A busca incessante pela perfeição
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JÉSSICA BENITEZ
Da Reportagem
O padrão de beleza imposto pela sociedade contemporânea exige que o sexo feminino se encaixe o mais próximo possível da perfeição. Estampadas nas capas de revistas estão beldades cheias de curvas, traços primorosos, dignas de “parar o trânsito”. Até mesmo as bonecas são elaboradas dentro destes padrões, trazendo desde a infância a imagem da perfeição. Um exemplo é a Barbie, que possui seios volumosos, cintura fina, bumbum arrebitado, nariz pequeno e empinado, uma referência que há pouco mais de 50 anos acompanha as gerações.
Para atender às exigências estéticas mulheres estão se submetendo a cirurgias plásticas cada vez mais jovens. Segundo pesquisas realizadas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial deste tipo de operação, perdendo apenas para os Estados Unidos. As três primeiras colocadas são: aumento das mamas (silicone), lipoaspiração e correção do abdômen.
O levantamento, elaborado por meio do autopreenchimento de um questionário enviado a 3.533 nomes da SBCP, aponta que 73% das cirurgias realizadas no Brasil são estéticas. Deste total 58% são feitas em hospitais particulares e 28% em clínicas. O público é composto basicamente por mulheres que representam 88% da população que se submete a procedimentos cirúrgicos. A idade média vai de 19 a 50 anos (72%).
O cirurgião plástico Olyntho Gonçalves Neto ilustra que não existe idade mínima para se submeter à plástica. “No caso de cirurgias estéticas em menores se faz necessário autorização dos pais ou responsáveis legais. A norma se estende a reconstruções pós-acidente ou ressecções de tumores, queimaduras entre outras”.
O médico atua em Cuiabá e na capital fluminense e afirma que a preferência nacional por cintura fina e mamas maiores se deve ao clima tropical do país que influi na exposição do corpo por meio de roupas decotadas, curtas e mais justas. Ele ainda revela que após os 45 anos, as cuiabanas, em específico, optam por fazer facelifting (cirurgia facial para tratamento da flacidez) e também operação nas pálpebras.
Para a consultora de vendas Sumaya Nassarden de 29 anos, o importante é estar feliz consigo mesma. “Eu acho que vale a pena para que a pessoa se sinta bem e bonita. Deve-se levar em conta que hoje em dia existe muita cobrança da sociedade neste sentido, até mesmo para conseguir trabalho. Mas é necessário ter ciência de que tudo tem limite e perfeição não existe”, afirma a vendedora, que já fez duas lipoaspirações no abdômen, costas e coxas, além de ter prótese de silicone nos seios.
Já a secretária Lucimar Talhaferro, de 44 anos, fez três cirurgias: abdômen, prótese mamaria e redução da pele dos seios, bem como lipoaspiração costas e quadril. Ela conta que se submeteu a todos esses procedimentos para alimentar a autoestima. “Se a medicina proporciona ao ser humano melhorar sua aparência por que não aceitar? Não me arrependo de nada, pelo contrário amei o resultado. Daqui um tempo pretendo fazer no rosto também. Só não é legal deixar de ter a fisionomia natural. Quando se chega a esse ponto, é preciso permitir que o tempo faça seu papel”, opina.
Olyntho Neto elucida que o importante não é o número de cirurgias feitas por uma pessoa e sim a circunstâncias nas quais os procedimentos foram executados. “Independente de quantas plásticas o individuo faça, é de suma importância escolher um profissional qualificado e que atue em um ambiente hospitalar para garantir a segurança”, alerta.
Além disso, o estado de saúde do paciente deve estar bom para que os riscos sejam minimizados. Os perigos de uma cirurgia plástica são os mesmos outra qualquer, porém com uma pequena vantagem já que é praticada de forma eletiva e não dentro do caráter emergencial. “Em situações em que o paciente nunca se sente satisfeito com sua aparência, recomendamos tratamento com psicoterapia”, finaliza.
retirada do site: http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=413530 acesso em 01 de julho


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