Cirurgia plástica: vaidade ou necessidade?

 

Teste rápido ajuda a definir se você realmente precisa de uma intervenção cirúrgica

São Paulo - Quantas vezes você se olhou no espelho e desejou afinar o nariz, eliminar o excesso de pele das pálpebras, dar um up nos seios, lipar a barriga? Não há quem encare sua própria imagem e não pense em mudar algum detalhe, seja no corpo ou no rosto. E deste grupo também fazem parte pessoas consideradas dentro dos padrões estéticos.

Para a maioria, este pensamento vai e volta, sem que o incômodo do que se deseja mudar afete de fato a vida, derrube a autoestima. Para outras, uma barriga saliente, ou seios pequenos demais podem mexer tanto com a visão que se tem de si mesmo, que acaba gerando insatisfação constante e insegurança para enfrentar situações cotidianas. "A cirurgia plástica é uma importante aliada para a recuperação – e elevação – da autoestima, não há como negar. Especialmente num país como o nosso, onde o corpo vive à mostra. Tudo depende de como a pessoa encara e cultua a questão. Se ela procura um cirurgião plástico para resolver algo que a incomoda de fato, OK. Mas, se for para mudar algo só por conta do que a moda pede, é preciso cuidado", argumenta Dr. Márcio Castan, Cirurgião Plástico, Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Cosmiatra, de Porto Alegre (RS).

Em outras palavras é necessário avaliar se a pessoa não está contente com alguma parte do corpo por conta de alterações graves, que podem afetar a autoestima e, consequentemente, a sua qualidade de vida, ou se o desejo de mudança tem a ver com uma vaidade exacerbada. "Hoje, há muito acesso à informação, o que é bom e ruim. Ao mesmo tempo em que permite às pessoas terem conhecimento, também envolve a disseminação de dados incorretos. Muitas reportagens publicadas na mídia, por exemplo, apresentam um procedimento cirúrgico como algo banal e não é", explica o médico.

Conclusão: muita gente sai por ai atrás de um médico para mudar um detalhe no corpo ou no rosto como se fosse às compras, não por necessidade, mas para conquistar ainda mais a admiração alheia. "A vaidade é necessária. Ela demonstra a vontade de aliviar algo que diminui o bem-estar. Cuidar-se melhora a autoestima, porque o que incomoda causa um comprometimento real do cotidiano. Mas este desejo tem um limite e o problema surge quando alcança para o inatingível, fica fora de alcance", afirma o médico.

(IN)SATISFAÇÃO PESSOALDe acordo com o médico, o desejo de mudança não deve ser banalizado, nem de um lado nem de outro, porque a cirurgia plástica não está baseada em procedimentos simples, envolve cuidados e riscos. Mas a vontade e o comprometimento da qualidade de vida, também não. "Não há como negar que a mulher é mais cobrada quando o assunto é padrão de beleza e que também sofre mais mudanças estéticas no decorrer da vida. Isso começa com a própria constituição orgânica, pois ela tem mais gordura e menos músculos, passa pela gestação, por alterações hormonais... Tudo isso faz com que a maioria tenha alteração corporal importante com o decorrer do tempo, especialmente abdominal e mamária. Buscar resolver estas mudanças por meio da plástica é absolutamente natural e saudável, desde que o sonho não envolva algo impossível de se obter ou que não combine com o próprio biótipo. Um exemplo é o desejo da colocação de próteses de silicone nas mamas num tamanho que não seja compatível com a estrutura física, só porque a amiga está linda com os novos seios, ou aquela atriz da TV faz o maior sucesso exibindo um busto avantajado em decotes ousados", defende o especialista.

Para transformar desejo em realidade, da melhor forma possível, o médico deve ser absolutamente criterioso e sincero com o paciente. "É importante entendê-lo como um todo, bem como sempre respeitar a anatomia de cada um. E quando nos deparamos com aquele sempre insatisfeito, denominado dismórfico, ou seja, que está constantemente infeliz com a própria imagem, é preciso adotar uma dose de psicologia para mostrar que a plástica melhora a aparência, sim, mas isso não resolve todos os problemas da vida. Muitas vezes, este tipo de paciente necessita de terapia e não de plástica", argumenta Dr. Castan.

TESTE RÁPIDO PRÉ-PLÁSTICA
Antes de partir para a cirurgia, cada um deve se perguntar se o que deseja mudar:

* Causa incômodo em tarefas triviais?

* Atrapalha o relacionamento com o parceiro?

* Compromete a vida e gera problemas?

* Causa vergonha a ponto de fazer com que a pessoa se afaste de algumas situações?

Se a resposta for sim a mais de três questões, a cirurgia pode ser indicada. Mas só o médico especialista, credenciado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, poderá avaliar a real possibilidade (e necessidade) de realizá-la – ou não.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Uma nova classe de pessoas deve surgir até 2050: a dos inúteis"

Presidente da Algar Tech será mentora de iniciativa de empoderamento feminino

A obesessão pela perfeição