Médicos farão plástica gratuita em vítimas de violência doméstica em SP
Projeto da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica atenderá 600 mulheres.
Cirurgias devem ser feitas em 11 espaços públicos.
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As plásticas devem ser feitas em onze espaços públicos, ainda de acordo com a entidade. Entre 80 e 100 médicos foram mobilizados para participar do projeto. O montante investido na iniciativa, financiado pela regional São Paulo da entidade, e o nome dos hospitais públicos parceiros não foram divulgados. Procurada pelo G1, a Secretaria de Estado da Saúde disse não ter informações sobre eventuais parcerias com o grupo.
De acordo com Leonor de Sá Machado, presidente da The Bridge Global, as fichas cadastrais das mulheres serão enviadas para a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e depois, ela será indicada para um hospital do Sistema Único de Saúde mais próximo da casa dela, onde será operada.
“O programa vai agilizar o atendimento às vítimas de violência na rede pública de saúde. Depois de três semanas do primeiro contato, o programa volta a ligar para mulher e, se preciso, pode propor outro encaminhamento”, afirmou.
Machado disse que existem mulheres que aguardam uma cirurgia reparadora há cerca de dois anos. “Essa mulher tem que deixar de se sentir de vítima. Ela precisa ser reintegrada urgentemente. Nós não vamos prejudicar os outros atendimentos, mas os médicos vão agilizar atendimento dessa mulher”, disse.
Uma emenda à Lei Maria da Penha, aprovada em 2010, dá o direito à mulher vítima de violência o direito a uma cirurgia reparadora pelo SUS.
“Queremos contribuir para minorar o estado calamitoso que é esse quadro da violência familiar. Os números são estarrecedores e temos muito a contribuir nessa área”, afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, José Horácio Aboudib.
O projeto teve a participação da delegada Rose, titular da primeira Delegacia da Mulher aberta em 1985 e conhecida por sua luta na defesa dos direitos das mulheres, e da farmacêutica bioquímica Maria da Penha Maia Fernandes, cuja história pessoal e luta contra a violência doméstica inspirou o surgimento da Lei Maria da Penha.
De acordo com dados da Secretaria de Políticas para Mulheres, a cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil. Em 49% dos casos o agressor é o próprio companheiro. Em 21% das denúncias, o cônjuge é o agressor. Ex-marido e ex-namorado responderam a 12% e 5%, respectivamente.
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