sexta-feira, 4 de março de 2011

Para mulheres, mídia retrata mal a figura feminina

Pesquisa da Fundação Perseu Abramo e do Sesc aponta que classe feminina se sente desrespeitada com a exibição de corpos na publicidade e na TV


Os homens até podem apreciar ver rostos e corpos de belas mulheres na TV, em peças publicitárias e na mídia em geral. Mas, para as mulheres, tal exibição, além de nem um pouco atrativa, contribui para uma desvalorização da classe feminina.
A conclusão faz parte da ampla pesquisa “Mulheres brasileiras e gêneros nos espaços público e privado” – elaborada pelo Instituto Perseu Abramo em parceria com o Sesc de São Paulo. Elaborado no ano passado, o estudo faz uma análise das opiniões e percepções femininas acerca de diversas vertentes da sociedade. A ideia foi fazer um complemento à pesquisa realizada no ano de 2001, mas inserindo novos temas e contanto, também, com o contraponto das ideias masculinas – uma vez que, além de 2.365 mulheres, 1181 homens também foram entrevistados.
Um dos temas abordados neste ano foi a opinião das mulheres a respeito da imagem que a mídia (veículos e também a publicidade) faz da figura feminina. E os resultados mostram que a grande maioria está descontente com a exposição do corpo feminino. De todas as entrevistadas, 80% consideram ruim a exposição do corpo na TV e na publicidade. Há nove anos, na pesquisa anterior, esse índice era de 77%.



Dentre as pesquisadas que desaprovam o excesso de exibição feminina, 51% consideram que valorizar o corpo implica um subjulgamento geral da figura da mulher. Somente 18% das mulheres consideram adequada a exibição de sua classe na TV e nos outros meios.



“Esse índice mostra um amadurecimento da reflexão sobre a imagem da mulher. O percentual de desaprovação já era alto em 2001 e agora, cresceu mais. Isso mostra que elas estão conscientes de que a mídia, muitas vezes, impõe padrões que não são reais e que não representam a figura feminina”, argumenta Gustavo Venturi, professor do departamento de sociologia da Universidade de São Paulo e um dos coordenadores da pesquisa.



Outro dado interessante da pesquisa é que a grande maioria das mulheres (74%) é a favor de algum tipo de controle (governamental ou do próprio mercado) sobre o teor do conteúdo exibido pela publicidade e pela mídia. “Esse índice nos causou bastante surpresa porque é comum a sociedade reagir de maneira negativa a qualquer possível ideia de controle ou censura”, pontua o pesquisador.


Tags: Mulheres
Marketing
Mídia
Pesquisa 2.03 16.17 Flailda Garboggini

Também sou publicitária e professora em Faculdade de PP. Minha dissertação de mestrado na década de 90, apontou justamente os avanços das mulheres no mercado de trabalho, mas a falta de coerência da publicidade na representação dessa mulher da década de 70 até a de 90. A pesquisa aqui comentada, confirma que nada mudou, sobretudo, nas campanhas que têm foco no público masculino. Parece que os homens ainda estão comandando quando o assunto é cerveja e, apesar dos protestos femininos, os criativos continuam com a mesma mentalidade machista. Infelizmente, nós mulheres precisaríamos lutar mais pelo respeito, evitar comprar produtos com essas propostas. Pena que existem muitas de nós que, mesmo assim, deixam tudo de lado, e consomem as marcas que fazem esses tipos de apelos que as desvalorizam. Eles se esquecem do respeito às filhas, mães, irmãs, esposas, amigas, enfim, só para vender mais produtos aos públicos masculinos que não estão nem aí para todos os nossos protestos. Enfim, não desanimamos nunca. Aqui foi essa oportunidade, espero que apareçam muitasa outras. Fla



02.03 13.27 Cláudia Xavier

Acho que o problema nem é o fato de mostrar mulheres bonitas, mas sim o modo como elas são retratadas. A eterna exploração dos corpos expostos e do forte apelo sexual faz com que não consigamos nos livrar do clichê da mulher objeto. Em geral as mulheres apenas aparecem para reforçar a idéia de que o cara bem sucedido é o que tem uma "gostosa" do lado. Infelizmente a publicidade, que se diz liberal e inovadora, é provavelmente a maior fomentadora dessa visão tão machista e ultrapassada. Lembro que no ano 2000 eu trabalhava na Newcomm (atual Young) e fiquei profundamente ofendida com a campanha criada para a Kaiser, em que mulheres vestidas com rótulos de cerveja eram oferecidas em bandejas. Porém, que voz tinha eu, uma única mulher no meio de uma criação totalmente dominada por homens... e o mais triste disso é constatar que nesse 11 anos absolutamente nada mudou!



02.03 10.57 Marcos S. Luiz

Mostra também que depois de quase 10 anos (! ), já que em 2001, 77% da população feminina estava descontente com a exposição do corpo feminino, não só piorou, mas pouco foi feito. Boa parte das agências continuam extorquindo os anunciantes por meio da defesa de clichês, do senso comum e falta de criatividade - apesar da retórica contrária. Lamentável.



02.03 09.23 cassiane andrade tosto

Eu faço parte da grande maioria e dezaprovo alguns materias, por exemplo o novo encarte das lojas MARISA para o mês da mulher. Exibem o corpo de uma menina usando langeries sensuais, isso é uma agressão...Sou mâe e acho isso um insulto, sou publicitária e acho isso uma apelação desnecessária.
http://www.mmonline.com.br/noticias.mm?url=Para_mulheres,_midia_retrata_mal_a_figura_feminina
acesso em 4 de março
SERÁ QUE UM DIA VAMOS ENTENDER MIDIA, MULHER, CORPO, DESEJO E COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR???
COMENTEM










Um comentário:

  1. Olá Selma!
    Sou graduado em Educação Física pela UNESP / Presidente Prudente. Penso que essa imposição de esteriótipo Mulher objeto ainda faça parte de um intricado contexto sócio-histórico, onde a educação está aí pra não cumprir seu papel, que seria o de atuar na formação plena dos sujeitos, fazendo destes, atores politizados, críticos. Ao invés disso, o status quo é mantido, a sociedade segue machista, individualista, e a massa alienada.

    jorgewilliam78@yahoo.com.br

    ResponderExcluir

ONG explica campanha feminista com Cruzeiro, que vira destaque internacional

Ação é tida como a primeira de uma sequência de etapas de conscientização   João Vítor Marques /Superesportes  ,  Tiago Mattar /Superes...