por isso, não se discute que as imagens da mídia são parte da cultura da sociedade brasileira. São imagens que se tornaram onipresentes e são responsáveis pela difusão de símbolos, culturas e informações. A socióloga Cristina Costa, em seu livro A imagem da mulher, afirma que, no cotidiano das relações sociais, as pessoas se formam no contraponto das imagens que recebem, ou seja, passa a ser um grande jogo de espelhos, fazendo o indivíduo ora se compreender ou se opor, ora se contemplar ou se estranhar.
O uso consistente de imagens - e, conseqüentemente, a freqüente inserção de representações - mostra a importância que as mesmas ocupam na sociedade. Isso porque a sociedade capitalista não só requer uma cultura baseada em imagens, como a sua produção fornece uma ideologia dominante, ou seja, oferece uma visão de como o mundo deveria ser; daquilo que compõe ou comporia um mundo melhor. Como necessita fornecer uma ampla quantidade de entretenimento, para assim estimular o consumo e anestesiar os danos causados a determinadas raças, classes sociais e sexo, a mudança social foi substituída por uma mudança nas imagens, e a mídia aproveita essa chance para criar novos estilos de vida, novos conhecimentos, novas culturas e novas representações.
Na onda dos eventos de moda, como o Fashion Rio, realizado no Rio de Janeiro, ou o São Paulo Fashion Week, na capital paulista, sempre surgem discussões sobre moda, beleza e, uma das mais polêmicas, sobre o corpo. Baseado em tipos franzinos, magros, os corpos "da moda" são tão produtos de consumo quanto as roupas que os vestem.
Do encontro entre imagem, mídia e sociedade é possível extrair um conjunto de representações que expressam força cultural e que são usadas cada vez mais com o intuito de fazer "crer", criando fenômenos totalmente midiatizados. Nasce, então, a sociedade do "parecer ser", na qual a mídia forma padrões de identidade que são estabelecidos pelo modo como o indivíduo interage com as imagens. Assim, para a pesquisadora Sandra Pesavento, no livro História e história cultural, o imaginário, a representação, a produção e a recepção dos discursos da mídia formulam a compreensão do indivíduo: ao ver as imagens, o espectador vai tomála como representação do seu cotidiano e, conseqüentemente, como um exemplo a ser seguido. Ao se tornar um "fantasma" dos modelos que circulam pela mídia, o indivíduo não só legitima a "corrida" pelo consumo como vira o próprio produto a ser consumido.
Para a mídia, a beleza, a sedução, o prazer - das cores, das formas e das linhas -, na apresentação dos produtos, parecem ser mais importantes do que a utilidade ou a funcionalidade real dos mesmos. As peças produzidas pela mídia lidam com o desejo para a produção de bens e mercadorias e, desta forma, a imagem se converte no referencial que deve ser reproduzido na vida cotidiana. Assim, as imagens se tornaram onipresentes e importantes meios para a
Pelo fato de a mídia tratar a beleza como um artigo mercantil, ou seja, como uma beleza direcionada à promoção de marcas e ao faturamento das indústrias, o eixo básico se tornou a exploração de imagens que povoam a imaginação da sociedade e que podem não ser verossímeis, mas, talvez, sejam parte das fantasias "convencionais" das pessoas. Essas imagens fazem parte das convenções ditadas pela sociedade e são convencionalmente legitimadas pela mídia, fazendo com que fantasias que antes eram do campo imaginário e solitário sejam, agora, do campo representativo e plural.
A imagem - representativa ou não do cotidiano - tornou-se parte da cultura da mídia. Buscar entender a cultura é buscar mostrar que, uma vez inserida no cotidiano dos indivíduos, a imagem é tida como um espelho da sociedade e, por meio dela, pode-se entender a cultura que ela representa. Nessa sociedade cada vez mais globalizada, capitalista e rápida, como numa frase de Guy Debord, no livro A sociedade do espetáculo, "a realidade do tempo foi substituída pela publicidade do tempo".
Assim, representado socialmente por diferentes meios, o indivíduo passa a ser um personagem midiático. Por meio de suas representações, a mídia não só aborda os produtos/serviços em si, mas passa a envolvê-los no contexto das vivências humanas, apresentando, desse modo, algumas versões dos estereótipos sociais que retratam o indivíduo.
As formas de entretenimento na mídia podem ser vistas como "válvulas de escape" substitutas das satisfações reais que não podem ser alcançadas nas condições sociais normais. São essas narrativas midiáticas que oferecem modelos para a construção do "eu" e que intensificam o consumo, reduzindo a realidade à concepção que a mídia quer que os homens façam dela.
A mídia cria novos estilos de vida, novos conhecimentos,
novas culturas e novas representações
A América Latina registra 17% do total de abortos clandestinos realizados no mundo inteiro, a África, 58%. O Brasil aparece no relatório com uma das maiores taxas da ocorrência entre os países em vias de desenvolvimento
A AÇÃO DA MÍDIA segue uma razão mercantil. Mercadológica. A premissa básica para que uma imagem da mídia exista é que ela seja mercadologicamente viável. Em outras palavras: Juliana Paes e seus contornos estampam capas de revista e outdoors, pois isso vende, trazendo resultados para as empresas envolvidas - um fabricante de cervejas, uma agência de publicidade e uma rede televisiva, por exemplo, no caso de uma propaganda - e promovendo as marcas associadas a tal imagem.
A dinâmica mercadológica é de concorrência cada vez mais acirrada. Marcas e produtos proliferam no mesmo tempo em que novos meios de comunicação surgem para atender às diversas necessidades das indústrias. A mídia inova com novos formatos de entretenimento, como os reality shows - Big Brother, Super Nanny e afins -; de informação, como as notícias jornalísticas diretamente enviadas ao celular do assinante; e de publicidade, como os advergames - jogos interativos online que têm por intuito a promoção de marcas e produtos. E esses são apenas alguns exemplos.
NESSA DINÂMICA de concorrência do mercado, explorar os meros valores funcionais daquilo que se comunica na mídia - a simples e direta narração de um fato pelo telejornal, ou a divulgação dos componentes químicos de um produto de beleza na forma de números, por exemplo -, não pareceu bastar. No próprio entretenimento oferecido pela mídia, os formatos clássicos se encontraram limitados. Houve a necessidade de revestir de inovações o que se comunicava, para diferenciar e, portanto, vender mais e melhor. O valor dos produtos - até mesmo dos produtos da indústria da mídia - deveria ultrapassar a mera utilidade e funcionalidade. Deveria possuir aquilo que se tornou jargão dos departamentos comerciais das empresas: valor agregado. Valor além daquilo que é tangível.FONTE: https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=7416151736344300616#editor/target=post;postID=8686085886073875462

