terça-feira, 1 de julho de 2014

'Campanha' de Huck reforça estereótipo, reclamam críticos

Gente


O apresentador foi às redes sociais pedir que as interessadas em 'gringos' na Copa se oferecessem por e-mail. Após enxurrada de críticas, ele apagou o post

Daniel Haidar, do Rio de Janeiro
Nana Queiroz, idealizadora da campanha 'Eu não mereço ser estuprada'
Nana Queiroz, idealizadora da campanha 'Eu não mereço ser estuprada' (Reprodução)
Luciano Huck se deu mal ao tentar reinventar o Namoro na TV, em uma versão que pretendia unir brasileiras aos turistas estrangeiros que invadem o Rio de Janeiro para a Copa do Mundo. Pelo Twitter e no Facebook, o apresentador convocava cariocas solteiras a enviar fotos para disputar um "gringo sob medida". A ideia encontrou resistência entre os próprios fãs – inclusive um grande número de homens. "Que incentivo, hein?", um usuário do Twitter provocou Huck na rede social. "Mulher bonita é mercadoria televisiva?", questionou outro. 
A reação fez com que o apresentador apagasse as publicações. A amigos próximos, ele se mostrou surpreso com a repercussão negativa de uma ideia que, segundo suas palavras, "nada mais é do que o 'namoro na TV', que existe há mais de 40 anos na televisão e ninguém critica". 
No fim da tarde, a Rede Globo emitiu uma nota por meio de sua assessoria de imprensa. O texto diz que Luciano Huck, assim como toda a equipe de seu programa, "é contra qualquer tipo de violência e sempre apoiou campanhas contra a exploração sexual de mulheres". Segundo a emissora, a mensagem postada nas redes sociais "se refere a um quadro já produzido outras vezes pelo 'Caldeirão' e, por outros programas com o intuito de promover o encontro entre pessoas, sejam elas brasileiras ou não. A nova edição do quadro é um projeto em estudo, que sequer está em produção, assim como outras iniciativas internas do programa".   
Em meio às péssimas repercussões, mulheres engajadas na luta contra a exploração sexual aproveitaram o momento e fizeram o que era esperado: manifestaram repúdio à "campanha" de Huck.
Reprodução do Facebook de Luciano Huck
Reprodução do post do apresentador no Facebook
"Foi uma atitude de extremo mau gosto. É como se vivêssemos em uma terra colonizada. Por que ele não chama homens para conhecerem gringas também? É como se as mulheres vivessem para isso. É discriminação contra o país, o povo e a mulher", afirmou, ao site de VEJA, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM),Procuradora Especial da Mulher do Senado.
A ativista Nana Queiroz, responsável pela campanha #EuNãoMereçoSerEstuprada que fez grande sucesso nas redes sociais, definiu a declaração do apresentador como "infeliz", que só serve para reforçar "um estereótipo horroroso", explorado com frequência durante eventos como a Copa. "É como se a mulher brasileira fosse uma mercadoria fácil à espera do melhor gringo comprador, e não um ser pensante com quem estrangeiros pudessem ter uma troca intelectual e afetiva real", criticou.
Para a deputada Inês Pandeló (PT-RJ), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), atitudes como a de Luciano Huck podem acabar estimulando o turismo sexual. "O Brasil já é vendido como um lugar onde os turistas podem vir, porque as mulheres estão dando sopa. A promoção é mais um desrespeito, um crime."

http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/campanha-de-huck-reforca-estereotipo-criticam-mulheres

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