domingo, 15 de agosto de 2010

Adolescentes representam 13% do total de cirurgias plásticas feitas em um ano.


.Enquanto outras meninas da idade dela ainda sonhavam com o primeiro sutiã, Gabriela Lopes de Souza já escondia as mamas enormes no número 46. “Apesar de só ter menstruado aos 14 anos, meus seios começaram a crescer aos 10.” Para não ser alvo de olhares alheios, ela ainda colocava um top por cima do sutiã e uma blusa enorme, que lhe dava aparência de mais gorda do que era. Com 1,60 metro, costas estreitas, Gabriela era infeliz demais. “O peso das mamas inclusive alterou minha postura”, explica.

Aos 16 anos, procurou a ajuda de um cirurgião plástico, que retirou 500 gramas de cada lado. Gabriela se livrou de um quilo de excessos. Terminado o período de recuperação, realizou outro sonho: ir à praia de biquíni, pois sempre desistia das viagens ao procurar um modelo que coubesse nos seios. “Certa vez, rodei a cidade inteira para encontrar um que me servisse, mas nada. Hoje é outra coisa. Todas as roupas ficam boas em mim. Foi a decisão mais acertada da minha vida. Se tivesse de fazer de novo, não teria a menor dúvida”, constata.

Cirurgiões plásticos alertam para excessos

Adolescentes devem conhecer o procedimento antes da cirurgia

Gabriela faz parte das estatísticas que mostram um novo comportamento do jovem brasileiro. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), os adolescentes já representam 13% do total de 547 mil cirurgias estéticas realizadas no País entre setembro de 2007 a agosto de 2008, ou seja, mais de 70 mil fizeram correções cirúrgicas nesse período. Entenda-se por adolescente, meninos e meninas entre 12 e 18 anos.
Para o cirurgião plástico Ronan Horta, a presença constante de adolescentes nos consultórios começou no fim da década de 1990. Ele percebeu esse fenômeno já em 1992. “A maioria das meninas que me procurava já tinha corpo de mulher aos 15 anos, sendo que a primeira menstruação havia ocorrido há três, quatro anos. E todas apresentavam alterações corporais secundárias e morfológicas típicas de uma mulher.”
Foi essa constatação que levou o cirurgião a fazer um estudo, orientado por pedagogos, com 1 mil questionários que foram respondidos por adolescentes da rede pública de ensino. O resultado mostrou claramente a precocidade da primeira menstruação e, como consequência, das características sexuais secundárias. O estudo do médico mineiro foi publicado em revistas científicas e recebeu os prêmios nacionais Ariê e Ivo Pitanguy.
A partir daí, a presença dos adolescentes se solidificou. “Hoje, é comum encontrar jovens acompanhados das mães nos consultórios em busca das cirurgias estéticas. O que era raro antes, hoje não causa mais nenhuma surpresa”, diz Ronan.

Cirurgia plástica em adolescentes


A procura quadruplicou em cinco anos, o que merece a atenção para as motivações e as conseqüências da intervenção nessa fase da vida Envie esta matéria para um amigo
Dr. Hans Arteaga *
O número de cirurgias plásticas vem aumentando consideravelmente nos últimos tempos e com isso, a presença do adolescente também ficou mais constante nos consultórios médicos, sendo necessário dar mais atenção às suas motivações, seus problemas e as conseqüências das plásticas nessa pessoa. Em 2000, cinco entre 100 pacientes que procuravam meu consultório tinham de 6 a 16 anos. Este ano o número saltou para 22 entre 100 pacientes.

Em adultos, a dinâmica entre consulta e cirurgia é muito curta, o paciente já chega bem mais esclarecido que antes, facilitando e tornando o processo muito mais rápido. No adolescente, porém, a atenção deve ser redobrada, não podendo existir pressa para a realização da cirurgia.
Todos nós, principalmente aqueles que têm filhos, sabemos que o adolescente está em constante mudança, e que a sua vontade por uma plástica hoje pode não ser a mesma amanhã, podendo não aceitar os resultados conseguidos.
Determinar os efeitos da plástica em um organismo em desenvolvimento não é muito fácil, mas hoje essas condutas estão mais padronizadas. Mesmo assim, o problema principal é o aspecto psicológico do adolescente, que deve ser bem analisado para conseguir boa indicação para a cirurgia, de maneira que seus anseios sejam atingidos e os resultados fiquem dentro de sua expectativa.
Quando se chega à conclusão de que o problema em si está dificultando o relacionamento em seu grupo social e, se possível, apoiado por educadores e psicólogos, então a cirurgia é realizada.

fonte http://www.terra.com.br/istoegente/320/saude/index.htm


Se a cirurgia plástica normalmente influencia a vida de quem a procura, as alterações no adolescente são muito mais perceptíveis, e, em geral, contribuem para o seu desenvolvimento psicossocial. Normalmente no primeiro curativo são notadas sensíveis alterações como postura corporal e fala mais espontânea.



Certa vez, uma adolescente de 17 anos compareceu ao consultório queixando-se por ter mamas muito pequenas. Sua mãe dizia que ela não ia à praia, não usava camisetas ou outras roupas que marcavam, pois se sentia constrangida. Após a cirurgia, a paciente retornou ao consultório muito mais falante, com uma outra postura, era praticamente outra pessoa. É lógico que isso varia de indivíduo para indivíduo, mas é gratificante para o médico ver essas mudanças.



Ainda sim, com todos os benefícios, devemos lembrar que os riscos inerentes à cirurgia, anestesia, internação em ambiente hospitalar, medicamentos e outros fatores sempre irão existir, e se nossa geração, que passou pela adolescência há 20, 30 anos, resolveu suas “neuras” sem recorrer a cirurgias, por que os adolescentes de hoje também não podem resolvê-las da mesma maneira? Essa questão fica em aberto.



* Hans Arteaga é especialista em cirurgia plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Com especialização na Itália e Sérvia e Montenegro. É diretor clínico da Clínica de Cirurgia Plástica Anália Franco e do Hospital Avicena em Belgrado e médico cirurgião em Roma.



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