quinta-feira, 14 de abril de 2011

MULHERES NÃO SÃO PERFEITAS


Querer ser realizada é legitimo. Quer ser perfeita só atrapalha o objetivo final. Especialistas e mulheres antenadas mostram as novas trilhas do sucesso No começo deste ano, a analista de recursos humanos Mariana Galdino Adenson, 28 anos, de São Paulo, viu seu mundo desmoronar com o término de uma relação de quase uma década. Mas o que parecia ser o fim da linha revelou-se o início de uma nova era. “ Sempre busquei a perfeição em tudo. Nunca admiti que nada saísse do controle. Eu havia acabado de trocar de emprego e estava me dedicando bastante à empresa quando meu casamento acabou. O choque foi tão grande que resolvi mudar de vida”, conta. Foi mesmo uma guinada espetacular: Mariana trocou seus planos de carreira na nova empresa por uma viagem de cinco meses para a Califórnia. “Percebi que vivia em função de manter uma estabilidade irreal e decidi enfrentar o desconhecido”, diz. Em uma universidade americana, ela se viu rodeada de idiomas e costumes estranhos. “Entender que não havia apenas um jeito certo de fazer as coisas foi um grande aprendizado para mim. Parei de me cobrar tanto e de julgar os outros. Hoje estou de volta ao Brasil e pronta para recomeçar. Passar pelo que eu mais temia e sobreviver mostrou que sou muito mais do que o emprego ou o casamento.”




Mariana viveu a crise muito jovem e aprendeu com ela. É bem mais comum, porém, as pessoas questionarem suas rotas na meia-idade. “Tenho várias pacientes na faixa dos 40 anos que estão no auge da carreira, mas insatisfeitas com a vida pessoal”, diz a psicóloga familiar Gisele Sydow Kizahy, de São Paulo. Para ela, é sinal de que a busca por uma boa posição no mercado fez com que muitas mulheres deixassem para trás valores preciosos. “Quando acordam, nem sempre dá para recuperar a intimidade com os filhos e o marido ou simplesmente o prazer de ter um hobby”, alerta. É um cenário bem diferente do que costuma acontecer com os homens, que em geral se satisfazem com o sucesso profissional e financeiro – pois assim reforçam o papel de provedores. Nós sempre queremos ir além. “Mulheres são multitarefa. Conseguem se dedicar ao trabalho, ao marido, aos filhos, à casa... Muitas abrem mão de si mesmas para dar 100% em tudo. Mas o preço disso é alto e um dia a fatura chega”, afirma Gisele. Pode chegar em forma de culpa, frustração, medo, ansiedade ou solidão... E não adianta tentar simplificar a charada achando que basta abdicar da carreira. Gisele observa que as mulheres que jogaram todas as fichas na família podem sofrer ainda mais. “Elas percebem que os filhos cresceram e foram embora, o marido vive para o trabalho e elas estão sozinhas, sem amigos, sem a juventude e sem a função social que possuíam”, explica.



Dose certa

O caminho para não cair nessa armadilha é equilibrar melhor a vida – como se ela fosse uma pizza, que tivesse de ser dividida em fatias iguais para o trabalho, a família, o amor, o lado pessoal. “Um dos segredos das mulheres felizes é que elas aceitaram a existência dos altos e baixos e, quando um setor não vai bem, investem nos outros para dar a volta por cima”, explica a terapeuta. Mas é claro que dividir direito a tal pizza é mesmo um desafio. A diretora de arte Isa Silva Souza Reis, 38 anos, de São Paulo, casada há dez anos com Alexandre, quase perdeu o marido por trabalhar demais e num horário complicado. “Em 2000, eu entrava às 14 horas no meu emprego e só saía de madrugada, quando meu marido já estava dormindo. No início, até brincávamos com a situação, mas foi perdendo a graça.” Como só podiam ficar juntos nos fins de semana, as brigas começaram. “Alexandre reclamava que eu passava mais tempo no trabalho do que em casa, que vivia cansada, sem paciência e não dava atenção a ele”, lembra. Para preservar o casamento, Isa aceitou um emprego com um salário menor. “Jamais me arrependi, amo meu marido, sei que fiz a escolha certa. Minha rotina é corrida, mas hoje consigo conciliá-la com a vida pessoal.” Segundo Flora Victoria, vicepresidente da Sociedade Brasileira de Coaching, Isa foi capaz de colocar em prática uma nova concepção de sucesso, baseada na flexibilidade, e mais focada no prazer do que na obrigação. “As mulheres realmente bem-sucedidas são aquelas que descobrem que podem se realizar de diversos modos. Sobretudo, elas desempenham cada um de seus papéis com gosto e não só porque têm de dar conta do recado.”



Medidas espertas

Flora Victoria, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Coaching, ensina a redimensionar metas:



EQUILIBRE A RODA DA FORTUNA Desenhe um círculo com quatro pedaços: carreira, amor, família e vida pessoal. Pinte seu porcentual de satisfação em cada área. Observe: a roda só gira quando equilibrada.



DEFINA OBJETIVOS POSSÍVEIS E comece a planejar como vai alcançálos. Não queira tudo para ontem.



FAÇA A CONTA CERTA Quanto custa deixar cada projeto 100%? Terá retorno equivalente ao empenho?



GUIE-SE PELO PRAZER Liberte-se da necessidade de agradar ou de provar que pode. Foque mais na sua satisfação e tudo fluirá melhor.



ADOTE CRITÉRIOS REALISTAS Não procure pelo em ovo sempre. Tente também ver o que está bom.



SEJA FLEXÍVEL Troque a noção de trabalho duro por trabalho esperto, que inclui criatividade. A rigidez impede que veja soluções novas.
disponivel em
http://claudia.abril.com.br/forum-mulher-brasileira/rpt-felizes-nao-perfeitas.shtml acesso em 14 de abril
NEM SEMPRE PERFEIÇÃO É SINONIMO DE FELICIDADE



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