segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A busca por um corpo perfeito

A OPINIÃO DE UM FISIOLOGISTA

A cultura da sociedade atual está marcada por valores dominantes como competição, consumismo e individualismo. Repercutindo no ser humano o valor cada vez mais narcisista. Com isso, o corpo cada vez mais está sendo posto como objeto, mercadoria, consumo, aparência, instrumento de trabalho para gerar lucro e sujeito as leis do mercado. Na pós-modernidade, o corpo parece servir de forma privilegiada, por intermédio da valorização da magreza, da boa forma e da saúde perfeita, como alvo do ideal de completude e perfeição. Como conseqüência deste processo, a busca pela estética ideal e pelo “corpo prefeito” é apontado como fonte de frustração e sofrimento do homem pós-moderno.


No contexto atual, onde as pessoas estão sofrendo psiquicamente por não se encontrar nos padrões de beleza que a mídia nos impõe, por falta de condições financeiras para as práticas corporais modificadoras, ou por não conseguir atingir este padrão. Por isso, parte da população se sente excluída, marginalizada, ridicularizada. Podemos citar o que é feito com as pessoas gordas, com as pessoas idosas, com as pessoas consideradas feias pelo modelo padrão, bastando apenas uma breve análise de alguns programas de televisão, para saber do que estou falando. É só observar a construção de um modelo de corpo onde homens e mulheres têm formas muito semelhantes. E que os corpos que se apresentam nas telenovelas são referências para a construção do corpo ideal. Os seios das mulheres são um exemplo que se pode citar deste padrão imposto pela televisão: quem possuía seios grandes realizava plástica para diminuí-los. Bastou a mídia mudar o foco exibindo seios grandes “com silicone” para que as pessoas mudassem de opinião.



Existe hoje uma preocupação exagerada em manter ou adquirir a forma corporal de beleza ou de força exaltada pela sociedade. Os meios de comunicação televisivos promovem uma exposição de imagens corporais sedutoras que o público aprova e aceita. Estas imagens acabam se tornando um modelo perseguido pela grande maioria das pessoas. Criando assim em plena cultura do individualismo, da independência pessoal e da liberdade (como valores dominantes), uma espécie de mais-alienação. Tornando-se o corpo uma prisão inconsciente.

Neste contexto, evidencia-se o desejo de corpos homogeneizados, enquadrados aos padrões estéticos normatizados. Que na busca desejosa de enquadramento ao padrão “normal”, constroem seus corpos por meio de tecnologia e do uso de substâncias ilícitas. Quer seja através de Esteróides Androgênicos Anabólicos (EAA) ou simplesmente anabolizantes, quer seja através de práticas cotidianas no uso de cosméticos e dietas, quer seja no desejo ou na efetiva submissão a técnicas cirúrgicas. A imagem corporal na atualidade tem sido explorada com um valor exacerbado. Essa condição atual leva os sujeitos, na busca de corpos perfeitos, a um estado de desumanização, sendo que nos caracterizamos enquanto humanos, pelas nossas diferenças.

Por isso as doenças psicológicas ligadas à busca do “corpo perfeito” como a anorexia, bulimia e agora a vigorexia estão cada vez mais presentes na sociedade. O ideal seria a estética ser colocada sempre como conseqüência e não como objetivo final, pois, esse lugar deve ser ocupado sempre pela saúde. Afinal, antes viver bem com saúde, do que morrer ou ter complicações, por causa de práticas utilizadas para buscar a perfeição de uma coisa que não existe. E que de uma forma alienante é imposta no subconsciente de todos nós.
Prof. Esp. Eduardo Bitencourt

Fisiologista do Exercício

CREF: 4155-G/BA

dISPONIVEL < http://www.eduardobitencourt.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=201:a-busca-pelo-corpo-perfeito&catid=63:blog> ACESSO EM 10 DE JANEIRO





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