quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Eu era espancada, diz turca após se livrar de casamento forçado e virar prefeita

fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2014-12-24/eu-era-espancada-diz-turca-apos-se-livrar-de-casamento-forcado-e-virar-prefeita.html

Por Amanda Campos - iG São Paulo 
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Após viver 13 anos sob violência doméstica, Berivan Elif Kilic se separou, levou os filhos e se tornou prefeita de sua cidade natal

Berivan Elif Kilic, 33, tinha apenas 15 anos quando foi obrigada pelos pais a deixar a escola que frequentava em Kocaköy, Turquia, e escolher um marido. Entre os três pretendentes sugeridos pela mãe, a jovem escolheu seu primo, oito anos mais velho, achando que, como era seu parente, não lhe faria mal. Mas ela estava enganada.
Reprodução/Facebook
Após sofrer com a violência do marido, Berivan Elif Kilic pediu o divórcio, estudou e se tornou prefeita de sua cidade natal
"Durante os 13 anos em que fiquei casada, fui vítima de violência doméstica todos os dias. Era uma fase terrível", admitiu ela em conversa com o iG.
Apesar de casamentos arranjados serem comuns no país, a cerimônia ocorreu de forma ilegal, já que a idade mínima aceita pela constituição para que o matrimônio seja realizado é 17 anos. De acordo com a Federação Turca de Mulheres Universitárias, existem 181 mil noivas-crianças na Turquia, de acordo com o Daily Beast. Em todo o mundo, 13,5 milhões de meninas foram forçadas a se casar antes de completar 18 anos, de acordo com relatório World Vision divulgado em 2012.
Cansada de ser submetida a violência, ainda mais após o nascimento do segundo filho, Berivan decidiu desafiar a sociedade e entrou na justiça para pedir o divórcio. Três anos após o início do processo, ela conseguiu. Ela conta que em um primeiro momento, os pais prometeram bani-la da família, caso ela se separasse. Ao passar do tempo, porém, acabaram mudando de ideia.
"Um dia decidi tomar as rédeas da minha vida e disse aos meus pais que ou eles aceitavam minha escolha ou nunca mais me veriam novamente. Foi aí que eles perceberam minha determinação e me apoiaram", avaliou.
Após se mudar novamente para a casa dos pais com suas duas crianças ainda durante o processo de divórcio, Berivan descobriu que seu filho mais velho era portador de uma doença genética. E para a criança obter o melhor tipo de tratamento, ela decidiu voltar aos estudos a fim de oferecer qualidade de vida adequada.
Berivan Elif Kilic foi obrigada a se casar aos 15 anos por seus pais em cidade da Turquia. Foto: Reprodução/Facebook
Após sofrer violência doméstica por 13 anos, Berivan Elif Kilic pediu o divórcio. Foto: Reprodução/Facebook
Berivan Elif Kilic se tornou prefeita de sua cidade natal, na Turquia. Foto: Reprodução/Facebook
Berivan Elif Kilic aparece abraçada ao filho em foto de sua conta em uma rede social. Foto: Reprodução/Facebook
Berivan Elif Kilic é mãe de duas crianças. Ela diz que ambos a inspiraram a mudar de vida na Turquia. Foto: Reprodução/Facebook
Berivan Elif Kilic foi obrigada a se casar aos 15 anos por seus pais em cidade da Turquia. Foto: Reprodução/Facebook
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Com a melhora gradativa da criança, Berivan decidiu então voltar sua atenção a outro grupo que precisava de sua ajuda: as mulheres de Kocaköy. Ao falar sobre os casos de violência contra jovens, ela citou a história de uma adolescente que acabou morta pela família após trocar supostos olhares com um homem. 
"Tento ser uma resposta e servir de inspiração às mulheres que precisam de ajuda", disse ela.
Foi por esse motivo que ela deu início a sua carreira política se filiando ao Partido para a Paz e Democracia (BDP) e, posteriormente, ao Movimento Democrático de Mulheres Lives, DÖKH, na sigla turca. E já no início do mês de novembro, ela se tornou oficialmente a primeira prefeita de Kocaköy, cidade agrícola de 17 mil habitantes, ao lado de seu companheiro de chapa masculino, Affullah Kar - todas as posições de liderança são divididas com um homem, segundo regras do partido.
"Me candidatei a uma posição da assembleia e me escolheram prefeita", explica ela, que agora quer se graduar psicóloga ou socióloga.
Ao refletir sobre a sociedade turca, a prefeita afirma querer acabar com a inferioridade feminina em relação aos homens, para que as mulheres tenham "seu destino em suas mãos". A prefeita garante ter apoio até do público masculino em sua gestão.
"Há um monte de esperança por aqui agora", disse ela ao Daily Beast. "As mulheres compareceram aos meus comícios em peso. Elas olham para mim e dizem: 'Se Berivan pode fazê-lo, eu também posso'", afirmou. 
*Colaborou Hayri Ipek

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