quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Uma história de anorexia

Minha santa anorexia veio átona aos 13 anos. E três eram os motivos. Primeiro por causa da constante insatisfação com o próprio corpo, segundo por me sentir culpada quando comia muito e terceiro por ter uns pais fanáticos ao judaísmo que só me davam atenção quando eu praticava o que eles queriam. Com o tempo o próprio organismo passou a rejeitar os alimentos.




Antes eu era uma criança normal, saudável e comunicativa. As pessoas diziam para minha mãe que queriam ter uma filha igual a mim. Mamãe estava sempre jejuando, e às vezes eu me tornava companheira dos seus jejuns, chegava a ponto de ser concorrente. No fundo de tudo isso, ambas lutava para manter os nossos corpos esbeltos.

Agora vejo que, essa pratica fanática e farisaica, desviou a minha família dos verdadeiros valores pregado na cruz. Provocando turbulências emocionais que permeavam nossa casa. Sendo eu a única filha (e também adotiva), sempre levava a pior, e por conveniência, sentia as chicotadas do meu pai quando ele explodia de raiva, insegurança, e sabe Deus mais o quê. Fui atingida e muitas vezes abusada verbalmente. Embora eu lembre muito pouco da minha infância, em termos gerais, sobraram as piores lembraças, onde sempre gritavam, culpavam, batiam, disciplinavam ou criticavam a minha pessoa. A única aproximação com a minha mãe vieram através dos jejuns.





Na puberdade, aos "13 anos", os meus pais reprimiram e tentaram controlar totalmente a minha vida, meus amigos, meu namorado, minha agenda, tudo. E por esse motivo, o jejum e o fanatismo em excesso se tornaram uma obsessão para mim. Eu emagreci 25 quilos. Em cerca de um mês... Eu me deliciei em ver as reações desesperadoras dos meus pais por causa da minha fome. Era uma mistura de raiva (porque não podia controlá-la), medo, dor e magoa. Já não me sentia totalmente em contato com minhas emoções... Uma parte de mim, eu sei, “não” só queria morrer de fome (por motivos da “religião”), mas sentia que merecia sofrer (por razões de auto-ódio). Passei a maior parte da minha adolescência (e além) reprimindo os meus sentimentos diários.

Ontem à noite caminhei ao lado da santa anorexia, percebi a profunda depressão e insônia que nutria do meu ódio pelos meus pais fanáticos. Quando discutíamos, eu tentava agredi-los com empurrões, e o meu pensamento de morte era constante.
O ódio que eu sentia, também de mim mesma, fez com que várias vezes eu me cortasse com cacos de vasos e facas, o meu próprio corpo. Por conseqüência da anorexia santa..., ou poderia dizer dos jejuns descontrolados, estou acamada. Sei que o meu fim está a sete palmos do chão e não negarei que prefiro morrer,

(Uma História de Ficção)

Texto Baseado: Marcos 5.21-43
dISPONÍVEL EM: http://cpfg.blogspot.com/2010/12/minha-anorexia-santa-confissoes-da.html ACESSO EM 23 DE DEZEMBRO


Um comentário:

  1. Que honra, o meu texto postado neste blog. Isso mostra a grande preocupação que temos sobre está doença silenciosa que tem aumentado no século 21 sem as pessoas perceberem...

    Ótimo Blog!!!

    Bjss

    ResponderExcluir

ONG explica campanha feminista com Cruzeiro, que vira destaque internacional

Ação é tida como a primeira de uma sequência de etapas de conscientização   João Vítor Marques /Superesportes  ,  Tiago Mattar /Superes...