quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A Ditadura da Magreza

A Ditadura da Magreza - artigo escrito para a faculdade




Silicone nos seios, quadril simetricamente perfeito e um rosto que traduza beleza clássica. Estes são os requisitos para ser considerada bela, com um corpo ideal. Ilusão das mulheres, principalmente brasileiras. Cerca de 7% destas confessam ter feito algum tipo de cirurgia plástica, e 54% já considerou a idéia de submeter-se a um processo cirúrgico. Os dados fazem parte da pesquisa realizada pela Dove, marca da Unilever, em dez países, dentre os quais apenas 2% das mulheres se dizem belas.

Há alguns anos o modelo da bela mulher era bem diferente e ter algumas gordurinhas a mais era sinal de beleza e saúde. O espartilho era a moda, modelava a silhueta da mulher deixando-as mais bonitas e elegantes. Este já era um sinal da ditadura da moda, já que muitas usavam o espartilho tão apertado que além de não permitir que ela se curvasse, comprimia o seu aparelho digestivo, atrofiava os músculos, espremiam as costelas, os rins e o fígado, levando-as por muitas vezes ao desmaio.





Hoje ser magra é quase que uma obrigação entre as mulheres. Quem tem alguns quilos ou curvas além do desejado já se sente obesa e entra em guerra com a balança. Isso porque, depois de algumas descobertas médicas de que a gordura excedente pode trazer malefícios à saúde, o padrão de beleza mudou radicalmente. E a pressão pelo corpo perfeito só aumentou levando milhares de mulheres de todo o mundo a uma rotina ditatorial para se igualarem as modelos esqueléticas que desfilam nas passarelas do mundo da moda, como se aquelas poucas fossem a maioria e fosse obrigatório a todas as mulheres vestirem manequim 36.
Esta obsessão em busca do corpo perfeito, que leva as mulheres a problemas como anorexia e bulimia, rende lucros bastante rechonchudos para os autores de dietas de todos os tipos que variam de tipo sangüíneo, dieta das celebridades (a “ortomolecular”) e mais um número exorbitante de remédios para emagrecer.

Atualmente, a criação de novos cosméticos e prática de cirurgias plásticas são tão freqüentes que se devem ter condições para corrigir ou esconder as imperfeições a todo custo. A insatisfação acompanha desde a seleção para emprego até o autocontrole emocional. O estereótipo de beleza contemporâneo é vendido pela mídia, e esta faz acreditar que é a receita para a felicidade. Uma Gisele Bündchen, por exemplo, pode fotografar e desfilar muito bem, mas, fora das passarelas, quem pode garantir que sua vida será sempre satisfeita e feliz?

No entanto, 13% das mulheres afirmaram que somente as top models são realmente bonitas. E ainda de acordo com a pesquisa, 68% das mulheres concordam que a mídia utiliza padrões irreais e inatingíveis de beleza. Percebendo que a identidade estética de cada ser humano é variável e particular, os especialistas indicam soluções mais saudáveis e eficientes a longo prazo, como a prática de esportes e as academias de ginástica.

Mas o culto ao corpo e a busca exagerada por uma beleza idealizada podem trazer conseqüências dolorosas, por vezes, irreversíveis. A inversão dos valores, o ter versus o ser, já é um traço característico da sociedade. A constante insatisfação pessoal e a depressão podem gerar um comportamento excluso à família e à sociedade.

A televisão, as revistas, o cinema, enfim todas essas mídias formadoras de opinião apresentam mulheres lindas, e magras sempre associadas com um bom nível social, fama, amor e dinheiro, o que cria uma ilusão em milhões de jovens e adolescentes que almejam para si esse ideal.





Há como fugir desse estereótipo? Difícil. A mídia cria o modelo, por exigência do mercado e os seres comuns do planeta correm atrás desse ideal de beleza.

Na Grécia antiga, Vênus de Milo mostrava um corpo feminino forte, sem os extremos exagerados que vemos entre a Renascença, onde a beleza feminina eram formas quase obesas e excessivamente arredondadas, e os espartilhos do século 19, que deixavam a “cintura de vespa”, até o emagrecimento absoluto que começou a ganhar força após os anos 60, do século XX. Até chegar ao corpo magro e malhado, ornado de músculos, do início do século XXI, onde as protuberâncias são obtidas com próteses e as gorduras sugadas em lipoesculturas.





A ditadura da moda, como toda ditadura que se preze, esta envolvida com alguns tipos de torturas físicas e psíquicas e para se chegar o mais próximo possível do padrão de beleza imposto em cada época já envolveu tratamentos estranhos, longos, dolorosos e caríssimos.



A indústria da moda ao ditar um padrão quase inatingível, ao apresentar modelos quase inverossímeis, distancia-se, cada vez mais, da realidade, ameaçando, assim, a sua própria continuação. Porque, de repente, pode haver um consenso de que por trás de tantas imposições existe na verdade, uma falsa arte. E as mulheres, principalmente, poderão começar a se cansar de serem rejeitadas em sua natureza por essa indústria e passarão a rejeitar não só as suas regras, mas a indústria da Moda como um todo,seus padrões de beleza e magreza, cansadas de estarem sendo privadas do prazer de viver com saúde em nome de um falso modelo de perfeição.
A busca descontrolada pelo corpo perfeito deve ser controlada. Mas quem deve fazer esse papel? Essa é uma responsabilidade de toda a sociedade, já que todos têm uma parcela de culpa nessa situação. Porém os meios de mídia abrangem muitas pessoas e de diversas classes sociais ao mesmo tempo. Logo seria plausível a idéia dos meios de comunicação começarem a desempenhar esse papel. Desse modo os responsáveis por criarem mais uma neurose na mente feminina ajudariam essas mesmas mulheres a serem mais felizes do jeito que elas são e sem precisar recorrer a médicos e pílulas para se sentirem confortáveis em sua própria pele.
Atualmente, verificamos a mobilização de alguns publicitários em favor da responsabilidade social nos anúncios. Olivetto, fundador da agência de propaganda W/Brasil, cita que para uma mensagem publicitária ser verdadeiramente efetiva na venda de um produto tem que fazer mais do que pura e simplesmente vender o produto. Tem que acrescentar algo de útil na vida do consumidor. "Não importa o que seja, mas tem de ter esse algo mais, porque assim é mais eficiente, assim é melhor negócio, assim é mais responsável com o quadro social e assim é mais contemporâneo", segundo Washington Olivetto.

Segundo Francisco Gracioso, presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing, os publicitários receitam o remédio, como aplicar a responsabilidade social nas propagandas, mas eles próprios nunca tomam. Diante desta consideração e da constatação de colocar ênfase na responsabilidade social da propaganda, um grupo de publicitários composto por ele, Hiran Castelo Branco, José Roberto Whitaker Penteado, Christina Carvalho Pinto e Ricardo Guimarães estão elaborando um Código da Responsabilidade Social da Propaganda.
"Eu acredito na real beleza, aquela que está em todas as cores, idades, formas e tamanhos. Eu acredito na beleza maior, que vem da alma."

Postado por Diário de Perséfone às 17:42 Disponivel em: http://delas.ig.com.br/saudedamulher/os+mitos+dos+transtornos+alimentares/n1237888438005.html Acesso em 23 de dezembro

Um comentário:

  1. O padrão quase inatingível é o de uma alimentação à base de proteínas, legumes, verduras e frutas. O padrão vigente é o
    das massas, pão, biscoito recheado e refrigerante, passando pela batata frita e pelo
    álcool, obviamente...depois a culpa é das passarelas...

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