PARA LER E PENSAR: AS IMAGENS E SUAS IMPLICAÇÕES SOCIAIS


Filosofia
As imagens e suas implicações sociais
A Sociedade de consumo é influenciada e formada por informação, propaganda e publicidade, constituindo, assim, o modelo de vida moderna
por LILIANY SAMARÃO e PEDRO CALABREZ FURTADO

SHUTTERSTOCK
O valor funcional - normalmente atrelado ao raciocínio lógico, ou seja, à escolha de um produto baseada num pensamento lógico sobre quais utilidades e funções trazem maiores benefícios a um custo (dinheiro, tempo etc.) menor - dá lugar a outro tipo de valor. Valor que, não apelando para a razão e lógica, só pode apelar para a emoção. Criam-se atributos aspiracionais, que são representações de ideais que povoam a cabeça dos membros da sociedade.
Os meios de comunicação, como um todo, são indissociáveis das imagens que eles próprios promovem. Não há como pensar uma propaganda sem a imagem que a compõe, ou mesmo uma matéria de telejornal sem as imagens que a acompanham. Imagens que englobam produtos, fotos jornalísticas, celebridades e muitos outros objetos. Dentre eles, um dos mais utilizados é o corpo.
Imagens do corpo humano povoam os conteúdos disseminados por todos os produtos da mídia: os corpos dos participantes do Big Brother expostos diariamente via televisão, das celebridades na coluna social de um jornal ou então de modelos em propagandas. E tais corpos estão inseridos na dinâmica mercadológica. Ou seja, as imagens de corpo encontradas na mídia são carregadas de atributos aspiracionais. Representam corpos ideais. Em outras palavras: corpos que habitam a imaginação e as idéias dos indivíduos. São, portanto, representações ideais.
CORPOS DE TODOS os tipos. Crianças, jovens, idosos, femininos e masculinos. Mas um tipo que se destaca e chama peculiarmente a atenção: o sexy. Entendemos por sexy aquelas imagens de corpo que apelam aos desejos sexuais dos indivíduos em uma determinada sociedade. E tais imagens estão, certamente, entre as mais utilizadas - e, conseqüentemente, segundo a razão mercantil já explicada, as mais vendidas. As duas revistas femininas mais vendidas do país, Nova e Claudia, são publicações em que grande parte do conteúdo é composta por orientações sobre usos e condutas do corpo, com o objetivo de tornálo sexy; de torná-lo um corpo desejável e atraente. As telenovelas, líderes de audiência na televisão brasileira, exibem imagens de corpos esbeltos, esguios, talhados em academias, que seguem os padrões de beleza vigentes. Reinaldo Gianecchini, Alemão - participante vencedor da sétima edição do reality show Big Brother Brasil -, Gisele Bündchen e nosso exemplo inicial, Juliana Paes, são veiculados na mídia como ideais-tipos, ou seja, tipos ideais de corpo a serem seguidos para que se seja desejado. Trazendo a reflexão para o campo das ciências sociais, o sociólogo Zygmunt Bauman, em diversas de suas obras, propõe uma nova concepção da sociedade no mundo contemporâneo. Para ele, vivemos uma modernidade líquida. Modernidade em que as condições segundo as quais seus membros agem mudam mais rápido do que o necessário para que as formas de agir se consolidem em hábitos e rotinas. Líquida, pois os líquidos fluem. Diferentemente dos sólidos, eles mudam com facilidade, não permanecem na mesma forma por muito tempo, e passam facilmente de um lugar para o outro. Nessa perspectiva, os indivíduos da sociedade contemporânea vivem em um clima de mudanças constantes, menos presos a instituições sociais como a família, a empresa e a escola.
A filosofia do desejo
Como o apelo ao desejo se adapta à configuração social em que vivemos? O primeiro a refletir profundamente sobre o desejo foi Platão, por volta do século IV a.C. Em uma de suas mais célebres obras, O banquete, o filósofo heleno contrapõe diversas concepções de desejo. Duas delas nos interessam muito.
