quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Gisele Bündchen na campanha da Balenciaga – Androginia na moda e discussão de gêneros

Gisele Bündchen para a campanha da Balenciaga Spring 2011




Recentemente foi lançada a campanha da coleção spring 2011 da Balenciaga, estrelando ninguém menos do que a nossa über model Gisele Bündchen. As fotos clicadas por Steven Meisel apresentam as peças da coleção com ares futuristas da marca em um styling que caracteriza certa androginia. Gisele, que geralmente aparece evidenciando suas curvas ultrafemininas em desfiles e anúncios, apresenta-se com um estilo que esbarra nas fronteiras entre o feminino e o masculino. As formas mais estruturadas e linhas retas, em conjunto com a maquiagem quase invisível, caracterizam essa “confusão” de gênero.

Olhando para a foto da campanha, é impossível não lembrar outros exemplos bastante marcantes de androginia, nos quais a ferramenta mais importante de transformação da figura feminina em uma figura mais masculinizada era a roupa. Quando falamos das roupas masculinas invadindo o guarda-roupa das mulheres, não podemos deixar de falar em Coco Chanel, uma das precursoras desse movimento todo na moda. Insatisfeita com o desconforto das roupas femininas de sua época, foi ela quem inseriu as calças no vestuário feminino, bem como a gravata borboleta – o princípio de uma emancipação feminina, começando pela moda. E como não falar de Marlene Dietrich? Diva do cinema dos anos 30, também desafiou os limites do gênero na moda, usando peças de alfaiataria, com seus cortes retos e rígidos, escondendo toda a voluptuosidade do corpo feminino.


Coco Chanel e Marlene Dietrich com visuais andróginos


TEXTO MEU SOBRE O ASSUNTO
Nos anos de 1970, o corpo excessivamente magro das modelos ditava a moda feminina e passou a ser objeto de apreciação e de desejo. No Brasil, os corpos eram mais politizados, buscando expressar mais a liberdade do que propriamente a beleza saudável de quem vive em contato com a natureza. Em 1971, apareceu Leila Diniz, como símbolo de liberdade e de espontaneidade, ao exibir sua barriga grávida, de biquíni, na praia de Ipanema, escandalizou e lançou moda.

Os ares da liberdade que varreram a sociedade ocidental se refletiram na imagem ideal das mulheres. Corpos bronzeados, cabelos ao vento, energia pulsando nas veias. O culto aos corpos modelados por exercícios ainda não está consolidado, mas se insinua na aparência saudável de quem vive em contato com a natureza (ULMMANN, 2004: 96).
Na moda, a modelo inglesa Lesley Hornby, também conhecida como Twiggy, que em inglês, significa galho seco, representou um novo padrão de beleza, extremamente jovem e magra, com cabelos curtos, aproximava-se a figura de um rapaz. Twiggy emprestou nome e rosto para bonecas, jogos, canetas, cílios postiços, cabides, meias e até máscaras. No Brasil, o corpo violão dá lugar a um corpo tábua. Colaborando com a afirmação: ”a magreza torna-se solidária ao antigo imaginário da limpeza, constituído pelo fascínio diante da transparência e do repúdio perante a acumulação (SANTANNA, 1995:22).”

 Lesley Hornby: sua imagem quase andrógina, magérrima,pequena, com cabelos loiros muito curtos e imensos olhos realçados com camadas de rímel ecílios postiços, tornaram Twiggy o ícone dos anos 60.

< Disponível em: http://www.tvgasm.com/newsgasm/Twiggy_promo.jpg > acesso em 22

de fevereiro de 2009.

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