domingo, 26 de junho de 2016

O dilema masculino

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Da esquerda para a direita: Jenniffer Newson, Dr. Michael Kimmel, Shaun Ross e Stephanie Feeney (Crédito: Eduardo Lopes)
72andSunny mostrou o lado B da desigualdade de gênero, a formação de um novo homem, mas sob uma cartilha ultrapassada
Muito tem se falado sobre a mulher, o empoderamento feminino e a igualdade de gêneros. Mas o Cannes Lions este ano abriu espaço também para a “masculinidade” ser discutida, num painel promovido pela 72andSunny.
“Masculinidade hoje: uma mudança dramática e o novo normal” reuniu Jeniffer Siebel Newson, autora do documentário “The Representation Project”, o Dr. Michael Kimmel, professor de estudos de gênero e sociologia na Stony Brook University e o modelo, ator e dançarino Shaun Ross, numa conversa moderada por Stephanie Feeney, diretora de estratégia da 72andSunny.
Kimmel afirmou que a questão atualmente envolvendo os homens é que há um gap entre a ideologia masculina tradicional e o que está de fato ocorrendo na vida deles, que já têm algumas práticas diferentes. “Eles já não são mais tão ausentes assim de casa como era um herói como Don Draper”, afirmou Kimmel, em alusão ao publicitário protagonista da série Mad Men.
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Shaun Ross: é preciso criar um mundo mais confortável. (Crédito: Eduardo Lopes)
Os palestrantes mostraram que assim como existem os preconceitos com relação às mulheres, às vezes também se coloca o homem dentro de uma caixa e quando ele não reage daquela maneira (ser responsável, protetor, não chorar etc.) a sociedade cobra isso. E para fugir a essas cobranças, defende Kimmel, o caminho é ser mais autêntico e deixar de se policiar tanto uns aos outros (coisa que ele diz os homens fizeram por muito tempo, lembrando a brincadeira de pedir de modo súbito ao outro que mostrasse as unhas e dependendo da forma como fizesse isso seria taxado).
Sobre a pressão sofrida pelos garotos, Jennifer Newson, que tem um filho, instigou reflexões sobre o quanto todo o conjunto da sociedade erra também no desenvolvimento masculino quando, por exemplo, “espera-se” dos meninos agressividade em algumas situações. O filme, segundo ela, foi um caminho pela via da publicidade e da mídia de discutir o assunto de forma mais abrangente. “Acreditamos que a mudança cultural é possível, porque o meio é a mensagem”, afirmou, resgatando a famosa teoria de Marshall Mcluhan.
Já o sociólogo acredita que muito do que a publicidade produz hoje não atende ao novo homem que está surgindo.
Shaum, que se diz branco e negro (é albino) contou que em uma agência de modelos em Paris ouviu da pessoa que o cogitava para um trabalho, há algum tempo, que ela até gostava de seu jeito “mas não sei como o público irá receber”. A despeito de experiências como essa, ele acredita que as marcas estejam abrindo mais a mente e aceitando o fato de que ninguém é igual a ninguém. E lança o convite também para os homens em geral fazerem do mundo “um lugar mais confortável” para eles próprios.
http://cannes.meioemensagem.com.br/cobertura2016/seminarios/2016/06/25/o-dilema-masculino

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