A primeira é proposta por Agatão - O banquete é escrito na forma de um diálogo entre diversas personagens, formato pelo qual Platão ficou consagrado -, que diz que o desejo é ligado a tudo o que é belo e jovem, e que foge da deformidade e da velhice. Se observarmos as imagens de corpo expostas em capas de revistas, programas televisivos e afins, percebemos sem muita dificuldade que a perspectiva de Agatão faz sentido em nossa sociedade. Os corpos sensuais da mídia são geralmente magros, sem pêlos, evitando ao máximo quaisquer sinais de velhice - como rugas e manchas na pele - ou deformidades. A juventude parece significar beleza, e ambos parecem ser sinônimo daquilo que deve ser desejado.
A segunda concepção é proposta por Sócrates. Ele diz que o desejo se apresenta apenas na falta. Em outras palavras: desejamos apenas aquilo que nos falta; aquilo que não temos. Alguém pode dizer que deseja permanecer rico ou saudável, por exemplo. Mas, ao dizer isso, automaticamente está desejando algo que não possui: o futuro. Desejando apenas o que não tem, o indivíduo, ao finalmente conseguir o que deseja, deixa automaticamente de desejá- lo. Schopenhauer apresenta uma idéia semelhante, utilizando a metáfora de um pêndulo. Para o filósofo alemão, vivemos como um pêndulo que pende entre dois lados: em um deles está o sofrimento da frustração e, no outro, o tédio. Nessa perspectiva, vive-se desejando o que não se tem, e, portanto, sofrendo pela frustração de não tê-lo. A partir do momento em que se consegue o que se deseja, vem o tédio de já possuir. E assim sucessivamente.

O espetáculo mercantil
Não há como negar que as imagens veiculadas pela mídia são meios eficazes de entendimento da cultura e da sociedade brasileira. O corpo, como visto, é tratado como um produto de consumo: é um corpo perfeito, fabricado e que está em busca do imaginário social. A mídia, por meio dos seus argumentos, tornou-se um mecanismo extremamente repressivo que age sobre a sociedade.
O corpo foi submetido a um ritmo acelerado de mudanças, seja nos padrões, nas medidas, nos estilos ou nas épocas históricas. E, na verdade, um material "inacabado", sempre em mudança, em mutação. Podemos, por que não, afirmar que, enquanto houver história, o corpo estará em mutação, em processo de modificação.
Mas, enquanto abrimos espaço para a análise, a mídia continua usando a imagem da mulher-objeto, sensual, sexy, aquela que satisfaz os padrões de desejos apresentados. Afinal, vendem-se cervejas ou mulheres? Carros ou corpos plasticamente perfeitos? Perfumes ou sexualidade? Na verdade, vendem-se imagens de corpos que, ao serem "consumidos", serão a ponte para a venda do produto anunciado. Esse "consumo" de corpos é, também, uma identificação do receptor com a imagem idealizada que a mídia oferece; é a perseguição por um corpo semelhante como ideal-tipo.
Nessa sociedade do espetáculo, a mídia constrói as representações visando à construção de desejos dos indivíduos. Nesse caso, a cultura popular se transforma numa mercadoria e se torna mais útil para a comunicação e a mídia. Assim, num pensamento de Levi-Strauss, a cultura ganha uma versão reconstruída e recontada na sociedade contemporânea.
Seja no corpo de Juliana Paes ou de Gisele Bündchen, seja com Reinaldo Gianecchini ou Alemão, são inegáveis a criatividade e a sedução com que os corpos são representados. Mesmo a imagem da mídia tendo caráter de encenação, de ficção e até mesmo caráter lendário, a imagem se tornou a principal ligação do indivíduo com o mundo.

ONG explica campanha feminista com Cruzeiro, que vira destaque internacional

Ação é tida como a primeira de uma sequência de etapas de conscientização   João Vítor Marques /Superesportes  ,  Tiago Mattar /Superes...